Eu tento me convencer, desde o momento em que entramos no restaurante, de que aquele almoço seria só… normal. Simples. Como tantos outros que já vivemos juntos. O cheiro familiar da comida, o barulho conhecido das panelas vindo da cozinha, o tilintar dos talheres, as vozes dos clientes habituais misturadas ao som baixo da música ambiente. Tudo ali sempre teve um efeito quase tranquilizador em mim. Quase. Meus pais caminham à frente, minha mãe conversando animada com Ângela, tocando de leve no braço dela, como se quisesse garantir que aquilo tudo era real, que ela estava mesmo ali, de volta à nossa rotina. Meu pai segue logo atrás, com aquele sorriso discreto, satisfeito, do tipo que ele só dá quando sente que algo importante voltou ao lugar certo. E Ângela… Ângela parece perfeitamente en

