04.

1578 Words
João Carlos O despertador tocou. Fiquei pensando se eu continuava ali deitado com a minha noiva mais linda do mundo. Ela estava dormindo de uma forma angelical, afastei o cabelo do seu rosto e fiquei ali mais um tempo olhando pra ela. Mas me lembrei que eu tinha um pai super chato e insistente, então me levantei da cama e fui pro banho, depois vesti meu terno como sempre e então fui tomar café da amanhã. Percebi que o armário já estava quase vazio, então fiz uma lista e coloquei na porta da geladeira, Beatriz não ia fazer muitas coisas hoje, acho que ela poderia passar no mercado. Depois que eu tomei café, escovei os dentes e então peguei as minhas coisas. Olhei pro quarto e fiquei olhando pra ela, fui até lá e dei um beijo na sua testa, ela nem se mexeu. Desci de elevador e então Cheguei no estacionamento, entrei no meu carro e fui pro trabalho. Assim que cheguei, vi que o Lucas estava do lado de fora da sala conversando com o Moisés, eles pareciam tranquilos. Não vi sinal do meu pai, o que era estranho, nem mesmo do meu irmão. — Bom dia. — falei. — Olha só, ele chegou. — Lucas disse rindo. — O que foi que eu perdi? — perguntei encostando na mesa. — Nada demais, apenas o seu pai surtando com o seu irmão pelo telefone. — Moisés disse. — Cadê o meu pai? — perguntei. Lucas apontou pra sala que estava com as portas fechadas. — Acho melhor você não aparecer por lá, as coisas parecem meio tensas. — Moisés disse. — Afinal qual foi o motivo da briga? — perguntei. — Aniversário da sua afilhada. — Lucas disse e foi em direção a sala. — Seu pai quer praticamente mandar na festa e seu irmão disse que ela teria uma festa como uma criança normal. — Lucas disse. Fui pra minha sala também. Me lembrei do aniversário de dois anos da Pietra a exatamente um ano atrás, quando as coisas ainda eram recentes demais, me lembro como o meu pai foi impertinente e colocou vários seguranças em volta da festa e como as pessoas não aguam de forma normal, não tinham brinquedos tão legais como em outras festas de crianças. Meu pai decidiu como seria tudo até o tema e principalmente a lista de convidados. Acho que meu irmão só quer que a filha dele seja uma criança normal, como a gente não pode ser, como talvez o filho dele não possa, já que eu sei o quanto o meu pai vai insistir pra que ele seja apresentado a essa vida logo quando completar 16 anos. Se ele estiver vivo até lá, o que eu acho muito provável, já que dizem que pessoas ruins demoram mais pra morrer. Voltei a prestar atenção no meu trabalho e vi que tinha um sinal de alerta. Estava tendo um problema na área de entrega dos nossos produtos. Nós não vamos a esses lugares, normalmente deixamos que eles resolvam isso, mas eu percebi que esse alerta está desde ontem e eu vou ter que resolver isso, já que o meu irmão não está aqui. — Túlio. — falo aparecendo no corredor. — Fala chefe. — Túlio disse apagando o cigarro. — Prepara o carro estamos de saída. — falei e ele apenas fez que sim com a cabaça. Passei pela sala e então peguei duas armas, Túlio já estava dentro do carro, coloquei as coisas atrás, entrei e me sentei na frente. — Na onde vamos? — Túlio perguntou me olhando. — Vamos resolver um probleminha. — falei e fiquei olhando pro meu celular. Desde que descobrimos que minha noiva é nada mais, nada menos do que filia do melhor amigo do meu pai e também um cara da máfia, eu sinto que tenho que contar as coisas que eu faço, mas as vezes eu me sinto desconfortável com isso, eu sei que ela entende o meu trabalho, embora não concorde, mas agora eu não tenho mais o que esconder. Não há mais segredos entre nós. Então resolvi mandar mensagem. Eu — Oi amor. — Estou indo resolver um probleminha. — Tudo bem por aí? Bea — Tudo bem por aqui. — Que probleminha? — Estou ido no mercado, vi a lista que deixou na geladeira. Eu — Problema do tipo que eu tenho que usar uma arma Bea. — Mas está tudo bem. Bea — Se cuida por favor, manda um beijo pro Túlio. Eu — Como sabe que ele está aqui? Bea — Porque ele é o seu fiel escudeiro. — Ele sempre está com você. — Então se cuidem. Eu — Pode