13.

1574 Words
Beatriz Ah, às segundas feiras são sempre um caos à parte. Tudo que eu queria era me manter deitada na minha cama, mas aí eu me lembrei que recusei a proposta do meu noivo de ser a esposa troféu. Então me levantei e percebi que provavelmente eu já estava sozinha em casa a muito tempo, fui pro banho, por motivos óbvios agora eu tenho que treinar na parte da tarde. Depois do banho, vesti uma roupa confortável e apresentável pro meu primeiro dia de trabalho. Nada escrito meu nome ou uma coruja bordada no meio dela. Isso aí é somente no meu jaleco. Fui pra cozinha, Joca já havia deixado o café pronto na cafeteira, então apenas esquentei o que eu ia tomar, os professores podem comer a comida do refeitório, o que é ótimo, porque eu esqueci totalmente de fazer minha marmita. Tomei o meu café, conferi a minha bolsa e as atividades que eu ia fazer hoje, conferi todo meu plano de aula e fiquei pensando se eu estava pronta isso. Mas eu tenho certeza que é isso que eu quero, afinal eu não estudei quatro anos atoa. Então depois de ter certeza que eu estava pronta, coloquei todas as coisas dentro do carro, e saí do prédio. Não demorou muito pra chegar na escola, estacionei o meu carro e entrei na escola, passei pela sala dos professores, muitos deles me olharam estranho. A diretora também estava lá. — Gente, essa é a Beatriz, ela é a substitua da Suzana, ela vai ficar com a gente essa semana. — a diretora disse e deu um tapinha no meu ombro. — Bem vinda e boa sorte, eu me chamo Patrícia. — uma moça baixa, loira e dos olhos escuros disse. Ela parecia ser legal. — Obrigada. — falei com um sorriso amigável . Os outros disseram a mesma coisa, mas outros falaram o mínimo, então coloquei as coisas no armário que a diretora me deu a chave, depois fui andar pela escola, vendo algumas crianças correndo pra lá e pra cá, em educação física ou apenas na aula fora da sala. Eu amava quando tínhamos aula fora da sala, normalmente era no pátio da escola. Meu pequenos alunos já tinham chego, então peguei todas as coisas que estavam separadas. — Bom dia alunos. — falei assim que entrei. — Bom dia. — todos falaram em unisom. A primeira coisa que fiz foi a chamada, depois fui conhecendo um pouco de cada um. Eles eram tão fofos, que eu poderia passar o dia todo conversando com cada um deles. Mas eu tinha que dar atividades pra eles. O dia passou mais rápido do que eu pensei que passaria, e eles me deixaram tão cansada quanto eu pensei que ficaria, o horário de almoço chegou, então fui até o refeitório na parte separada para os professores. Todos eles ficaram me olhando. Alguns com sorriso, outros com uma cara de dúvida. — Olha só, temos um rostinho novo aqui. — a moça do refeitório disse. — Oi, eu me chamo Beatriz. — falei com um sorriso amigável. — Me chamo Lúcia. — a moça da cantina disse. — E a outra ali chama Célia. — ela disse. — Prazer Célia. — falei e acenei pra ela que sorriu pra mim. — Os professores são sempre assim? — perguntei baixinho. — Ah querida, se você for ficar bastante tempo melhor você acostumar. — Lúcia disse. — Obrigada pelo concelho. — falei e sai de perto da fila. Me sentei na mesa aonde havia outros professores, mas não me sentei perto deles. — Bruna o seu nome, né? — uma das professoras perguntou. Fiz que sim com a cabaça, já que eu estava com a boca cheia. — Nossa você parece ser bem nova, tem quantos anos? — uma outra professora perguntou. — Vou fazer 24. — falei. — Faz quanto tempo que você se formou? — a professora perguntou. — Tem alguns meses, mas ainda não tive a minha festa. — falei. — Só a colação de grau? Então você é uma super novata. — uma outra professora disse se sentando na minha frente e rindo. — Eu fiz alguma estágios enquanto morei fora, me formei lá e fiz outros pequenos cursos. — falei. — Você morou fora? — uma tal de Sheila que também é professora perguntou. — Terminei a faculdade fora, morei um ano. — falei. — Qual a diferença, entre o que eles ensinam aqui, para o que eles ensinam lá? — a professora que havia me chamado de "super novata" perguntou. — Não é só sobre o que eles ensinam e sim como, é mais prática do que teórica no último ano, o