I've got another confession to make
I'm your fool
Everyone's got their chains to break
Holding you
Were you born to resist
Or be abused?
Is someone getting the best
The best, the best, the best of you?
Is someone getting the best
The best, the best, the best of you?
Foo Fighters, Best of you
Os dias passaram para mim, em branco. Eu saia para trabalhar, ignorava ligações e mensagens de Paulo. Driblava Etienne no trabalho, pois não queria falar com ele e que percebesse que estava com ciúmes dele por Ana sempre tentar toca-lo. Millie tentava me chamar para sair várias vezes, mas eu respondia que tinha muito trabalho. Na verdade, eu voltava para casa e escutava músicas tristes, comia e abraçava meu gato, até ele mesmo se encher de mim e sumir de casa.
Aquilo estava me matando. Eu não saberia dizer o motivo para tanta tristeza. Mas, sim, eu sabia sim. Etienne não saia da minha cabeça. Paulo me ligava e mandava mensagens, pedindo uma chance. E eu nem sabia o que queria. Estava perdida. E uma música tocava na rádio, Best Of You, de Foo Fighters. Mas, eu não prestava a atenção em nada...
- Laura – Millie me chamou – Hoje é sexta, vamos no bar da Enseada? Está me devendo aquelas duas tequilas...
Eu n**o com a cabeça, olhando para tela do computador. Estava fazendo mais alguns ajustes na campanha promocional do perfume Brésil Intensité, com fragrância cítricas, de limão e laranja. Eu amava aquele perfume e estar finalizando aquela arte me fazia estar focada somente naquilo. Mas, Millie, sendo ela, não parecia querer desistir, pois me sacudiu pelo ombro.
- Para com isso, tá maluca? – eu exclamo, com raiva.
Os nossos colegas nos olharam, curiosos. Ana, não estava no setor, então não teríamos que explicar aquela cena que Millie havia feito. E ela desligou a tela do meu computador.
- p***a, Millie, o que você tá fazendo? – Murmuro, irritada.
Ela faz um biquinho, enrugando seus lábios. Seus olhos verdes me fitam com raiva.
- Escuta, Laura, faz uma semana que aconteceu aquilo, vamos mudar a página. Já tô cansada dessa sua cara depressiva.
Ha, ela estava cansada, imagina eu que preciso me olhar no espelho todo dia.
- Para, Camilla, só para com isso – eu peço, ligando a tela do computador – Deixa eu trabalhar em paz.
Millie suspira e volta para sua mesa. Meu telefone toca de novo e penso que é Paulo. Não me dou o trabalho de verificar. Toca mais uma vez e eu atendo.
- Oi filha – Escuto a voz da minha mãe. Ela parecia tensa.
- Oi mãe, tudo bem aí? – Eu pergunto sem desviar meu foco do trabalho.
- Não tá não filha. Você pode vir aqui em casa hoje? – Pergunta ela.
- Mãe, não vai dar, eu preciso trabalhar...eu...
- Filha, eu não pediria se não fosse sério – ela insiste.
Sinto a sua voz falhar, como se algo r**m estivesse acontecendo ou acontecido.
- Mãe, eu vou, tá bom – eu digo, tentando passar calma a ela – Pode me dizer o que está havendo?
- Filha, seu pai...- ela diz, com a voz anasalada – Seu pai está internado...
- Como assim, mãe? – pergunto, sentindo meu coração acelerar. Temia o pior, como havia acontecido no ano anterior – Desde quando?
- Faz dois dias já, Laura – ela diz, com a voz chorosa – Eu tentei te ligar, mas só caia na caixa postal.
m***a, m***a, m***a. Eu achava que era Paulo, pois não reconhecia o número.
- Mãe, você mudou de número? – perguntei – Desculpa, mãe...eu achei que fosse outra pessoa...eu vou ai agora.
- Vem filha, eu preciso de você aqui – ela pede.
Eu desligo, sentindo-me tonta e sem ar. Anoto um recado no papel, desligo o computador e saio, sem ver mais nada. Meu pai estava hospitalizado e eu não sabia o que fazer. Apenas isso...
