Algumas horas depois chegou uma senhora que ficaria internada no quarto comigo, ela era bem debilitada, não de muita conversa e seus filhos pareciam o tipo que nem se importavam com uma vida corrida deixavam a mãe a mercê do plano de saúde também havia as vidas que chegavam por um fio na emergência, e a correria precisa dos médicos e enfermeiros de um lado ao outro. Quase na hora que almoço ser servido Magda veio alegre com os papéis da minha alta, afirmando estar tudo bem, com os encaminhamentos já pra mim iniciar o pré Natal, a melhor notícia até aqui , liguei pro Rick, arrumei minhas coisas, coloquei o meu vestido, e me olhei no espelho, o olhar cansado de olheiras, mais ter uma pele brilhante já não me importava mais, e não era minha prioridade, Rick chegou logo, com um olhar de quem escondia algo, mais feliz por eu voltar pra casa, eu entrei no carro e ele me abraçou contente, me oferecendo pra irmos a um café da rua 14 que acabará de abrir, isso tinha o cheiro de uma desculpa pra tocarmos no assunto.
- Beth, - sua voz era tremula, eu me ajeitei mais na cadeira do café com medo do que iria ouvir. - eu consegui o que você me pediu...
- ai meus Deus sério, oque descobriu?
- O celular sempre é uma vida de porte pequeno, havia diversas ligações pra números desconhecidos, e um deles tinha uma conversa de SMS, com uma jovem, ela mora a uma cidadezinha que fica a umas duas horas, você tem certeza estar bem e preparada pra fazer essas descobertas? – os olhos arregalados de medo me assustava.
- Não, se tá me dizendo que Eduard me traia? – tudo menos isso, por favor Deus.
- NÃO, não Beth, Eduard ao que parece tinha uma irmã, uma meia irmã!
- Como? Ele não era de falar mais me contaria algo assim, meia irmã? Porque distante? Filha do senhor Blossed?
- As conversas são reveladoras de certo modo, não é certeza, mais eles iriam fazer um enxame de DNA, a história que alguém conhecido retrato é de que o senhor Blossed na verdade não é o pai da menina.
- isso é impossível, não sei, não tem como, Christopher me disse que a algumas semanas os dois brigaram feio no jornal, mais o porque de uma irmã misteriosa e um depósito enorme na minha conta? Tem algo sobre isso?
- Na verdade sim, a irmã disse que precisava de ajuda financeira, ao que parece ela tem um tipo de câncer, e não tem dinheiro, talvez o dinheiro iria pra ela.
- eu não posso Acreditar, eu não consigo acreditar, a gente pode ir até lá?
- claro, mais amanhã hoje você precisa de repouso, então toma seu café e vamos pra casa descansar, sua mãe está animada com a ideia de ser avó e eu aposto que a uma altura dessa ela já esta toda animada com você em casa, o celular vai ficar com você então o conhecendo melhor talvez descubra algo.
Nos levantamos após acabar a xícara de café, então fomos pra casa, quietos, e inquietos ao mesmo tempo, trêmulos pela descoberta, mais também impacientes pras novas que viriam. Já era sexta feira, eu não sabia oque estava havendo e a cada passo em direção a uma resposta eu me enfiava mais e mais em um poço fundo e mais distante de quem eu tanto amei. Por que tantas mentiras? Por que ele se foi? Por que não me contou sobre nada? Isso me fez pensar se a gente realmente se apaixona pelas almas, como eu amava uma alma que não confiava em mim? Ainda havia uma chance de simplesmente deixar no esquecimento isso, pegar meu cartão do banco e ir criar meu filho longe dos problemas da família Blossed, será que valeria a pena cavar um poço de mentiras mesmo? Quando nós amamos acreditamos que sim, acreditamos que nada será oque parece por que ninguém quer um amor de falsas ilusões.
