A noite sempre me pertenceu. Mas naquela noite, mais do que nunca, ela me pertencia. A mansão estava mergulhada em um silêncio denso, cortado apenas pelo som distante da cidade lá fora. As paredes de vidro refletiam minha imagem, um homem acostumado a controlar tudo, menos o caos que Ana havia provocado dentro de mim desde o primeiro instante em que ousou entrar no meu mundo. Eu a observava de longe, sentada no sofá, as mãos repousadas sobre o próprio ventre como se tentasse proteger algo que ainda não sabia nomear em voz alta. O medo nela era visível. Não de mim, não apenas mas do que havia sido revelado. Meu herdeiro. Meu sangue. A ideia não me suavizou. Me tornou mais perigoso. Caminhei lentamente até ela, cada passo calculado, como sempre. Ana ergueu o olhar quando senti

