Fernando estava chagando no prédio de Fábio quando o avistou com Luana, sua namorada.
- Olá irmão, como vão as coisas?
- Tudo bem. - Fábio respondera. - Obrigado por vir.
- Que isso?! Trouxe ajuda extra. Esta é Rebeca, minha colega de trabalho.
Fábio era seu irmão mais velho, estava com Luana a pouco tempo, estava tentando ajudá-la a encontrar seus pais verdadeiros, pois tinha sido abandonada ainda bebê. Estavam com várias e várias folhas com listas de nomes para pesquisar. A ajuda de Rebeca seria muito bem vinda, além de poder ficar ao lado dela por mais um tempo.
Rebeca ajudara-os com afinco, eram 23hs e já tinham acabado de separar os nomes com L.L.
Estavam recostados no sofá, a conversa fluía bem. Rebeca pouco tinha conversado com Fernando, mas estava com o semblante tranquilo.
Luana namorada de Fábio, de repente rompeu o bom clima com uma pergunta indiscreta: - E vocês são o que ? Namorados ?
Fernando olhou pra Rebeca que o encarava de olhos arregalados e vermelha de vergonha. - Não! Somos apenas colegas. - Ela respondeu após ver que ele não respondia.
- Somos? Apenas colegas mesmo ? - Fernando a encarava com uma sobrancelha erguida. Fazendo-a a corar lembrando-se da noite que passaram juntos.
Rebeca ficou carrancuda depois disso. Ficaram mais um pouco e se despediram.
Na saída do prédio do irmão, Fernando já não aguentava mais se segurar, passou a noite, respirando fundo para se controlar, o perfume dela o envolvia, causando espasmos pelo estômago, fazendo-o lembrar dela nua em sua cama. Agarrou Rebeca nos braços e a beijou, no início um beijo lento, firme, mas conforme ela ia cedendo e correspondendo ele ia aprofundando o beijo. Sentia a boca macia e quente, com o leve sabor do vinho que haviam tomado, o inebriando.
- Fernando... - Rebeca se afastara. - Por favor me leve embora. - Rebeca falava com a respiração entrecortada. Precisava ir para sua casa ou não conseguiria resistir a ele. E precisava, precisava resistir. Ou estaria perdida por completo. Se é que já não estava.
Fernando estava ainda sem fôlego, enquanto ouvia Rebeca. Não a levaria para sua casa, de jeito nenhum. - Ok. - Ele disse.
Rebeca estranhou ele não protestar. Até se chateou. Ridículo! Fala que quer uma segunda chance, mas nem pra se esforçar pra ter uma, é um i****a mesmo! Rebeca se encaminha para o carro pisando firme.
Fernando não repara, pois está absorto em seus pensamentos, em como convencê-la de ir para sua casa ao invés da dela.
Rebeca senta no banco do passageiro e fecha os olhos. Está cansada, não aguenta mais ficar do lado daquele homem cheiroso e gostoso. "Deus me ajude".
Enquanto dirige, Fernando olha de soslaio para Rebeca que está de olhos fechados, isso lhe da uma vantagem, pode dirigir até sua casa sem os protestos dela.
- Chegamos. - Ele diz com um sorriso bobo no rosto.
Rebeca, abre os olhos, já abrindo a porta. Antes de descer do carro vê que estão no apartamento de Fernando. - Pode ligar esse carro e me levar para minha casa agora. - Rebeca falava entrando para dentro do carro e colocando o sinto. - i****a!
Fernando ouviu. - Ah então é assim ? Vai me ofender agora?
- Eu disse para me levar para minha casa. - Rebeca falou encarando ele bem nos olhos. - d***a! - Desviou o olhar. Aqueles olhos, eram lindos de mais. A invadiam e a atravessavam.
Fernando notou o brilho passando em seus olhos, e a mudança de tom em sua voz. - Porque você não aceita meu convite? Entre comigo, podemos assistir um filme...
Rebeca o interrompe. - Fernando, é o seguinte. - Respirou fundo, não sabia o que diria. A real era que queria estar com ele, mas sabia que estava se apaixonando e não podia. Ele era um mulherengo, que só falou com ela porque ela o interpelou no shopping. Não fora ele que fora até ela. Esse pensamento a fez ter coragem. - Apenas me leve para casa, ok? Podemos marcar alguma coisa outra dia. - Olhou para ele, como para confirmar suas palavras. Assim ganharia mais tempo.
