Elena

2167 Words
T O N Y As notícias passavam pelo meu feed e eu as analisava com cautela. A nova ameaça de guerra no Oriente Médio ainda não havia passado de palavras e ofensas. Nada que ainda não desse para controlar. Com relação a procura por Elena, jamais pensei que houvessem tantas pessoas com características semelhantes. Todo dia Sexta-Feira aparece com uma pessoa diferente, mas é só analisar mais a fundo e a decepção vem. Como será que minha filha está? Onde será que ela está? Talvez ela esteja vivendo nas galerias subterrâneas de Paris. Talvez esteja em algum país subdesenvolvido. Não sei se está bem ou se está m*l, não sei se está se alimentando ou passando por necessidades. — Bom dia, senhor Stark. O assessor do presidente me cumprimenta com um aperto de mão e eu retribuo gentil. — Será que agora posso saber o motivo desse encontro? — pergunto — Logo saberá. O presidente já está chegando. Fui guiado até a sala secreta do Pentágono, onde vi Ross e alguns secretários de segurança de todos os Estados Unidos. Eu não sei o que está acontecendo, mas é algo grande. Algo muito grande. Por favor, não seja uma caçada ao Capitão América! — penso enquanto cumprimento todos e me sento de frente para o Ross. Na mesa há uma pasta com o nome Novos Vingadores em destaque. Pego a minha cópia em mãos e folheio a pasta, achando alguns nomes ali. Alguns rostos são conhecidos, mas há outros que eu nunca vi. — Senhoras e senhores presentes, o presidente chegou. Fecho a pasta e olho para a porta, vendo o presidente entrar ao lado de T'Challa. Se T'Challa está aqui, significa que é algo internacional e, se é algo internacional, é algo extremamente grande. Talvez estejamos aqui para caçar novos recrutas. O presidente nos dá um breve aceno e se senta em uma extremidade da mesa. Já T'Challa, segue para o banco da parede, longe da mesa. Noto que em suas mãos há uma pasta de arquivos fina. Um dos secretários da Casa Branca vai para a outra extremidade da mesa, onde há uma tela na parede para apresentações. — Eu gostaria de agradecer a presença de todos e, sem mais delongas, dar início ao motivo do nosso encontro. A tela atrás dele se acende e a frase Novos Vingadores aparece exatamente como na pasta em minhas mãos. Não consigo segurar um suspiro insatisfeito. — Há quatro anos, o vilão Ultron ameaçou a raça humana. Para bilhões viverem, milhares acabaram morrendo. Graças à esse incidente, foi criado o Tratado de Sokóvia, que diz que o grupo de heróis conhecido como Os Vingadores não pode mais atuar sem a supervisão do governo. Esse Tratado foi o motivo do grupo se separar e, hoje, temos um grupo conosco e um perdido pelo mundo, fugindo das autoridades. À partir do Tratado, a Lei de Registro de Super-humanos foi criada, porém ainda não fora aprovada pela Câmara. — E não será. — me pronuncio e recebo um olhar fatal de Ross — Não queremos uma grande guerra entre heróis, vilões e humanos. — Tudo tem seu tempo, Stark. — Ross me olha — Acalmem-se, senhores. — o presidente diz com sua voz calma — Prossiga, secretário. — Sim, senhor presidente. — o secretário retoma sua atenção — As eventualidades fora do controle da polícia aumentaram exponencialmente, fazendo, assim, o governo criar a busca por novos vingadores. E, atendendo ao apelo de clemência do rei de Wakanda, T'Challa, resgatar um vingador fundamental tanto para o recrutamento, quanto para a rendição dos resistentes perdidos. Em silêncio, T'Challa se levantou e se colocou no lugar do secretário, que agora acabara de se sentar ao lado esquerdo do presidente, na mesa. Antes de começar a falar, T'Challa respira fundo e eu tomo um gole da minha água com gás. Como assim vamos resgatar um vingador? Quem da equipe de Steve resolveu se render? Será Wanda ou Clint? — Eu agradeço ao secretário pelas palavras e ao presidente por atender ao meu pedido. — T'Challa começa a discursar — Eu entendo a necessidade de recrutar novos vingadores, porém eu acredito que o recrutamento só terá êxito se for através da