Logo ao descer do carro eu já senti aquele cheirinho de café sendo passado com bolo de chocolate macio, mesmo sem fome era impossível de resistir, Eleanor tinha um talento especial pra cozinha e amávamos isso, já entrei com o sorriso constrangido sendo recepcionada com a keyth lado a mesa com bexigas e um café perfeito:
- seja bem vinda você e nosso bebê, minha filha!- com a voz animada e o semblante já não mais tão cansado ou doente minha mãe estava com o sorriso de orelha a orelha
- obrigada mãe, e a vocês tios, keyth você também!
- tudo oque podermos fazer! Venha comer. – Eleanor
- por dois agora em minha filha.
As gargalhadas de alegria eram inevitáveis, eu me sentei me acomodando alcançando a jarra de suco de laranja com um pedaço de bolo, de minuto em minuto eu passava a mão sobre a barriga como uma forma de criar laços, me sentia culpada por estar aqui recebendo toda atenção do mundo, me sentindo bem com tudo isso enquanto não tinha mais Eduard ao meu lado. A conversa rendia suavemente e veio uma pontada de curiosidade em meio a tudo, como uma forma de afastar os meus pensamentos :
- keyth e a companhia como terminou em Londres?
- bom Beth, nada bom né, você era o centro das nossas apresentações, nenhuma daquelas meninas tinham a capacidade de se posicionar ao seu alcance, o Bem, diferente de nos ensaios ele não pegou pesado, não insistiu e muitas vezes nem comparecia, a rumores de que a história de amor sua e de Eduard, o tocou tão profundo que ele deixou de ser rancoroso.
- O Bem? Nem por um milagre, deis de a primeira vez que o vi eu sabia que ele trazia um coração amargo. – mãe .
- talvez não mãe, talvez ele só seja triste.
- mais você vai voltar?- Eleanor
- agora não posso por conta da gestação, eu não quero mais riscos, mais talvez volte após o bebê.
- eu ouvi rumores após a apresentação de que um dos donos de companhia de Londres havia amado sua apresentação ele disse que você tem um talento raro de quem dança com amor.
Realmente eu amava dançar, o poder da dança, não podia deixar de lado o meu sonho, precisaria arrumar equilíbrio entre ele e a nova vida.
"Trim trim"
Droga, o celular de Eduard tocou no meu bolso, meu coração acelerou como se não coubesse espaço no peito, eu me levantei apressada e saí em direção as portas do fundo já atendendo ao telefone:
- oi, olá?
- Eduard?
- É a irmã dele?
- como você sabe?
- eu sou a noiva dele, houve um incidente e infelizmente, Eduard não resistiu, mais eu preciso de respostas, de encontrar o culpado, e você pode me ajudar. Por favor!
- eu não posso, eu não sei de nada também, tudo é uma suspeita, ele me encontrou por acaso, e até agora oque tínhamos éramos uma suspeita fruto do meu sumiço no mesmo hospital e no mesmo dia de seu nascimento, iriamos realizar o enxame mais, e agora?
- olha não é bom falarmos sobre isso por telefone..
- estarei em Bristol amanhã, uma consulta médica, pode me acompanhar?
- claro, claro te encontro na estação, tudo bem?
- eu te ligo confirmando as informação.
Ela era tão doce, mais eu tinha um pingo de medo sobre tudo, não a conhecia era um risco a correr, eu precisava retornar a mesa, afastei os pensamentos retornando, todos estavam com a cara curiosa, eu precisava falar algo droga, uma desculpa, pensa Grove pensa...
- era do hospital, faltou alguns documentos, graças ao Eduard o plano vai cobrir todos os gastos incluindo o pré Natal, ufa né!
- nossa que ótimo Beth, isso é uma benção!
- sim, sim.
- amiga queria te chamar pra uma tarde de vinhos e whisky mais infelizmente o dever me chama, filme amanhã anoite? Talvez " o amor não tira férias"?
