Capítulo 7

1887 Words
Eu não vou mudar, mas minha vida agora é outra Eu vou tentar entender O que sai da tua boca Só por isso, vivo por isso Sem isso eu não vivo, pode acreditar Charlie Brown Jr (Quebra-Mar)                 - Vamos entrar? – ele pergunta – Ou vou ter que te jogar?                 - Para Etienne – eu peço – Eu não vou entrar. A água deve estar fria...e eu não trouxe roupa...                 - Não tem problema – ele diz, com um sorriso maroto – Eu trouxe toalhas. Tá lá no carro. E você pode entrar de vestido. Não quero ninguém vendo você de calcinha e sutiã.                 Eu não dei atenção a sua última frase, pois fiquei fascinada por seu físico. Não era um corpo malhado, mas ele era magro e esbelto e na sua barriga havia pelos escuros que desciam até...                 - Vai ficar me secando ou vai entrar? – ele provoca.                 Eu acho que fiquei vermelha até a raiz dos cabelos. Eu assinto e tiro meu tênis e meia.                 - Eu não tava te secando, tá bom – eu retruco, irritada – Só estava...só...                 - Não precisa achar desculpa, Laurinha – ele diz, direcionando seus olhos esverdeados por todo meu corpo – Você também é bem bonita.                 - Se me olhar assim de novo, vai se arrepender, Etienne – eu tento manter a voz firme, mas ela sai falhada.                 Ele se aproxima de mim, puxando-me pela cintura.                 - Ah, é mesmo? – ele sussurra, perto dos meus lábios – Eu gostaria de ver o que você pode fazer.                 Ah, não, não...Eu acho que não consigo respirar. Seus olhos são hipnotizantes e eu estou sem reação. E não tenho tempo de pensar em uma resposta, ele me solta e me pega no colo. E vai em direção ao rio.                         - Não, Etienne – eu peço – Não pense em fazer isso...                 Mas, ele faz. A água bate no quadril dele. Ele me olha com um sorriso matreiro e vai mais fundo, até a água me cobrir e ficar na altura dos ombros dele. Eu sinto um choque térmico, pois a água é gelada. Ele me solta e eu tento boiar.                 - Seu...vou te matar...- eu digo, tentando achar pé, mas não consigo – Etienne...aqui tá frio...e fundo – eu bato os dentes.                 Ele se aproxima, com um sorriso e me puxa para ele. Sinto seu corpo me envolver e estou queimando em brasa.                 - Vem, vou te levar mais pro raso, baixinha – ele provoca.                 - Etienne, eu não sou uma girafa igual você – eu rebato.                 Sua risada é música para meus ouvidos.                 - Eu sei, mas quem manda ser uma tampinha – ele me deixa na parte mais rasa, onde a água bate na minha cintura. Ele se agacha, para ficar na minha altura.                 De raiva, eu pego um pouco da água, com as mãos em concha e jogo na cara dele. Ele fica sem reação.                 - É guerra que você quer, Laurinha? – ele pergunta, com um olhar maroto – Então vamos ter guerra!                 Ele bateu as suas palmas na superfície da água, espirrando água para todo lado e no meu rosto. Ele começa a fazer concha com a mão e jogar água em meu rosto, ensopando meu cabelo no processo. - Ah, é assim? - eu digo, cuspindo água. Eu faço o mesmo com ele. E de repente, a mais gente está envolvida, até crianças. Estamos todos brincando de guerra de água. Eu estava encharcada. O vestido e meus cabelos grudavam no meu corpo. Etienne me pega no colo, sem que eu posso impedir e me atira na no rio, mas para o fundo e eu engasgo com água. Ele me puxa de novo, para seu peito, pois não consigo ter pé naquela parte. - Rendida? - ele pergunta, em meu ouvido. - Sim, chega - eu peço, cansada. Ele me puxa de volta, para sairmos do rio. - Ah, mas vocês já vão? - perguntou um menino de cabelos escuros. As outras crianças fazem uma cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. - Minha amiga aqui está cansada - Etienne explica - Mas, vocês têm uma bola? O menino de cabelos escuros assente e sai da água. Fala com uma mulher que está sentada nas pedras e pega uma bola de vôlei. Volta correndo para água e entrega para Etienne. - Tá aqui - o menino diz. - Sabemos jogar vôlei? - Etienne pergunta. As crianças assentem, com os rostinhos felizes. Aquilo me emociona e começamos a jogar vôlei com elas. Quando percebi, o dia já escurecia e precisamos ir embora. Pegamos nossas coisas e subimos. Estava tão cansada e meus músculos estavam doloridos. Batia os dentes de frio. Etienne passou o braço pela minha cintura, parecendo tentar me aquecer. Ele beija o topo da minha cabeça e diz: - Hoje o dia foi o mais feliz da minha vida, sabia? - ele disse. Paramos em frente ao carro. - Sério? Mas, fizemos algo tão simples - eu digo, surpresa. Ele sorri para mim. - Eu sei, mas eu nunca tive tempo para isso. Sempre estive trabalhando e nas minhas viagens não tive tanta diversão quanto agora. Você me faz bem, Laura. Fico sem ar, mas ele não me deixa responder, pois diz: - Vou pegar uma toalha pra você, minha ratinha molhada - e mais uma vez ele me provoca. Mas, isso