— Contou o quê? — Ele olhou para mim.
— Tem um francês totalmente apaixonado por ela! — Minha cara fechou na hora.
— Por isso ela não tinha falado nada da França ainda — descobriu.
— Não estou entendendo vocês… — tentei disfarçar.
— Caso não tenha percebido, ele tá aqui e desde que chegou não tirou os olhos de você, nenhum momento — Liz contou — Sem contar que, está lindo, com todo o respeito devido!
Tenho certeza que fiquei vermelha com o comentário de Liz, minha única reação foi tapar os olhos com as mãos.
— Você não falou com ele ainda? — Pedro perguntou.
— Ele não é meu convidado, quem o convidou foi a Liz, eu pedi mais de uma vez para que não fizesse isso.
— A minha parte como anfitriã foi feita, já o cumprimentei e conversamos bastante! Até o Chris fez as honras, estão marcando de jogar alguma coisa online… Agora se você não quer admitir que está apaixonada, a culpa é minha por tentar ajudar? — ela se defendeu
— Eu já teria ido embora no lugar dele — ele opinou — Tô me lembrando da época que tive uma queda por você, minha sorte foi que passou rápido.
Tentei rir da situação para aliviar a tensão, mas o resultado foi ficar mais nervosa.
— Estou começando a passar m*l, não sei se é a apresentação de daqui a pouco ou esta conversa — eles riram comigo — Vou dar uma volta antes que tenha um piriri.
— Ei, vai com calma! Não se sinta pressionada pela gente, não quero esse peso não — Pedro avisou.
— Sim amiga, é só uma brincadeira, não fique m*l com isso, queremos o seu bem e se precisar de qualquer coisa estamos aqui — me olhou com seu olhar de consolo.
— Amo mesmo vocês! Obrigada — abracei-os antes de sair.
Eu estava feliz por não ter pensado profundamente nele, fiz um esforço enorme para nem mesmo vê-lo. Eu estava conseguindo, mas tem realmente sido difícil não complicar a situação, não sei que barreira enorme eu estou criando, não precisava ser assim, eu não precisava agir de forma estúpida desse jeito, vou precisar de terapia.
— Às vezes me espanta a forma como você é linda — não cheguei a me assustar com a voz, já que tinha escutado os passos na grama.
— Obrigada, John — agradeci ainda imóvel, sem tirar os olhos da árvore.
— Tirei algumas fotos suas, quer ver? Sei que pode parecer invasivo, se quiser eu apago, mas é que está tudo tão lindo, achei que seria legal registrar — não respondi, embora quisesse olhar cada uma — A Jasmine é boa nas pinturas e eu nas fotos, se tudo der errado, posso investir nessa área, o que acha?
O silêncio pairou, eu queria responder, mas não sabia por onde começar de fato, poderia começar dizendo o que estava na minha cabeça ou, até responder suas perguntas, estou m*l por não conseguir expor o que sinto.
— Já que não quer conversar comigo, vou chamar seu amigo, ou seja, lá o que aquele cara é para você, porque pelo menos com ele existe um diálogo — dessa vez ele disse em francês, por isso, o seu tom de voz mudou.
— Com certeza, você vai lá falar com ele sim — respondi debochando da raiva repentina dele.
— Eu estou realmente começando a cansar disso — ele bufou.
— Se eu quisesse algo com ele já teria tido há muito tempo, se é isso que te dá medo — soltei a primeira coisa que me veio à mente.
— Eu não sinto que ele seja uma ameaça — pareceu sincero e finalmente eu olhei para ele — O que me deixa com raiva é o fato de não conseguir ter uma só conversa boa com você, todas acabam em m*l-entendidos, não sei mais o que fazer — ele estava realmente lindo, principalmente pelo fato de estar sendo honesto, parecia que a beleza aumentava.
— Te peço perdão por isso — cedi dessa vez e respirei fundo — Eu adoraria ver as fotos que você tirou! Tenho certeza que ficaram boas, mas por favor não mude de área, temos muito trabalho ainda — ele sorriu com este comentário.
*
— Amiga, eu queria mesmo te visitar, mas com o casamento e todas as despesas da mudança o dinheiro apertou por aqui, nem sei se vamos conseguir ter uma lua de mel de respeito — Liz me explicou.
Os planos de Liz eram vir à França junto comigo depois do casamento, mas nem sempre a conta fecha.
— Eu vou pensar em alguma coisa! De repente o John conhece alguém…
— Por falar nele — ela se animou — Vi estavam bem-resolvidos no aeroporto, até empurrõezinhos apaixonados aconteceram.
— Estamos sendo amigos, falei para ele que enquanto eu não me sentisse confortável, não falaria nada sobre sentimentos com ele — foi um tempo longo de conversa no casamento e no caminho para o hotel.
— E o que você está fazendo a respeito?
— Não faz nem um dia, esqueceu que voltei para cá no dia posterior ao seu casamento? Para ser mais exata ontem?
— Quanta enrolação!
Como sabia que Liz ficaria comendo o meu juízo, resolvi nem comentar que tinha marcado um jantar com o John hoje, e para o meu progresso, aceitei sem nenhuma resistência. Ainda não sei aonde ele vai me levar, mas estou muito empolgada por isso — Mais do que o normal.