- se não enjoa desse filme? Tudo bem eu amo ele também tenho que admitir, vamos te levo até a porta.
-muito obrigada pela café gente, até mais!
Ey fui caminhando a levanto até a porta enquanto entusiasma keyth deferia:
- nossa Beth serio, se eu vier uma vez na semana aqui eu vou ser expulsa da companhia por virar uma bola a comida da sua tia é muito maravilhosa.
Keyth havia encarado um processo complicado no passado com crises de ansiedade e compulsão alimentar, com a pressão da companhia gramas a mais já eram eliminatórias, a baixo auto estima ajudava a se sentir insegura e qualquer bombom a mais a levava pro banheiro vomitar, até hoje suspeitava que isso não era uma página virada na vida dela por se cobrar de mais , e não queria a vela assim, o mundo da dança e fantástico mais as criticas inconstrutiveis são um precipício que muitas caem a levar por outro lado. Paramos na frente de casa e ela com a mão na minha barriga pediu que eu me cuidasse, enquanto virava as costas e seguia pela rua, eu vi um carro estacionando a minha frente, Christopher!
De camiseta floral com jeans, e uma rosa vermelha na mão direita, sorriso de canto, que deixava a dúvida se era preocupação ou um flerte e uma situação constrangedora.
- oi, eu fui ao hospital, não queria chegar de mãos abanando!
- oi tudo bem, muito obrigada são minhas preferidas, eu queria conversar com você, pegou as coisas do escritório?
- peguei sim! Tá no porta mala.
Ele foi caminhando ao porta mala pra retirar as coisas, enquanto Rick e Eleanor saia pela porta em direção ao caminhonete, ele sabia sobre o que eu estava aprontando, então olhava curioso, Christopher retirou a caixa, caminhamos até a varanda, eu entrei na casa confirmando que minha mãe já havia ido pro quarto e poderíamos conversar mais tranquilos, não se tratava de uma questão de esconder dela e sim de que eu não queria mais perguntas da qual nem mesmo eu tinha respostas, sentado na cadeira de balanço com a caixa entre as pernas, eram tantas coisas, o perfume de Eduard ainda estava presente em cada coisa dentro da caixa, tinha, a lembrança era imprescindível, eu podia vê- ló com aquelas coisas entre os braços, segurando ás, parecia que ele estava presente ali, parado ao meu lado me dando forças pra abrir oque ele escondia.
-bom isso é tudo o que havia na mesa dele, eu não abri ou toquei nada e se você quiser posso te deixar sozinha pra ver as coisas.
- não não, tudo bem fica, vai ser melhor
-você está bem realmente, e preparada pra abrir?
Ele parecia estar cuidando de mim, com os olhos iluminados de bondade, e ali eu comecei a me sentir segura ao lado dele, confiante comigo mesma. Logo na parte de cima da caixa um retrato meu e seu, na nossa viagem a Cancun, rostos colados sorriso perfeito, um lugar incrível, que nunca mais será tão bem apreciado por mim sem sua companhia, havia livros, planilhas, artigos, enfim encontramos a do lago ao norte, a correlação é de que na planilha mostrava uma possível lavagem de dinheiro, tinha provas conclusivas sobre isso, eu não sabia nem ao menos oque fazer, eu e Christopher decidimos deixá-las de canto, o tempo todo ele se emocionava contando as histórias de quando trabalhavam lado a lado, histórias engraçadas, como se quisesse me fazer afastar a tristeza do meu peito, minha mãe apareceu na porta encurralada pela cadeira que passava sempre com dificuldade , Christopher simpático como sempre a ajudou, ela olhou intrigada como se imaginasse oque estávamos fazendo:
- são as coisas de Eduard mãe, não olha com essa cara.