Fernando pensou por um momento
Não tinha como obrigá-la a subir, nem arrastá-la dali. E ele nem gostaria de força-la. Queria estar com ela, beijar aquele corpo que se encaixava perfeitamente no seu. Aquele corpo que era apenas seu. Esse pensamento o fez endurecer dentro da calça. Mas ao encará-la sabia que não conseguiria nada com ela hoje. - Ok. Mas está me devendo um encontro. - Disse dando o seu melhor sorriso. Se aproximou e deu um beijinho na bochecha de Rebeca.
Ao chegarem em sua casa, Rebeca correu do carro e foi para dentro de casa, deixando Fernando com cenho franzido e insatisfeito.
Rebeca correu para seu quarto. Sua mãe e irmã já estavam deitadas, o que era ótimo, não precisaria dar explicações. Precisava de um banho frio para acalmar seu corpo que clamava por aquele homem. - Ai Beca, porque você é assim? - Rebeca interrogava a si mesma. - Pensa comigo, ele não te quer de verdade, só que te levar pra cama. Inclusive já levou. Rebeca, burra, burra. - Falava batendo a mão na própria testa. Podia ter esperado mais antes de se entregar para ele. - Bufou e foi tomar um banho para relaxar.
Fernando chegou em seu apartamento, e abriu uma cerveja. Precisa esfriar a cabeça, e mais algumas partes do seu corpo. Tirou a roupa e foi para um banho frio. O que essa mulher estava fazendo com ele ? Ele estava vibrando de vontade dela. Fechou os olhos, quero tê-la aqui nesse chuveiro comigo. Mas que d***a! Socou a parede. Ele só queria afogar seu desejo naquele corpo. Mas ela estava dificultando as coisas. Mas agora ela lhe devia um encontro. Sorriu. Iria cobrar logo, logo.
Rebeca foi trabalhar, tinham um novo caso. Esse caso exigiria que saíssem da cidade por alguns dias. O que seria bom, visto que não queria encontrar com Fernando tão cedo. Mas antes de ir preparar as malas para a viagem, teria que passar na psicóloga.
A caminho da psicóloga comprou um sorvete de casquinha, fazia tanto tempo que não comia. Estava distraída saboreando seu sorvete napolitano com cobertura de chocolate. Não percebeu que alguém começara a caminhar a seu lado. As ruas estavam cheias, o fim de semana estava chegando então tinha gente pra todo lado no centro da cidade. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo ao perceber que estava sendo acompanhada, virou o rosto lentamente e deu cara com Fernando.
Puxa vida. Não da nem pra saborear um sorvete mais em paz, que esse cara brota. Rebeca, fingiu não ver e acelerou o passo.
Fernando aumentou o passo ao lado de Rebeca. Ela o estava evitando mesmo ? - Esse sorvete parece estar uma delícia. - Disse com voz sensual, passando o dedo ao lado dos lábios dela, para retirar um pouco de sorvete que estava ali.
- E está. - Rebeca respondeu, enquanto via que ele chupava o dedo que limpou sua boca. Mas que sem vergonha! Pensou.
- Passei na sua delegacia para lhe buscar... - Disse com um sorriso nos lábios.
- Eu tenho carro esqueceu? - Rebeca não o encarava. Sabia que não podia fazer isso ou se derreteria por ele, como esse sorvete se derretia em sua mão.
Fernando ficou sério. - Não esqueci. - Mesmo percebendo que ela estava o evitando tentou. - Fiquei sabendo por lá que você vai ter de viajar para um novo caso...
Rebeca parou e o encarou horrorizada. - Você foi lá e perguntou por mim?
- Sim. - Ele dizia sem entender.
- E perguntou mais o que para lhe contarem que viajarei a trabalho?
Fernando pigarreou. Não contaria que pediu ajuda de seu parceiro pra conquistá-la e que, ele disse que não ajudaria. Mas de tanto insistir, tirou dele que viajariam a trabalho. - Nada de mais, foi só uma conversa e descobri.
