Amizades complicadas

3154 Words
Acordar com a cara na patente, colocando pra fora até o seu almoço do dia anterior enquanto sente uma vontade absurda de comer panqueca com recheio de frango, quando nem ao menos gosta de panqueca é uma das bizarrices da gestação, agora os cheiros de perfume começavam a ser sentido a quilômetros, e o sono era bem mais intenso. Iniciaria o pré Natal ea ansiedade devorava o meu ser. -Calma filha e só até os três meses- minha mãe estava ao meu lado em todo esse processo matinal das manhas com a cara na patente. - E aí depois piora mais eu já vou estar acostumada? – Talvez o humor também começava a ser péssimo. Enquanto isso meu celular já berrava com as mensagens de keyth furiosa por ontem ter me esquecido da nossa noite de o “ amor não tira férias” ela era dois anos mais nova que eu, cheia de namoradinhos e não queria que se entediasse com uma gravida, viúva e angustiada, mesmo que parecesse que ela estava amando essa ideia de ser tia, compartilhando e me mencionando em tudo oque se referisse a fofura da maternidade. keyth queria que fossemos ao café da rua 14, o mesmo que fui com Rick, era um lugar realmente ótimo pra uma boa conversa, pessoas agradáveis, oque mais me encantava era a parte de ver os estudantes tomando café com a cara frente a tela do notebook se preparando pras provas finais, os recém casados que acham fofo a ideia de café fora antes de se desencontrarem, ou os pais divorciados brigando pela pensão alimentícia e criticando os novos amores. Conversar um pouco e me atolar tentando ajuda lá a decidir com qual dos cinco crushes ela passaria o feriado da semana quivem, até que seria uma boa distração, tenho que admitir que também sentia a necessidade de conversar toda a experiencia de sentimentos que tive ontem. Aceitei, pegando uma carona com Rick, fui até a rua 14 onde ela já me esperava com a roupa que usava pra ir aos ensaios da companhia, sempre a legging e a baby lock colada dando um ar de quem iria pra academia ou correr quilômetros. - Pensei que não iria topar me ajudar a decidir com quem passo o feriado. - Minha vida anda tão amável que necessito dessas suas histórias malucas, tenho que admitir, vou querer uma panqueca. - Já disse fazendo o pedido pra garçonete, o olhar de keyth que me conhecia tão bem ao ponto de saber que eu odiava panqueca era um tanto quanto assustado. - Enfim, sabe o policial de Londres, a gente tem trocado mensagens e ele está um tanto quando interessado em sair comigo,sem contar que ele e o tipo de homem que leva qualquer mulher a loucura, cá entre nós - keyth - Você está paquerando o policial, você não existe sério. - Ai amiga, me desculpas – ela fez uma pausa cortando o entusiasmos como se visse que não era mais o meu forte pensar em homens ou festas. - eu to aqui toda falando de mim quando deveria estar te ouvindo, como você está com tudo? - Bom, são quatro dias sem ele, quase um aborto, um turbilhão de coisas ainda parece que eu vou receber uma mensagem, uma ligação, um buque de rosas surpresa, seja o que for, parece que ainda sinto seu cheiro, o seu hálito, como se minha boca desejasse seu beijo e seu toque, tem tantas duvidas, quero respostas ao mesmo tempo que estou fraca pra encontra-las, e vou dia após dia empurrando com a barriga, pensando que amanhã vou acordar melhor, ontem me encontrei com uma pessoa, uma suposta irmã dele. - - Como assim, irmã? Para tudo, porque não me ligo? - Ao que parece meia irmã, minha reação foi a mesma que a sua, a acompanhei em uma consulta medica, câncer no ovário. Mas ela tem uma coisa, um brilho, que fez com que eu olhasse pra além de toda essa dor, e encontrasse motivos para sorrir. - Ali eu aí depositando toda a minha dor. - Caramba Beth isso e incrível, a forma de você se expressar, talvez você precisa de alguém assim para compartilhar momentos, você tem um brilho ao falar dela, talvez vocês se curem juntas. No momento em que keyth falava isso com os olhos olhando para mesa, eu via que ela também escondia algo, o nervosismo em sua voz, eu o reconhecia a quilômetros. Os pratos chegaram, minha panqueca causava água na boca, e keyth ficava com apenas um prato de salada. - Está de dieta de novo? - Só um quilinho nada de mais, mais me conta mais. - Bom, no sepultamento apareceu um deposito na minha conta de 20 mil, eu não