Bônus 01.

1537 Words
Alexandra Toda história tem dois lados. Mas existe apenas uma verdade, e eu nunca quis fazer do meu lado uma verdade absoluta, mesmo que todas as pessoas envolvidas saibam que eu fui quem mais saiu ferida de toda essa história familiar, foi eu quem teve que dar a luz, e criar uma pequena garotinha sem ajuda de ninguém, mantendo em segredo a sua existência e até mesmo a minha sobrevivência. Todo mundo que sabia sobre mim, sobre minha filha nunca se importou em me defender, ou então me proteger de todas as coisas que eu poderia sofrer após. Ninguém merece nunca quis se intrometer na criação da filha do cara que se intitulava de rei da máfia. Quem eram as outras pessoas para saberem o que era melhor pra mim? Quem eu achava que era pra saber o que era melhor pra mim? Eu não passava de uma adolescente mimada que resolveu t*****r com o cara errado. Essa era eu na visão do meu pai e até mesmo dos meus irmãos. Acho que ele nunca me quis como filha, seria bem melhor se todos fossem homens, mas não, eu tinha que dar um jeito de estragar os planos perfeitos do papai, porque de alguma forma eu nasci apenas para isso, para trazer ruína e vergonha ao seu nome. Mesmo que tenha sido ele a trair a própria esposa grávida, mesmo que tenha sido ele que tenha mentido para mesma antes de se casarem, e mesmo que tenha sido ele que matou o próprio filho em um incêndio criminal apenas para ter o total poder em suas mãos. Ainda que tenha sido ele a fazer todas essas coisas, nossa família deixou de ser uma família quando eu resolvi que me casaria com alguém que ele não gostava, mesmo que não houvesse briga por território, mesmo que ele não quissesse nenhuma dessas coisas para nós dois, meu pai o odiava e esse ódio passou a ser por mim, quando ele soube que meu irmão também estava naquele galpão quando tudo explodiu. Talvez eu também tenha me sentido culpada, por amar alguém errado, por contrariar o meu pai, por ser tão i****a ao achar que a minha vida poderia ser diferente só porque alguém me prometeu isso, eu vi o amor escapar entre os meus dedos, vi tudo desmoronar, e eu não tinha pra onde correr, era só eu e um bebê crescendo dentro de mim, e saber que o homem que eu amei morreu sem saber da existência da nossa filha, isso me doía muito mais do que mil tapas no meu rosto. Mas ainda que eu tivesse um pai r**m, distante e obstinado a me culpar por todas as suas escolhas ruins. Existia uma mãe amorosa, atenciosa e que cuidou de todas as feridas da minha alma, uma mulher bondosa que nunca mereceu se casar com um homem como o meu pai, mas o amor ele é cego e inocente. Ela cuidou de mim, cuidou da minha alma, do meu coração e da única coisa boa que me restou que foi Beatriz, minha pequena menina. Quando Beatriz nasceu, eu entendi que seria capaz de fazer qualquer coisa para proteger a minha filha, que eu não queria que ela carregasse em sobrenome tanto sangue e tanta culpa, que nunca seria dela, eu queria livrar ela de todas as coisas ruins que havia na nossa família. Então com o resto de influência que ainda me restava, nasceu a Alexa, mãe da Beatriz, uma mulher que nunca foi casada, e que deu a luz a uma bebê em sua casa, um parto feito pela própria mãe na cama do seu quarto. E eu tive que abrir mão de tantas coisas, de uma casa muito mais confortável, de uma grande herança, de respeito pelo nome. Mas eu não me arrependo, eu pude ser uma mulher livre, que criou a filha da melhor maneira, que trabalhou mais d doze horas por dia, que se formou em uma faculdade de advocacia e que conseguiu ver sua filha se formar no ensino médio, fazer sua primeira viagem internacional, entrar em uma faculdade. E se apaixonar pelo pior tipo de homem que existe. O tipo de homem pelo o qual eu me apaixonei, homem como o seu pai, que nunca esteve morto e que nunca soube ou procurou saber que eu estava viva. Eu fiquei pensando o que eu fiz de errado, no que eu errei, me culpei por não contar a verdade, mesmo sabendo o