Capítulo 011

1298 Words
Bárbara | Babi 💖 - Recife | PE 🌞 Acordo com o chorinho da minha criança e abro os olhos lentamente vendo que lá fora já estava claro, procuro pelo meu celular e vejo ser oito da manhã, até que hoje ela me deixou descansar, tava um caco. Solto o celular levantando da cama ouvindo o berreiro que só ela sabe fazer. __ tá bom Helena, já acordei mulher. - murmurei e peguei ela no colo que foi se calando aos poucos, agradeci mentalmente, estava com a cabeça explodindo, acho que foi a viagem.- tá de cocô né, por isso esse estresse logo cedo? - murmurei conversando com ela como se ela fosse me responder. Coloquei ela sobre a cama e fiz a mesma coisa que sempre faço todos os dias, tirei a fralda, limpei o cocô, passei pomada e pus outra, rotina matinal de sempre. Deixo as coisas sujas no chão pra jogar depois que dar o mama dela, me encosto na cabeceira da cama e pego ela no colo, tiro o peito de dentro da blusa e levo direto na boca dela que pega com toda força do mundo. __ calma filha, devagar.- murmuro sentindo a dorzinha chata. Enquanto ela mamava eu mentalizava o que tinha que fazer hoje, nada muito importante, o de sempre, limpar casa, fazer comida, cuidar dela e de mim, enfim o mesmo de sempre, estou exausta da rotina, porém muito grata por estar viva e estar com a minha filha. Eu ainda não entendi muito bem o rolo que o Emerson se meteu e de quebra meteu a família inteira junto, mas eu também sei que não foi de propósito, não tem como ser. Não pode ser que tudo que vivemos e sonhamos era tudo uma mentira, eu me n**o acreditar nisso, estou tão confusa e cansada que nem percebi que as lágrimas já desciam em meu rosto. Era f**a ver em como nossa vida mudou da noite para o dia, e eu juro, juro que tentava enxergar ele como o Vt fala, mas não dar, não consigo. Ele foi o meu primeiro amor, o homem que me ensinou tudo, a beijar, a t*****r, eu amo ele desde de sempre, nunca olhei pra outros homens como olho pra ele e tudo que eu queria era que ele voltasse pra nós viver em paz e cuidar da nossa filha. __ se melecou toda cara.- brinquei com a neneca que tinha soltado o peito e se melado toda. Levantei com ela no colo e me olhei no espelho, cabelo todo bagunçado, olheiras fundas, típica mãe solo. Coloquei ela de volta no berço com os brinquedos dela, enquanto arrumava a cama, dobrei o lençol que dormir e já guardei no guarda roupa novamente, desliguei o ar, forrei a cama, abrir a cortina e a janela vendo o solzão lá fora, daria tudo pra uma prainha, um ventinho no rosto enquanto eu tomo um caldinho, um queijo com mel e uma coca de lei. Deixei o quarto todo organizado, peguei uma roupinha pra minha neneca, o perfuminho dela, a escovinha de cabelo, as pomadas e deixei tudo em cima da cama. __ bora banhar porquinha? - perguntei pegando ela e cheirando o pescoço dela fazendo ela soltar um risinho. - gostosinha de mamãe, te amo amor.- falo enchendo ela de beijinhos e logo vou saindo do quarto, escuto barulho na cozinha e deduzo ser o VT, então só entro com ela no banheiro. Encho a banheira com metade de água quente e o resto gelada mesmo, tava calor, não fazia sentido dar banho de água quente, sei que a pelezinha dela é muito mais sensível do que a de adultos, mas o calor de Pernambuco chega a ser insuportável, bem pior que o meu errejota. Tiro a roupinha dela, já prevendo o escândalo mas já tava até acostumada, quem deve chiar ou desconfiar de algo vai ser os vizinhos novos, a garota parece que tem apito na garganta. __ sem escândalo filha, mamãe tá com a cabeça doendo hein.- tentei argumentar, como se ela entendesse algo, mas não rolou, assim que o corpo dela entrou em contato com a água o choro foi imediato, choro não, escândalo, garotinha escandalosa. - se você quer sorrir, é com Patati, se você quer brincar, é com Patata, se você quer sorrir e brincar, Patati, Patata. - tentei cantar pra ver se ela distraía e piorou mais ainda me fazendo rir, nem talento pra acalmar minha filha eu tenho Jesus. Nem demorei tanto também, era só pra esfriar e tirar a catinguinha de leite de peito. __ pronto chatinha.- murmurei enrolando ela na toalha, coloquei a banheira pra secar e sair do banheiro com ela. Entro novamente no quarto e coloco ela sobre a cama, enxugo direitinho o corpo dela e começo a organizar ela, primeiro passo as pomadas nas dobrinhas da gordinha, nem come nada de comida de panela, suco ou qualquer coisa, mas tá ficando gordinha...coloco a mesma fralda nela até porque não deu tempo nem de ficar xixada e coloco uma blusinha de alça e uma calcinha de ficar em casa mesmo, passo o perfuminho dela e vou guardando as coisas enquanto ela brinca com as mãos, é incrível como eu odeio bagunça, tenho pavor, por isso fico cansada e exausta, porque nem sempre consigo pedir ajuda. Na verdade, nem tinha a quem pedir ajuda, apesar de amar muito o Emerson, de sentir saudades e tals, eu sei o quanto era difícil nossa convivência, justamente por conta disso, ele não gosta de manter nada arrumado e também não gosta de pôr no lugar, queria tá sempre tá pagando a alguém pra fazer o que conseguimos fazer e quando eu não concordava era briga por dias. Eu não julgo quem tem e quem precisa de ajuda, mas eu não acho que seja necessário, pelo menos não achava, ele não pegava plantão todos os dias e eu ainda não tinha tido a Neneca, então não custava ele ajudar a manter a casa limpa e arrumada, como sempre acabávamos brigando por ele dizer que eu sempre quero pagar de pobre sendo que tenho dinheiro. E eu não aceitava isso, porque como falava pra ele, ter dinheiro não quer dizer que podemos gastar com coisas fúteis. No momento eu acho que consigo dar conta de tudo, até porque ela ainda é pequena e ainda tem o VT que é totalmente ao contrário dele, parece ter toques igual a mim, qualquer coisinha que esteja fora do lugar, ele já vai organizando e eu nem preciso falar nada, mesma coisa comigo, e isso torna nossa convivência mais leve. Respiro fundo tentando afastar esses pensamentos, hoje realmente eu acordei pra baixo, com saudades de uma coisa que eu nem sei se existe mais. Pego minha Neneca no colo e levo pra sala, o plano era deixar com o tio enquanto eu tomava meu banho e me cuidava um pouco, já que ele faz questão de ajudar e ficar por perto, vou aproveitar um pouco. __ bom dia Everton.- falei assim que vi ele deitado assistindo alguma coisa na tv.- fica com ela pra eu tomar banho? - pedi e ele me olhou com os olhos de quem tinha acabado de acordar, carinha toda amassada, todo bonitinho, Emerson que me perdoe, mas não pude deixar de reparar. __ precisa nem pedir pô, dá a ratinha aqui.- falou e eu me aproximei entregando ela que já foi deitando no peito dele se aninhando por ali, agradeci com um mini sorriso e fui fazer minhas coisas o mais rápido possível. Só quem é mãe vai entender esse sentimento, por mais que as pessoas se ofereçam pra ficar com nossas crias enquanto cuidamos em nossos afazeres, parece que você está incomodando, pelo menos eu me sinto assim.
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