Qualquer um que passasse na estufa de rosas de Sua Majestade veria o general Notier andando de um lado para o outro, seus passos ritmados sem fazer barulhos, seus movimentos sequer fazendo uma folha se mover. Havia procurado os aposentos do príncipe, que recusara-se a recebê-lo alegando estar passando m*l. Isso fora há cerca de meia hora, ele imaginava que o herdeiro devesse saber de seu destino, então não insistiu, seguindo para a estufa.
Conhecia o palácio bem o suficiente para saber que ninguém passaria por ali, o rei Tierno usava o lugar às vezes para impressionar novos amantes, era o que diziam e não deixava de ser verdade, mas todos evitavam o lugar, enquanto o monarca raramente ia até lá. Era um alívio estar sozinho e poder descontar sua agitação em algo.
Politicamente, aquilo era um caos, ainda mais por ter sido mantido escondido. Um ômega jamais seria respeitado como rei, qualquer alfa que se casasse com ele teria uma autoridade maior, mesmo que não oficialmente. Outros Estados veriam aquilo como um sinal de fraqueza, tirariam todo proveito possível. Havia a grande chance dele não ser admitido pela corte e pelo povo, se chegasse a ser aceito, teria de passar o resto da vida tentando evitar ser uma marionete, sem nunca ver as cordas que o puxavam.
Quanto tempo Tierno esperava deixá-lo sob seus cuidados? Dias, meses, anos? E ao mesmo tempo exigia um herdeiro vindo do patriarca dos Notier. Ezarah não teria condições de cuidar de seus deveres políticos, que eram muitos mesmo em tempos de paz, cuidar das terras na qual era senhor e educar um príncipe com o qual não havia conversado mais do que um par de vezes.
E ainda havia Alysson, que lhe esperava inocentemente em sua casa.
Enfim decidiu que havia deixado o ômega lhe esperando em seu quarto sozinho por tempo demais, mesmo que quisesse ficar o mais longe possível de seus aposentos enquanto o outro homem estivesse nestes.
Para um alfa, Ezarah tinha um comportamento perfeitamente adequado, até mesmo reservado por seu silêncio frente a desconhecidos e o fato de não se envolver em discussões desnecessárias, algo que parecia ser o segundo hobby favorito de sua classe, tampouco levava o máximo de pessoas para sua cama, que era definitivamente o hobby número um de todos os alfas. Mas como um lúpus, se não se envolvia em brigas era para evitar qualquer estresse que pudesse acabar em algumas gargantas dilaceradas, e se seu histórico de amantes era pequeno, porque betas não o satisfaziam e os ômegas com quem se deitava precisavam ser um pouco mais... Resistentes.
Ele crescera vendo o comportamento de seu pai destruir tudo ao redor, enquanto os demais e ele próprio davam a desculpa de que era por sua condição. Aprendera cedo que havia um prazer tão intrínseco na destruição e selvageria que os lúpus encontravam, que seria tragado ao mesmo caos de seu pai caso se entregasse a ele. Guerras eram terríveis, seus terrores inomináveis, mas a paz também lhe trazia momentos difíceis, em que imaginava que aqueles ao seu redor não morreriam pelas mãos de inimigos, mas pelas suas próprias em um momento de descontrole.
Nunca tivera planos de ter filhos. Os demais viam os lúpus como uma versão aperfeiçoada da espécie, enquanto Ezarah tinha certeza de que aquilo acentuava tudo de r**m em seu povo. Além das óbvias responsabilidades como um pai, não pretendia passar toda carga que seu sangue carregava a qualquer outro, ainda mais um filho.
Deveria haver uma forma de contornar aquilo de maneira discreta, sabia disso, pensou enquanto finalmente voltava-se em direção ao seu quarto. Continuou remoendo tais pensamentos, mas todos eles foram soprados para longe quando chegou a seu destino, abrindo as portas e dando de cara com um quarto totalmente iluminado ainda, com um jovem dormindo em um tapete no meio deste.
Estacou na porta por alguns segundos, voltando o olhar para todas as direções para então ir até o outro, que estava confortável em seu descanso, um leve e engraçado roncar saindo toda vez que expirava o ar. O general conteve um sorriso diante da cena, sentindo-se profundamente cansado, sentia-se capaz de dormir um dia todo, mas mesmo assim foi até o ômega.
“Acorde.”, disse em um tom firme e baixo, balançando-o com suavidade pelo braço, continuando a fazer isso até que visse os olhos negros estivessem abertos, piscando contra a luz.
A beleza alheia era de fato instigante, digna de ser admirada, mas o fato de que estava com alguém que, segundo a teoria, seria seu complemento perfeito, com o cheiro do ômega infestando seu quarto, deixava seu lobo em posição de ataque, pronto para tomar e clamar suas vítimas. Ezarah se encontrara com ômegas lúpus antes, e as reações costumavam ser as mesmas, às vezes até mesmo na intensidade. Era fácil ser vencido pelos instintos primitivos, ainda mais se fossem passar a noite toda no mesmo quarto, como era o caso.
O silêncio do outro era uma parede, empurrando-o para longe, ao mesmo tempo que suas entranhas exigiam a proximidade. Sendo esmagado entre os dois extremos, sentiu uma pontada de dor de cabeça.
“Você não prefere dormir na cama?” Ezarah perguntou, notando só então que ainda não sabia o nome dele. Tudo bem, disse para si mesmo, pelo o que parecia, teria muito tempo para descobrir.
O cheio alheio misturado ao seu próprio no lugar onde o ômega estava era doce e excitante, e o general fez de tudo para ignorá-lo, ajudando Reverie a se levantar e o guiando para a cama, onde o pousou com cuidado, tirando seus calçados e o cobrindo. Não desejava chamar qualquer criado para o quarto com o rapaz nele, então ele mesmo apagou todas as velas, indo se acomodar em um grande divã não muito longe da cama. Quando fechou os olhos, perguntou-se como dormir com uma ereção daquelas no meio de suas pernas.