No escritório, Dante tentava resolver assuntos da empresa, mas nada nele realmente funcionava. Os papéis à sua frente estavam desfocados, as letras embaralhadas, e o silêncio preenchia o cômodo como se fosse um lembrete constante daquilo que ele não podia desfazer. Os pensamentos vinham como ondas violentas, repetidamente, castigando-o sem trégua. Helena. Seu nome era uma sentença, uma memória, um pedido de perdão que jamais seria pronunciado. Todas as madrugadas, sem falhar, Dante caminhava até a porta do quarto dela. Ficava parado ali, apenas observando ela dormir, ou melhor, ouvindo. Helena raramente dormia em paz. Seus pesadelos eram tão intensos que ele precisava lutar contra o impulso de entrar e segurá-la até que o tormento diminuísse. Mas não podia. Não tinha esse direito. Ela

