Capítulo Nono

4792 Words
No dia seguinte, Mirella levantou e foi fazer o café. Botou a água pra ferver e enquanto isso, foi na padaria e comprou pão. Mesmo a mãe fazendo questão de trabalhar, ela ia fazer a mãe descansar mais durante aqueles quinze dias. Faria todo o serviço e não deixaria ela fazer nada em casa. Chegou e passou o café e estava arrumando a mesa quando Dirce entrou na cozinha, falado: - Porque não dormiu até um pouco mais tarde? Você está de férias. - Mas você não. E eu dormi o suficiente. Estou bem. Vou fazer umas horas de curso agora de manhã e mais algumas na parte da tarde. Assim tiro a habilitação mais rápido. Dirce sentou e tomou o café. Depois que ela saiu, Mirella ainda deu um jeitinho na casa e foi para o curso. Chegou as nove e saiu às onze e marcou para voltar às duas para ficar até às quatro. Fazendo quatro horas por dia ia conseguir a habilitação antes do casamento. Chegou em casa e verificou que tinha comida pronta. Almoçou e já deixou separado o que ia fazer pra janta. Descansou um pouco e novamente voltou para o curso. De tarde fez a comida e quando Dirce chegou estava tudo pronto. A mãe comentou: - A Dona Nora ficou preocupada com o Júlio. Pediu pra amanhã você ir comigo pra falar com ela. - As nove eu tenho curso. - Vai ser rápido. - Ontem esqueci de falar pra você. Fui com a Berenice e o Júlio no cartório e demos entrada nos papéis. - Ótimo. Estou contando os dias para esse casamento. - Eu também. - Quanto tempo pra correr os papéis? - Disseram que em quarenta e cinco dias deve estar tudo pronto. Eu vou passar lá pra saber. O chato é que tem que ser realizado numa Sexta-feira. - Quem não puder ir, vai na igreja. - Eu queria fazer os dois no mesmo dia. - Vou procurar saber se a igreja faz casamento em dia de semana. Eu acho que é só aos Sábados. Quando o Adriano chegar, nós vamos lá. É perto. Mirella lembrou: - Ontem o Júlio me deu o pagamento do mês. Coloquei o envelope dentro da bolsa e nem olhei. Acabei esquecendo. - Depois você vê. Nunca faltou dinheiro. Tenho certeza que está certo. - Vou ver agora. Espero que ele não tenha juntado o dinheiro das férias. Prefiro receber depois. - Se ele juntou você deposita. - Sabe o que eles vão me dar de presente de casamento? - Não. - A viagem de lua de mel. - Que bom. E você vai pra onde? - Para o hotel fazenda que você foi com a Dona Nora e o Seu Jair. - É muito bom lá. Vocês vão adorar. Ouviram um barulho. Adriano estava chegando. Beijou as duas e perguntou: - Tudo bem? Mirella respondeu: - Tudo, vamos dar um pulinho lá na Igreja pra saber se eles celebram casamento na Sexta-feira? - Vamos, mas eu não vim preparado para contratar agora. - Não trouxe nem cartão? - Trouxe. - Então, paga com cartão. - Precisava ver o saldo e saber direito até onde eu posso ir. Dirce lembrou: - A essa hora a secretaria não vai estar aberta. Pra contratar tem que ser lá. Hoje dá pra vocês saberem se pode ser na Sexta-feira. Contratar só com a secretaria aberta. Aproveita e vê o horário que podem ir. - Vamos lá então. Temos que chegar antes do horário da missa. Foram caminhando e logo estavam dentro da igreja, onde algumas pessoas já aguardavam a hora da missa. Conseguiram conversar com o padre que lhes explicou: - Normalmente realizamos vários casamentos aos Sábados porque a decoração fica dividida entre os diversos casais. Pra casar na Sexta-feira, vocês vão arcar com essa despesa sozinhos. - Nós vamos conversar e depois voltamos. É só na secretaria que podemos resolver. - Eu mesmo atendo vocês. Por causa de horário de trabalho, muitos casais acabam tratando comigo mesmo. - É o nosso caso. Nós dois trabalhamos e dependemos de condução. - Podem voltar nesse horário que eu atendo vocês. - E quanto ao custo? O padre explicou para ele o custo já com a decoração