E L E N A
Coloquei os pés no chão e me levantei, sentindo minhas juntas estalarem. O outro lado da cama estava vazio, assim como o berço do outro lado do quarto. Franzi o cenho e caminhei pra fora do cômodo, vendo a sala vazia, mas ouvindo barulho vindo da cozinha. Parei na porta da mesma, vendo Wanda fazendo uma dancinha animada na frente do meu filho, que estava sentado no cadeirão. Eu ri das caretas que ela fazia, enquanto cantarolava uma música infantil para fazê-lo comer a banana amassada.
— Bom dia, o sol já nasceu lá na fazendinha. — ela cantava com seu sotaque carregado — Acorda o bezerro e a vaquinha, que já cocoricou dona galinha. — sorri quando o pequeno abre a boquinha e come a banana — Isso! Garoto esperto!
— Wanda. — a chamo e ela se assusta
— Ah, oi. — sorri pra mim e volta a olhar para o pequeno, limpando sua boca
— Bom dia, gostosas! — Nat diz passando por mim e entrando na cozinha, virando um garrafão de leite na boca
— Bom dia. — Wanda e eu dizemos juntas
— O que está fazendo com o meu filho? — pergunto
— Apenas sendo a melhor madrinha do mundo, não é, meu amor?! — ela afina a voz e o bebê sorri, agitado
— É! — o bebê diz batendo as perninhas e os bracinhos
— Viu? Ele concorda.
— Wanda, ele não concordou com você. — Nat diz — Essa é a única palavra que ele sabe.
— Você é uma invejosa. — Wanda diz rindo ao se sentar de frente para o meu pequeno, ainda dando banana pra ele
— Wanda, ele só tem sete meses. — digo entrando na cozinha e roubando a atenção do bebê
— Eu sou a terceira pessoa favorita dele, no mundo. — ela diz — Perco pro Steve, porque ele ama mimar esse menino e só perco pra Elena porque os p****s dela têm o alimento que ele mais ama no mundo.
— Tá dizendo que meu filho só me enxerga como p****s ambulante? — a olho indignada
— É. — ela e Natasha concordam, rindo
Sorri com a lembrança. Wanda sempre teve um jeito especial de melhorar nossos dias. Ela se apegou ao Elliot, assim como Natasha que amava enchê-lo de frutinhas só pra ele encher a fralda e jogá-lo no colo da Wanda. Era engraçado. Éramos uma família, independente da situação perigosa em que vivíamos.
Olho para meu anelar esquerdo e vejo o brilhante solitário pousado ali. É tão simples e tão bonito que faz com que meu sorriso se abra ainda mais e eu pense no momento em que ele foi colocado ali. Há uma tsunami de pensamentos afogando minha mente e dois litros de bourbon afogando meu estômago.
— Você não parece bem.
A voz de Steve me tira dos pensamentos caóticos. Eu olho para ele e depois abaixo o olhar para a pequena montanha formada na minha barriga.
— É, eu não me sinto bem. — balbucio
— Alguma dor?
— Física? Não.
O ouço respirar fundo e então ele se senta ao meu lado, colocando minhas pernas em cima das suas e pondo sua mão espalmada em minha barriga.
— Eu não queria que fosse assim. — ele diz — Uma vez eu cheguei a imaginar essa cena, mas ela só vinha depois de uma cerimônia simples. Tony provavelmente tentaria me m***r antes.
Ele solta um pequeno sorriso ao me contar sua visão ideal de vida comigo. Então, na palma de sua mão enorme, surge um pequeno e delicado anel de noivado. Abro um pequeno sorriso e pego o pequeno objeto na mão.
— E, então, numa manhã ensolarada, enquanto você tomava café, eu lhe entregaria uma caixa com dois pares de sapato de crochê. Um azul e um rosa.
Me permito embarcar nesse sonho enquanto observo o anel atentamente. Sua pedrinha solitária é transparente. Não estou olhando para Steve, mas sei que ele está sorrindo agora.