Andei sem rumo pelo corredor, até que esbarrei em alguém. Olhou para cima e encontrei os olhos esverdeados de Etienne. Ele parecia sério, mas quando viu meu estado, que não deveria estar dos melhores, segurou-me pelos ombros, com um semblante preocupado. Somente senti os meus olhos embaçarem. As lágrimas vieram, sem que eu pudesse controlar.
- Shh, tá tudo bem, Laurinha – ele diz, me abraçando – O que houve?
- Me...eu...pa...ai – eu gaguejo.
- Tá tudo bem. Para onde você está indo agora? – ele pergunta.
- Para...casa...
- Tá, eu levo você.
Ele me pega pela mão e descemos as escadas. Era minha rotina. Eu nunca pegava o elevador, nunca mais iria pegar, não enquanto Sandro estivesse naquela empresa. E descemos, com ele me apoiando. Ele para na recepção, deixado um recado com uma das meninas, para passar para RH, mas eu não escutei direito. Não ouvia nada, apenas me movia automático.
Passamos pela portaria, seu Juca nos cumprimenta, e eu apenas aceno. Não queria dizer nada, pois não tinha vontade. Era como se tudo estivesse cinza, mais uma vez. Nunca senti tanta dor, como naquele instante. E não sei se conseguiria suportar ficar em pé. Mas, algo me movia, uma força muito maior. Etienne me levou até o estacionamento da empresa, do lado de fora e paramos em frente ao seu carro. Ele abre a porta do passageiro e eu sente. Ele a fecha e senta no banco do motorista.
- Para onde, Laura?
- Perto do hospital, São Vicente – eu digo.
- Você vai precisar me dizer como chegar, Laurinha – ele pede, com carinho, segurando minha mão – E vamos chegar lá, bem rápido, eu prometo.
Ele deposita um beijo no dorso da minha mão. Eu não sinto nada, mas o seu gesto valia muito para mim. Etienne engata a partida e o carro começa a se mover. Vou guiando ele pelas ruas e passamos por uma ponte enorme, que atravessava um rio. Ele colocou uma música leve e começou a cantar daquele jeito que me fazia rir. Eu realmente tentei rir, mas não conseguia. Apenas fitei o horizonte. Ainda era de dia e o sol estava a pino. Mas, eu me sentia oca por dentro.
Depois de uma hora, chegamos a casa da minha mãe. Era uma casa com quintal, grande e de madeira. Era bonita. Meu avô não gostava da simplicidade dela. Dizia que seu filho precisava ter conforto e luxo, mas papai era diferente. Ele gostava da simplicidade e da sua casinha com varanda, de cor amarela. Do seu jardim de flores e da minha mãe pintando seus quadros no fundo da casa. Ela havia feito um desenho no muro, nos fundos. Era o retrato de nós três. Era muito bonito e singelo. Queria mostrar isso para Etienne, mas naquele momento, não sentia forças para isso. Só queria abraçar minha mãe.
Sai do carro e Etienne me acompanhou. Passei pela cerca de madeira branca e nem bati na porta, apenas abri. Mamãe estava nos fundos da casa, pintando. Ela estava sentada em um banquinho, do lado de fora da casa, onde ficava nosso mural e estava movendo o pincel sobre a tela. Estava finalizando um quadro. Era a representação da praia, no fim de tarde. Os tons laranjas, misturados com lilás e azul eram realistas, retratando a realidade como se fosse uma foto. A dona Olga era talentosa, assim como seu marido, Augusto. Meus pais eram minha vida e se um deles partisse, eu acho que eu me partiria em duas. Minha realidade seria incompleta sem um deles.
- Mãe – eu chamo.
Ela sorri para mim, mas vejo que seus olhos estão vermelhos. E fita com curiosidade Etienne.
- Mãe, desculpa vir assim. Esse é o Etienne – eu apresento - meu colega de trabalho e amigo me trouxe...eu não tava bem para vir sozinha não...
