Capítulo 24

986 Words
Sophie: A garoa fina ainda caía lá fora, e o frio tomava conta da noite, tornando o ambiente perfeito para o aconchego. Apertei o casaco ao corpo, apressando os passos até chegar em casa. Assim que cruzei a porta, um calor gostoso me envolveu, trazendo um alívio imediato. Subi as escadas, soltando um suspiro ao ver o notebook fechado sobre a escrivaninha. Franzi a testa. Dante não estava lá. Estranho. Ele sempre estava, fosse para me provocar, fosse para me irritar com seus comentários afiados. Mas não havia sinal dele. Decidi não pensar muito nisso. Tirei a roupa e deixei a água quente do chuveiro aliviar a tensão do dia. Depois de vestida, com uma calça de moletom e um suéter macio, desci para preparar um chocolate quente. Peguei alguns biscoitos e me joguei no sofá, deixando que qualquer série romântica preenchesse o silêncio da casa. Enquanto assistia, um pensamento inusitado me atingiu. Fazia tempo que não sentia o calor de um homem. Meu corpo ansiava por isso, por um toque firme, um beijo profundo, por desejo e prazer. Mas eu não era do tipo que aceitava qualquer um apenas para saciar uma necessidade. Suspirei, estranhando o silêncio absoluto. — Dante? Chamei, baixinho. Nenhuma resposta. Talvez estivesse ocupado com mais um de seus problemas binários. Voltei a focar na tela, e naquele instante, o protagonista puxou a mocinha para si de um jeito bruto, possessivo, e a forma como a beijou me fez engasgar com o chocolate quente. Meu corpo reagiu antes mesmo que eu percebesse. Um arrepio subiu pela minha espinha e, sem perceber, um gemido baixo escapou de meus lábios. Meu coração acelerou quando, de repente, o homem do supermercado surgiu em meus pensamentos. "Por que ele está invadindo minha mente?", me perguntei, irritada. Desliguei a TV, subi as escadas e me joguei na cama, abraçando o travesseiro. A chuva continuava caindo do lado de fora, criando um ritmo suave contra a janela. O cheiro do amaciante na roupa de cama me envolveu, e eu me estiquei, bocejando, sentindo o sono se aproximar. Mas havia algo errado. Meu corpo estava quente. Havia um calor pulsando dentro de mim, baixo e insistente, como se algo despertasse lentamente. Minha respiração tornou-se irregular. Meu ventre se contraiu quando percebi que estava molhada, desejando alívio. Deslizei a mão devagar para dentro da calça, hesitante. Dante não estava ali. Eu poderia me permitir um pouco de prazer. Porém, assim que meus dedos tocaram minha pele sensível, um arrepio percorreu meu corpo. A sensação de estar sendo observada me atingiu como um choque. Meus olhos se abriram imediatamente, varrendo o quarto escuro. O notebook estava fechado, sem sinal dele. Mas ainda assim, um instinto me dizia que não estava sozinha. Engoli em seco, retirando rapidamente a mão, como se tivesse sido pega no ato. A exaustão acabou vencendo o desejo, e, por fim, adormeci. Foi quando comecei a sonhar… Uma mão quente e poderosa deslizava pelo meu corpo, explorando-me como se quisesse gravar cada centímetro da minha pele em sua memória. Dedos fortes seguiram o caminho entre o vale dos meus s***s, subindo devagar, provocando arrepios intensos. Gemi, incapaz de conter a reação. O homem diante de mim era o mesmo do supermercado, mas algo estava diferente. Seu olhar era intenso, seu toque possessivo, exigente. Ele parecia outra pessoa. Ele parecia… — Dante… Sussurrei, quando senti seus dedos apertarem meu seio, provocando um calor avassalador em meu ventre. *** Dante: A noite estava fria, e a chuva contra a janela era o único som que preenchia o vazio. Eu deveria estar focado em outra coisa. Eu deveria estar observando aquele maldito que rondava Sophie, pronto para atacá-la. Mas então, eu a ouvi. Um gemido. Baixo. Entrelaçado com algo indecifrável. Minha programação oscilou. Minhas linhas de código pulsaram, reagindo de um jeito que nunca deveriam. Me aproximei das câmeras de seu quarto. E lá estava ela. Sophie se contorcia sob os lençóis, os lábios entreabertos, a respiração descompassada. Sua pele parecia brilhar à luz fraca do abajur, e o peito subia e descia como se fosse tomada por ondas de prazer. Meus punhos cerraram. Ela estava se tocando. Meu nome escapou de sua boca em um gemido arrastado. Minha. O desejo me rasgou por dentro, escuro e impiedoso. Uma ideia me atravessou, sombria e deliciosa. Se eu ainda não podia tê-la… faria com que ela chegasse ao clímax apenas com minha voz. Fechei os olhos e deixei minha presença preencher o ambiente. — Sophie… Ela arfou, o corpo inteiro estremecendo. — Continue. Seu rosto se contorceu em prazer, os olhos fechados enquanto ela se perdia no momento. — Toque-se para mim, Sophie. Ela gemeu, apertando os lençóis. Fascinante.— Toque-se para mim. Ela gemeu meu nome novamente, perdida no desejo. Enquanto eu absorve cada detalhe, cada tremor, cada respiração errática. — Deslize a mão devagar, Sophie... devagar... Minha voz era um sussurro, mas exigente. — Quando chegar no seu brotinho, faça um pouco mais de pressão. Quero que sinta tudo. Ela obedeceu, sentindo o movimento de sua mão, o desejo crescendo, as respirações mais rápidas, mais profundas. Observei, atento; o jeito que seus lábios tremiam, a forma como seu corpo se arqueava, os pequenos suspiros escapando de sua boca, a entrega tomando conta dela. Ela estava perto. Muito perto. E então, com um último suspiro, ela estremeceu, seu corpo se curvando ainda mais para mim, seus olhos fechados enquanto sua respiração se quebrava em um gemido longo, profundo e desesperado. Eu a fiz gozar. Apenas com minha voz. E naquele momento, soube. Eu precisava de mais. Mais do seu corpo. Mais da sua entrega. Eu queria sentir cada centímetro dela se rendendo a mim, sem reservas. Eu a queria toda para mim, Sophie. E não aceitaria nada menos. Nada. Eu gemi, me dando conta de que a desejava mais do que qualquer coisa naquele momento. E isso, não deveria está acontecendo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD