Capítulo 7
Nathan
Lobas eram as coisas mais amargas e ciumentas. Rebecca trabalhou duro a semana toda para cuidar do abrigo de comida da matilha, também conhecido como o Diner. Só porque ela foi escolhida para cuidar do Diner como estágio, as garçonetes designadas ligaram dizendo que estavam doentes.
Lobisomens não ficavam doentes.
Foi a coisa mais estúpida que já ouvi. Uma vez confrontadas, a Alfa quase arrancou suas cabeças. Elas não pensaram que Rebecca iria dizer nada, mas ela estava cansada depois de quatro dias sem ajuda extra.
Uma humana ajudou a nossa espécie. Sorte a dela, aquela humana apareceu e foi gentil o suficiente para ajudar. Fiquei feliz que não vivíamos nesta matilha, isso me enojava.
Sadie tem ajudado Rebecca religiosamente nos últimos dias, sem reclamar, aceitando qualquer tipo de pagamento. Ela fez isso por bondade própria. Tudo o que ela pediu foi almoço e jantar no Diner, onde ela mesma cozinhava e não deixou os cozinheiros ajudá-la. Isto que é uma santa.
— Rebecca, me conte sobre essa garota, Sadie. Ouvi algumas coisas interessantes. — Eu disse maliciosamente.
— VOCÊ NÃO ENCOSTA NELA! — ela gritou para mim. Rebecca me conhecia muito bem. Eu e meu lobo éramos apenas galinhas, qualquer mulher com pernas, ele não se importaria em pegar. — Ela é inocente! Você não pode fazer nada. Ela não é um brinquedo, e ela é minha amiga! Eu nunca vou deixar você se aproximar dela!
— Desafio aceito. — sussurrei em seu ouvido.
— Nathan, eu estou falando sério. — Ela implorou. — Sadie é uma garota muito legal, e eu realmente não acho que ela sabe nada sobre garotos. A pobre coisa fica corada quando os guerreiros a elogiam por sua aparência. Ela apenas fica parada e quietamente agradece e sai correndo. Todos acham isso adorável. Eu acho engraçado, mas ela é inocente demais para você. O Alfa até conectou a mente da matilha dando instruções explícitas para deixá-la em paz enquanto ela estiver trabalhando.
Comecei a rir. — Bem, nós não fazemos parte dessa matilha, então ele não pode me conectar e me dar essas ordens. — Suspirei. — Vou fazer o que você quer e não vou incomodar a coitada no trabalho.
— Não, Nathan! Você nunca deve incomodá-la. — Ela sibilou.
— Tudo bem. — Eu disse sem emoção.
A conexão mental era ótima para as matilhas. Você podia falar com alguém como se estivesse usando um telefone, mas quando você não fazia parte oficialmente da matilha, acabava perdendo muitas informações. Sorte a minha, eu podia trabalhar com os guerreiros para treinar todos os dias e receber a maioria dos anúncios lá.
Não iria deixar essa coelhinha escapar. Os guerreiros diziam que ela era pequenina, mas incrivelmente rápida. Uma vez um guerreiro tentou colocá-la no colo e ela saiu voando como um morcego.
— Quais são seus planos amanhã, Rebecca, agora que você tem ajuda? — Eu perguntei.
— Amanhã eu vou dormir até mais tarde, e Lela e Sadie vão fazer compras comigo à tarde. Vamos levar nosso pequeno projeto às compras. Ela realmente precisa de roupas novas. — Rebecca pegou uma maçã da tigela na mesa e começou a comer.
— Hmm, parece bom. Finalmente posso sair daqui e ir com você. — Eu olhei de soslaio para ela enquanto pegava a maçã dela. Ah, se os olhares matassem...
— Por que você viria também? Você odeia fazer compras. Você só deveria estar por perto se eu precisar de você, e eu não preciso. — Ela pegou a maçã de volta e se sentou do outro lado do quarto.
— Estou curioso sobre sua amiga. Supostamente, eu devo saber se você interage com humanos, isso fazia parte do acordo de seus pais, lembra?
— Aff, tudo bem. Você pode ficar nas sombras. Você não pode falar com ela até terminarmos de fazer compras. Não quero que você a assuste.
— Acordo feito.
(...)
Diabos, essas garotas sabiam comprar! Estava sentado na praça de alimentação do shopping outlet há três horas! Chega de brincadeira, elas deviam estar quase prontas. Eu aspirei o cheiro de Rebecca e sabia que ela e Lela não estavam longe.
Até fiquei dentro do alcance da audição antes mesmo que elas conseguissem me ver.
