Beatriz
Os dias passaram bem mais rápido do que eu pensei que passariam. Os dias na escola foram quase todos parecidos. Sexta feira eu tive a confirmação que eu mais queria ouvir. Eu realmente seria professora pedagógica, a diretora resolveu que eu seria a melhor a ocupar esse cargo. O que me deixou muito mais do que feliz e pronta pra festa de hoje.
Eu estou tão ansiosa. Enfim eu vou ter a tão sonhada festa de formatura da faculdade, assim como minhas melhores amigas. E esse dia não poderia ser diferente. Meu pai fez questão de contratar uma equipe inteira só pra cuidar da gente, tivemos direito até a massagem relaxante. O que com certeza eu estou precisando, porque a semana foi tranquila no trabalho, mas em casa, havia com certeza algo diferente, eu acreditei quando o Joca me disse que aquela seu lado sombrio não estava o afetando, eu acreditei porque eu o amo e vejo nele muitas mudanças positivas. Mas acho que as coisas ruins andaram se repetindo no trabalho, porque outra vez ele estava lavando suas roupas de sangue, mas dessa vez eu não perguntei nada e ele também não me disse nada. Eu não quero travar uma guerra em um dos momentos mais especiais da minha vida.
Mas não foi somente isso que tomou a minha cabeça a semana inteira, mas também o fato de eu e a minha mãe ainda estarmos distantes, o que me leva a pensar que aquelas flores que chegaram em casa a um pouco mais de uma semana não vieram dela, mas sim de alguém que nos conhece, nos conhece tão bem pra saber do meu apelido dado pela minha vó.
Uma parte de mim não quer pensar nisso, mas outra parte de mim fica tentando encaixar essas peças, e fica me fazendo lembrar daquela carta escrita pela minha mãe meses antes de eu nascer. Eu só quero ter um pouco de paz na minha vida e fico me perguntando se isso é plenamente possível. Se um dia eu vou poder deitar na minha cama e saber que eu não tenho um noivo com um lado sombrio, um sogro que sempre quer explorar esse lado, sabendo da força que ele tem quando está assim. De um avô assassino e controlador que talvez não sabia da minha existência, ou talvez já tenha descoberto o grande segredo da minha mãe e que talvez ele só esteja esperando a oportunidade certa pra vir atrás da gente e acabar totalmente com o que ele havia começado.
Eu sou tomada por todos esses pensamentos ruins e confusos durante o meu banho relaxante, mas sou bruscamente interrompida pelas minhas melhores amigas que não conseguem ficar caladas por muito tempo.
— Semana que vem eu tenho entrevista em um escritório, eu tô tão ansiosa, não é lá aquelas coisas, mas acho que pra eu criar já experiência vai ser tão bom. — Gabi disse
— Vai ser mesmo. — Mari concordou. Eu apenas fiz que sim com a cabaça.
Depois do nosso banho relaxante, Maya chegou pra ss arrumar conosco. Joca, Túlio e JP iam se arrumar em casa. O que com certeza seria um caos, os três juntos, já fico pensando já bagunça que a minha casa vai ficar.
Depois do banho, vestido um roupão e já começamos a maquiagem.
— Como vocês acham que vai estar a festa? — Mari perguntou.
— Eu espero que esteja magnífica, porque nossos vestidos merecem uma festa linda. — falei.
— Nossa isso é pura verdade. — Gabi disse.
As horas foram passando, e eu fiquei quieta sendo maquiada, mas a minha cabeça ainda estava longe, em um certo endereço, onde eu já morei e onde mora minha mãe. Pensando se ela vai aparecer na formatura, ou então ela vai realmente se afastar de mim pelas escolhas da minha vida.
Eu não queria pensar em coisas tristes... mas todas as coisas me fazem pensar nisso.
A campainha tocou, do lado de fora dava pra se ouvir várias vozes, meu pai foi até a porta e abriu. E então os três mosqueteiros entraram, rindo e falando algo entre si. Nós ainda estávamos fazendo o cabelo, pelo vão dá porta pude perceber que já era noite e eu nem vi a hora passar.
— Meu Deus vocês estão parecendo gente. — Maya disse rindo.
— Para com isso, todo mundo aqui sabe que eu tô muito gato. — JP disse passando a mão pelo cabelo rindo.
— Autoestima alta a sua em. — Mari disse.