— Provavelmente eu entraria em pânico, mas ia ser o homem mais bobo desse mundo. — ele diz — O que mais me irrita nisso tudo, é que não estou conseguindo priorizar aquilo que mais sonhei na minha vida.
— Nós devíamos ter tido cuidado. — suspiro — Não é porque você ficou 65 anos congelado que seus espermatozóides estão inativos. — tiro os olhos do anel e olho para ele
— Não achei que fosse biologicamente possível. — ele dá de ombros
— Quando tudo isso passar, se passar... — suspiro
— Vai passar. — ele incentiva
— Bom, quando passar, eu aceito a cerimônia simples e a tentativa de assassinato. Até lá, isso fica aqui. — digo colocando o anel em meu dedo
— Isso vai passar. — garante — Eu prometo. — me beija
— Então você está bebendo de novo?
A voz de T'Challa me tira dos devaneios mentais e eu termino mais uma dose de whisky. Respiro fundo e olho para o belo homem n***o parado em minha frente.
— Onde está Elliot? — franzo o cenho
— Shuri o roubou de mim. — ele responde — Achei que você já tivesse parado com isso. — ele resmunga pegando as duas garrafas de whisky e jogando-as no lixo
— Eu não tenho muito o que fazer aqui. — digo com a voz um pouco arrastada
— Você está bem? Preciso conversar com você.
— Sou todo ouvidos, majestade. Algum problema?
— Mais ou menos. — ele suspira e se senta ao meu lado
— Posso fazer uma pergunta antes de você dizer o que tem que dizer?
— Claro.
— Por que vocês se escondem? T'Challa isso aqui é maravilhoso. Pode ser a salvação do mundo.
— Há medo. Os africanos são um povo sofrido e explorado, Elena.
— Mais um motivo para não se esconder. Esfreguem na cara desses babacas exploradores e preconceituosos que a África é muito mais que e********o, miséria e savanas. Que a sua tecnologia move o mundo.
— Eu também acho que nós devemos nos preocupar com os estrangeiros, mas nem todos são bons, Elena.
— Eu não entendo. Esse medo de vocês acabou gerando um tipo de prisão. Vocês não gostam dos estrangeiros, mas me acolheram aqui com carinho. Meu filho vive perambulando pela cidade, Steve entra e sai a hora que quer.
— É diferente com vocês. Especialmente com você.
— Só pelo Elliot?
— Não. Pela sua avó.
— Maria? — pronuncio o nome da mãe de Tony
— Não. Luna Vetter.
— O que a mãe da minha mãe tem com isso? — o olho
— Ela era comandante da guarda do rei.
— O que? — arregalo os olhos — De onde tirou isso?
— É a verdade.
— Impossível. Como eu nunca soube disso?
— Porque ela guardou consigo o segredo de Wakanda.
— Ou talvez seja porque ela era uma vaca que abandonou meu avô quando minha mãe ainda era pequena. — rosno
— Mãe?
O rosto de minha mãe fica levemente pálido. Eu apenas olho para a bela moça que está diante de nós. Ela é alta, forte e madura.
— Quem é ela, mamãe? — pergunto
— É a sua avó. — mamãe suspira como se tivesse sido derrotada numa batalha
Escondida atrás da porta, ouço os gritos da discussão na sala.
— Ele é pai dela e é bilionário! Ele pode ajudá-la!
— Eu não levarei ela ao Tony! — mamãe grita em resposta
— Elena, não fale assim. — T'Challa me repreende
— Ela era má, T'Challa. Nos abandonou, meu avô sofreu, minha mãe, minha tia... — respiro fundo — Não é porque ela morreu que virou uma santa.
— Ela foi uma grande guerreira. Largou a guarda para se casar com seu avô e depois precisou largar sua família quando uma violenta guerra chegou.
— Isso é inacreditável.
— Você confia em mim? — ele pergunta segurando minha mão
— Sem sombra de dúvidas. — respondo olhando em seus olhos
— Então apenas pense sobre isso. Na biblioteca há um livro sobre a guarda do rei. Lá tem tudo sobre a sua avó. Me prometa que irá tentar.
