Capítulo 3

3113 Words
Freak out! I'm alone now I feel just like I'm losin' my mind 'Cause love is like the right dress On the wrong girl You never know what you're gonna find You think you're high and fine as wine Then you wind up like a dog in a ditch 'Cause love is like a wrong turn On a cold night Yeahh, ain't that a b***h? Ain't that a b***h? Aerosmith (Ain't That a b***h?) Eu estava com as roupas coladas e havia areia por toda parte. Etienne, com sua cara de p*u, ligou do restaurante para empresa, dizendo que tivemos um problema. Disse que eu estava com tontura e que iria me levar até em casa. Ana, com seu lado solicito, acreditou em tudo. E fomos até minha casa de táxi. O motorista parecia querer nos m***r, mas Etienne pagou mais pela corrida. E nossos celulares molharam com o contato com a água. Aquilo era o pior, pois todos meus contatos estavam lá. Eu não sei o que Etienne tinha na cabeça, mas ele não parecia normal. - Desculpa, Laurinha – ele diz, vendo minha cara – Eu compro outro celular para você. - Eu não quero – recusei, irritada – E chega de fazer loucuras, Etienne. Ele ri. - Você faz um biquinho engraçado quando está brava – ele diz, com humor – Eu realmente acho isso fofo. Revirei os olhos, olhando para a janela. Ele apertou minha mão. - Laura, não fica brava, não – ele diz, com o sotaque mais carregado – Eu prometo para você que não faço mais nada assim, tá bom? - Tá, agora cala a boca – retruco. Ele gargalha. Pelo retrovisor, o motorista deixa escapar um sorriso. Eu me seguro para não rir também, mas permaneço firme. Não quero e não vou ceder. Havia perdido um dia de trabalho. Na verdade, eu não iria perder, apenas diria que estava bem e voltaria ao trabalho. E o táxi parou em frente ao meu prédio, depois de meia hora. Eu desci do carro e me despedi de Etienne. Ele iria para sua casa e trocaria de roupa também. Faço tudo rápido, pego as escadas e subo até o segundo andar. O Afonso, que é porteiro do prédio, não me viu passar, pois estava distraído com um morador. Era o chato do quarto andar, Artur. Aquele homem reclamava de tudo. Do barulho do cachorro, do barulho do salto batendo no piso, quando alguma mulher estava no prédio, da conversa dos adolescentes e das crianças correndo. Eu que deveria reclamar, pois morava no segundo andar. Aquele homem era de mau com a vida, só pode. Agradeci a Deus por poder subir sem ele me ver. Corri escada acima, sentindo meus pulmões fracos e as roupas pesadas. Estava pingando água por tudo e com certeza o pessoal da limpeza iria me m***r. Entro no apartamento 202 e fecho a porta rápido, antes que meu gato escape. Ele me olha, com seus olhinhos amarelos. O Loki era meu único amigo, fora Millie. Ele me fazia companhia todos os dias, enquanto eu permanecia no apartamento, escrevendo. Eu escrevia em blogs, falando sobre tudo, desde moda, filmes e livros. Era ficcionada nisso. E arriscava em escrever um romance, mas eu não me sentia preparada ainda. O livro estava guardado em meu pendrive e ficaria lá, até eu decidir se valeria a pena continuar e publicar. Eu nunca havia contado isso aos meus pais ou a Millie. Era um segredo só meu e queria que fosse assim. Eu passava as noites, somente imaginando aquele universo...Meu gato malhado se agarrou a minha perna, pedindo colo, me tirando dos meus pensamentos. Eu o peguei e o coloquei em minha poltrona preferida. Corri até o banheiro que ficava dentro do meu quarto. Tomei um banho e troquei de roupas. Deixei mais comida no pote do Loki e troquei a água. Usei meu telefone fixo e pedi um táxi. Demorou uns bons quinze minutos. E sai voando pela porta. Ninguém parecia ter notado que eu havia me ausentado. Nem seu Juca. Eu me atrasei por pelo menos duas horas. Já era quase três da tarde. E não usei o elevador para o segundo andar. Não queria ver o Sandro, de jeito nenhum. Era pedir para morrer. Subi as escadas, sentindo meu corpo dolorido. Queria m***r Etienne e faria isso. Iria convidá-lo para tomar um drink e colocar veneno na sua bebida, porque sim, eu era dessas, só que não. Cheguei no meu setor e Millie me olhou apreensiva e veio me abraçar. Ana também. E logo todo mundo do meu setor me perguntou se eu estava bem, se havia acontecido alguma coisa. Se eu estava grávida. Até mesmo Millie perguntou isso. Se estava grávida de Paulo. Ahá, nem morta. Eu havia usado c*******a, por favor nhe. - Não, está tudo bem – respondo meus colegas – Eu apenas tive uma tontura. Fui para casa, mas passou. Só tomei um banho e vim