dos dois dias, e eles ficaram de retornar assim que combinassem. Voltaram para casa de Dirce, que perguntou: - Conseguiram? Eles repassaram tudo o que o padre tinha dito e ela comentou: - A diferença é muito grande. - Porque a decoração e só pra gente, mas eu preferia fazer tudo num dia só. - Vocês podem se casar no civil e no religioso na igreja no Sábado. O juiz de paz vem na igreja e traz o livro pra vocês assinarem. - Vou pensar. Disse Mirella. Adriano: - Vamos fazer como você decidir. - Eu preferia fazer como estava combinado. Mas vou pensar e depois a gente resolve. Realmente é uma diferença grande. Mudaram de assunto e logo avisou que a janta estava quente. Mirella tinha feito quando voltou do curso, mas já tinha esfriado e enquanto eles conversavam, Dirce esquentou. Adriano queria ir embora, estava ficando sem graça de jantar tantas vezes na casa delas, mas elas insistiram e ele acabou ficando. Jantaram falando dos planos para o casamento. E no final da refeição, Mirella decidiu fazer o casamento religioso num Sábado mesmo. Até porquê não acreditava que iriam trocar as flores de um dia para o outro e não achava justo pagarem sozinhos aquela despesa que seria utilizado por muitos. Adriano achou melhor: - É melhor, porque o casamento religioso exige mais arrumação e você vai ter mais tempo e nossos convidados que trabalham também. - É. Não tinha pensado nisso. Finalmente resolveram. Mas sabiam que tinham que reservar logo o horário na igreja e resolveram fazer isso no dia seguinte. Pouco depois do jantar, depois de ajudar a noiva a arrumar tudo Adriano se despediu e foi pra casa. Dirce e Mirella sentaram no sofá para assistir televisão e Mirella comentou: - É melhor mesmo fazer o religioso no Sábado, que todo mundo tem tempo para se arrumar. - Amanhã você vai comigo? - Vou. Dona Nora deve estar nervosa. Explico pra ela que é só cansaço e falta de alimentação adequada. Também, o Júlio não tira férias há anos. - Mas o trabalho dele não é pesado. - O de fisioterapeuta não, mas ele faz cirurgia também. É preciso muita concentração. - É verdade. Eu tinha esquecido que ele é cirurgião. - Uns dias de descanso e ele vai ficar novo em folha. Quando ele voltar eu vou perguntar pra ele o que ele me pagou. - Porquê? Tá errado? - Tá sobrando dinheiro. Nem com as férias juntas, o valor bate. - Então guarda, porque se ele errou você tem que devolver. - Vou fazer isso. Deus me livre de ficar com o dinheiro dos outros. - Eu sei que você é honesta. No dia seguinte, saiu com a mãe e conversou com Dona Nora. Explicou que Júlio não estava se alimentando corretamente durante a semana e tinha apresentado anemia, que junto com o cansaço tinha agravado para uma estafa. Nada que uns dias de descanso e alimentação correta não resolvesse. Dona Nora ficou mais tranquila e agradeceu a vinda de Mirella. Quando faltava quinze minutos para as nove, se despediu e seguiu para o curso. Quando foi pra casa, almoçou e separou o que iria fazer para o jantar. Depois foi descansar um pouco até a hora de sair de novo. Fez o que estava programado na parte da tarde e decidiu catar a roupa para lavar. Colocou tudo na máquina. Pretendia na manhã seguinte, que era Sexta-feira, já deixar tudo passado. Assim a mãe descansaria mais no final de semana. De noite voltou com Adriano na Igreja e marcaram para o Sábado que achavam que seria no dia seguinte do casamento civil. Deram mais uma semana dos quarenta e cinco dias que estava estabelecido pelo cartório. Voltaram pra casa e comunicaram a mãe que haviam marcado a data para dali a sete semanas. Dirce comemorou com eles. Depois Mirella foi esquentar a comida e sentaram para jantar. Depois que limparam tudo, Adriano comentou: - Estou ficando sem graça de jantar aqui todas as noites. Dirce respondeu: - Sem