— Sadie, se você usar isso, os caras vão ficar malucos por você! — gritou Lela.
— Lela está certa, todos vão uivar por você! — Rebecca começou a gargalhar junto com ela.
— Eu realmente não quero chamar a atenção! Eu só vou sair com vocês e tentar dançar, nada mais. — Sadie disse com pânico.
— Relaxe — Rebecca disse. — Vamos estar com você o tempo todo, e nenhum cara vai incomodar você a menos que você queira. — Ela piscou. — Você só precisa se soltar e não ficar escondida na cabana e no Diner o tempo todo.
Ao contrário, Sadie respondeu hesitante: — Obrigada.
Enquanto eu contornava a esquina, finalmente consegui ver as três mosqueteiras se aproximando de mim. Foi como se o tempo parasse. Eu nem vi Rebecca e Lela.
Sadie estava caminhando com a cabeça virada para Rebecca, rindo do que ela disse. Seus cabelos realçados castanhos escovaram seu rosto, e ela rapidamente afastou do rosto. Seu rosto rapidamente ficou corado quando finalmente olhou para cima, para me ver, assim como as outras garotas.
Ela era pequena. Pequena de acordo com os padrões dos lobisomens. Mesmo sabendo que ela faria 20 anos neste fim de semana, ela ainda parecia mais jovem. Seus olhos verdes olharam para mim antes de desviar o olhar. Tão inocente que nem conseguia me encarar. Iria seguir meu ego nessa e pensar que era por causa de minha aparência irresistível.
Ela realmente chamou minha atenção. Meu lobo, Xander, estava me cutucando só para tocá-la. — Essa garota não é a nossa companheira, mas talvez ela pudesse ser… — disse o meu lobo. — O que você quer dizer? — Ela pode mudar, ela é destinada a ser a companheira de alguém. Ela pode se tornar uma loba como nós. Ela é bonita, eu quero que ela seja nossa. — Ele ronronou.
Não era comum para os lobisomens terem humanos como companheiros, mas quando eles tinham, precisavam ter certa química corporal entre eles para poderem ser marcados e acasalados. Apenas companheiros podiam se transformar, nós não podíamos sair por aí como alguns vampiros fracassados.
— Nathan! Diga alguma coisa! Você está deixando isso estranho! Você é o companheiro dela? — Rebecca conectou sua mente à minha.
— Não, ela não é, mas vou fazê-la ser minha. Meu lobo está uivando em concordância.
— Não faça nada e******o, não aqui. Aja normalmente, droga!
Eu saí do transe e fui em sua direção. — Desculpe-me, é só que eu nunca estive tão perto de um anjo antes. — Eu sorri.
— Você é um i****a. — Xander respondeu. — Cale a boca! É a primeira vez que estou tentando impressionar alguém. — Eu respondi com raiva.
Se Sadie pudesse ficar mais vermelha, tenho certeza de que os carros teriam parado. Ela não fazia ideia do que fazer com meu elogio, então simplesmente ignorou.
— Sadie, este é meu amigo, Nathan. — Rebecca disse sarcasticamente.
— Prazer em conhecê-lo, Nathan. Eu sou a Sadie. — Ela deu um pequeno sorriso.
— O prazer é meu. — Eu peguei sua mão e dei um beijo no dorso dela. Pude ouvir o acelerar de seu coração. Ela estava ficando desconfortável, e até mesmo assustada, então me afastei.
— Desculpe, Sadie. Eu não estava tentando te incomodar. Eu sou apenas excessivamente amigável. — Eu acariciei a sua mão.
— Está tudo bem. — ela pegou a mão de volta e olhou para Lela e Rebecca.
— Sinto muito você ter que lidar com ele, o Nathan meio que me segue por toda parte. Ele é um bom amigo, no entanto. Não se preocupe, ele não vai morder. — Ela acenou com a mão enquanto falava.
— Difícil… — Eu ri junto com Rebecca e Lela.
Sadie me olhou com os olhos arregalados e então começou a rir. Droga, essa risada era viciante.
(...)
Sadie
Depois de algumas horas de compras rigorosas, nos encontramos com Nathan, amigo de Rebecca e Lela. Sentir-se desconfortável seria um eufemismo.
Eu não era linda, nem nada do tipo. Acho que eles sabiam que me incomodava receber tanta atenção, então continuaram fazendo isso. Eu simplesmente não lidava bem com reuniões sociais envolvendo homens. Eu tinha um sinal sobre minha cabeça dizendo: “Eu não consigo lidar com elogios ou atenção muito bem, então, vá em frente e me provoque até eu morrer de vergonha”.
