Péssima Ideia

1073 Words
Péssima Ideia — Você tá estranha. Lia não estava perguntando. Estava afirmando. Revirei os olhos, mexendo no canudo do suco como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo. — Eu sempre fui estranha. — Não assim — Bia se inclinou pra frente, me analisando. — Você tá… distante. E isso nunca acontece quando tem um professor gostoso envolvido. Quase engasguei, se elas soubessem com certeza iam me interrogar até a morte. — Vocês são ridículas. — A gente? — Lia arqueou a sobrancelha. — Ou você que tá escondendo alguma coisa? Suspirei, desviando o olhar. O pátio estava cheio. Gente conversando, rindo, vivendo normalmente… Enquanto minha cabeça parecia presa na noite anterior. E na manhã de hoje. Em Sebastian Graves. Droga. Só de pensar no nome dele, meu estômago já revirava. — Eu não tô escondendo nada. — Tá sim — Bia cruzou os braços. — E eu odeio quando você faz isso. Fiquei em silêncio. Talvez porque, no fundo… eu soubesse que não ia conseguir guardar aquilo por muito tempo. Talvez porque aquilo já estivesse grande demais dentro de mim. — Tá — murmurei. As duas se inclinaram ao mesmo tempo, a curiosidade e a animação explodindo dos seus rostos. — Eu conheci alguém ontem. — EU SABIA! — Lia praticamente gritou, chamando atenção de metade da mesa ao lado. — Fala baixo! — olhei em volta, irritada. Bia já estava sorrindo. — E aí? Quem é? Ele era bonito? Rico? Problemático? Soltei um riso sem humor. — Sim. — Sim pra qual parte? — Pra todas. Principalmente um problema As duas se entreolharam. — Ok… — Lia apoiou o queixo na mão abrindo um sorriso malicioso. — Continua. Hesitei. Porque falar em voz alta tornava real. E aquilo já era complicado o suficiente. — Foi… só uma noite. — Uhum — Bia sorriu. — E você tá assim por causa de “só uma noite”? — Eu não tô “assim”. — Tá sim. Ignorei elas, tentando pensar em como continuar, respirei fundo antes de continuar. Tudo aquilo estava me deixando nauseada. — A gente não trocou nomes, nem nada. Era pra acabar ali. — E não acabou — Lia completou. Respirei fundo. — Não. — Por quê? E então… Antes que eu pudesse responder O ar mudou. Eu senti antes de ver. Meu corpo inteiro ficou tenso. E eu soube. Virei o rosto devagar. Foi um erro. Sebastian passou pelo pátio como se não houvesse ninguém ali. Postura impecável. Expressão neutra. Olhar distante. Como sempre. Como se o mundo não encostasse nele. Como se eu nunca tivesse encostado nele. Meu coração apertou. Ridículo eu só posso estar louca, era pra ser só uma noite e foi. Não muda nada ele estar aqui agora. Acabou. Mas quando ele passou por mim. Foi pior Ele nao hesitou, nem sequer desviou o olhar. Enquanto tudo à minha volta praticamente parou ele simplesmente agiu como se eu fosse essa árvore que estávamos sentadas. Como se eu fosse invisível. Meu maxilar travou. Sério? Era assim? Depois de tudo. — Amiga… — Bia sussurrou. — você tá branca. Lia seguiu meu olhar. E então abriu a boca em um 'O' perfeito. — Espera. Eu não disse nada, apenas fechei os olhos como se pudesse sumir se fizesse isso. — Não me diz… Apertei os olhos por um segundo, droga. DROGA. — Lissa — a voz dela ficou lenta — …não me diz que — É ele. - soltei um suspiro, alto de mais. As duas ficaram em Silêncio, Confusas,Quase em choque. — O professor? — Bia falou baixo demais. Assenti. — O professor. Lia passou a mão no rosto. — Você… — ela riu, incrédula — você transou com o professor gostoso no dia anterior à aula? — Tecnicamente, eu não sabia que ele era meu professor. — Isso não ajuda! Soltei o ar, apoiando os cotovelos na mesa. — Eu sei. — Isso é péssimo — Bia murmurou. — Eu sei. — Isso é MUITO péssimo — Lia completou. — Eu sei! — afundei meu rostos nas mãos. Só queria minha cama agora. As duas estavam em silêncio demais, levantei meu rosto bem a tempo de ver Lia abrir um sorriso malicioso pra Bia, e pra mim. — Ok… isso é incrível. — NÃO É! — Amiga, isso é literalmente um romance proibido acontecendo na sua frente! — Isso é um problema gigante acontecendo na minha frente! — Mesma coisa — ela deu de ombros. Revirei os olhos. — Ele tá fingindo que nada aconteceu. — Claro que tá — Bia disse. — Ele é o professor. — Eu sei. Mas ainda assim Irritava, Mais do que deveria. — E você? — Lia inclinou a cabeça. — Vai fingir também? Fiquei em silêncio, Porque essa era a Questão a decisão que eu claramente não queria tomar Fingir e esquecer ou... — Não. — falei antes de raciocinar. As duas me olharam. — Não o quê? — Bia perguntou. Levantei o olhar na direção onde ele tinha ido, já não havia nem sombra dele mais. — Eu não vou fingir. — Meu coração acelerou. — Ele pode até agir como se nada tivesse acontecido, Mas eu não vou facilitar pra ele. Um sorriso lento surgiu no rosto da Lia. — Sabia que você ia dizer isso. — Péssima ideia — Bia murmurou. — Com certeza — concordei. Mas, mesmo assim… Eu já estava decidida. — Então qual é o plano? — Lia perguntou, claramente animada demais. Pensei por um segundo, no jeito que ele me evitava, no controle dele. E em como aquilo… não combinava com a noite anterior. Sorri de leve. — Ainda não sei, só sei que preciso de um jeito para que fiquemos próximos e a sós. — uma ideia brilhou na minha mente e eu dei meu sorriso mais perverso — que tal aulas particulares? As duas arregalaram os olhos. — Você tá brincando. — Não. — Lissa... — Se ele quer fingir que nada aconteceu… — levantei, pegando minha bolsa — então ele vai ter que fazer isso olhando pra mim de perto. Lia abriu um sorriso enorme. — Eu amo quando você toma decisões ruins. Bia só balançou a cabeça. — Isso vai dar muito errado. — Provavelmente. Mas enquanto eu saía do pátio, só uma coisa passava pela minha cabeça: Ele pode até tentar me ignorar, mas eu vou ser impossível de ignorar.
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