motivo. Esqueceu que daqui há pouco, você vai estar morando aqui? - Mas aí, vou estar contribuindo com as despesas. - Pode ficar tranquilo que não está fazendo diferença no orçamento. - Obrigado. Mas internamente decidiu fazer umas compras e levar pra elas. Não disse nada, porém estava resolvido. Depois que foi embora, Mirella perguntou: - Será que a obra vai terminar essa semana? - Acredito que sim. Tem muita gente trabalhando. O terraço já está coberto. - Eu vi. Estou sentindo falta da TV a cabo. - Eu também. - Vamos dar uma olhadinha, como está ficando? - Acho melhor não. Pode parecer falta de confiança. - Ou curiosidade. Eu estou curiosa. Amanhã com o pessoal trabalhando eu vou pedir para ver. - Não dá pra esperar mais uma semana? - Vou me esforçar. Dirce não queria dizer para a filha que o presente de casamento de Seu Paulo já havia chegado. Não ia estragar a surpresa. A semana passou rápido e Mirella conseguiu terminar o curso. Estava com o exame marcado. Estava tranquila, sabia que ia se dar bem. Se Milena comprasse o carro pra ela, iria para a lua de mel com ele. No Sábado de manhã Seu Paulo veio pessoalmente entregar a chave da casa e avisar que poderiam fazer a mudança quando quisessem porque o cheiro da tinta já tinha saído. Porquê pintaram enquanto o terraço estava sendo feito. Ele havia deixado dois homens encarregados na pintura, enquanto os outros faziam o resto. Dirce respondeu: - Muito obrigada. Por mim faria hoje mesmo. Estou sentindo falta da TV a cabo. - Não seja por isso. Vou mandar o pessoal vir pra cá. Chegarão rápido. Deu um telefonema e logo depois os quatro já conhecidos faziam a mudança para a outra casa. Na hora de arrumar o quarto de Mirella, colocaram os móveis no quarto antigo. Ela falou; - Meu quarto vai ser o dos fundos. Seu Paulo que tinha ficado para acompanhar o serviço do pessoal respondeu: - Por enquanto, é melhor ficar neste e estreitar o outro depois que casar. - Mas eu queria ver como ficou. Seu Paulo então respondeu: - Não vai ter jeito. Ela vai descobrir agora. Quando ela abriu a porta era um quarto de casal completamente mobiliado. Era desse presente que Seu Paulo tinha falado. Mirella de tão emocionada, não pode dizer nada. Apenas deu um forte abraço no amigo. Ele entendeu a emoção dela e apenas correspondeu ao abraço. Logo depois a mudança foi concluída já com tudo no lugar e enquanto Dirce cuidava do almoço, Mirella foi limpar a casa pra poder devolver as chaves. Adriano chegou e ajudou. Logo tudo estava pronto. Voltou pra casa junto com Adriano e foi mostrar o presente que haviam ganhado. Ele também se emocionou com o carinho do pai de seu amigo. Voltaram pra sala pra conectar a TV. O pessoal da obra já havia trocado a antena de local. Um deles já tinha trabalhado nisso e tinha conhecimento com o pessoal da empresa e conseguiu permissão para fazer o serviço. Logo Dirce se juntou a eles para m***r a saudade. Ia poder ver seus filmes e programas antigos de novo. O Sábado voou e logo Adriano estava se despedindo, prometendo voltar no dia seguinte. Depois que ele saiu, Mirella voltou ao quarto para olhar melhor os detalhes, porque na hora a emoção não tinha permitido. Além dos móveis ele tinha colocado ventilador de teto e ar condicionado. Foi no quarto da mãe e no dela também tinha os aparelhos. Apenas nos dois da frente, tinha somente ventiladores. Mais tarde ia providenciar ar condicionado para os outros dois. Dirce chamou para subirem pra ver o terraço. Além de um lindo piso, ele tinha colocado uma churrasqueira pré fabricada e quatro jogos de mesa com cadeira e a um canto, uma mesa grande. Estava parecendo um salão de festas. Tudo havia sido feito com muito carinho e bom gosto. No dia seguinte o telefone tocou e era Dona Nora. Dirce atendeu: - Venham pra cá, estamos