- não tem cara nenhuma nessa face enrugada, eu acredito que dê onde Eduard esta agora ela está em paz vendo a mulher forte que você tem descobrido em meio a f**a essa confusão, você sempre foi forte Beth querida, aguentar a dor de uma partida exige muito de uma pessoa, e fico feliz que Christopher tenha se unido com você com o mesmo propósito, vocês querem um café?
- obrigado senhora Grove, eu aceito, e sempre estarei ao lado da Beth é difícil pra todos nós, mas quero fazer justo o homem que Eduard foi e suas lembranças, estou escrevendo um artigo sobre ele aliás.
- sério? Que ótimo eu fico feliz por ele ter tido você como amigo.
A enfermeira domiciliar chegou com o café que acabava de ser passado.
- Beth, sobre o artigo ainda, eu pensei sobre trazer a história de vocês, pode me ajudar na semana quivem? - Cristopher
- é óbvio que sim, eu amaria.
- Ufa, você era a vida dele, nada melhor doque contar sobre ele. - risos.
Nesse momento eu senti uma leve raiva de mim mesma por ter pensado mais cedo que ele estava flertando ou algo do tipo, talvez os hormônios da gravidez ou algo do tipo. Minha mãe estava com o olhar intrigado, vendo a alegria que eu me encontrava ao sentir o cheiro de Eduard e ver seus trabalhos, a varanda tinha vento de primavera um tanto quanto poética, me trazia os maiores sentimentos de nostalgia.
- Cristopher, afinal de contas, por ser um homem forte, será que poderia arrumar minha cama pra mim? Minhas costas estão doidas de ficar baixa e ele não levanta nem por Cristo. - minha mãe deferiu frustrada
- mae!! Que isso ele veio so fazer um favor, eu vou arrumar um emprego e lhe comprar outra.
- imagina, tudo bem por mim arrumar a cama, vamos lá.
Se tivesse um espelho eu confirmaria que estava vermelha, a cama da minha mãe já era velha e enferrujada, mais não tínhamos condições financeiras pra comprar outra naquele momento. Ele foi empurrando a cadeira da minha mãe ate chegar ao quarto que ficava ao lado da sala pra encontrar o problema da cama, enquanto ela murmurava o quanto era horrível a vida sem sentir o calor do solo quente ou a água gelada do mar, Christopher era inteligente, logo identificou o problema, e foi até o carro pegar as ferramentas necessárias, eu até tentei ajuda lo mais fui impedida antes mesmo de tentar algo, os dois me obrigou a ficar quietinha sentada sem fazer esforço como o médico me recomendou, na tentativa frustrada de arrumar o parafuso a marteladas uma das peças voou em direção ao seu rosto causando um pequeno corte diagonal, o susto foi inevitável, e a enfermeira domiciliar correu pra fazer um pequeno curativo:
- Nossa, me perdoe de verdade a minha mãe é doida das ideias, e você mais ainda por ter aceitado, agora vai ficar com uma bela cicatriz
- que Isso Beth eu não fiz absolutamente nada de mas e o corte foi totalmente culpa minha, a enfermeira já deu um jeito, tá tudo bem e sua mãe não vai precisar mais sofrer de dores lombar- Cristopher falou com a voz de quem não havia visto esforço em ajudar.
- ulala, adeus dores nas costas, e agora posso ver minha novela sem torturar o pescoço, muito obrigada Cristopher, prometo lhe recompensar quando puder.
- imagina senhora Grover isso não foi nada de mais, me recompense com uma xícara de café na próxima, e tá tudo certo, mais agora o serviço na revista me aguarda, vamos organizar o escritório pra voltar ao atendimento, ainda nao sabemos como, mais vamos.
- Cristhoper, sem querer ser curiosa mais já sabe quem irá ficar no lugar do Eduard?
- na verdade ainda não, você tem interesse? Pra conseguir uma renda extra seria ótimo e eu poderia te buscar e trazer pra você não se esforçar por conta do bebê.
- sim, é realmente essa a minha ideia, estou muito necessitada, e precisando aliviar a minha cabeça, posso te enviar um e-mail com o currículo.