entendia, mais Eduard deixou uma mensagem dizendo que saberia o que fazer. - Caracas sua vida esta mais agitada que carnaval brasileiro. E talvez saiba, ele te conhecia melhor que ninguém, e se estava em perigo ou com medo sabe que você encontraria essa tal irmã doente, talvez o dinheiro seja pra ajuda lá. A ideia apesar de maluca, fazia sentido mais com o que Eduard se preocuparia ou teria medo? Keyth olhou pro relógio, dizendo que precisava ir, assim sem mais e toda apressada ela foi se levantando sem menos ter tocado no prato de salada, já no meu caso fui levando o prato ainda comendo pra pagar a conta no caixa, a acompanhei até a esquina, queria andar um pouco então retornaria para casa de ape, estava me sentindo melhor de saúde, arejar a mente faria bem a mim e ao bebê . Ela se foi pela rua dançando alegre, sem tirar o olho da tela do celular, mais em nenhum momento quis dizer que teria ensaio da companhia apesar que eu desconfiasse, sentia falta, mais em momento algum ficaria m*l por vê- lá realizando o seu sonho, um bebe muda a vida, mais não nossos sonhos então ainda batalharia pelo meu. Durante todo o caminho eu pensava sobre o dinheiro, e keyth tinha razão. Eu tinha que ajuda lá, se ele me mandou, deveria fazer justo a isso, talvez com alimentos, com mais remédios ou consulta médica, me pegava pensando cabisbaixa em tudo isso.. - Beth? Você por aqui, precisava mesmo falar com você. - Era Christopher, cruzando meu caminho. - Oi, nossa que bom te ver. Bom, ele trouxe boas notícias, eu havia sido aprovada no serviço da revista, eu fiquei tão feliz que meu estomago soltou borboletas novamente, não era uma escritora profissional, mais amava ler artigos, era como um vício eu diria, e escrevia diários deis de pequena. - Calma que esse não é o melhor, eu conversei, sobre você estar gravida e eles abriram uma exceção para que você possa trabalhar em casa, com o notebook e ir uma vez na semana a reuniões, vou te orientar a escrever os artigos, passar tudo certinho os necessário. - - Poxa, que incrível, não poderia ter noticia melhor, muito obrigada de verdade. - Se tiver algo do qual eu possa fazer a mais farei. - Não que isso, você já foi meu lenço de papel, arrumador de cama. - Eu tinha milhares de favores que ele me prestou, mais enquanto falava, no calor do momento veio uma das mais brilhantes ideias. .- na verdade tem mais uma coisa, você sabe onde encontro carros baratos? Um carro, Mel ia sempre embora de trem, passando m*l, e isso deveria ser exaustivo, eu usaria o dinheiro da conta, mais não tudo, já tinha minha habilitação, só não muita prática, porém dirigia sempre que necessário, e Rick poderia me dar umas aulas. Sem exceder Christopher me disse sobre um lugar de carros bem baratos, estava mais pra um depósito, já me puxando pelo braço me levou até lá, no carro dele eu já começava a me lembrar de algumas coisas sobre direção observando em silêncio. Ele ir comigo era confortante eu não entendia nada de carros. O lugar era bem simples, carros velhos e alguns que era só a lataria, a maioria estava bem gasta , mais um me chamou a atenção, lá no fundo, quase que escondida uma picape antiga marrom, era a mais conservada do local, com bancos de couro e uma cabine bem espaçosa, não quis mais nem mesmo ver outros carros, aquela que eu queria, chisthoper foi ver o motor e toda a parte elétrica para termos certeza de que era um bom negócio: - Esta ótima, não é nova mais e um bom negócio, não sou especialista em carros mais o pouco que conheço me faz afirmar que é um investimento convincente, e ainda cabe uma cadeirinha de bebe tranquilamente. - chisthoper falava entusiasmado sorrindo, até mais que eu mesma. Foi difícil no começo pra que eu conseguisse sair de lá sem deixar que o carro morresse umas dez vezes, Chisthoper foi paciente, me deu algumas dicas e com um beijo no rosto montou em seu carro indo embora, eu não tinha palavras capaz de dizer o quanto me sentia grata por tudo oque ele vinha fazendo. Buzinando e dando sinal que ele parasse, o ofereci que jantasse em casa para me passar todos os detalhes do meu novo emprego, ele aceitou na hora e segui caminho. Com o celular em mãos mandava mensagem para Mel falando que a pista de Clifton teria uma picape se deslocando para busca lá na próxima consulta da semana quivem. No radio que