Eu desabo a chorar. Ela se levanta, também me abraçando. Etienne fica de lado. Eu sei que ele está olhando para nós duas. Eu sinto seu olhar e seu apoio. Ele era meu amigo, de verdade. Eu sentia isso. Ela me soltou, também com lágrimas nos olhos.
- Seu pai enfartou de novo, filha – ela diz, enxugando as lágrimas – Mas, está bem. Ele está internado, sendo observando, pois teve duas paradas cardíacas no mesmo dia. Ele só...
- Mãe, diz...- eu peço, em agonia.
- Ele só...ai filha...ele está com um lado corpo paralisado – ela diz, voltando a chorar.
Nos abraçamos com mais força, dessa vez. Eu não aguentava isso. Meu pai já havia dito um enfarte, mas ele nunca ficou paralisado.
- Mas, e se nós cuidarmos dele, mãe? E se nós fizermos uma fisioterapia...eu não sei – tento ter esperanças.
- Ah, querida. Eu não sei também. Vamos esperar que dê tudo certo, sim? – ela pede, segurando meu rosto. Ela desvia seus olhos azuis para Etienne – Oh, desculpe querido. Eu estou tão distraída, que esqueci meu lado hospitaleiro. Como você é amigo da minha filha, se sinta em casa. Pode me chamar de Olga. Vou preparar um chá pra gente. Vem, Etienne.
Ele assente e está vermelho.
- Desculpa, Etienne – eu peço, segurando ele pelo braço – Eu te coloquei nisso e nem pensei que seria incomodo para você.
Ele apenas me oferece um sorriso.
- Está tudo bem, Laurinha – ele diz, enganchando em meu braço – Eu não deixaria você sozinha nisso. Afinal, agora somos amigos.
Etienne parecia bem à vontade na casa da minha mãe. Olhava cada foto nas paredes, pinturas de quadros que minha mãe fez e cada objeto, com curiosidade. Eram objetos que meu pai havia comprado em viagens pelo mundo. Havia estatuas miniatura de deuses do panteão, egípcios. Até mesmo anjos ou pedras coloridas. Etienne parecia admirado por tudo naquela casa. E principalmente pela grande estante de livros. Meus pais amavam livros. Tinham três estantes na sala, com livros de vários temas e assuntos. A maioria era na área que eles atuavam, artes e odontologia, mas havia alguns romances, que havia lido com avidez durante minha adolescência. Um deles era Paulo Coelho, O Demônio e a Srta Prym e Veronica Decide Morrer. Livros fascinantes que me iniciaram no mundo da literatura. Apesar de não ter seguido aquele caminho, eu escrevia as escondidas, apenas para mim.
- Querida – mamãe me chamou, na cozinha – Seu amigo é muito bonito.
Eu dou risada.
- Ele é mesmo. Mas, por que está afirmando isso?
Ela me olha, com desconfiança.
- Está namorando ele? Pois, se estiver, já tem minha benção – ela diz, com bom humor.
- Mãe, que bobagem. Não estou não – eu n**o – Ele acabou de entrar na empresa e m*l o conheço.
- E já considera ele seu amigo? – ela pergunta, curiosa, pegando a água da chaleira e colocando nas xícaras de chá.
- Sim, mãe. Ele só tem me ajudado – eu confirmo.
Servimos o chá na sala e mamãe mostra o álbum de fotos, de quando eu era criança. Havia fotos mais antigas, que meus pais haviam tirado em outro país. Algumas na Turquia, outras na França. Eles pareciam tão felizes e contentes. Fiquei emocionada por ver meu pai naquelas fotos. Seus cabelos e olhos castanhos eram mais intensos. Seu rosto era jovial e olhava embevecido para minha mãe. Os cabelos loiros dela estavam curtos, na altura do queixo. Tão diferente de hoje, que estavam amarrados em um coque e esbranquiçados pelo tempo. Etienne folheava o álbum e ria das minhas fotos de quando eu era pequena. Havia algumas que eu não tinha os dentes da frente ou os cabelos eram curtíssimos.
- Essa aqui, parece uma janelinha aberta, veja Laurinha – ele diz, em tom brincalhão.