comemorando. - O Adriano está para chegar. Tragam ele também. - Vou ver se ele vai querer ir. Ele é meio tímido. - Faz uma força. Estou esperando vocês. Dirce desligou o telefone e anunciou: - Era Dona Nora chamando nós três para irmos pra lá. Estão comemorando? - O quê? - Não disse. - Acho que devemos ir. Eles fazem tanto por nós. Se chamaram, é porque querem a nossa presença. Adriano chegou logo depois e concordou em ir para a cada de Dona Nora: - Vamos sim. Da outra vez que estive lá, fui muito bem tratado. Dirce se arrumou e saíram. Logo que chegaram, foram informados do motivo da comemoração. Neide e Janice estavam grávidas. Os três cumprimentaram as futuras mamães. Adriano estava adorando a notícia, seu amigo Sérgio, ia ser papai pela primeira vez. Sabia que ele queria ter vários filhos. Por ser filho único, tinha o sonho de ter uma família grande. Foram dar um abraço em Sérgio e perguntaram se ele não havia chamado o pai para participar. Ele explicou que aquela comemoração não havia sido programada e por isso os pais não estavam ali. Dirce brincou com Dona Nora: - A senhora vai ter sempre netos de dois em dois? - Não entendi! - Primeiro foi do Jairo e da Berenice, agora é Neide e Janice. - É mesmo, não tinha reparado. E isso se só vierem dois mesmo. - Porque? - Além dessas, tem as outras duas que podem engravidar de novo e ainda pode acontecer de alguma ter gêmeos. - É verdade. Já pensou? Mãe de primeira viagem com filhos gêmeos? - Pode acontecer. Eu tenho uma irmã gêmea e ela tem filhos gêmeos. - Aonde ela está. - Na Itália. Casou com um italiano que morava aqui e depois quis voltar pra terra dele. Tinha muitos parentes lá. - Mas vocês se correspondem? - Antigamente, sempre. Agora de vez em quando. Sabe como é cada uma tem seus compromissos. - É, eu sei. Depois disso se juntaram aos outros. Seu Jair estava na churrasqueira e Dona Nora avisou que ia fazer um arroz rapidinho. Dirce entrou com ela para ajudar. O negócio tinha sido improvisado mesmo. Dirce abriu a geladeira e pegou material para fazer um molho a campanha e maionese. Descascou e picou a batata rapidamente e colocou no fogo, depois picou os ingredientes do molho a campanha e temperou. Dona Nora resolveu: - Faz um pouco de farofa pra mim? - Claro. - Picou cebola bem pequena e deixou ficar douradinha, depois colocou farinha e o sal. - Você é muito ágil na cozinha. - Eu adoro cozinhar. - Eu também. Assim que as batatas cozinharam, colocou no escorredor e foi preparar o tempero. Quando ficou pronta, colocou um pouco na geladeira. Até o arroz secar, dava pra, pelo menos, ficar fresquinha. Quando o arroz ficou pronto, passaram para uma travessa grande e levaram para a mesa dos fundos. O pessoal estava bem animado. Assim que Jairo assumiu a churrasqueira, para dar um descanso ao pai, Seu Jair chamou Mirella e Adriano e perguntou: - O que vocês querem de presente de casamento? - Na verdade, não precisamos de nada. Até a viagem o Júlio já deu de presente. - Mas vocês têm que escolher alguma coisa. - Realmente, Seu Jair, já temos tudo. - Tudo bem, já que é o pai da noiva que dá a festa de casamento e você não tem mais o seu, eu vou representar ele e vou te dar a festa. - Somos praticamente, só nós, que estamos aqui hoje. Só faltam a Berenice, o Júlio, o Seu Paulo e a esposa dele. - Não precisa festa. Uma comemoração como essa aqui já é suficiente, o senhor não precisa se preocupar. - Mesmo sendo pra poucas pessoas é um casamento e deve ser celebrado como tal. Pode deixar que eu organizo tudo. Vamos fazer lá em cima. Eu estava pensando que a Dirce devia ficar aqui com a gente, enquanto vocês estiverem viajando. - É uma ótima idéia. Também não me sinto segura com ela sozinha em casa. De repente passa m*l e não tem ninguém pra socorrer. - Ela sabe