confiança. Eu sei que o grupo do Capitão Rogers se voltou contra o Tratado, mas há milhares de pessoas que, apesar de saber disso, não acha correto Stark ter liderado uma caçada contra seus ex-companheiros. Bufo de insatisfação e ouço Ross bufar também. Eu não liderei porque eu quis e sim por obrigação. Eles estavam contra a lei. Aliás, ainda estão. — Apesar de haver pessoas que consideram uma traição entre amigos, há um fato que dificulta ainda mais as coisas. Stark foi contra a filha. — Espera, minha filha e eu somos pessoas diferentes. — o interrompo — Essa é sua desculpa por não conseguir controlar sua própria casa, Stark? — Ross me encara — Estou dizendo que é normal termos opiniões divergentes. — Eu entendo isso, Tony, mas pára pra pensar. — T'Challa me olha — Num dia vemos Tony Stark assumir uma filha desaparecida e dizer que nunca irá abandoná-la. Três anos depois, vemos um contra o outro numa batalha de ideais. Não estou dizendo que você está errado e nem que ela está errada, estou apenas sendo prático. — Por favor, Majestade, prossiga. — o presidente pede — Obrigado, senhor presidente. — agradece — Eu procurei o presidente para uma conversa e um acordo. Com a permissão dele e do Comitê Senatorial de Investigações Meta-humanas, eu trago-lhes de volta a ponte entre vocês, os X-Men e a humanidade. Ao falar isso, T'Challa joga a pasta na mesa. O objeto gira e pára entre Ross e eu. Meus olhos focam no nome em negrito na pasta. Sinto todo o meu corpo se arrepiar e meu couro cabeludo pinicar. — Não pode ser. — murmuro num misto de emoções — Elena Stark. Assim que T'Challa diz seu nome, sinto o impacto da minha mente com a realidade. Fico ansioso e sinto as palmas das minhas mãos suadas. Olho para a porta, onde um segurança está de pé. Ele abre essa porta e uma mulher entra na sala. Essa mulher é bonita, madura e está usando roupas sociais. Essa mulher é minha filha. Sinto minha boca seca e não sei se quero rir ou chorar. Estou petrificado. Tudo à minha volta está parado. Com o olhar, acompanho sua caminhada confiante até o lado de T'Challa. Ela está confiante e linda. — Prendam-na! — Ross se levanta exaltado — Essa mulher é foragida e inimiga dos Estados Unidos da América! Prendam essa foragida! — Ninguém encosta na senhorita Stark. — o presidente intervém — Mas, senhor presidente... — Ross tenta debater — Sente-se ou se retire. Com uma cara que evidencia insatisfação, Ross se senta e eu noto o sorriso de canto na boca de Elena. Ah, eu quero abraçá-la. Abraçá-la e colocá-la de castigo. — É um prazer estar de volta. Não sei qual é minha reação no momento. Acho que estou sorrindo, mas não sinto meu rosto. Em momento algum ela olha em meus olhos. Mantém seu olhar nos engomadinhos que a olham com indiferença. — A senhorita Elena Stark será reintegrada ao grupo Vingadores e já está com a ficha limpa, livre de qualquer acusação. — o presidente diz — É uma honra poder servir os Estados Unidos da América de novo, senhor. Onde foi que minha filha aprendeu a ser tão puxa-saco? Elena brigou comigo por conta desse Tratado e agora retorna toda amigável. E essa relação tão íntima com o presidente? — Eu não sou à favor. — Ross resmunga — A sua opinião não importa. — o secretário do presidente diz — Como podemos voltar a confiar nela? Ela fugiu, ela ajudou o Capitão Rogers e o Soldado Invernal! — ele rebate — Senhorita Stark, a senhorita se importa de responder algumas perguntas agora? — o presidente a olha — São do mesmo interrogatório que fiz à você, nesta madrugada. — o presidente a olha — Não, senhor. — ela não se opõe — Pegue uma cadeira para ela, T'Challa. Sentando-se na extremidade da mesa, seu olhar se cruza rapidamente com o meu. Eu permaneço em silêncio, enquanto a pasta com o nome dela rola pelas mãos de todos. Não consigo esboçar reação alguma, apenas quero ouvir minha filha. A minha menina. — Seu nome? — o secretário pergunta — Elena Vetter-Stark. — Idade? — Vinte e quatro. — Estado civil? — Solteira. — Suponho que esse solitário