Capítulo 8 – Um Convite Irrecusável
Renan não costumava pedir duas vezes — exceto com Maitê. Após o almoço improvisado no terraço de seu prédio, os encontros tornaram-se frequentes. Mas aquele convite era diferente: ele queria que ela o acompanhasse a um evento de gala organizado por uma das empresas parceiras da Montello Group, em Florença.
— Preciso que você venha como minha acompanhante… e como a minha representante de relações públicas. Vai ser uma combinação perfeita — ele disse com um sorriso travesso.
Maitê hesitou por alguns segundos. Sabia que a presença dela não seria só profissional. Na verdade, as intenções de Renan estavam cada vez menos disfarçadas. Ela, por sua vez, não sabia se queria mais fugir ou se render.
Na noite do evento, ela usava um vestido esmeralda com decote delicado e costas nuas. O cabelo ruivo preso em um coque baixo, brincos longos em esmeralda, e um batom escarlate que realçava o tom de sua pele.
Renan a esperava no saguão do hotel. Quando a viu, ficou em silêncio por longos segundos.
— Você vai ser a minha ruína, Maitê Barreto — murmurou, estendendo a mão para ela.
Na festa, eles não se desgrudaram. Entre discursos e brindes, Renan a apresentava com orgulho. Era impossível não notar o brilho nos olhos dele sempre que ela sorria.
E quando a música desacelerou, convidou-a para dançar. A proximidade, o toque, a respiração entrelaçada… tudo conspirava para que a tensão entre eles explodisse.
— Eu quero você… e não consigo mais fingir que não — confessou ele, com a mão na cintura dela, puxando-a para mais perto.
Maitê não respondeu com palavras. O olhar dela disse tudo. E ali, entre notas suaves de jazz, um beijo finalmente aconteceu. Lento, profundo, necessário.
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Capítulo 9 – Entre Medos e Desejos
Após a viagem, os dois voltaram com o coração em chamas — e um turbilhão de pensamentos.
Maitê começou a perceber como Renan a incluía em tudo: projetos, decisões, até nos almoços com a família Montello. E ela… estava gostando de se sentir parte da vida dele.
Mas ao mesmo tempo, algo a assustava. O medo de se perder em alguém, de abrir mão do controle que sempre manteve com tanta firmeza.
Durante um passeio pela vila onde ele cresceu, Renan abriu seu lado mais vulnerável:
— Eu construí tudo isso para provar que era mais do que o sobrenome Montello. Mas contigo… não quero provar nada. Quero apenas viver.
As palavras o expuseram. E ela se viu sem defesas também. Contou-lhe sobre o relacionamento tóxico que havia deixado anos atrás, e como jurou que nunca mais deixaria um homem atravessar suas barreiras.
— Mas você já atravessou. E eu não sei o que fazer com isso — disse ela.
— Então deixa que eu te mostro. Um dia de cada vez — respondeu ele, entrelaçando os dedos aos dela.
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Capítulo 10 – A Queda
O que começou como uma dança de provocações e charme, agora era amor.
Renan e Maitê estavam oficialmente juntos — ainda que tentassem esconder da mídia e dos curiosos.
Ele a surpreendia com cafés da manhã improvisados, bilhetes deixados no carro, mensagens de “sinto sua falta” entre uma reunião e outra.
Ela, por sua vez, o acompanhava em eventos, revisava suas falas em lançamentos e até ajudava a projetar a imagem pública da Montello Group de forma mais calorosa, mais humana.
Na inauguração do novo centro cultural apoiado pela empresa, Maitê discursou. E Renan a olhou como quem vê o amor da sua vida brilhando.
— Você me fez melhor — disse ele mais tarde, com os olhos marejados.
Naquela noite, ele a levou até a casa que estava reformando nos arredores da Toscana. E, ali, mostrou-lhe o projeto do quarto principal.
— Esse é o nosso futuro. Só preciso que você me diga sim.
Ela respondeu com um beijo. Longo. Carregado de promessas.
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Capítulo 11 – Um Passado que Retorna
Tudo caminhava perfeitamente… até o passado bater à porta.
O ex de Maitê, um empresário com quem ela havia terminado de forma conturbada, surgiu em um evento internacional em Milão, tentando uma reconciliação e manchando sua imagem com rumores.