só me faz rir. Ele abre a porta malas do sedan e entrega uma toalha para mim e pega uma para ele. Nos secamos o máximo possível. E lembro do vestido que comprei. - Etienne, preciso me trocar, tenho aquele vestido. Vou fazer isso no carro. Não olha, tá? - Ah, mas aí não tem graça, Laurinha - ele provoca. - Etienne, sem gracinhas - o repreendo. - Tá bom. Vou ficar aqui fora e não vou olhar, por mais que eu queira - ele me olha de cima a abaixo e eu bato no seu braço com a palma aberta - aí, Laura. Esses seus tapas doem. - E vai doer outra coisa se fizer esse cara pra mim de novo. - Que cara? - ele franze o cenho. - Cara de cachorro babão. Ele gargalha. Eu entro no carro, fazendo um olhar de advertência para ele. Etienne suspira e se vira, não sem deixar de rir. Faço tudo rápido e não sei se ele viu, mas estou com a roupa seca. Sento no meu banco, deixando a toalha na cabeça. Ele se aproxima da janela e diz: - Agora é minha vez - ele diz - Vira seu rosto para lá. Ah, mas se quiser ver eu não ligo. Eu dou risada. E ele vai no porta malas, pega uma calça e uma camiseta e tira a roupa. Vejo pelo retrovisor. Ele fica só de boxe. Deixando sua pele branca e cheia de sardas exposta. - Eu sei que você tá olhando, Laurinha, não vale - ele diz, me provocando - Eu não pude ver você, então, está sem direitos para isso. - Eu não estava...- eu mordo os lábios e fecho os olhos. Ele é rápido e abre a porta do motorista. - Pode abrir os olhos, Laurinha - ele diz, com zombaria. Eu abro e me deparo com ele trajando uma calça jeans, uma camiseta branca e o mesmo ALL star. Engulo seco, pois eu o quase nu, mesmo que pelo retrovisor. Isso estava me matando por dentro. - Tem uma babinha aqui - ele diz, colocando o dedo indicador no canto da minha boca. Eu estremeço, mas fecho a cara. - Pode parar de me zoar - eu digo - E como você tinha tudo isso no porta-mala? - Eu já tinha tudo planejado, meu anjinho. Eu iria levar você no rio, beijar você e ficar contigo hoje, mas você é tão fechada - ele provoca e da a partida no carro. - Espera, você disse beijar? Ele ri. O carro começa a pegar velocidade na estrada. Carros vem e vão. O céu está escuro e não posso ver a expressão dele. Sinto todo meu corpo estremecer pelo que ele disse. - Eu disse isso? Eu não me lembro. - Etienne! - O que? Por que tá brava? - ele pergunta e sinto que está contendo o riso. - Pare de me provocar. - Como quiser - ele diz. E passamos a viagem em silêncio. Boa parte, pelo menos, e isso porque eu dormi boa parte. Sentia sua mão na minha, eu não tinha certeza. E quando chegamos em Enseada, ele teve que me acordar. - Então, o que faremos amanhã? - ele pergunta. - Amanhã? - É...bem - ele estava sem graça. - Vou pensar, Etienne - eu interrompo - Que tal a gente passear um dia aqui na praia? Ele não responde, parece estar pensando. - Sabe, podemos ir em outra? Aquilo era estranho. Mas, eu pensaria nisso depois. - Tá bom. Que horas você vem? - pergunto. - Esteja pronta as oito - ele responde. - Mas...é de madrugada - protesto. - Mas é para aproveitar o dia. É pegar ou largar, Laurinha. Suspiro, irritada. - Tá bom - eu concordo. Abro a porta e ele faz o mesmo. Ele pega algo no banco de trás. Vejo o vaso de suculentas na sua mão direita, a sacola com meu vestido e o buquê de rosas na outra. Tiro a toalha da minha cabeça e deixo que meus cabelos caiam sobre o ombro e deixo no banco do passageiro. - Onde vai com essas flores? - pergunto. - Vou fazer uma entrega especial - ele responde. Dou de ombros e pego meu vaso de suculentas e minha sacola da mão dele. Começo a subir as escadas para meu prédio e ele me acompanha. - Onde você tá indo? - pergunto. - Já disse, vou fazer minha entrega, Laurinha. Vai pra casa. Nos vemos amanhã. Dou de ombros e uso as escadas para chegar no meu apartamento. Aquilo me deixou ciumenta, mas ele não era meu, então tentei me controlar. Abro a porta e sou recebida por Loki. Pego-o no colo e faço carinho na sua pelagem. A campainha toca, logo em seguida. Abro a porta e vejo Etienne parado na soleira da porta, com um sorriso do no rosto.  Fico sem ar com aquela visão. - Entrega para Laura Dias - ele informa, com uma voz séria - E você? - Mas que palhaçada... - Só estou fazendo as entregas, moça. É você? - ele insiste, sem tirar a expressão do seu rosto, como se realmente estivesse fazendo uma entrega. - Tá, sou eu. Ele entrega as rosas para mim e um cartão. - Obrigado - ele diz e fecha a porta. A minha porta. Deixo a rosa na bancada da cozinha e abro o cartão. É com figura de ursinho e corações. O que é bem brega, mas a mensagem que ele escreveu em caneta azul me deixa sem fôlego: " Que tarde especial essa que tivemos, Laura. Eu não consigo me lembrar de quando sorri tanto em minha vida toda. Acho que somente quando era criança. E você me traz essa leveza, essa paz. Se tudo isso for um sonho ou não, não quero acordar. Só posso lhe dizer com certeza que você é como um sonho. Do seu Etienne."
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