Respiro fundo e sinto meu couro cabeludo pinicar. Há algo deixando-me inquieta. Quem era Luna Vetter de verdade?
— Ok, mas depois. — suspiro — Diga-me o que veio me dizer.
— Wakanda está sob uma ameaça.
— Algo com o governo americano? — me preocupo — Isso é culpa minha!
— Não é nada com o governo dos Estados Unidos e, acredite, você não tem culpa. Na verdade, o nosso medo é nossa culpa. Wakanda irá ter um pequeno conflito interno.
— Se o Pantera n***a precisar da Voltagem, eu estarei aqui. — aperto suas mãos para passar-lhe apoio
— Eu sei. — ele sorri e também aperta minhas mãos — Mas, no momento, o Pantera n***a precisa da Voltagem segura. Elena, você está bebendo demais. Isso não é seguro nem para você e nem para Elliot.
— Eu sei, eu... Eu não sei lidar com isso, eu... — não consigo formar a frase
— Você precisa voltar pra casa.
— O que? Não! Tony me mandou pra cadeia. Ele não me quer lá.
— Você, melhor que eu, conhece seu pai. Sabe que ele não queria isso.
— Não posso fazer isso, T'Challa.
— Sim, você pode. E isso ajudaria Steve a sair do foco do governo.
— Não dá.
— Pense, ok? — ele me olha — Eu tenho uma proposta pra você.
Três meses depois...
T O N Y
— Alguma notícia? — Pepper pergunta
— Não.
Na nossa frente, uma maquete eletrônica está aberta mostrando o continente europeu. Eu amplio a imagem de câmeras de segurança e vejo um rosto distorcido.
— Não acho que seja ela. — Pepper comenta observando
— Também não acho.
Solto um longo suspiro e mando Sexta-feira fazer o remapeamento em busca de qualquer sinal de Elena. Câmeras de segurança, caixas eletrônicos, celulares, sinais de trânsito.
— Onde está Eric? — pergunto
— Com Visão, no gramado. — responde — Ele quase explodiu a cozinha. Você precisa parar de incentivá-lo a fazer esses experimentos malucos.
— Você o proibiu de entrar aqui no laboratório, então ele criou um próprio na cozinha.
— Eu só queria que ele fosse um menino com experiências normais.
— O garoto gosta de fingir que é um gênio. Deixa ele.
— Você não é um bom exemplo.
— Eu sei, nunca fui. — dou de ombros
— Encontrei uma possibilidade. — a voz de Sexta-feira paira entre nós
— Mostre-me.
Um mapa em 3D da Rússia aparece. Respiro fundo enquanto cálculos aparecem e então um rosto muito parecido com o de Elena aparece.
— Ok, essa aí parece. — Pepper diz
— Vamos ouvir sua voz. — digo clicando no áudio
— O que acha de nos encontrarmos mais tarde? — a voz ecoa pelas caixas de som
— Não é ela. — reviro os olhos descartando mais uma possibilidade
— Você precisa descansar um pouco.
— Não agora. Eu não sei onde a Elena está e ela pode estar precisando de ajuda.
— Ok, mas ela precisará de um pai descansado.
— Secretário Ross na linha, chefe. — Sexta-feira me avisa
— Passa. — ouço Pepper respirar fundo em desaprovação — Fala, Ross.
— Stark, haverá uma reunião no Pentágono em dois dias. — avisa
— O que eu tenho com isso? Ainda não virei presidente. — franzo o cenho — Mas é questão de tempo. — faço graça
— Senhor, tenha piedade de nós. — ouço Pepper resmungar e não consigo segurar uma curta risada
— Quero você lá. — diz claro e objetivo — É sobre o Tratado de Sokóvia.
— Mais uma caçada ao Capitão América?
— Eu ainda não sei, mas julgo ser algo bem importante, então não ouse faltar.
— Ok. — murmuro — Te vejo no Pentágono em dois dias.