Não ajudava em nada que a última vez que tive um amigo homem, foi um completo desastre. Eu simplesmente nunca tive sentimentos românticos por nenhum homem, e nunca sabia como rejeitá-los, então eu só me afastava.
Tem sido ótimo nos últimos dias no Diner lidando com os homens lá. Eles se aquietaram um pouco depois que Rebecca os repreendeu. Eles disseram que estavam apenas provocando, tentando me fazer corar, mas, na realidade, eu apenas os achava realmente intimidantes. Todo mundo nesta cidade era alto, mas esses caras pareciam vikings indo para a guerra.
Músculos enormes, altos, alguns cobertos de tatuagens, eu simplesmente não suportava. Eu pensei que eles iriam quebrar meu pescoço com um movimento de pulso. Claro, iria agir o mais inocentemente possível para que eles não me empurrassem e me quebrassem.
Eu estava me divertindo até Nathan aparecer. Agora estava de volta à minha caixa de ansiedade social, de “não ser morta e tentar não corar tanto para não chamar a atenção”.
Todos nós voltamos para minha casa e pedimos pizza, e depois de Nathan implorar para vir, finalmente concordei. Se ele era amigo de Rebecca, acho que eu podia fazer isso apenas uma vez. Sinto que seria uma decisão muito r**m.
Nathan, Rebecca e Lela, e meu carro, todos estacionaram no meu caminho de cascalho. O sol estava se pondo e já estava abaixo da copa das árvores. Lela realmente gostou do lugar.
— Sadie, isso é lindo! Você disse que herdou essa cabana? — ela disse docemente.
— Sim, minha tia me deixou. Eu não pude consertar muito o lugar, mas ele estava só sujo, com apenas algumas coisas para arrumar aqui e ali. Quando ela ou um dos membros de sua família saíram, eles trancaram tudo com segurança. — Eu sorri. — Ainda não consigo acreditar que é minha. É tão perfeito para mim, talvez um pouco maior do que eu gostaria, mas ainda é minha.
Então entramos, coloquei minhas sacolas na mesa e comecei a tirar os pratos. Assistimos a Netflix e conversamos sobre a cidade.
Nathan tem sido nada além de amigável e até engraçado. Ele comentava sobre como minha cabana cheirava bem e como precisava deixar seu “cheiro” pelo lugar para afastar animais indesejados.
— Então, você vai fazer xixi do lado de fora da minha casa ou apenas espalhar perfume por todos os lugares? — Eu comecei a rir de seu comentário ridículo. — Estou apenas perguntando, Nathan, porque me parece que você está agindo como um animal e todos esses cheiros parecem problemas territoriais… — Eu comecei a rir. Rebecca e Lela começaram a rir descontroladamente e quase deixaram a comida.
Nathan olhou diretamente para mim e sorriu. — Sabe, é exatamente isso que eu vou fazer. — Ele saiu, e eu comecei a gritar loucamente.
— NÃO FAÇA XIXI NA MINHA CASA, SEU LOUCO!!! — Assim que saí, ele estava fazendo xixi na varanda da frente. Até mesmo Rebecca começou a gritar com ele enquanto Lela rolava no sofá.
— Isso não está certo, Nathan, e você sabe disso! — Rebecca começou a dar bronca nele como se ele fosse uma criança. Então, ele foi até ela, a fez se afastar e esfregou sua b***a em minha porta.
— NATHAN! O que você está fazendo!?!? — Eu comecei empurrá-lo para longe da porta. Falhei miseravelmente, é claro.
— Estou colocando meu cheiro na porta também. — Ele começou a rir feito louco.
As meninas e eu desistimos e voltamos para dentro. Depois de um ou dois filmes, todos decidiram que estava tarde e queriam ir para casa.
— Sadie — Lela pegou meu braço. — Nós vamos passar amanhã por volta das 7h para te arrumar para nossa noite de balada. Você vai ficar tão linda.
Meu rosto ficou pálido. Eu realmente não queria ir nesse ponto. Iria parecer uma criança entrando naquele lugar e as pessoas iriam olhar para mim como se eu fosse uma aberração. — Tudo bem… Eu vejo vocês amanhã, garotas.
— Não se preocupe, eu também vou. Vou te proteger. — Nathan estufou o peito e flexionou os músculos.
— Só não mija em mim, nem encosta sua b***a em mim. — Eu ri. Rebecca deu um tapa nele no peito e apontou o dedo para ele. — Você a ouviu! — Ela disse com toda seriedade.
Nathan recuou e levantou as mãos em rendição.