Coração Inquieto

1027 Words

Continuei falando. Não porque queria impressionar Ângela, nem porque buscava compaixão — mas porque, pela primeira vez em muito tempo, contar a minha própria história não doía. Ela apenas existia. Como um caminho que eu havia trilhado sem questionar demais, confiando que cada passo tinha sido colocado ali por algo maior do que eu. — Meus pais… — comecei, apoiando os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos. — Eles não me escolheram por acaso. Pelo menos, é assim que eu gosto de acreditar. Ângela me observava com atenção genuína. Não havia pressa em seus gestos, nem aquela inquietação que eu havia percebido nela na noite anterior. Agora, sentada à minha frente, com o restaurante funcionando ao redor, garçons passando, o som baixo de talheres e conversas, ela parecia… presente. — Eu tinh

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