- perfeito. Eu vou ir lá, me envia até amanhã e converso certinho.
Ele foi se despedindo, e saindo do quarto em direção à porta, eu me sentia tão cansada e exausta, que só fui até a metade do caminho, minha mãe já havia sido posta na cama, aproveitei e me deitei ao seu lado, ligando o rádio que ela tinha um ciúme mortal e amava suas músicas românticas que segundo ela lhe traziam as lembranças da juventude, e com o seu cafune de carinho passamos a tarde, ouvindo e contando histórias, dando risadas, sem dar espaço a tristeza.
Dia seguinte
Acordei bem cedo já com o telefone tocando, a irmã de Eduard viria pra Bristol a consulta, as 10 me encontraria com ela na estação de trem, tinha uma pontada de medo de ir sozinha, mais ao mesmo tempo imaginei que dessa forma ela se sentiria mais confortável, o seu noivo a levaria até a estação, a aguardaria lá enquanto de taxi iriamos até o hospital Santa madre. Eu sai sem fazer nenhum barulho, como forma de evitar perguntas, peguei o táxi, e fui até a estação, comprei um pão de queijo pra forrar o estômago, e de longe ouvi o barulho do trem se aproximar, esperei logo na plataforma, quando a porta se abriu como se me conhecesse amparada pelo noivo e com um lenço no cabelo uma jovem se aproximou, deduzi que seria a meia irmã de Eduard.
- ooi, Beth?
- como me reconheceu? - perguntei pasmada.
- você tem o tipo de mulher por quem Eduard se apaixonaria, eu vi a foto de vocês no velório. - ela tinha um brilho no olhar.
- foi ao velorio?
- escondida, de madrugada fiz com que meu noivo me levasse, não é amor?
- sim, as 4 da manhã, com uma dor horrível de cabeça e ela insistia em vir, eu o conheci, um ótimo homem, meus sentimentos. - o noivo da meia irmã de Eduard, parecia um homem simpático, humilde, um estilo hipper de roupa larga florida e cabelo rasta.
- alem do mais, prazer, Mel. -em um cumprimento ela esticou sua mão.
Sabe quando você se sente totalmente leve perto de alguém como uma energia incrível, eu andei ao seu lado até o taxi que nos aguardava, seguiriamos sozinhas, tínhamos tanto o que conversa.
- olha, tenho as certidões de nascimento minhas e de Eduard que usamos pra ligar o caso, só nois três sabíamos, ele disse que não lhe contaria porque você estava em um momento de tensão, fazia apenas três meses que tudo aconteceu, ele me ajudou com uma parte do tratamento médico, e agora entendo, tá de quantos meses? - Mel prosseguiu explicando.
- ou, o bebê? - gaguejei pensando em como ela saberia - estou de bem pouco, como você sabe?
- suas costas estão largas, e seu rosto com um brilho especial, Eduard amaria ser pai, sinto muito, mais vai ser uma menina muito amada.
- menina? - dá onde ela surgiu sabendo de tantos detalhes, o sorriso em meu rosto era incomparável.
- confia em mim, você vai ver.
- e o seu câncer mel como aconteceu? - não era sendo curiosa mais queria conhece- lá
- câncer de ovário, descobri após um aborto espontâneo, estou a dois anos lutando contra ele, mais infelizmente já está a um estágio muito avançado, sempre serei muito grata a Eduard, sem ele não estaria aqui tendo essa conversa.
