Capítulo: Cores Que Não Têm Nome O ateliê improvisado no quartinho dos fundos da pousada exalava cheiro de tinta fresca, papel molhado e madeira antiga. A luz da tarde entrava inclinada pelas venezianas, projetando listras douradas no piso de cimento e sobre a mesa onde Zeynep apoiava seus pincéis. Eda estava sentada sobre uma almofada de crochê, os joelhos sujos de giz de cera, desenhando com concentração absoluta. O som do grafite arranhando o papel era quase hipnótico. Zey tentava pintar um fragmento do que sentira no bistrô, mas nada tomava forma. Seus traços deslizavam soltos demais, as cores fugiam do que queria dizer. Aquele "leve" que havia pronunciado a Iván, agora parecia querer virar cor, mas nenhuma paleta fazia justiça. O azul era muito denso. O amarelo, excessivo. O verde,