Maya já estava pronta então subiu pra colocar o seu vestido, meu pai estava lá em cima também já se vestindo, segundo ele, queria estar a altura da sua filha formanda. Uma parte de mim fica um pouco mais feliz em ter ele agora na minha vida, ainda que eu ainda tenha um pé atrás, até porque conhecer seu pai após quase 22 anos de vida não é muito fácil de se lidar.
Meu cabelo também já estava pronto, então subi pro meu quarto, Gabi não demorou muito e veio logo atrás, ajudamos uma a outra a colocar o vestido, então coloquei meu salto, que eu comprei fora em uma das viagens a Paris enquanto morávamos em Nova York. Coloquei o sapato, passei creme, perfume e coloquei um brinco.
Mari também subiu pra colocar o vestido, ajudamos ela, e depois saímos do quarto, os outros já estavam todos lá em baixo, então quando aparecemos na escada todos os olhares se voltaram para nós. Os olhos do Joca encontraram os meus, senti todo o meu corpo arrepiar, ele abriu um sorriso e foi até a ponta da escada.
Como o meu pai fez o serviço completo, ele também contratou um fotógrafo, porque ele não queria perder nenhum segundo. Quando cheguei na ponta da escada, parei do lado do Joca que pegou na minha cintura, tiramos fotos.
Você está exuberante. — Juca disse sorrindo
As meninas também desceram, tiramos algumas fotos. Depois fomos para os carros. Nos dividimos em dois carros. Meu pai, eu, Maya e Joca fomos em um, Gabriela, Mariane, Túlio e JP foram em outro.
O local da festa não era tão longe e quando já estávamos perto pude perceber o quanto estava cheio, mas também estava magnífico de lindo. Descemos do carro depois que entramos no estacionamento, na entrada havia até um tapete vermelho, assinei a lista de presença, e depois meus convidados entregaram os convites.
— Eu posso lhe fazer uma pergunta? — falei para uma das moças da recepção.
— Pode sim. — a moça respondeu simpática.
— Você pode ver se Alexandra Barros e Paulo Souza já chegaram? — perguntei.
— Posso, só um segundo. — ela disse.
Fiquei esperando em silêncio, ela me olhou sorrindo.
— Eles já chegaram sim, já até entraram. — ela disse com um sorriso.
— Muito obrigada. — falei.
— De nada — ela respondeu.
Sai da li aliviada, soltei todo o ar que eu estava prendendo em meus pulmões. Assim que eu entrei na festa fui engolida pelo mar de pessoas.
A festa estava relamte linda, digna dos formandos, combinou com a nossa colação de grau, um tema mais refinado.
Meus olhos logo encontraram com os dela, ela me deu um aceno e então fui em sua direção e sem nem pensar duas vezes lhe dei um abraço apartado.
— Fiquei com medo que de você não viesse. — falei baixinho no seu ouvido.
— Eu nunca deixaria de ver a minha filha na sua linda festa de formatura, assim como eu não vou perder de te ver vestida de noiva filha. — ela disse e da um beijo na minha testa.
— Eu te amo e não quero mais brigar mãe. — falei olhando nos seus olhos.
— Nem eu querida. — ela disse ainda segurando o meu rosto com as duas mãos. — Eu te trouxe um presente. — ela disse com um sorriso.
— Presente? Eu adoro presente. — falei sorrindo.
— Eu sei disso. — ela abriu a bolsa e tirou uma caixinha pequena. Ela me entregou a caixa.
Então eu abri, meus olhos brilharam e eu abri um sorriso. Era um colar prata com um pequeno pingente de livro brilhante, era tão lindo e delicado.
— É tão lindo. — disse enquanto meus dedos tocavam o pingente.
— Quando eu vi só consegui me lembrar de você. — ela disse com um sorriso. — Quer colocar?
— Quero. — respondi.
Ela tirou o colar da pequena caixinha, então me virei de costas e ela colocou o colar em mim, minha pele se arrepiou quando o colar gelado tocou, mas a sensação era tão boa. Eu queria tanto perguntar se era que havia me enviado aquelas flores, mas por medo da resposta eu não queria estragar a festa, então não disse nada, apenas dei outro abraço nela.
— Você está muito linda Bea. — Paulo disse me dando um abraço. — Parabéns pela formatura.
— Obrigada, que bom que você veio. Já encontrou a mesa de frutos do mar? — perguntei rindo.
— Claro que já, acha que não seria a primeira coisa que ele iria procurar?! — minha mãe disse rindo.
Pela primeira vez nessas duas últimas semanas eu me senti realmente feliz. Joca, meu pai e Maya se aproximaram de mim, da minha mãe e do Paulo.