Rebeca estava furiosa. - Mas que desaforo! Agora vai ficar vigiando minha vida?
- Não... não foi nada disso, eu só... - Rebeca não o deixou terminar.
- Deixa eu te dizer uma coisa. - Rebeca estava com os olhos verdes escuros de raiva. - Eu não vou mais sair com você. Você teve sua chance. E espero que tenha aproveitado. Porque não terá outra. - Rebeca saiu pisando firme, jogando o restante do sorvete em uma lixeira próxima.
Fernando ficou parado tentando entender como pudera deixá-la tão zangada. Bufou. Por ora não a incomodaria mais.
Rebeca chegou ao psicólogo alguns minutos atrasada.
- Olá tenho um horário, sou Rebeca Lorone.
- Claro, pode entrar, a Doutora já está lhe aguardando.
Em sua consulta, Rebeca só falava do quanto estava frustrada, incomodada e indignada com Fernando. Que ele era um mulherengo, canalha, que a tinha feito de boba. a fez acreditar que era bonzinho e que se importava com ela. Pra depois de levá-la pra cama esquecê-la. E agora ela não estava convencida de que ele estava atrás dela por "amor", mas por que a viu de novo e queria em sua cama apenas.
A psicóloga fazia algumas anotações. Por fim questionou: - E sobre o caso envolvendo LeBlanc?
- O que ? - Rebeca franziu o cenho.
- LeBlanc, o homem o qual quase matou sua irmã e sua mãe e que você matou.
Aquilo foi como um tiro no peito de Rebeca. Ela engoliu seco, corou um pouco. - Bom, eu estou conseguindo dormir a noite desde que minha irmã acordou do coma. Algumas vezes tenho pesadelos, mas eles vem diminuindo. Já não penso mais tanto no caso. - Respondia sinceramente. Pensara que não se recuperaria tão rápido de tudo, mas agora via que era o seu trabalho. Que poderia perder o controle, mas que sempre o tomaria de volta.
Além do mais esse não era seu principal problema atualmente. Os sonhos vinha através de outro homem, com olhos incrivelmente azuis, covinhas que se sobressaiam em uma barba cerrada e m*l feita, e um sorriso estonteante.
A psicóloga a encarava com um leve sorriso. - Então está ok. É mais forte do que a corporação achava.
- Como assim ?
- Bem, todos precisam de pelo menos 10 sessões antes de voltar ao trabalho. - Rebeca arregalou os olhos, 10 sessões? Isso seriam 10 semanas! Que horror, como aguentar todo esse tempo em casa!? - Mas, pelo que vejo, você está apta a retornar ao serviço assim que desejar.
Rebeca respondeu rápido: - Mas já desejei. Já estou de volta.
- Ótimo. Está liberada. Mas sempre que quiser estou a disposição.
- Muito obrigada Doutora. - Rebeca sorriu um pouco constrangida. Tinha atormentado a psicóloga por uma hora, falando só de Fernando. Ela devia pensar que estava obcecada por ele.
***
Fernando vinha aguentando firme os últimos dias. Rebeca estivera viajando e ele sabia que seus trabalhos às vezes tomavam muito de seu tempo. Mas precisava vê-la. Soube que voltara ontem, e ela nem mesmo o mandou uma mensagem ou ligou. E ele havia enviado dezenas de mensagens dizendo que pensava nela, que estava com saudades. Ele nunca fizera isso na vida. As mulheres que corriam atrás dele. Devia ser o fato de que Fábio iria se casar e ele estava sucumbindo ao romantismo. - Arrgh. Vou é sair e beber, pra ver se esqueço essa mulher.
Pegou sua jaqueta jeans e saiu para procurar um pub que pudesse ouvir uma boa música, beber e quem sabe conhecer uma nova garota, para tirar-lhe da ressaca pós Rebeca que o estava consumindo.
Rebeca estava olhando para o seu celular. Fernando havia enviando pelo menos 20 mensagens, e ela não havia respondido nenhuma. Não queria dar esperanças a ele, porque ela mesmo não tinha esperanças nele.
