Eu gosto do seu silêncio.

1235 Words
Como um campo elétrico entre duas peles que ainda não se tocaram de novo, mas sabem que vão. Em algum momento. Ele respira fundo. Passa a mão na nuca, como faz quando está tentando conter algo. Depois apoia o cotovelo no encosto do sofá, virando-se totalmente para mim e pergunta, com a voz um pouco mais rouca: Você quer ir embora agora... ou prefere terminar esse vinho comigo? E a pergunta paira no ar, mais carregada do que qualquer convite direto. Porque ele não está falando só do vinho. Ele está perguntando: Você quer que eu continue me controlando... ou quer descobrir o que acontece quando eu não consigo mais? Acho que nesse ponto, eu não esperava que algo mais fosse me surpreender. Achei que você não... teria esse tipo de contato comigo. Pelo o meu passado... Corleone, m*l entendido com o Brian, e toda aquela zorra que rolou... — Falo, encarando minhas prórpias mãos pousadas em minhas pernas. — Eu sinto nojo de mim. Ele não responde de imediato. Fica em silêncio por longos segundos, e eu quase me arrependo de ter falado. Mas aí ele se move. Devagar. Se abaixa diante de mim, apoia os antebraços nos meus joelhos. Os olhos nos meus. Não há julgamento neles. Nem piedade. Só uma presença firme. Densa. Que me encara inteira, como se enxergasse o que até eu evito ver. Você sente nojo... de quê, exatamente? — a voz dele vem baixa, quase sem som, mas firme como aço. — De ter sentido demais? De ter sido humana? De ter tentado amar do seu jeito? Respiro fundo. O peso nas costelas cresce. As palavras dele são um espelho, e eu não gosto do que vejo — porque talvez ele esteja certo. Se você acha que isso tudo te diminui, tá olhando da forma errada. Você caiu, e seguiu andando. Apanhou, mas não virou pedra. Isso... é raro. Bonito, até. — Ele continua, os olhos ainda nos meus, como se não me deixasse escapar. Engulo em seco. Meus olhos ardem. Eu não sou bonita por dentro. — sussurro. Então por que você acha que eu tô aqui? — Ele franze o cenho, com aquele jeito dele de quem não aceita uma mentira fácil. Me calo. Eu não sou i****a, tá? Eu vi o jeito que você olha, a forma como evita me procurar demais, como pesa cada palavra... Você quer sentir, mas tem medo. Medo de se perder de novo. De ser usada. De errar. Mas você tá aqui. Comigo. Mesmo assim. — Os dedos dele tocam minha mão. Só tocam. E é nesse gesto tão simples que mora o convite mais perigoso de todos. Você não me deve nada. Nem explicações, nem desculpas. E se ainda tiver nojo de alguma coisa, deixa eu te mostrar uma coisa diferente. De você mesma. De como alguém pode te olhar sem te julgar, sem querer te moldar. — Ele diz. Eu engulo em seco. Minha respiração falha. Eu não quero que você vá embora sentindo que tem algo em você que precisa ser escondido. Muito menos essa parte... — ele desliza o dedo pela lateral do meu rosto, o olhar suave, mas tão cheio de desejo que faz meu corpo inteiro reagir — ...a parte que quer ser tocada com respeito. A parte que quer ser devorada sem culpa. A música ainda toca ao fundo. Jazz. Mas agora, ela só existe pra marcar o tempo de um silêncio que fala tudo. E quer saber? p*u no cu do Corleone. Que se f**a ele! — Conclui. Eu me inclino. E ele entende. Ele não avança como quem tem pressa. Ele não puxa, não exige, não força a próxima cena. Ele só permanece ali, próximo o bastante pra eu sentir o calor da respiração dele. O suficiente pra que meu corpo se incline ainda mais por vontade própria — não por impulso, mas por entrega. A mão dele sobe devagar pela lateral do meu braço. Um toque morno, firme, cheio de intenção e ausência de urgência. Como se ele estivesse memorizando a textura da minha pele, não só tocando, mas registrando: ela é real. Está aqui. Escolheu estar aqui. Eu gosto do seu silêncio. — ele murmura, a voz quase roçando minha boca. — Ele fala mais do que qualquer frase pronta. Eu fecho os olhos por um segundo, absorvendo aquilo como quem ouve uma confissão. E talvez seja. Uma confissão do tipo de desejo que não precisa se mostrar todo de uma vez pra ser intenso. Ele me beija. Não como quem tenta impressionar. Os lábios firmes, mas cuidadosos. Um encaixe que respeita o meu tempo, meu receio, minha história. A mão dele ainda repousa no meu braço, sem invadir, mas dizendo com a pele: eu tô aqui. Eu retribuo. E aí ele entende que pode ir além. As mãos dele deslizam pelas minhas costas, subindo devagar até a nuca, onde os dedos se entrelaçam nos meus cabelos. E quando ele puxa levemente — só o suficiente pra fazer minha cabeça tombar de leve pro lado —, eu deixo escapar um suspiro que ele absorve com a boca. O beijo aprofunda. O ritmo muda, e por um instante tudo some: o vinho, o jazz, as dúvidas, o mundo. Só existe esse homem me tocando como quem não quer pressa pra descobrir — mas também não consegue mais se conter. A mão dele desce pelas minhas costas até a curva da cintura e sobe um pouco minha camiseta. E então ele para. O polegar dele pressiona levemente a pele nua da minha coxa, a mão agora coberta pela barra da minha camisa. Ele me olha. Como se estivesse pedindo permissão com os olhos, mesmo com o corpo em brasa. Se tiver qualquer dúvida, eu paro. Agora. — diz ele, com uma voz rouca, baixa, mas carregada de algo que me arrepia. Minha resposta é simples: pego a mão dele e a guio, escorregando seus dedos por dentro da camiseta. Encostando na pele quente do meu quadril. E o olhar dele muda. Desejo e reverência num mesmo par de olhos. Porque ele quer. Mas mais ainda, ele respeita que é meu corpo que o deixa entrar. Ele percebe. Fácil demais. A respiração dele se altera no mesmo instante em que sente, pela palma da mão, que por baixo daquela camiseta grande, eu não estou usando sutiã. Ele pressiona a testa contra a minha, respirando fundo. Como se estivesse travando uma guerra interna entre o respeito que sente por mim… e o t***o que já não consegue esconder. Você tem noção… — ele começa, mas não termina. As mãos dele deslizam por dentro da camiseta, encontrando meus s***s nus. Ele os segura com reverência e desejo misturados, como quem aprecia o privilégio antes de aproveitar. O polegar roça levemente sobre meu mamilo, e o arrepio que percorre meu corpo é quase imediato. Ele geme baixo. Quase imperceptível. Como se estivesse segurando tudo o que sente desde a primeira vez que me imaginou assim — disponível, entregue, viva. Eu fecho os olhos, me inclinando mais. Me deixando ser tocada, saboreada, com aquele jeito dele… Gabriel até nisso. Intenso, direto, mas cheio de pausa. Como quem não quer só o corpo, mas a lembrança. Como quem vai pensar nisso por dias depois. Então como numa dança ensaiada, eu me deito no sofá ao mesmo momento em que ele fica por cima de mim.
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