Mariane
Festa e mais festas. Essa vida de formanda não tá sendo fácil pra mim.
Depois de uma longa noite de conversa e bebidas, na casa da Beatriz, depois de ter que aguentar o Lucas falar sobre a sua grande festa, Túlio me levou embora e a Gabi resolveu dormir em casa pra irmos pra casa do pai da Bea pra nos arrumar pra festa.
— Mari, o que você acha do casamento da Bea e do Joca? — Gabi me perguntou antes dela pegar em um sono profundo.
Acho que antes de saber o que agora eu sei sobre a família da Bea, eu continuaria achando a maior idiotice que ela poderia fazer da vida dela, ainda mais que o pedido tinha sido feito por um sem memória como o João Carlos estava a um pouco mais de um ano atrás. Mas hoje, sabendo que a Beatriz não é só filho de um mafioso que fingiu estar morto todos esses anos, como também é neta e herdeira de uma máfia de um cara que com certeza é capaz de colocar medo em todo mundo.
Muito mais que aquele tal de Olavo que mandou pessoas invadirem a minha casa a também um pouco mais de um ano atrás. Acho que o fruto não cai muito longe do pé, e que ele tem se esforçado pra não ser um grande babaca com ela.
E eu perdi total direito de razão quando comecei a namorar o encarregado dele, e também um dos seus únicos amigos. Então tanto ela quanto eu, temos sim um péssimo gosto pra homem. Gabriela ainda está se decidindo sobre o JP, eu sei que ela gosta dele, mas com todo esse assunto sobre filhos, e como ele tenta deixar sempre essa história de um novo recomeço de lado, acho que ela acabou desistindo dele e as vezes só fica com ele pela diversão que ele proporciona.
Depois de ficar pensando nisso por muito tempo, me rendi ao sono e capotei.
— Acorda garota. — ouço uma voz feminina dizer e logo em seguida minha cabeça é acertada em cheio pelo o que parece ser um travesseiro.
— Quem foi a filha da p**a que fez isso? — abri os olhos imediatamente.
Lá estava Gabi de pijama com os cabelos bagunçados encostada na porta e a Beatriz toda arrumada do lado dela, as duas estavam rindo da minha cara, e tudo que eu queria era voar no pescoço de uma das duas, ou então das duas por me acordarem desse jeito.
— Bom dia bela adormecida. — Gabi disse e se jogou em cima de mim rindo.
— Isso é jeito de me acordar? — perguntei empurrando corpo dela até ela cair no chão.
— Estamos tentando te acordar tem mais de 10 minutos. — Beatriz disse.
— Duvido, eu tenho o sono leve. — Rebati e levantei da cama.
— Tão leve que não ouviu o próprio despertador que fica do lado da cama. — Bea disse rindo.
Eu tinha argumentos para ir contra, porque era absoluta verdade, eu fiquei tão imersa nos meus pensamentos que acabei pegando no sono profundo, tão profundo que não ouvi o despertador tocar e nem mesmo a Gabi conversando com a Bea, o que com certeza também me acordaria, mas não foi isso que aconteceu. Levanto as mãos em sinal de redenção e vou em direção ao banheiro.
— Você me ganhou nessa, tudo bem. — falei e fechei a porta.
Fiz a minha higiene matinal e depois que eu saí do banheiro percebi que o quarto já estava arrumado, Gabi já estava arrumando as coisas dela, mesmo que ainda estivesse vestindo seu pijama de joaninha. Aproveitei o embalado e também já arrumei as minhas, tentando não me esquecer de nada. Depois de colocar as coisas do banheiro fechei a minha pequena mala.
Descemos pra tomar café, hoje meus pais vão viajar, vai ser a última esse mês antes da minha formatura, pelo menos nessa eles disseram que iam, agora se vão cumprir com o que disseram, isso já é outra história.
— Boa viagem. — falei assim que os dois desceram a escada.
Eles foram até onde eu e as meninas estavam, minha mãe me deu um beijo na bochecha e meu pai na testa, eles deram tchau para as meninas e logo sairam de casa.
Acho que todo mundo sempre quis rer pais que conhecessem o mundo todo, indo em cada país e conhecendo suas culturas, suas crenças e sua comida. Eu fui em muitos países, conheci coisas incríveis, pessoas incríveis, mas acho que minha casa vai ser sempre o meu lugar favorito. Mas meus pais não pensam assim, fico pensando se eles fazem isso por medo de morrer amanhã e não ter aproveitado nada da vida, ou porque não há nada aqui no Brasil que os prenda e faça tão feliz quando explorar o mundo.