- Ele é um mulherengo, Rebeca. Acorda pra vida mulher! - Rebeca se olhava no espelho e falava consigo mesmo, tentando se convencer de que não havia chances. - Tudo bem que ele foi o seu primeiro homem, mas você não precisa casar com ele! - Rebeca levou a mão no coração ao sentir uma pontada. - Acho que vou fazer um exame cardiológico, não é normal ter essas dores no peito. - Rebeca suspirou. - Vou sair dessa casa, ir dançar, desestressar.
Se arrumou com um vestido azul claro curto e justo, que realçava sua pele bronzeada. Rebeca, gostava muito de praia, e apesar de ser loira, pegava cor muito rápido. Em suas férias, sempre ia para praia nadar e se bronzear. Achava que estava na hora de férias, sentia falta do vento e da areia na pele. Passou uma maquiagem bem feita, colocou um salto e saiu, pensando em se divertir.
Fernando estava na quarta garrafa. O garçom já o conhecia, ele costumava ir no Pub de vez em quando, mas nunca o vira beber sem parar assim, e não procurar alguém para paquerar.
- Senhor Fernando, o senhor veio dirigindo? Podemos chamar um táxi para você. - Sugeriu o garçom preocupado com Fernando.
- Para com isso Luan. Estou bem. - Fernando falou rindo. - Me traga outra, hoje estou precisando.
Rebeca chegara a um Pub no centro da cidade, era badalado e com música boa. Não costumava beber muito, além do mais, hoje ela queria era dançar e aproveitar a noite.
Foi para a pista, e logo foi cercada por três rapazes que a acompanhavam nos movimentos. A pista de dança estava cheia, o calor fazia o clima ficar mais sensual, a música alta vibrava pelo corpo. Rebeca rebolava, e envolvia-se com o som.
Fernando não estava olhando para a pista de dança. Seu copo estava mais interessante. Luan, o garçom se aproximou tentando animá-lo. - Veja senhor Fernando, a pista está fervendo. Quem sabe o senhor vai dançar um pouco. - Luan parecia ter uns 19 anos, para ele, nada melhor que uma boa música e uma boa dança. Não via porque de Fernando ficar ali bebendo, tendo tantas moças bonitas querendo alguém.
Fernando olhou por sobre o ombro para as pessoas dançando. Nada o estava chamando a atenção. Quando virava a cabeça de volta para o balcão, seus olhos passaram por ela.
Uma loira, com pernas bem torneadas, vestido curto, de um azul que realçava sua pele bronzeada. Os cabelos esvoaçantes, os braços erguidos e de olhos fechados.
- m***a! - Fernando socou o balcão.
- O que foi? - Luan perguntara assustado.
- Melhor eu para de beber. Tô alucinando. - Fernando suspirou e olhou de volta para onde imaginara ter visto Rebeca.
Fernando estreitou os olhos. Socou o balcão de novo e saiu em direção a mulher, que agora tinha seu braço sendo segurado por um homem alto e corpulento.
Deixou para trás um Luan assustado que pedia que ele voltasse para o bar, enquanto corria para dar a volta no balcão e parar Fernando. Havia visto fúria naqueles olhos que estavam sempre alegres. Temeu pela bagunça que poderia causar na festa.
Fernando estava fora de si, quando se aproximou ouviu a voz firme de Rebeca: - Já disse pra você me soltar.
- Vamos ali beber um drink comigo. - Dizia o homem quase a arrastando.
- Já disse que não vou a...
Nesse instante, sentiu uma mão forte em sua cintura. Ao virar o pescoço deu de cara com Fernando, com raiva em seus olhos. Mas eles não estavam direcionados a ela, mas sim ao homem que a importunara.
- Você não ouviu a moça? - Fernando falava entre os dentes, contendo a raiva.
- E quem você acha que é, para me...
Fernando acertou um soco no meio do rosto do outro homem. Que cambaleou e caiu por cima de uma mesa. Secou o sangue do nariz e foi para cima de Fernando. Enquanto outros homens se envolveram na briga para separá-los, Rebeca gritava para Fernando parar, ou iria acabar matando o outro homem.
Num rompante de loucura, Rebeca puxou Fernando pelos ombros, que se virou e a encarou nos olhos. A fúria havia desaparecido, dando lugar a admiração, ele estava hipnotizado por aquela mulher. Quando por um milésimo de segundo ele se viu paralisado, e foi acordado com um tremendo soco no olho.
Rebeca o atingiu com toda a força existente em seu ser. Sua mão ardia, sentia que tinha quebrado um dedo naquele soco, aos olhos espantados de todos, Rebeca, saiu arrastando um Fernando perplexo para fora do pub.
- Vou te levar para sua casa. - Rebeca jogou Fernando em seu carro. - Melhor, vou levá-lo para casa de seu irmão. Antes que você se meta em mais confusão. - Rebeca parecia estar furiosa.
No caminho para a casa de Fábio, Rebeca sentia sua mão latejar. "d***a! Vou ter que ir no médico ver se quebrei um dedo." Agradecia a corporação por obrigá-los todos os anos a fazerem cursos de defesa pessoal, aulas de judô, capoeira. Pois sabiam que seria útil em algum momento. Ela só não imaginara que seria naquele belo rosto.
Olhou de soslaio para Fernando, que estava massageando as têmporas. O olho começando a ficar roxo.
"d***a Rebeca, precisava ter dado um soco tão forte nele?" Ele ficaria dias com aquele roxo no olho. Mesmo, bêbado, acabado, com olho roxo, aquele homem sentado a seu lado era lindo. Sentiu-se arrepiar só de lembrar daquela noite que estiveram juntos.
Na hora que o viu brigando, ficou com muita raiva, ele agia de modo enciumado, sendo que nem tinham nada um com o outro. No entanto agora estava se sentindo feliz, por ele ter ido defendê-la, e sentia-se culpada ao mesmo tempo, por ter batido nele.
- Chegamos. - Disse com um suspiro. Fernando não se moveu. Rebeca tirou o cinto de segurança e saiu do carro.
Fernando sentia-se tonto. "Bem feito, quem mandou beber feito um condenado?!" E o soco que recebeu acabou com o resto que sobrou dele. O desânimo tomou conta. Ela o tinha socado mesmo? Ela ficara louca? Ele a estava a defendendo. Agora tinha certeza, que tinha que ficar longe dessa maluca.
De repente, sentia o perfume dela o inebriando. "Ah porque ela tem que ser tão cheirosa?" Fernando abriu os olhos e viu Rebeca o encarando. Ela já tinha tirado seu cinto e estava com a mão estendida para ajudá-lo a descer do carro. "Essas mãos... que só estiveram no meu corpo, e ela inteira tinha sido só minha." Vê-la dançando e se esfregando com aqueles abutres na pista de dança o tinham cegado. E agora, ele já não sabia mais se conseguiria conquistá-la.
Mas ainda tinha orgulho, ignorou a mão dela e saiu do carro. No segundo passo, tropeçou. Sentiu-a o abraçando pela cintura. - Vamos, eu te ajudo a subir. - Sua voz era suave.
Fernando não recusou, era bom sentir a maciez da sua pele tocando a dele. Subiram em silêncio.
Já era madrugada. Esperava que Fábio atendesse a porta, não conseguia mais ficar perto dela sem poder beijá-la. Ela tinha o hálito fresco, parecia menta ou hortelã. Fernando fechou os olhos desejando por um momento que as coisas fossem mais fáceis.
Fábio abriu a porta, com um rosto preocupado. Quando viu Fernando, sua boca abriu. - Quem foi o brutamontes que fez isso com meu irmão?
Rebeca revirou os olhos. Ajudou Fernando até no sofá. - O brutamontes que ele acertou deve estar indo pro hospital. - Se ergueu, virou as costas e antes de sair disse: - O soco quem deu fui eu. - E saiu rápido do apartamento de Fábio.
Rebeca se escorou na parede do elevador, por um momento fechou os olhos, e desejou que as coisas fossem mais fáceis. Ela gostava de Fernando, sabia que ele era mulherengo, por isso estava resistindo tanto. Ele era bonito, gentil, gostoso, cheiroso, trabalhador, claro que tinha que ter um defeito. Rebeca bufou, e saiu do elevador.
Entrou em seu carro, colocou uma música e foi para casa. Decidida a esquecer Fernando, pelo menos por essa noite.