Capítulo 5

1070 Words
As portas do elevador deslizaram, abrindo-se para que eu passasse. Última vez que estive aqui, minha família ainda tinha vida. A última vez  que estive aqui, não olhava para todos como se fossem ratos imundos. Pois eu deveria ter olhado assim, da mesma forma que a minha mulher os olhava.  Kaue ao meu lado, tem o mesmo semblante de raiva e rancor. Ele compartilha dos meus sentimentos, além de ser o padrinho do Enrico e um grande amigo da Rafaela, a Kim era a mulher que ele amava. Nós dois perdemos a nossa família, já que a Kim não quer vê-lo e sumiu da sua vida.  Mesmo que tivéssemos chamado a atenção quando entramos, as pessoas já voltaram a fazer o que estavam fazendo. É óbvio, ninguém ousaria me desafiar, afinal, nós nunca matamos uns aos outros, e eu... bom, já havia quebrado essas regras de todas as formas possíveis, principalmente com Joel. Os cochichos me indicam que o seu sumiço já se espalhou pela mansão.  ― Felipe. ― Viro a cabeça na direção da voz e vejo Pablo. Um antigo m****o do conselho. ― Podemos conversar? Indico a mão para que ele subisse as escadas, ele permanece parado com os olhos confusos. Nunca ninguém foi até o meu escritório. Eu estava sendo temido de uma forma que nenhum dos Campelo foram em décadas, me tornei pior do que o próprio fundador. Era inteligente da parte deles sentir medo, pois não havia mais compaixão dentro de mim.  Mesmo relutante, Pablo começa subir na minha frente. Consigo notar suas mãos trêmulas, e as gotículas de suor serem formadas na sua nuca. Enquanto subimos, todos observam.  Abro a porta e novamente indico para que ele entrasse. ― Vamos, Pablo. Não temos segredos entre nós, certo? Kaue passa por ele, sentando-se no sofá de couro e puxando o maço de cigarro do seu jeans escuro. Em seguida, Pablo entra e espera eu fechar a porta. Encosto na mesa e cruzo os calcanhares aguardando o homem começar a falar. ― Bom ― Coça a garganta ― Hoje a mansão está um pouco exaltada. ― Como vocês decidem quem vem? ―Viro a cabeça, para vê-lo de outro ângulo. ― Senhor? ― Para vir até aqui. Fiquei curioso, é um sorteio? ― A questão é: o sumiço da senhora Rafaela. ― Aperto os meus dentes, e Kaue solta um riso alto ― E o do Tales, estão correndo pelos corredores. Agora, Joel também desapareceu, senhor. E como bem sabe, nós do conselho prezamos a segurança dos nossos membros. Estão dizendo que os membros estão sendo caçados... ― Uau. ― Passo a mão no queixo, para não soca-lo. ― Reúna todo o conselho, Pablo. ― Mas... ― Agora! ― Desencosto da mesa e ordeno. Pablo sai apressado. Paro no meio da sala, o vendo sair. Guardo as mãos no bolso da minha calça social, me perguntando como eu fui tão t**o ao ponto de deixar a segurança deles nas mãos desses imprestáveis. Deveria pendurar suas cabeças no salão. Queima-los vivos. Tortura-los até a morte. ― O que está pensando? ― Kaue pergunta, em seguida amassa a bituca cigarro.  ― Só coisas ruins. É o que eu penso, diariamente. ― Viro o corpo pra ele ― Algum sucesso ao tentar contatar a Kimberly? ― Não. ― Balança a cabeça, frustrado ― Definitivamente ela não quer ser achada... Sabe, era só eu não ter saído do lado deles.  ― Não tinha como saber. Eu poderia estar precisando de você... Não atendia as ligações da Rafaela. ― Ela praticamente me expulsou de lá, ordenou que eu voltasse com você ou era melhor nem voltar. Ela brava me dava arrepios.― Sorriu triste. ― Depois que o Enrico nasceu, ela se transformou. Descobriu o seu lugar no mundo e virou uma leoa com o nosso filho. ― Puxo o ar, sentindo a saudade rasgar meu peito ― Mas um dia, tudo acaba, não é mesmo? Já volto. Saio antes que ele falasse algo. Não poderia mais me desconcentrar com a saudade que eles me faziam sentir, teria que me distrair se não seria capaz de dar um tiro na minha própria cabeça. Coisa que venho pensando seriamente... Só assim a dor cessaria de vez e a culpa finalmente iria embora, contudo, primeiro eu iria descobrir o que fizeram com o corpo deles.  Respiro fundo e fico com a postura ereta, visto o sorriso mais falso existente antes de entrar na sala da qual todos me aguardavam.  Uma mesa cumprida com seis homens, três de cada lado. Todos mascarados.  ― Olá, senhores. ― Tranco a porta, eles se entreolham ― Me disseram que vocês estão aqui para proteger uns aos outros...Vocês protegem quem exatamente? ― Os membros, é claro. Da identidade aos inimigos. ― Um deles responde. ― Hum. Uma coisa muito r**m aconteceu comigo... Vou contar a vocês, afinal, ninguém irá sair daqui vivo hoje. ― Puxo a arma do cinto; ― Felipe. ― Pablo repreende ― Você pediu para eu reuni-los. ― Senta. ― Ordeno com a arma na mão. Ele obedece. ― Mataram a minha mulher.  Eles suspiram juntos, confusos. Ou fingindo estarem confusos, enfim, não me importo. Pra mim são todos farinha do mesmo saco. ― Estão surpresos? Eu nem contei a parte interessante... Foi tudo dentro do conselho que começou. É, uma grande traição... ― Senhor, nós não sabíamos disso. Se soubéssemos que alguém ameaçaria sua mulher... ― E meu filho. ― Acrescento, o queixo deles caem. ― Um herdeiro? ― Outro pergunta. ― Céus. ― Pablo se desespera, trêmulo. ― Felipe, não faça isso... Peça a Deus para acalmar o teu coração. ― Ah, querido amigo. Deus deixou de me ouvir há muito tempo. Digamos que estamos com uma relação abalada. Mas, poderia fazer um último favor? Mande lembranças. ― Miro e atiro no meio da sua testa. O barulho da sua cabeça caindo contra a mesa de madeira, faz com que todos comecem a se apavorar e levantar de suas cadeiras. Atiro em todos, a sala é coberta pelo som dos tiros e corpos caindo no chão. Pelas orações e súplicas. Portanto eles estão pedindo clemência para a pessoa que acabou de perder a família, não a teriam. E mesmo que meu rosto estivesse contorcido de dor, não era pelos corpos no chão que eu havia tirado a vida, e sim o ódio e a culpa de não estar lá quando eles mais precisaram.
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