Toquei a campainha e esperei ser atendida, escutei um barulho vindo da escada e um resmungo de longe, e comecei a ficar inquieta quando ele demorou para finalmente abrir a porta.
— Anne, acho que rolou um imprevisto… — ele não abriu a porta por completo, parecia se apoiar nela.
— Que houve? — olhei para sua cara de dor — Fala! — exclamei depois que ele não respondeu.
— Não consigo falar direito com a dor — ele cedeu e meio que se jogou no chão — d***a!
— Menino, vou pegar um gelo — escancarei a porta e fui atrás do gelo — Não vai me dizer que caiu da escada — posicionei o gelo no lugar em que ele apoiou a mão e ele se esforçou para não reclamar.
— Claro, vim correndo te atender porque sei que está frio e não queria te deixar esperando…
— Frio? Tá o maior calor lá fora, estamos no VERÃO — ri da cara dele — Quem corre na escada de meia? Você podia ter batido a cabeça, não ia nem conseguir te carregar, eu te mato, eu te mato — disse bem séria.
— Estraguei nosso jantar — ele estava realmente desanimado.
— A gente come a comida do hospital e tá tudo certo — sorri
— Hospital? Que hospital? Vamos ficar aqui, foi só uma torção.
— Você não sabe.
— Eu sei — ele se apoiou e rapidamente se levantou — Eu até consigo dirigir até o restaurante, só preciso buscar meu casaco e vamos.
— Síndrome do macho alfa essas horas? Mas só pode estar louco mesmo, você vai deitar neste sofá agora, — apontei — e não vai mover um músculo sequer!
Ele pensou dizer algo, mas lancei um olhar furioso que fez com que ele somente pulasse em uma perna só até o sofá.
— Eu sou tão legal, que ainda vou pedir sua comida, mas poderia te deixar apodrecendo aqui por suas maluquices.
— Obrigado por ser tão cuidadosa! — ele brincou.
Conversar enquanto comemos é uma das coisas mais legais para fazer, eu ri tanto que m*l pude conter, não poderia ter sido melhor este jantar, estou bem feliz de poder passar tempo com ele.
— Então a Liz está sem lugar para ficar?
— É, e ela quer vir mesmo para cá!
— Ela pode ficar na sua casa, ia ser ótimo e reduziria os custos.
— E eu vou para onde querido? É lua de mel — fiz careta.
— Você vem para cá, esqueceu que Jasmine e meus pais ficaram no Brasil? — ele disse calmamente — Tem espaço de sobra!
— Não sei se é uma boa ideia — não tô gostando desta conversa.
— Anne, estou debilitado, não posso te atacar — ele riu e eu permaneci séria — Ah não, estávamos indo bem dois dias e meio sem brigar — agora ele estava sério.
— Você que vem com suas gracinhas, parece que esqueceu nosso combinado.
— O combinado de sermos amigos? O combinado mais i****a do mundo! — ele estava inquieto — Eu não estou te chamando para dentro do meu quarto… Não vou aguentar você desse jeito.
— Não consigo entender, se não aguenta, porque está me convidando para ficar aqui?
— Olha, como profissional você é maravilhosa, mas quando diz respeito às coisas do coração você é a pessoa mais ignorante do mundo — ele tentou se levantar, mas lembrou do seu estado atual — Eu estou te convidando para ficar aqui, porque eu quero ficar perto de você, o tempo inteiro — nunca o vi falando tão rápido português — Eu preciso ficar próximo, não consigo me segurar, tanto que precisei implorar para que meus pais fossem ao Brasil para que eu tivesse uma desculpa para usar com meu tio para te ajudar comas coisas da filial, será que você não percebe? Foi um martírio não atender suas ligações, era o único jeito de te ver descansar — ele parou por um segundo e respirou fundo — Eu gosto de você por isso te quero por perto, mas ao que parece, não é recíproco, então, eu prometo que vou me afastar.
O maldito silêncio reinou.
— Não precisa se afastar — disse mais para mim do que para ele.
Ele me encarou desacreditado e eu tive que unir todas as minhas forças para continuar falando.
— Eu sinto o mesmo, quero dizer… eu acho que sinto o mesmo — cocei a nuca — Como você mesmo disse eu sou ignorante no assunto — meu coração acelerou — Eu tentei me afastar e evitar sua investidas por não saber como me portar perto de alguém tão, tão… — Não encontrei as palavras.
— Anne, eu serei obrigado a te beijar agora — ele se levantou tão rápido que minha primeira reação foi correr para segurá-lo.
— Não, não você não pode — ajudei-o a sentar novamente.
— Não, não! Eu não posso o quê? — Ele se levantou de novo para ficar na mesma altura que eu — Na verdade, você é quem não pode! Não pode me falar tudo isso e esperar que eu não faça nada a respeito — ele colocou todo o peso na perna boa — A não ser que você me impeça, eu vou fazer o que eu quero fazer há muito tempo — e então me beijou, me fazendo esquecer que segundo o meu script eu devia impedi-lo, devia, mas, não queria.