ainda tocava fita, blues tocando, calma e romântica o tipo de música do qual eu amava, dirigia pensando em o que Eduard me falaria se me visse com uma picape velha pela cidade ouvindo Blues, provavelmente primeiro iria rir e depois fala que sempre sonhou em ver isso acontecer. Meio travada, errava as marchas e estava à beira de tomar uma multa por andar devagar de mais, no sinaleiro eu pensei que talvez pudesse ir até a companhia, ver como estava as coisas, sem entrar nem nada, só como forma de matar a saudade como a menina de três anos atrás parada frente a vidraça sonhando. E foi exatamente o que eu fiz, mesmo sem sabsr se era uma boa ideia, esperaria keyth a espreita e a chamaria para fazermos algo. Estacionada do outro lado da rua com vidros fechado, eu via as meninas dançando com a mesma cara de arrogância, Bem Fowler com o olhar pecaminoso observando e todo tempo com a voz exaltada gritando, fazendo os milhares de gestos que sempre repetia com as mãos quando estava frustrado. O ensaio parecia estar chegando ao final, as meninas já estavam saindo da barra em direção ao bebedor de água, o mais estranho e que eu ainda não havia visto keyth. Eu me sentia e me via como se estivesse lá dentro, cansada com os músculos doendo a dor mais gostosa de ser sentida, todos saiam pela porta da frente, era sexta feira, provavelmente a passagem pro barzinho já estava reservada, tudo indo bem, até chegar um carro estacionando atrás e me deixando completamente sem espaço pra ir pra frente ou pra trás, ainda mais com a falta de experiência que eu me encontrava, minha chance era ficar ali quieta e não deixar ninguém me reconhecer, esperar o carro da frente sair ou de trás voltar. Droga. outra opção era descer e pedir o imenso favor que alguém poderia fazer a uma pobre moça que acabara de comprar um carro e tirar ele dali, até até ver o dono do carro da frente, o segurança da companhia que era muito gente boa, não teria jeito eu teria que encarar a companhia. - Oi será que o dono de um dos dois carros poderia abrir um pouco de espaço. – já disse olhando pro segurança. -Beth querida, quanto tempo, muito meus sentimentos, como você esta? - o Fowler já veio interrogando em minha direção, não queria muita conversa ou dar explicações, então tentei ser breve: - Bem, e gravida, já devem saber, eu não tenho oque dizer agora, estou um pouco apurada, a final keyth já se foi? - Oh, você não sabe? - Sei doque? - agora o clima pesou, a curiosidade com o medo. - Keyth foi chamada pra fazer parte de uma das maiores companhias de Londres, após a noite do terrível acontecido, eles haviam se interessado por você, mais keyth informou que o momento não era dos melhores, que você não tinha condições, que havia falado com você, lamento. Não, não podia acreditar no que estava ouvindo, ela era minha amiga, minha irmã quem me apoiava, não conseguia imaginar que ela não me contaria algo dessa natureza eu não estava realmente no melhor momento e não tinha condições de aceitar o pedido, mas era responsabilidade dela me avisar, ao invés de decidir por mim e esconder isso como se tivesse me apoiando ou me protegendo de algo. Eu fiquei tão desorientada que disfarcei pra não lhe dar o gosto e entrando na picape que já havia sido liberado o espaço, acelerei desacreditada sem olhar pra trás. A forma estranha dela me tratar mais cedo, agora tudo faz sentido. A falta de velocidade e o medo de dirigir parece que evaporou com toda a adrenalina que percorria minhas veias, até como se o destino tivesse resolvido testar todo o resto de paciência que ainda existia a droga da picape começou a falhar, eu consegui ir estacionando em uma rua deserta que nem sabia onde era, a irá me fez conduzir tão frustrada que não sabia os caminhos que havia tomado, desci batendo a porta, pensando em qual as chances deu não ter pensado que precisaria abastecer, eu coçava a cabeça e andava de um lado ao outro com ódio, a visão do Bem Fowler não saia da minha cabeça repetindo as palavras dele sucessivamente, que pesadelo. Meu celular tocou, e meu sangue ferveu, imaginando como esclareceria isso com keyth, por uma sorte era Mel. - oi como você tá? Gostou da picape? - Beth, eu amei, você merece muito. - olha, ela acaba de me deixar em uma rua da qual nem conheço, sem saber oque fazer. - respire fundo, e você encontrará