E dessas duas opções, ambas partem o meu coração e por mais que eu tente mentir para as meninas, a verdade é que as vezes a solidão faz um eco muito alto, tão alto que parece que vem de dentro de mim, e então sinto que não é só a casa que parece vazia, eu também.
Depois do café, voltamos para o meu quarto e então eu fui me arrumar para ir pra casa do pai Bea. De repente eu me lembrei de uma das melhores noites que já tivemos juntas, e foi em Nova York, com certeza.
Flashback on
— Fala sério, só vocês duas pra me fazer sair de casa. — Beatriz disse colocando o salto.
— Se temos pouco tempo aqui, então temos que aproveitar da melhor forma. — falei rindo.
Descobri uma boate incrível e, é lógico que eu não deixaria de ir pessoalmente conferir se ela é tão incrível quanto dizem, mas eu não poderia fazer isso sozinha de jeito nenhum.
Então as três mosqueteiras, versão baladeiras, estão mais prontas do que nunca. Pedimos um carro e fomos. A entrada não estava muito cheia, o que talvez não seja um bom sinal, já que no Brasil as filas dão quase uma volta no quarteirão. Descemos do carro e então fomos para a entrada, demos o nosso nome e validamos a entrada com a nossa digital.
Depois de passar na revista, a porta abriu, e era bem diferente do que eu esperava, era realmente magnífica por dentro.
— Aí meu Deus. — Gabi disse boquiaberta.
— Acho que não estamos no lugar certo. — Bea disse.
— Com certeza estamos no lugar certo e meninas, vamos pegar uma bebida. — falei e apontei com a cabaça em direção ao bar.
Acho que eu nunca tinha vindo num lugar como esse, e eu já estive em muitas baladas caras, fora e dentro do Brasil, mais isso daqui é espetacular, com direito a dançarinas, barmans super gatos sem camisa e o que não podia faltar, caras ricos que adoram pagar bebida para moças bonitas como eu e minhas amigas.
Acho que a diversão está apenas começando por aqui...
Flashback off
— Aí que saudade de Nova York. — deixei escapar jogada na cama.
— Aí que saudade do que? — Gabi perguntou rindo.
— Não era você que dizia que estava louca para voltar pra casa? — Beatriz perguntou rindo.
— Eu? — me fiz de sonsa.
— Eu juro que eu ouvi você dizer todos os dias que estava morrendo de saudade do seu namoradinho. — Gabi disse rindo.
— Que não via a hora de voltar pra casa e encher ele de beijos. — Beatriz disse e as duas começaram a imitar sim de beijo e caíram na risada.
— Eu sei que eu falei tudo isso, mas me falem a verdade, não sentem falta da sensação de ser totalmente livre? — perguntei. — Porque eu sinto e muito.
— Ninguém está te prendendo aqui Mari, ainda somos super livres. — Gabi disse e se jogou na cama.
— Eu sei que somos, mas eu não me sinto assim, fico pensando que as coisas estão calmas demais e daqui a pouco uma bomba pode estourar e virar nossas vidas de cabeça para baixo outra vez. — falei e fiquei de barriga pra cima.
— Ficar pensando no que pode ou não acontecer só vai reforçar esse sentimento de não ser livre, acho que se você começar a pensar que a gente podia viver um dia de casa vez, igual vivemos lá fora, vai perceber que ninguém vai nos tirar a nossa liberdade, não importa aonde estejamos. — Bea disse e também se jogou na cama ao nosso lado.
— Sinto que ao lado de vocês eu sou muito mais forte. Mesmo vocês né deixando meio doida da cabaça. — Gabi disse.
Depois de todo esse papo meio deprê, o pai da Bea apareceu e nos chamou pra almoçar e depois os dois foram falar sobre o vestido dela, eu subi pro quarto da Beatriz e fui tomar um banho para começar a produção, eu quero estar impecável, porque a próxima festa que eu irei vai ser a minha de formatura.
Então esse vai ser meio que um ensaio da próxima festa e eu espero que dê tudo certo. Porque hoje a noite eu vou mostrar o poder da super Mari 100% super gostosa.