que pode ficar conosco. - Depois eu converso com ela. Ainda tem bastante tempo. - Vocês vão ver como passa rápido. - Sem contar que ela é um tanto teimosa. Bota na cabeça que atrapalha os outros. - Isso é normal. Continuaram conversando até anoitecer, então se retiraram. Quando chegaram em casa, Dirce foi se arrumar para dormir. Eles ficaram conversando um pouco mais, depois Adriano também se retirou. Mirella foi verificar se estava tudo fechado e antes de se recolher, foi dar mais uma olhada no quarto que ocuparia depois de se casar. O carinho que Seu Paulo havia colocado alí, era visível. Ficou pensando que ainda teria oportunidade de recompensar o amigo, pelo carinho que ele lhe dispensava e a toda a família. Se arrumou e deitou. Não demorou a pegar no sono. No dia seguinte, levantou cedo e foi adiantar o café. Tinha decidido que a mãe descansaria no final de semana, mas a nova mudança tinha levado seus planos abaixo. Além de fazer a comida da casa, ainda tinha ajudado Dona Nora. Apesar de tudo, Dirce apareceu na cozinha, com uma expressão relaxada, e comentou que havia dormido muito bem. Estava pronta e animada para a semana que começava. Depois que a mãe saiu para o trabalho, Mirella deu uma arrumação na casa e como a comida do dia anterior havia sido guardada, já que haviam saído, não tinha mais nada para fazer. Resolveu gastar o tempo fazendo mais algumas horas de auto escola. Até a data do exame, ainda tinha tempo para se aprimorar mais um pouco. Sabia que era difícil conseguir passar de primeira. Naquele semana, ainda poderia fazer pelo menos mais doze horas de treino. Na quinta-feira voltaria a trabalhar. Foi para o curso e fez duas horas de treino, marcando mais duas para a parte da tarde. No fim da tarde, quando a mãe chegou, informou: - A Berenice ligou e mandou um recado pra você. Resolveu ficar até o final da semana e é prá você ir só na Segunda-feira. Mirella ficou chateada: - Poxa, assim vai atrapalhar a minha viagem. Cada vez eu tenho menos dias para a lua de mel. - Tenho certeza que vocês vão entrar num acordo, afinal não é você que está faltando. Ela que te dispensou esses dias. Tenho quase certeza que ela vai manter os quinze dias que estavam combinados. - Tomara. Apesar de chateada, resolveu que não tinha o direito de reclamar, afinal se tratava de um caso de doença e o casal de patrões, sempre lhe trataram com muita consideração e amizade. Agora estava na hora dela dar o retorno. Tinha que se conformar e aproveitar os dias que no final, lhe coubessem Foi treinar ainda na terça e na quarta-feira. Na quinta-feira resolveu sair para comprar umas roupas para levar na viagem. Passou toda manhã correndo as lojas e voltou cheia de sacolas. Quando a mãe chegou, já encontrou tudo pronto. Apenas tomou banho e se arrumou para esperar o futuro genro. Ele ficava com elas, todo o tempo livre, indo pra casa somente para dormir. Quando ele chegou, trouxe diversas bolsas com compras. Dirce reclamou: - Pra que isso, meu filho? - Eu estou fazendo refeições aqui, nada mais justo do que colaborar também. - Nós havíamos dito que não precisava. - Mas eu não estava me sentindo bem com a situação. Afinal, ainda estou no lucro. Além de não ter que cozinhar, ainda desfruto da companhia de vocês todos os dias . - Já que já estão aqui, vou guardar, mas realmente não precisava. Quando Dirce guardou as compras, percebeu que haviam diversas guloseimas fora do padrão normal de compras. Voltou pra sala e brincou com Mirella: - Quando vocês casarem, não vamos deixar ele fazer as compras. Mirella perguntou: - Porquê? - Ele compra muitos doces. Vamos acabar engordando demais. Todos riram e Adriano explicou: - Realmente, eu as vezes não tinha vontade de cozinhar e fazia lanche. Cozinhar para uma pessoa só, é muito chato. Mirella