estágio foi um dos maiores motivos de eu ter ido. — falei e ela não disse nada. O fim do intervalo chegou, o dia já estava dando espaço pra tarde. Arrumei todas as crianças, deixei o recado no caderno de quem precisava, depois fiz o relatório diário. As crianças começaram a ser liberadas, as que os pais vinham buscar e as que iam embora de van. Então deixei meu relatório junto ao dos outros. Depois me despedi daqueles professores que ainda estavam lá e enfim fui embora, mas não pra casa, já que eu tinha uma prova do vestido, então eu ia encontrar com as meninas. Assim que cheguei no ateliê as meninas também chegaram, Maya foi a última a chegar, entremos e cada uma foi pro seu provador colocar o seu vestido. Então as quatros saíram todas juntas. — Ai meu Deus, nós estamos lindas. — Mari disse parada em frente a um dos espelhos. — Realmente, estamos um grande espetáculo. — Gabi disse. — Maya, você ficou ótima também. Azul é a sua cor. — falei e ela deu um sorriso de peleja a orelha. Depois da última prova, ajustaram as últimas coisas e depois disso fomos cada uma pra sua casa, as meninas desistiram de treinar e eu resolvi que ia dar um pulo na academia, eu não posso desistir do meu projeto super gostosa e super saudável. Então assim que eu chego em casa ouço o barulho do chuveiro e também o barulho da máquina de lavar, o que não é muito comum. Ele não me ouviu entrar em casa, então fui até a máquina de roupa, pra saber o que tinha acontecido. Meu coração disparou quando vi a cor daquela água. Um nó se fez na minha garganta, em fração de segundo me lembrei daquele dia, do seu resgate, aonde eu só via sangue e seu corpo machucado. Ouço o chuveiro desligar, mas eu ainda não conseguia me mover, eu não sabia muito bem o que pensar, se era ele quem estava machucado, ou então ele que havia machucado alguém. Sai da lavanderia e fui em direção a cozinha, vejo ele saindo do corredor apenas usando uma bermuda. Percorro seu corpos com os olhos procurando algum machucado. Solto um suspiro, porque não havia nenhuma marca no seu corpo, mas então me lembrei do outro motivo daquela roupa estar com tanto sangue. Então me vem na memória todas as coisas que ele já fez, e o que isso já lhe causou. Me lembrando exatamente do antigo João Carlos, o que eu não podia confiar, no que eu deveria temer e não amar. — O que aconteceu? Está com uma cara de assutada. — ele disse se aproximando, acabei dando um passo para trás. — O que foi Beatriz? Fiquei olhando pra ele por alguns segundos sem dizer nada. Ele de alguma forma entendeu o que estava acontecendo de "errado" comigo, então ele também recuou um pouco, sem olhar nos meus olhos. — Não é como você está pensando que foi... — ele começou a dizer. — Não? — perguntei e cruzei os braços em frente ao corpo. — Não matei ninguém, ninguém matou ninguém, mesmo que fosse isso que o meu pai quisesse, e que talvez uma parte de mim também. — ele disse e olhou nos meus olhos. Eu vi por uma fração de segundos, o seu lado sombrio aparecer, mas ela logo foi contida por sua longa respiração. — Isso é um teste Beatriz, ele está fazendo isso, porque perdeu o controle sobre mim e o JP. E eu não vou ceder. — ele disse e se aproximou de mim. Dessa vez eu permito. — Vai me contar o que aconteceu? — perguntei e coloquei minha cabeça no seu peito ouvindo sua respiração. — Eu não sei direito, parece que não era muito eu, acho que deixei aquele outro lado dominar, mas uma parte de mim só queria voltar pra casa e te ouvir falar sobre o seu dia. Será que podemos fazer isso? — ele asfaltou o nosso corpo. Ele segurou meu rosto com as duas mãos, olhando no fundo dos meus olhos. — Eu re amo Bea e, é esse amor que me traz de volta todas as vezes que uma parte de mim deseja ser r**m. Porque a minha vontade de ser melhor e de ter você na minha vida é muito maior. — ele disse e deu um beijo na ponta do meu nariz. — Vou te contar como foi meu dia, mas eu quero sorvete, vou tomar um banho. — falei e dei um beijo no canto da sua boca que abriu um sorriso. Eu acredito nele. Fui pro nosso quarto tomar o meu banho pra ter meu descanso.
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