em seu anelar signifique algo. — Ross implica folheando sua pasta Só então passo meu olhar para seu dedo da mão esquerda. Um anel tão simples e bonito. A cara do Rogers. — Eu fui noiva do Steve Rogers. — Foi? — ele questiona — No passado? — Não atrapalhe meu interrogatório, secretário Ross. — o presidente interrompe — Desculpe, senhor. — Como foi sua vida após a fuga da prisão? — o secretário continua — Capitão Rogers e eu passamos a fugir todos os dias. De cidade em cidade, país em país. — Aqui diz que você tem um filho! — Ross se exalta lendo o arquivo da pasta Ganho um choque de realidade. Todo o laço que fazia com que só existisse Elena e eu aqui se desfez. Tomo a pasta de sua mão e a abro em minha frente. Há várias informações sobre ela ali, mas passo os olhos pelo arquivo até chegar na ficha simples. Elena Vetter Stark, Voltagem, 24 (VINTE E QUATRO) anos, Solteira, 1 (UM) filho Meu coração erra uma batida. Olho para Elena e ela está me olhando de volta. Não sei se está feliz, triste ou num misto dos dois. Apenas vejo um certo incômodo de ter que falar disso na minha frente. — Por favor, secretário Ross, não me interrompa novamente ou o senhor será expulso dessa audiência. — o presidente o adverte e ele fica em silêncio — Por favor, confirme a informação. — Sim, eu tenho um filho. — Nome? Ela me olha e respira fundo, encolhendo levemente os ombros. A minha menina tem um filho. A minha menina é mãe! Oh, Deus, eu sou avô! Não, não, não! Eu m*l me acostumei com a ideia de ser pai! — Elliot Anthony Rogers. — ela diz segura e volta a olhar o presidente — Pelo sobrenome, suponho que o pai seja... — ela o interrompe — Steve Grant Rogers. Meu mundo pára de girar ali. Rogers engravidou a minha menina e ela deu o meu nome ao menino. O MEU nome! Jogo a pasta sobre a mesa e o interrogatório surge com perguntas sobre o Tratado e o que a fez mudar de ideia. Apóio meus braços sobre a mesa e minha cabeça em meus braços, apenas ouvindo e tentando assimilar. A minha menina tem um filho. — Sexta-Feira, eu quero imagens do Capitão América. Quero saber se ele anda conspirando contra o tratado. — Ele esteve na Torre no dia em que o senhor retornou de sua lua de mel. — o programa de IA responde — Rogers na Torre? — questiono confuso — E por que ele foi lá? — Visitar a senhorita Stark. Os dois passaram a noite juntos. — Defina "juntos". — peço temendo a resposta — Amorosamente. Houve práticas sexuais. — Bom, é uma honra para os Estados Unidos tê-la de volta para a sua defesa. — o presidente diz, mas eu permaneço em silêncio, na mesma posição — Esta audiência está encerrada. Suponho que o senhor Stark tenha perguntas a fazer. Vamos deixá-los à sós. Ouço barulho de cadeiras sendo levemente arrastadas e passos se distanciando. Ergo minha cabeça sentindo meus olhos arderem, mas controlo minha vontade de chorar. Elena está de pé, recolhendo algumas pastas com o símbolo dos Novos Vingadores. T'Challa está digitando algo em seu telefone. — Eu vou retornar ao hotel, Elena. — ele diz guardando o telefone — Eu te acompanho. — ela se prontifica pegando as pastas no colo — Não, você fica com seu pai. Vão tomar um café. — ele pega as pastas da mão dela — Nós podemos nos reunir mais tarde para discutir a reintegração dela? — ele me olha, mas estou visivelmente desorientado — Tá, tudo bem. — dou de ombros — Podemos. — Até mais. — T'Challa se retira — Elena, eu... — me calo sem saber o que dizer — Vamos sair daqui. — ela sorri fraco Quando me levanto, sinto minhas pernas um pouco bambas. Elena caminha até a porta, mas eu seguro seu braço e a puxo para mim. Ela não oferece resistência. Eu a abraço com braços firmes e sinto minhas lágrimas caírem de forma silenciosa, molhando fios de seus cabelos. Quando a solto, ela me olha com olhos vermelhos e sorri para mim. Um sorriso pequeno e tímido, mas ainda sim bonito. Naquele momento, eu soube que ela estava magoada comigo, mas que estava aliviada por estar comigo.
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