respondeu: - Olha o que aconteceu com o Júlio. Se você não gosta de cozinhar só prá você, sai e come fora. Não deve substituir uma refeição por lanche. - Mas nos finais de semana vocês não jantam. - Mas almoçamos. E o lanche é sempre nutritivo. - Isso é verdade. Mudaram de assunto e ficaram conversando, enquanto Dirce ia esquentar o jantar. Depois da refeição, arrumaram tudo e ficaram vendo um filme. Quando terminou, Adriano se despediu e foi para casa. Agora só faltavam seis cinco semanas para o casamento. Lembrou que tinha que comprar dois ternos. Um para usar no civil e outro para o religioso. Resolveu cuidar disso no dia seguinte. Já havia acertado todas as despesas do casamento e ainda tinha um bom dinheiro depositado. Como era sozinho, almoçava no trabalho e não gostava de sair, tinha feito nesses sete anos de trabalho, uma boa economia e ainda recebeu as economias que os pais haviam deixado. Tinha sido enviado para o orfanato, por falta de parentes. Mas os pais tinham deixado além da casa, a poupança e uma conta corrente, que recebeu assim que fez vinte e um anos. Tudo isso junto, tinha um bom dinheiro guardado. Estava tentando decidir o que iria fazer com a casa dos pais. Era uma construção grande e confortável, se vendesse daria um bom dinheiro. Havia ficado fechada, durante todo o tempo que permaneceu no orfanato e não queria deixar fechada de novo, mas depois do que aconteceu com o pai do seu amigo Sérgio, tinha receio também de alugar. Nesse tipo de pensamento, custou a dormir naquela noite e no dia seguinte ainda não tinha resolvido o que fazer. Pensou que o melhor era conversar com a noiva e a futura sogra a noite e se aconselhar com elas. Ainda haviam os móveis. Na casa da noiva tinha tudo. Até o quarto do casal já estava pronto. Saiu para trabalhar ainda pensando no assunto. Quando já estava trabalhando há algum tempo, Sérgio o chamou e perguntou: - Algum problema está te preocupando. Quer conversar sobre isso? - Na verdade, é sobre a minha casa. Ainda não resolvi o que vou fazer com ela. - O mais certo, é alugar e garantir uma renda a mais, conservando o imóvel. - Depois do que aconteceu com o teu pai, fiquei com medo. E ainda tem os móveis. A casa está toda mobiliada com móveis antigos, mas de muito bom gosto. São móveis muito melhores dos que são feitos hoje em dia. - A casa da noiva está pronta e ela não vai querer sair de lá. - Eu sei. Tenho que decidir o que eu vou fazer. Vou conversar com elas hoje a noite e pedir a opinião delas. - Isso é bom. Logo vocês estarão casados e tudo tem que ser resolvido de comum acordo, mas posso dizer o que eu faria no teu lugar? - Claro. - Eu venderia os móveis todos em um antiquário e guardaria o dinheiro. E alugava a casa. - Então, porque não alugar mobiliada? - Porque aí sim, você pode ter um grande prejuízo. O inquilino sumir levando as tuas coisas. A casa é tua e você não perde ela de jeito nenhum. - É uma idéia. Obrigado, vou expor essa ideia pra elas e juntos vamos resolver. Quanto mais Adriano pensava, mais gostava da idéia de Sérgio. Mesmo que acontecesse com ele o mesmo que aconteceu com Seu Paulo, o prejuízo seria bem menor do que perder todos os móveis. De noite conversaria com elas para tomar uma decisão final. Logo que chegou, expôs o dilema para as duas, e falou da opinião de Sérgio, Mirella foi de opinião que ele estava certo. Não havia necessidade de se desfazer do patrimônio, porém, corria riscos deixando os móveis. Além de não haver segurança que seriam bem cuidados, ainda havia o risco de serem roubados por um inquilino de má fé. Dirce concordou com a filha e ainda aconselhou: - Coloca na administração de uma imobiliária. É mais seguro. Mirella se espantou: - Mas a senhora não colocou. - Se o inquilino que está nela, sair por algum