Capítulo Décimo Primeiro

4556 Words
Na casa de Dirce, se conversava a respeito do que tinha se passado com Janice. Adriano comentava: - Depois do que aconteceu com a Janice, fiquei com medo de você engravidar. Mirella respondeu: - Logo você, que quer ter um monte de filhos? - Pois é. A Janice quase morreu e quase perdeu o bebê. Dirce entrou na conversa: - A Janice tinha que ter feito uma dieta para não deixar o bebê ficar tão pesado. Criança a gente engorda depois que sai. Te garanto que a Mirella vai ter mais cuidado. Você também é alto. Não pode deixar o bebê engordar. Aposto que ela não seguia as orientações do obstetra dela. Mirella opinou: - E ela comentou que o médico quando viu que o parto seria muito difícil, aconselhou a cesariana. Ela que se negou a fazer. Exigiu parto normal. Dirce responde: - Parto normal é para criança normal. O menino nasceu com o tamanho de uma criança de uns três meses ou mais. Adriano perguntou a Mirella: - Você não vai fazer isso, não é? - Claro que não. Primeiro eu vou cuidar muito bem da minha dieta, que disso eu entendo e se o médico disser que o mais indicado é uma cesariana, eu não vou teimar. Marco logo e pronto. Pra isso eles existem. Sabem o que é melhor para cada caso. Não vou expor a minha vida e nem a da criança a riscos. - O Sérgio que sempre falava que queria ter muitos filhos, agora quer que ela vá ao médico para ter uma maneira segura de evitar outra. Dirce respondeu: - Ele faz bem. A mãe dele também quase morreu quando ele nasceu. Era tão grande que o médico disse que ela não poderia engravidar de novo. Logo depois do parto ela fez uma cirurgia para não ter mais nenhum. - Mas agora ele quer convencer ela a adotar uma criança para fazer companhia ao Felipe. Ele nunca gostou de ser filho único, mas não quer que ela corra riscos. Dirce declarou: - Muito bonito da parte dele. Adotar uma criança é um ato de muito amor. - Mas parece que ela não concorda. Mirella perguntou: - Porque não? - Pelo que ele me disse, ela acha que vai acabar fazendo diferença entre o filho biológico e o adotado. Mirella respondeu: - Bobagem, criança inspira amor na gente. Venha de onde venha. Uma coisa que eu não entendi. Como que você, tão bonito, nunca foi adotado? - Porque eu era muito tímido nas entrevistas e quando me perguntaram se eu queria sair dali e ter pais, eu respondia que não. Aquelas crianças que estavam ali comigo era minha verdadeira família e eu não queria sair de lá. Eu não sentia falta de ter uma casa, porque eu nem lembrava do que era isso. Dirce respondeu: - Então você não foi uma criança infeliz? - Não. Aquela era a única vida que eu conhecia. Dirce respondeu: - Vamos passar para outros assuntos? Mais alegres? Adriano respondeu: - Vamos. Mas esse assunto não me deixa triste. Passaram a comentar assuntos mais amenos. Apesar dele dizer que não ficava triste, elas não acreditavam. A timidez dele só poderia ser tristeza. Afinal tinha cultura, podia discorrer sobre qualquer assunto com sabedoria e elegância. Por isso evitavam quando ele entrava no assunto. Passaram a falar de outros assuntos. Mirella comentou: - A Berenice está muito bem. Tem hora até que abusa. Depois daquele susto que nos deu quando o Henrique tomou aquele tombo, não teve mais nada. Está levando a gravidez muito bem, e ela é muito disciplinada. Segue as ordens médicas a risca e está cuidando muito da dieta. Quando eu falo que ela tem que descansar mais um pouco, ela diz que o médico fala o contrário. Que ela tem que se exercitar. A mãe respondeu: - Tudo tem que ter limite. Ela também não pode carregar grandes pesos e nem ficar fazendo abdominal. - Ela sabe disso. Mas sabe o que ela me falou? - Não. - Que as mulheres mais carentes de situação financeira, trabalham até a hora do parto e quando chegam do hospital, fazem tudo dentro de casa e não acontece nada. Adriano opinou: - Também não é assim. Muitas por não ter quem faça nada por elas, acabam com a saúde por causa de quebra de resguardo. Dirce comentou: - É o que eu falo, tudo tem que ter limite. Não pode ficar deitada o dia inteiro, mas também não pode carregar saco de cimento nas costas. Uma vez eu vi uma vizinha perder a criança por capinar quintal estando grávida. Mirella tornou a dizer: - Mas a Berenice se cuida. Não falta a um pré-natal. - Ela é que faz bem. E depois tem você e o Júlio para ajudar. - E ele ajuda mesmo. Até