- É mesmo, parece uma janelinha, Etienne – minha mãe, traidora, concorda.
- Vocês dois, vão só uma coisa – eu ameaço, indignada.
Isso apenas arranca mais risadas deles. E isso me deixa feliz, pois minha mãe estava distraída pela jovialidade de Etienne.
- E de onde você vem, Etienne? Tem um sotaque francês muito forte, mas fala tão bem nossa língua. É da França? – Dona Olga pergunta.
- Da França, senhora Olga – ele responde – Mas, meus avôs são da Argélia.
- Que interessante. Eu e o pai de Laura visitamos aquela região tão pobre e cheia de atentados terroristas – ela comentou.
- Realmente, mas hoje em dia não é perigoso dessa maneira – ele comenta.
E eles conversaram, trocando impressões sobre as viagens de mamãe e um pouco da vida de Etienne na França. Para mamãe, aquele país fora o melhor lugar que ela havia visitado e para Etienne, era seu país natal. Talvez, ele se sentisse deslocado em um lugar como o Brasil, com uma cultura que não era a dele, mas ele parecia tranquilo. Talvez, fosse sua personalidade ávida por conhecimento, como ele já havia afirmado.
E mamãe avisou que já era hora das visitas no hospital. Etienne nos deixou na porta e prometeu voltar. Precisava trabalhar ainda, mas viria me pegar para voltar para casa.
- Não precisa, Etienne. Eu pego uma condução – digo. Ainda não havia saído do carro.
Ele n**a com a cabeça, apertando minha mão.
- Não, Laura – ele diz, me fitando com preocupação – Não quero que você ande sozinha a noite. Sou seu amigo, lembra?
Eu sorrio.
- Tá bom, me convenceu, então – eu digo, beijando seu rosto.
Ele beija de volta, no canto dos meus lábios. Sinto meu corpo inteiro formigar. Senti que ser amigo não é algo muito fácil. Eu confundia demais suas gentilezas.
- Até logo, Laurinha – ele sussurra, sem retirar os olhos dos meus.
- Até, Etienne – eu digo, desviando o olhar e abrindo a porta do carro, antes que fizesse algo que me arrependesse.
Ele me segura pela cintura, plantando um beijo o topo da minha cabeça.
- Me liga, se precisar – ele murmura.
Eu saio do carro, com as pernas bambas. Que vontade de o esganar por fazer isso comigo. Mas, pelo menos, eu não estava mais chorando. O carro dele se afasta e eu entro no hospital. Minha mãe já havia entrando, então apenas precisei dar meu nome na recepção. Entrei no elevador, para chegar ao terceiro andar, onde ficava os quartos individuais do hospital São Vicente. Cheguei ao seu quarto e pude ver que minha mãe estava abraçada a ele. Papai acariciava seus cabelos e parecia abatido. Vários fios estavam ligados ao seu corpo. Engoli seco ao ver aquela cena. Fazia duas semanas que não via meu pai. E ver que ele havia emagrecido tanto me assustava.
Aproximei-me da sua cama, tentando parecer calma. Era perceptível que um lado do seu rosto estava paralisado. Sentia meu mundo interno entrar em colapso. Eu não sabia disfarçar a dor, mas me esforcei. Apenas sorri para ele.
- Oi pai – eu cumprimento.
Ele tenta sorrir, mas faz uma careta.
- Oi...que...rida – ele diz, com a voz enrolada – Co...mo...está?
- Bem, pai – eu minto, sentindo minha garganta arder.
Mamãe estava com os olhos marejados e se sentou na cadeira ao lado de papai, permitindo que eu me aproximasse.
- Seu pai está bem melhor que no primeiro dia. Ele m*l falava – ela diz, esperançosa – Não é querido?
- Si..im – ele concorda.
Sento ao seu lado, tomando sua mão. Seu rosto estava muito pálido e magro.
- Que bom, pai. Então, vamos cuidar do senhor e você vai se recuperar logo – eu digo, com a voz embargada.
- É...- ele concorda, mas vejo que em seus olhos falta-lhe esperança.