Não sabia encontrar as palavras certas pra esse momento, mesmo falando sobre a dor que carregava ela ainda mantia o olhar de paixão pela vida, com uma força no semblante. Era incrível. Na porta do hospital, eu a ajudei a todo instante, sem querer ser evasiva e ficar lhe perguntando as coisas apenas a conheci, senti a energia dela ao andar pelos corredor sorrindo e cumprimentando todas as pessoas com a energia mais positiva que alguém possa ter, ela conhecia o hospital como alguém conhece os cômodos de sua casa, e o nome das pessoas como alguém conhece os ingredientes de dentro da geladeira, na sala aonde ficava poltronas grandes e confortáveis, havia um lugar aonde os soros ficavam pendurados, ela se achegou sentando-se, me sentei ao seu lado e logo a enfermeira veio com o soro, com as medicações fortes eu via o semblante dela se mudando pra um de angústia. Na nossa frente havia um menino de mais o menos uns 3 a 4 anos, um bebê praticamente no colo da mãe, ja estava sem cabelo e seus olhos havia um semblante de dor.
- ele chegou recentemente, leucemia, mais logo sairá daqui, você sabe que eu sempre tive a vontade de ser mãe? De ter um pedacinho meu, fruto de um amor quente, com um toque de romantismo, meu noivo quando soube que eu não poderia engravidar, nao excito em me abraçar e falar que adotaríamos o bebe que mais encatasse nossos corações, não houve um dia em que ele não tirou tempo pra me acompanhar, ou que deixou de fazer os afazeres de casa, trabalhar...
- Mel, eu sinto muito por tudo, e mais ainda por não ter te conhecido antes, você é uma mulher incrível e abençoada, não sei, ou não consigo...- Nessa hora as lágrimas rolaram por todo o meu rosto. Estar em meio a um hospital com pessoas que necessitam de muito mais doque força, e ver uma mulher com um sonho que eu estava realizando e sendo irresponsável me doía ao mesmo tempo que passava um tornado de sentimento, os medos da maternidade, das doenças, de tudo, a vida é incerta e disso eu estava passando a ter certeza. Mel me amparou, quando eu quem deveria ampara- lá, quando a medicação acabou, ela estava muito m*l e fraca, vomitando, eu a levei de cadeiras de rodas ate o taxi rumo a estação de trem, seu noivo já vinha emocionado, eu imaginava o quanto lhe doía aquela situação, pois doía em mim saber que ela iria embora em um trem barulhento, ela me abraçou pedindo que eu mantivesse contato, e partiu rumo a Clifton. Retornei em plantos ao taxi, olhando pela janela pensando em cada emoção que aquele dia me reservou. Após um banho demorado, chegou uma mensagem de Cristopher.
“ Oi eu encontrei uma carta nas coisas de Eduard, posso te enviar foto ou te entregar pessoalmente, confesso que chorei vendo ela”
A mensagem que Christopher acaba de me enviar era lúcida de mais, a curiosidade falou mais alto, meu coração disparou.
“ Beth Grove, um nome que aquece tanto o meu coração que não queria ter que te passar o Blossed, ou em outras palavras o sobrenome dos problemas, são 16horas e eu estou cansado com um copo de café na mão te imaginando de lingerie vermelha, e cabelo coque na minha frente, suas pernas bem definidas por conta do ballet, o corpo que eu quero que me pertença por todo o sempre e juro contempla-lo enquanto me existir pulsação. Você é uma mulher forte, e determinada, a duas semanas estará a caminho do palco de Londres, você é a luz e alma daquela companhia, queria ser o cara clichê que te entregaria essa carta sem medo algum de parecer bobo, e veria o seu rosto corando feliz, você ama tanto o amor clichê, e eu queria ser esse cara pra você, mais em vez disso sou o homem problemático que parece não se importar com a nossa história quando tudo nesse mundo que eu mais amo e te ter, eu amo você Beth Grover, e sempre vou te fazer presente nos meus momentos difícil porque o seu karma de ajudar a todos me ajuda até longe “
Isso me arrebentou de uma forma tão dolorida que eu precisava ser amparada , você sempre foi capaz de me tocar com as suas palavras sinceras , eu amava isso da mesma forma que também irei te amar por todo o sempre Eduard Blossed.