direto. Não queria perder o serviço. - Ah, querida, você está trabalhando tanto – Ana disse, preocupada, segurando minha mão. Eu me sentia envergonhada. Na verdade, me sentia uma mentirosa de primeira – Eu tentei te ligar, mas não deu. Caia na caixa postal. - Ahn...sobre isso – eu digo, me sentindo mais ferrada – Meu celular caiu na privada. Todos riram daquilo. - Oh, meu bem, acontece – ela diz – Mas, compra outra nhe. Sabe que preciso falar contigo. E eu me sentei a minha mesa, sentindo minhas pernas tremulas. Eu havia mentido de novo. Eu mentia sempre para meus pais, para poder sair, para ir em um show, ou ver o namorado. Quando era mais nova, mas agora eu era adulta. Não queria recorrer a mentiras. Mentir era errado, mas Etienne...maldito Etienne! - Amiga – diz Millie, puxando sua cadeira de rodinhas para meu lado – Fala a verdade, você tá gravida do Paulo? Eu quero socar o teclado, mas não faço isso, apenas sorriu para Millie. - Não, claro que não. Só deu tontura – eu digo, convicta. - Ah, menos m*l. Seria h******l nhe – ela disse – Imagina se você estivesse grávida daquele idiota... - Sobre isso...ele me mandou uma mensagem... Parei a frase, ao ver Etienne passar pelo corredor. Ele parou de andar e me fitou, com um olhar inquisitivo. Ana o viu e parecia sorrir, embevecida. Mais uma que caiu nos encantos do francês maldito! - Olha Etienne, a Laurinha voltou – ela diz, entusiasmada – É a melhor desse setor – ela diz, olhando com cara f**a para os outros. Meus colegas pareciam jogar dardos venenosos contra mim, depois dessa afirmação. Etienne estava com o semblante sério. Olhou para mim, sem transparecer emoção alguma. - Sim, deve ser mesmo – ele concorda – Está melhor? - Si...im – eu gaguejo. - Isso é ótimo – ele sorri, mas não é um sorriso que lhe chega aos olhos. Algo o incomoda, mas eu não sei dizer o quê, exatamente.                 - Ah, Etienne, nós vamos sair para tomar uns drinks hoje à noite – Ana diz, olhando para ele, com interesse – O setor aqui do Marketing sempre vai toda sexta-feira.                 E era verdade, mas eu fugia daquilo sempre. Havia uns colegas muito intrometidos e pegajosos. Caras que não tem noção, quando bebem e eu queria distância. Desejei boa sorte para Etienne, mentalmente. E voltei a olhar para minha tela, focando em terminar meu trabalho em tempo recorde. Millie se afastou com sua cadeira, dizendo em meu ouvido que nós conversaríamos depois sobre o Paulo. Realmente, eu tentei focar no trabalho, mas queria ouvir a resposta de Etienne.                 - Laura, você vai? – ele pergunta para mim.                 Meu coração parecia querer sair pela boca. d***a, mil vezes, d***a!                 - Ué, por que eu deveria ir? – pergunto.                 Ana me fuzilou com seus olhinhos perfeitos.                 - Ah, vamos Laurinha – ela pede, com a voz dengosa – Assim o Etienne também vai.                 Suspiro derrotada. Lanço um olhar para Etienne: “Você me paga”. E ele parece entender, pois me oferece um sorriso: “Quem sabe na próxima”.                 - Então você vai? – ele pergunta, me olhando, com expectativa.                 Ana parece nos fitar com interesse renovado. Eu tento transparecer desinteresse.                 - Ah, vou sim, tá bom – eu digo, e volto a olhar para minha tela.                 - Ótimo passo aqui a seis então – ele diz, como se fossemos a um encontro – Até logo Laura, Ana.                 Ana parecia feliz, mas me analisava melhor, como se estivesse me vendo pela primeira vez. E isso me deixou com medo, de verdade. Eu precisava me afastar de Etienne, eu somente pensava nisso. *** Mensagem de Paulo: Laura, não faz isso não. Não seja difícil, eu tô na cidade, por isso que sumi por um tempo. Dá uma chance. Hoje, as sete no bar do Jorge, por favor? Eu gostei do nosso encontro. E realmente gostei de você, Laura. Responde, por favor. Você é como um sonho, como o paraíso... Apago a mensagem, com raiva. Havia comprado outro celular, depois do expediente. Não tinha como ficar sem. E consegui recuperar o chip, pelo menos. Depois disso, eu e Millie nos dirigimos ao bar da Enseada. Era o mais badalado, de frente para o mar. E, perto do bar do Jorge, mas eu não iria conferir se o i****a do Paulo estava lá. Havia desabafo para Millie meus problemas e ela deu o maior apoio.                 - Você não vai encontrar ele, vai? – pergunta Millie – E que história e essa de você e novato? A Ana tá super desconfiada. Me perguntou várias vezes se vocês já se conheciam.                 - Eu não tenho nada com ele, Millie...para ser sincera – eu digo, olhando para os lados, fazendo ela parar de andar. Ficamos parada no calçadão – Ele me jogou no mar, essa tarde...                 - Quê? Para tudo! – Millie pede, surpresa – Como assim? Jogou você no mar com roupa e tudo? Meu Deus...ele é um safado...                             Ela deu risada e eu não pude deixar de rir. Etienne era surpreendente e talvez fosse isso mesmo. Um sem-vergonha, mas eu não queria nada com ele. Já havia quebrado a cara. Era como na música de Aerosmith. No amor, você nunca sabia o que esperar e no meu caso, sempre dava tudo errado mesmo. Eu estava fechada e cega para o amor. Não iria abrir meu coração mais.                 - Ele é isso sim – eu concordo – Mas, estávamos tendo uma conversa super madura e de repente ele me pede para ir com ele até a beira do mar. E eu, burra, fui...e bem, o resto você já sabe.                 - Sei – ela murmura – Eu acho que hoje você vai embora com ele, amiga. Ahhhh que maravilha!                 Ela me abraça com força.                 - Millie, tá machucando minhas costelas – eu digo, quase sem ar.                 - Ah desculpa...é que fiquei empolgada – ela diz, me soltando – Mas, espera...merda, a Ana. E agora? Ela também tá afim do cara.                 - Eu não disse que vou embora com ele, Millie. Pare de viajar.                 - Ah, duvido, duvido que isso não aconteça. Aposto dez reais que você vai pra casa com ele.                 Ahá, dez reais, era assim a nossa aposta. Era sempre assim.                 - Aposto dois shots de tequila que não, Millie – eu digo.                 - Valendo então, melhor em bebida mesmo – ela concorda.                 Nós voltamos a andar, quando sinto alguém me agarrar pela cintura.                 - Laura, achei você – diz uma voz de barítono e familiar.                 Todos os pelos do meu corpo eriçaram.                 - Solta ela, rapaz – Millie diz, com raiva.                 Ela puxa da bolsa um frasco de spray e eu sei o que é.                 - Para Millie é só o Paulo, não faz isso – eu peço.                 Ela assente, mas ainda segura o spray de pimenta.                 - Nossa, eu estava com saudades – ele diz, beijando meus lábios – Eu não sei, mas suas mensagens não chegaram, quase achei que não vinha, Laura.                 Eu me solto dele. Ele me encara sem entender o que estava havendo.                 - E não vinha mesmo, Paulo – eu corto – Agora some da minha frente!                 - É cara, perdeu. Você nem ao menos ligou para ela – Millie diz, com cara de poucos amigos.                 Eu engancho no braço dela e nós andamos para longe de Paulo. Ele nos segue.                 - Para aí, Laura – ele pede – Poxa, o que houve? Por que está agindo assim?                 - Eu nem te conheço, para começar – expliquei, com desdém – E só foi uma noite, Paulo. Você demonstrou isso muito bem, obrigada!                 Millie assente e continuamos a caminhar.                 - Espera, Laura, deixa eu explicar...não me condena assim – ele implora.                 Chegamos na frente do bar da Enseada. Posso ver Ana colocando a mão no braço de Etienne e ele me fitou com alívio. Se afastou, mas retrocedeu ao ver Paulo perto. Seu rosto demonstrou que não parecia gostar do que viu. Só me falta essa, um homem ciumento e outro que não entendia que eu não queria mais nada.                 - Eu não quero conversar, Paulo – eu digo – Me esquece.                 - Não fala assim, Laura. E nossa noite? Era somente você e eu. Foi perfeito. Você é meu paraíso, meu sonho...                 - Ah, para com a melosidade – zombou Millie – Cara, você nem ligou para ela, faz um mês.                 - Eu não pude, estava em uma turnê – ele explica, olhando para ela com raiva – É o que estou tentando explicar!                 Não gostei do seu tom e comecei a puxar Millie, mas ela parecia ter criado raízes no chão.                 - Cara, para de incomodar – ela revida – Se não parar, eu vou gritar e você não vai querer que isso aconteça. E vou te acertar nessa sua cara de playboy.                 Ele gargalha.                 - Eu não faria isso, se fosse você, garota – ele retruca, com soberba. Aquela versão eu não tinha visto na noite que nos conhecemos – Você não sabe de quem eu sou filho e não vai querer arrumar problemas.                 - Tô me lixando, cara. Seu pai e sua mãe que vai pra p*...