E ficamos ali, eu e minha mãe. Tentando anima-lo. Ele apenas assente, fala pouco, mas sempre busca meus olhos, pedindo conforto. E é somente isso que tento fazer, por ele. Não entrar em desespero e lhe dar o maior apoio possível.
***
Mensagem de Etienne:
Oi Laurinha, como você está?
Espero que bem. Já vou buscar você, está bem?
Nem pense em sair por aí, sozinha.
Minha Laurinha não pode ficar sozinha.
E ela já não está mais, tem a Etienne.
Beijos, minha Laurinha.
Eu dou rio da sua mensagem. Leio várias vezes, sentindo em meu peito algo novo florescendo. Ele não era meu sonho, nem meu paraíso, mas era alguém que eu poderia contar. E estava presente, sempre que podia, pelo menos, naquela primeira semana que nos conhecemos.
Sai do quarto do meu pai e beijei sua testa. Mamãe disse que passaria a noite ali, com ele. Millie me ligou, perguntando se poderia ir na minha casa, ficar comigo. Eu apenas disse que estava tudo bem, que ela deveria curtir sua noite de sexta. E Ana também havia me ligado, perguntado se eu estava bem, se precisava de mais alguns dias de folga. É claro que recusei, pois, trabalhar era o único meio que tinha para esquecer da minha dor, de ver meu pai naquela cama.
Ele estava dizendo adeus? Eu não sabia dizer.
E como prometido, Etienne parou o carro do lado de fora. Entrei pela porta do passageiro e ele colocou mais músicas para cantar para mim, do seu jeito desafinado.
- Como estava na empresa hoje? – perguntei.
- Bem, Ana parecia realmente preocupada – ele respondeu, sem tirar os olhos da estrada e coloca a mão sobre a minha. Eu sinto meu coração acelerar, pelo contato da sua pele – Eu vi ela conversando com Millie. Elas parecem gostar de você...mas quem não gostaria da Laurinha – ele provoca.
- Para com esse apelido bobo – eu peço, mas sem convicção.
- Ué, mas o porteiro chama você assim, a Ana também – ele explica – Eu não posso? Ou tem outro apelido que posso usar, que tal Laurette?
Dou uma gargalhada.
- Não, Laurinha tá bom.
Ele desvia o olhar da estrada e sorri. Passamos pela ponte, mais uma vez e logo chegamos na minha casa. Ele estaciona do lado do prédio e não soltou minha mão. Sinto a tensão no ar e realmente espero que algo aconteça. Eu quero muito que ele me beije, mas ao mesmo tempo, estou temendo esse momento.
- Então, eu já vou indo – digo, sem me mexer.
- Até amanhã? – ele pergunta, aproximando seu rosto do meu.
Sinto seu hálito quente, perto dos meus lábios. Eu assinto, segurando a respiração e desvio o olhar para seus lábios. E não sei como acontece, mas nossos lábios se encontram. Ele beija, com hesitação. Estamos com medo, eu sinto isso. Etienne coloca a mão na minha nuca, aprofundando seus lábios nos meus. Sinto a sua língua envolvendo a minha. E seu gosto era uma mistura doce de chiclete e cigarro. Eu não sabia que ele fumava, mas aquilo não me incomodava. Ele acariciou meu rosto com sua mão livre e desceu a mão por meu pescoço, até que...
Bip, bip, bip, bip.
Maldito telefone!
Nos afastamos, sem graça. Estávamos respirando rápido e demorei para conseguir puxar meu telefone do bolso. Era uma chamada perdida e nada mais, nada menos que Paulo. Aquilo foi um balde de água fria no momento que estava tendo. Etienne viu e seu semblante se fechou.
- Você ainda está falando com ele? – Etienne perguntou, com a voz tremula.
Mordo os lábios.
- Eu não estou...é que...ele vive ligando...- passo as mãos pelos cabelos.
- Sei – ele murmura, olhando para frente.
Já sabia que aquela noite havia terminado.
- Então, tchau, Etienne – eu digo.
Ele não responde. E eu fico frustrada, mas talvez, era melhor assim. Eu já tinha problemas demais para pensar.