deixar, te amo. Bea — Te amo. Coloquei o celular no bolso e comecei a conferir as balas na minha ponto quarenta. Assim que chegamos mandei o recado pro Lucas ficar em alerta. Desci do carro e coloquei a arma na cintura. Respirei fundo. Eu normalmente não me sinto m*l, ou melhor não me sentia m*l quando vinha fazer esse tipo de coisa, mas depois do acidente e de todas as coisas que eu tive que esquecer e depois lembrar, esse tipo de coisa ficou um pouco difícil pra mim. Então passei por um cara que ficou me encarando. Até que entrei no prédio que parecia estar abandonado a uns 10 anos, mas tinha pessoas morando lá dentro, mesmo parecendo que ele ia desabar. — Ta perdido cara? — um cara de altura média, olhos castanhos escuro, cabeça raspada e pelo menos umas 30 tatuagens espalhadas pelo corpo perguntou rindo. — Não, estou procurando o seu chefe. — falei encarando ele. — Você não é do tipo de pessoa que compra drogas, pelo menos não parece. — ele disse rindo. — Porque eu não uso, eu vendo. — falei e dei um sorriso sarcástico. Ele apenas apontou pro final do corredor aonde tinha mais dois caras parados na porta. Continuei andando até o final do corredor, os dois caras também me olharam como o anterior, e também ficariam surpresos quando eu dissesse que o chefe deles na verdade trabalha pra mim. — Eu vim falar com o chefe de vocês. — falei. — Jura. — um dos caras disse rindo. — Aí que ótimo, mas um cara que é um p*u mandado achando que é alguma coisa. — disse e olhei nos olhos dele. — Avisa pro seu chefe que eu estou aqui e quero falar com ele. — O que está acontecendo aí fora? — ouço uma voz lá de dentro dizer. Um dos caras que estava do lado de fora entrou e então não demorou muito e a porta se abriu. Entrei sem dizer nada, o cara que aparentemente era o chefe deles estava com uma cara de assutado. — Você deveria contar aos seus caras, quem é o chefe de verdade. — falei encarando ele que engoliu seco. — Sinto muito por isso, não vai se repetir. Ao que devo a honra da sua presença aqui? — ele perguntou e apontou pra cadeira na minha frente. Ele se sentou na dele e a porta se fechou atrás de mim. — Honra? Você acha que eu sair do meu escritório e ter que vir aqui olhar pra tua cara é uma honra, fala sério. — disse e me se sentei na cadeira. — Eu sei que algo deve ter feito você vir até aqui, mas eu tenho que dizer que as coisas estão tudo certas. — ele disse sorrindo. Dava pra ver em seus olhos o quanto que ele estava com medo. — Eu sei, você sabe, nós dois sabemos o quanto você esta mentindo. Então faz o seguinte eu quero a lista dos seus caras que vendem, a quantidade repassada pra cada um deles e também o tanto que foi vendido e o valor, porque tem algo de errado aqui. — falei. — Tudo bem, eu tenho isso em algum lugar desse escritório. — ele disse e se colocou de pé em um pulo. Ele começou a andar de um lado pro outro, começou a mexer em um monte de papais e começou a gritar com todo mundo que estava em volta dele. Eu sabia o porquê ele estava assim, alguém estava passando a perna nele e ele estava preste a pagar por isso. Até que ele disse no radinho que queria todos os caras aqui. Então em alguns minutos os caras dele passaram aquela porta, e eu mandei uma mensagem pro Túlio que era pra ele subir. — Qual de vocês que está vendendo o produto novo? — perguntei já de pé olhando cada um deles. Seus dos que estavam na sala levantaram a mão, então os outros saíram da sala. — Você faz as perguntas, ou eu vou ter que fazer do meu jeito? — olhei e perguntei pro chefe deles. — Eu faço. — ele disse e passou por mim. Ele começou a gritar e gritar com todos eles até que um dos caras confessou ter feito merda e ter vendido por um valor muito abaixo do que era pra ser vendido e por isso que estava faltando dinheiro. Decidimos qual seria a punição dele e seu fiz o cara tirar o dinheiro dele de outra parte do caixa, não me importava como ele ia pagar, eu queria o meu dinheiro e também avisei que eles não teriam um carregamento novo. No fim deu tudo certo e fomos embora.
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