peso que seria, me culpei por sempre deixar ela viver besse mundo perfeito e protegido que eu criei e nem vi quando ele começou a desmoronar. Mas depois de tanto achar que a culpa era minha, eu percebi que não era minha culpa e muito menos dela, acho que assim como eu, seu sangue te levou a isso, e essa seria a única forma de explicar todas essas escolhas que ela fez. Mas independente de tudo isso, Beatriz é a minha filha, minha menininha, e meu amor por ela vai ser infinito, até o dia em que o meu coração pare de bater e saber que eu posso ter magoado ela me dói na alma. Mas eu quero resolver tudo isso, porque eu só tenho essa vida pra estar com ela, e eu não vou desistir de nós duas. — Eu posso saber no que você tanto pensa aí sozinha e calada? — Paulo apareceu na sala perguntando. — Nada demais. — respondi olhando para ele. — É na Beatriz, né? — ele perguntou e eu afirmei com a cabeça. — Acho que você me conhece bem. — falei e dei um leve sorriso. — É, eu acho que eu te conheço bem. E pelo seu olhar da pra perceber que você quer ligar pra ela. — ele disse e se sentou do meu lado no sofá. — Eu quero, mas eu não sei se eu devo, ela já está tão crescida Paulo, as vezes eu acho que quero enfiar ela debaixo das minhas asas de novo. — falei. Ele afastou o meu corpo e ficou me olhando. — E talvez você queria, acho que você está com medo dela sentir medo da vida adulta, acho que você não quer que ela passe pelo mesmo que você, então quer buscar ela não importa aonde ela esteja agora e colocar ela aqui dentro de casa e não deixar ela sair nunca mais. — ele disse olhando nos meus olhos. É incrível a forma com que ele me conhece, parece que com ele não há defesas, eu sou apenas uma mãe doida e frágil com medo de perder a sua filhinha pra sempre e acho que ele sabe e sente isso, esse meu medo, porque é o que tem me assombrado a meses e quando ela passou um ano fora eu achei que tudo isso ia mudar, ela estaria longe dele, mas não, isso só piorou, acho que o problema não é ele e sim nós dois. — E o que eu faço querido? — perguntei e coloquei a minha cabeça no seu ombro. — Acho que falar pra ela como se sente é o primeiro passo. — ele disse. — Mas eu já tentei e acabou como está. — falei. — Você não disse como você se sentia, você apenas falou que não concordava com o casamento dela e com todas as outras escolhas que ela fazia. — ele disse. Fiquei em silêncio lembrando de toda a nossa conversa, de como eu fui impertinente e de como ela me respondeu a altura, como não teve medo de mostrar seus limites e como eu a desrespeitei mesmo assim. — As vezes eu fico pensando, porque você demorou tanto pra aparecer na minha vida. — falei e ele me olhou sorrindo. — Eu também não sei aonde que eu estava, mas minha vida tá melhor agora com você. — ele disse e ele beijou a ponta do meu nariz. — Eu estava pensando da gente passar umas semanas na Itália, de lua de mel. O que acha? — perguntei. — Eu acho uma ótima ideia você falar no nosso casamento, mas você sabe que o da sua filha também vai acontecer em alguns meses. — Paulo disse me olhando. — Eu sei, por isso quero conversar com ela, não vamos fazer uma super festa como ela, então não vejo problemas se nos casarmos algumas semanas antes dela. — falei. — Por mim está tudo bem, desde que eu não seja odiado pela minha enteada querida. — ele disse rindo. — Você quer vinho? — Com certeza. — falei. Ele levantou e foi em direção a cozinha, fiquei olhando pra televisão e vi a foto em família na estante, me deu uma saudade daquele dia, no dia em que eu fui pedida em namoro. Ele me trouxe o vinho e se sentou ao meu lado. Passamos a tarde assim juntos, a noite chegou bem de mansinho e Paulo teve que ir embora, porque ele tinha um trabalho logo cedo. Eu fui tomar um banho, tudo o que eu precisava pra pensar mais um pouco, depois vesti o meu pijama e pedi comida por delivery, me joguei no sofá e aproveitei o resto da noite.
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