- ela não tem tempo de terminar de falar, pois alguém se aproxima de nós. Estava tremendo dos pés a cabeça, pois nunca vi Millie assim e Paulo parecia muito diferente. Seu olhar era de raiva contida e apertava os punhos com força.                 - Está acontecendo alguma coisa aqui? – Etienne colocou um braço no meu ombro e no outro de Millie.                 - Quem é esse, Laura? – Paulo pergunta, com raiva – Nós m*l tivemos uma chance de começar e você já me trocou?                 - Ah, como assim...? – eu tento dizer, indignada.                 - E se for, playboy?  - Millie provoca, me cortando.                 - Cala a boca, Millie – digo, entredentes.                 - E se for? – Etienne diz, me agarrando pela cintura – Ela não precisa dar satisfações a você.                 Ele está calmo, como se estivesse no controle de tudo.                 - E me trocou por um gringo, Laura? – ele pergunta, com os olhos injetados – Sabe o que, Laura, eu pensei que você era séria, mas vejo que não – ele me olha de cima abaixo – Faça bom proveito dela, cara.                 Ele se afasta, mas Etienne parecia ferver de raiva. Olhei para ele e podia ver a energia mudar. Segurei ele pelo pulso, mas não tinha força suficiente. Etienne se soltou e segurou Paulo pelo camisa branca dele.                 - Fala de novo, seu i****a – disse Etienne – Seja homem e fale para mim.                 Paulo se vira. Estava vermelho de raiva. Se soltou e com força empurra Etienne.                 - Sai fora o****o – ele esbraveja – Fica com meu resto agora – ele provoca.                 Eu coloco a mão na boca, pasma. Millie xinga Paulo de todos os nomes possíveis. Etienne parte para cima de Paulo, acertando um gancho de direita no queixo dele. Paulo fica tonto e cai para trás, sentado. Ele coloca a mão no queixo. Um pequeno filete de sangue escorre da sua boca. Não é muito, mas seu lábio está inchado e partido.                 - Seu filho da p**a – Paulo grita – Agora você vai tratar isso com meu advogado. Vou processar você, seu desgraçado.                 Paulo se levanta e cospe no chão.                 - Eu não tenho medo de advogado – Etienne diz, dando de ombros – Vamos resolver isso aqui e agora. Ou você é covarde?                 Vejo Paulo encrespar os lábios inchados e acerta um soco no estomago de Etienne. Etienne tropeça, mas acerta um chute na lateral do corpo de Paulo. Eu não conseguia mais ver aquilo, precisava fazer alguma coisa.                 - Parem, por favor! – imploro, me soltando de Millie e segurando Etienne pelo braço.                 Ele me empurra para o lado, com força e eu me desequilibro, caindo no chão sentada. Senti-me ultrajada, mas bem, eu entrei no meio da briga. Etienne e Paulo param de brigar ao me ver caída do no chão.                 - Perdão, Laura...eu não...- ele diz com a boca e cílio inchados.                 Eu reviro os olhos, me levantando com a ajuda de Millie.                 - Será que vocês podem ser adultos e pararem com isso, por favor? – Eu os repreendo.                 - Fala para seu namorado ficar longe de mim, Laura – Paulo diz, com desprezo para mim. Etienne aperta os punhos com força, mas eu lhe lanço um olhar de aviso – E isso não acaba aqui. Você vai ver ser processado por isso – ele diz com raiva para Etienne e se afasta.                 - Tu chies, tu chies – Etienne grita, enquanto Paulo continua andando – É um covarde, desgraçado...Mierde, mierde!                 Ele começou a xingar em francês, o que nos fez dar risada. Ele me fuzilou com seus olhos esverdeados e eu me encolhi.                 - Ah, Laura, me perdoe – ele diz, com um olhar arrependido e se aproxima de mim.                 - Quase que você acerta a garota, Etienne – Millie diz, com raiva, me afastando dele – É melhor colocar um gelo nessa sua cara de tapado.                 - Tá bom, tá bom – ele diz e sorri para mim – Me perdoa, Laura, eu nunca iria machuca-la. Mas, quando aquele i*****l falou aquilo para você, eu não consegui me controlar...                 - Está tudo bem, Etienne, obrigada – eu digo e realmente estava agradecida.                 Senti lágrimas escorrerem por meus olhos. Etienne me olhou preocupado e levantou sua mão, tocando meu rosto. Millie me abraçou. Eu estava tremendo. A ficha havia caído sobre o Paulo. Etienne também me abraça, passando o braço por minha cintura, beijando o topo da minha cabeça.  Amar era uma d***a. Literalmente.
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