oque é necessário, talvez alguém que confie pra busca – lá, alguma amiga, família – Mel tinha o tom de calma que também acalmava meus nervosos e fazia com que eu sentisse a necessidade de desabafar sobre keyth. - Mel, hoje eu descobri que uma das pessoas que considero como irmã me traiu e pegou meu papel em uma importância profissional imensa, ela é a única pessoa que tenho, que confio, que me apoia , e agora tudo oque consigo sentir é raiva... – Mel já se adiantou cortando minha frase - ó querida, você é uma pessoa boa e só confia de mais em pessoas que não merecem confiança, os lobos também sabem ter olhar sincero, o erro foi dela e não seu, então não permita prejudicar sua paciência ou seu dia pela podridão de arrogância que essa falsa amiga carrega. Como era possível alguém ser tão iluminada e trazer tanta clareza! Eu não podia negar a emoção de chorar, de me aliviar: - eu só tô tao cansada, tão de cabeça quente, querendo encontrar quem foi o filho da p**a que matou Eduard ou o porque fez isso, que deixou um filho no ventre da mãe que crescerá sem pai, sem amor paterno, e esse merda qualquer está por aí curtindo a vivacidade dele. Eu já não mais chorava e sim berrava na rua cercada por olhares curiosos. - Beth, você é mais forte doque pensa, encontre essa força dentro de você, a luz que brilha e deixe que ela te guie. Desliguei o telefone lhe enviando uma foto dos olhos molhados de choro e a picape parada na rua, com um tom de sarcasmo rindo do meu próprio caos. Um senhor já de idade e corcundo, com uma bengala se aproximou simpático perguntando se necessitava de ajuda, dei um pulo da calçada falando que seria ótimo. - sabe minha querida, na sua idade eu tinha uma picape igualzinha a essa, levava minha esposa e filhos pra fazer compras na cidade, mais um dia a morte súbita dela me contrário. Bebida é a forma dos fracos esconder sua dor, e no meu caso eu causei mais dor, capotei a duzentos km por hora, depois de acertar um carro que vinha na minha direção, a família ficou bem, mais preso nas ferragens de cabeça pra baixo eu jurava ver minha mulher brigando por eu estar bêbado, como ela sempre fazia, e percebi que as pessoas que nos amamos elas não se vão, não deixam de cuidar da gente, só não estão mais presentes fisicamente. Eu vi você conversando, eu aposto que ele quem foi me cutucar pra que te ajudasse. – o senhor ia falando, ao mesmo tempo em que seus olhos lagrimejavam e ele mexia nos fios com o capo levantado, eu me via sem palavras e emocionada com a história que ele me contava, os seus olhos emocionados a todo instante queriam me passar conforto, um senhor vivido, com uma experiência traumática mais que ainda se preocupava em ajudar uma desesperada com uma picape velha e amparar meus sentimentos. – prontinho menina, era só um fio da bateria, pode seguir viagem! - Muito obrigada, muito obrigada mesmo! – já entrei entusiasmada dando a partida sorrindo, já o senhor parado na calçada me acenava com um rosto quente. Segui contente , com o volume mais alto, ainda tocando Blues , afastando tudo oque poderia me magoar. Ao chegar minha mãe estava na varanda e olhou espantada. - aonde foi que você achou essa sucata em forma de carro Beth? - não é uma sucata mãe, é nosso novo carro, eu consegui o emprego, vou pagar parcelada, e agora posso te levar ao mercado, a passear, diversos lugares na minha sucata ambulante. – eu falei e fui entrando já na casa, doida pra sentar no meu sofá e passar o dia comendo pipoca e vendo comédia romântica com a minha mãe, nosso afazer preferido, antes que começasse pra valer o trabalho. Algumas vezes tinha a necessidade de deitar no peito da minha mãe e contar lhe sobre o que estava me acontecendo. Ela evitou perguntas sobre a picape ao ver o meu olhar de quem havia chorado um monte. Então pediu ajuda a enfermeira pra deitar no sofá, e pegando minha mão pediu que eu lhe contasse onde doía. Eu não queria ficar remoendo todos os acontecidos, então apenas respondi que era dor de saudade, com um beijo na testa, pediu que eu escolhesse o filme enquanto ela me faria um cafuné. A conversa com o senhor, me trouxe um sentimento de paz, a saudade apertava o peito, mais o conforto de pensar que ele ainda cuidava de mim e me amava, trazia conforto ao mesmo tempo.  
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