motivo, vou colocar. Paga-se uma taxa percentual, mas eles fazem vistorias periódicas e algumas até pagam os aluguéis que o inquilino ficar devendo. É um dinheiro bem gasto. Reduz os aborrecimentos. - Vou fazer isso. Quero resolver tudo antes do casamento, porque vamos viajar. Mirella desabafou: - Só não sei por quantos dias. As minhas férias estenderam. - Que seja uma semana, mas quero deixar resolvido. Dirce perguntou: - Se você alugar antes, aonde vai ficar enquanto não chega a data? Não fica bem ficar morando aqui antes do casamento. - Não se preocupe, tem muitos hotéis por aí. Também acho que não ficaria bem. Vou fazer tudo de maneira que sejam poucos dias. Vou começar chamando o antiquário e vendendo tudo que não uso dentro de casa. Como fico fora o dia inteiro trabalhando e estou todo o final de semana aqui, preciso conservar muito pouca coisa. - Mas vai perder o teu conforto. - Praticamente só uso a casa para dormir. - Mas não precisa agir precipitadamente. - Também não posso esperar. - Você não tem ninguém de confiança para dar uma olhada pra você enquanto viaja? - Não. - Mas assim mesmo, não se precipite. Você falou que mora a poucos quarteirões daqui. Temos o Sérgio e o Jairo que têm carro. Podem dar uma esticada até lá quando vierem do trabalho e eu mesma posso fazer um passeio até lá. Deixa o endereço que quando vocês voltarem, tudo vai estar no seu devido lugar. Sempre escutei que a pressa é inimiga dos bons negócios. Vamos resolver tudo com calma pra não fazer besteira. Adriano acabou concordando e deixando para resolver depois, com calma e cabeça fria. Depois de resolver isso, conseguiu relaxar. Tinha estado tenso o dia inteiro. No dia seguinte, fez três cópias das chaves da casa e ia entregar antes do casamento. Contava com a cooperação de seus padrinhos. Sabia que podia confiar de olhos fechados. Depois disso a preocupação tinha dado lugar apenas a expectativa para o casamento, que a cada dia estava mais próximo. Comprou a roupa dos dois eventos e aguardava a data com ansiedade. Deixou para ir para casa de Mirella mais tarde porque ela iria fazer o exame de direção na parte da manhã. Apesar de Dona Dirce colocar ele a vontade, não achava certo ir para a casa dela, sabendo que a noiva não estaria presente. Chegou pouco antes do almoço e ela já estava em casa. Estava feliz porque havia passado no exame. Quem aplicou o exame, queria lhe reprovar, mas seu instrutor estava presente e mostrou que ele não havia cometido nenhum erro. Comemoraram a habilitação e passaram o restante do dia juntos. Logo chegou a Segunda-feira e ela saiu logo cedo para trabalhar. Foi recebida por Berenice e Júlio que ainda estava de férias. Falou da diferença que havia percebido em seu pagamento e ele explicou que depois de dois meses ganhando mais de Seu Jair, não achava justo não equiparar o seu salário ao que ele pagava. Assim ganhou mais um aumento. Berenice perguntou: - Quem vai entrar com você na igreja? - O normal seria o Jairo, que é o único homem da família, mas ele é padrinho e tem que estar no altar antes de eu entrar. - Porquê você não chama meu pai? - Você acha que ele aceitaria? - Tenho certeza. - Vou falar com ele. Foram fazer o serviço e logo o dia terminou. A semana passou rápido e logo outro final de semana chegava. Milena pediu a Jairo que levasse o carro que tinha comprado para a irmã. Era um carro popular, porém novo e espaçoso. Mirella ficou muito contente. No Domingo foi pedir para Seu Jair entrar com ela. Ao que ele respondeu: - Vai ser uma honra. Eu não falei que ia fazer o papel de teu pai? Mirella agradeceu e abraçou o casal. Dona Nora estava ao lado do marido quando fez o pedido. O tempo passou voando e logo chegou o dia do casamento no cartório.
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