Renan reagiu m*l. Seu instinto protetor falou mais alto, e a discussão entre os dois foi inevitável.
— Você devia ter me contado antes! — ele disse, ferido.
— Eu não achei que ele teria coragem de voltar. E eu não sou responsável pelos erros que ele ainda insiste em cometer!
O silêncio entre eles durou dias. Mas bastou que ele visse Maitê chorando, encolhida em sua varanda, para que o orgulho fosse vencido.
Renan se ajoelhou diante dela.
— Me perdoa por não ter sido mais forte… Eu só quero te proteger. Porque te amo, Maitê. De verdade.
Ela caiu em seus braços. E o amor, mais uma vez, falou mais alto.
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Capítulo 12 – Redenção e Luz
A justiça foi feita. O ex de Maitê foi desmentido publicamente, e ela saiu fortalecida, agora mais respeitada que nunca como profissional.
Renan pediu sua mão em casamento numa noite estrelada, no terraço onde tudo começou. Com velas, flores, e o anel de safira que pertencera à mãe dele.
— Você é minha mulher favorita no mundo inteiro. E quero que seja minha esposa — disse ele, ajoelhado.
Ela, com lágrimas nos olhos, respondeu com um sim emocionado.
O casamento aconteceu meses depois, reunindo todas as famílias da série. Rafael, Luciano, Thiago, Vitório e Miguel com suas esposas e filhos, celebrando juntos esse novo amor.
Renan e Maitê trocaram votos com os olhos grudados, como se o tempo parasse ali.
Era o início de uma nova história. E, ao fundo, a voz doce de Donatella dizia a uma das crianças:
— E você, piccolina, será a próxima a encontrar um grande amor. Está no sangue da nossa família amar intensamente.
Epílogo – O Legado do Amor
A primavera chegava em flor e fragrância à vila italiana onde tudo começou. Os campos tingidos de verde vibrante, as fachadas em tons quentes e a brisa suave anunciavam um dia especial: o primeiro aniversário de casamento de Renan e Maitê Montello.
A propriedade da família Venturini havia sido o cenário escolhido para reunir amigos, família e os corações que se entrelaçaram ao longo dos anos. Donatella organizava tudo com a mesma paixão com que cuidava dos filhos — e agora dos netos e noras.
Rafael e Vanessa estavam ali, lado a lado, rindo com Luciano e Clara enquanto os gêmeos trocavam provocações bem-humoradas. Thiago dançava no gramado com Vanessa Romani, que agora esperava o primeiro filho do casal — e já reclamava dos desejos inusitados por doces com pimenta.
Vitório carregava a pequena Ágata nos ombros, ensinando-a a equilibrar uma flor no nariz, enquanto Ana Letícia os filmava sorridente. Miguel observava tudo em silêncio, com Ángel entrelaçada a ele, sorrindo como quem finalmente encontrara seu lar.
Renan e Maitê chegaram por último, vestindo branco e dourado, irradiando amor e cumplicidade. Ao vê-los, a pequena Ágata correu até eles com um buquê improvisado nas mãos:
— Feliz casamento de novo, titios!
Renan abaixou-se e a pegou no colo, rindo:
— Muito obrigado, minha princesa.
— Quando eu crescer, quero um amor igual ao de vocês — disse ela, já tão parecida com o pai em sensibilidade.
Naquela noite, sob as luzes penduradas entre oliveiras, todos se sentaram em uma longa mesa. Risos, brindes, histórias e memórias se entrelaçaram como as mãos dos casais presentes.
Donatella, com os olhos marejados, ergueu uma taça:
— Às famílias que criamos… e às que ainda virão. Que os nossos filhos aprendam, desde cedo, que o amor verdadeiro é o maior de todos os legados.
As crianças, sentadas juntas no fim da mesa — Ágata, Giovanna, Pietro e Luca — brindaram com suco de uva, prometendo um ao outro amizade eterna.
Enquanto os adultos dançavam sob o luar, Renan puxou Maitê para perto, sussurrando:
— Ainda quer viver um dia de cada vez?
— Só se for contigo. Até o último.
E, com um beijo, selaram mais um capítulo de uma história escrita com intensidade, ternura e destino.
Ali, naquela vila encantada, o amor florescia — geração após geração.