a comida do Henrique ele dá, quando está em casa. Adriano declarou: - Pode ficar tranquila, que quando você tiver nisso filho eu vou dar banho e trocar fraldas. Só não vou amamentar. Mas quando sair do peito eu também vou dar a comida. Dirce: - Eu não tenho nenhuma dúvida disso. Mirella: - Nem eu. Só se mudar muito. - Eu não vou mudar nunca. Estou muito bem assim. Mudar pra quê? Estava na hora de se recolherem. No dia seguinte, todos trabalhavam. Quando Mirella chegou no trabalho, Júlio já havia saído. Berenice pediu: - Faz um jantar especial hoje? - Alguma comemoração? - Aniversário do Júlio. - Pode deixar comigo. Vou fazer um banquete. Com direito a sobremesa e tudo. - Não exagera que eu não posso engordar demais. - Tem como fazer banquete balanceado e nem toda sobremesa engorda. - Faz salada de frutas. - Era justamente o que eu estava pretendendo e com bastante suco de laranja e mamão. - Vou deixar por tua conta. - Que tal uma lasanha de beringela? - Ótimo. Inclusive é de fácil digestão. - Pode deixar comigo. E pro almoço. - Faz uma coisa rápida. Ele não vai vir almoçar em casa. Tem cirurgia marcada. - Vou pegar na limpeza primeiro então. E depois do almoço eu preparo a lasanha e os acompanhamentos. Pegaram no serviço com vontade. Estavam felizes. Tudo estava em paz naquela casa. Depois do susto que levou, até Henrique estava mais comportado. Ligavam a televisão em desenho e ele ficava horas sentadinho assistindo. Faziam o serviço da casa, sem que ele desse trabalho. Antes da hora do almoço, já tinham terminado tudo. Mirella fez um pouco de arroz, fritou umas batatas, que Henrique adorava e fez uns bifes grelhados. A comida estava saborosa. Apenas Henrique comeu feijão. Depois de lavar a louça do almoço, começou logo a preparar o jantar. Deixou a lasanha dentro do microondas e fez a salada de frutas que colocou num pote com tampa dentro da geladeira. Pediu a Berenice: - Posso dar um pulinho lá fora? Não vou demorar. - Vai fazer o que? - Vou comprar uma lembrança pro Júlio. - Não precisa, Mirella. - Eu faço questão. Posso? - Se você faz questão, pode. Vai comprar o que? - Ainda não sei. Vou ver o que tem mais a cara dele. - Se o Henrique estivesse acordado eu ia com você. - Você não comprou nada pra ele? - Não. - Quer que eu compre pra você? - Vai naquela loja de roupas masculinas e compra uma calça branca. Ele usa muito. - Então eu vou dar uma camisa branca. - Ótima idéia. Vou pegar o dinheiro da calça. Foi no quarto e quando voltou na sala deu o dinheiro a Mirella que saiu em seguida. Não demorou. Logo estava de volta. Já trouxe embrulhados para presente. Berenice agradeceu e foi guardar os pacotes no quarto. Quando Júlio chegasse, Mirella já teria saído. Assim que deu cinco horas, Mirella entrou no carro e foi buscar o marido no trabalho. Quando chegaram em casa, Dirce ainda não havia chegado. Estranharam, mas resolveram adiantar o jantar. Lavaram as mãos e juntos, rapidamente estavam com a comida no fogo. Adriano deixou Mirella tomando conta das panelas e foi tomar seu banho. Quando retornou a cozinha foi a vez de tomar conta, enquanto a esposa se cuidava. Mirella saiu do banho e começou a se preocupar com a demora da mãe. Pegou o telefone e ligou para a casa de Dona Nora. Ninguém atendeu.Perguntou ao marido: - E agora? - Não adianta ir lá porque não tem ninguém. Liga pra casa da Janice. Mirella ligou pra casa da cunhada da irmã e também ninguém atendeu. Começava a entrar em pânico. Estava claro que tinha acontecido alguma coisa. Mas com quem? Não sabiam aonde começar a procurar, mas resolveram ir na casa de Dona Nora, mesmo assim. Logo Seu Jair estaria chegando do trabalho e talvez soubesse de alguma coisa. Foram pra porta da casa da patroa da mãe. Seu Jair também estava atrasado. Naquele horário, costumava já estar em casa. Mirella não queria ligar para Berenice. Além de ser aniversário de Júlio, a patroa estava grávida e já tinha dado amostra de que não tinha estrutura para tomar sustos. Quase tinha perdido o bebê quando Henrique levou o tombo. Foi quando uma vizinha da Dona Nora, veio falar com eles, e perguntou para Mirella: - Você é a filha da Dirce, que trabalha aqui? - Sou. Viemos ver se aconteceu alguma coisa. Mamãe não chegou em casa até agora. - De tarde veio uma ambulância e levou Dona Nora que passou m*l. A tua mãe foi acompanhando. - A senhora sabe dizer se é alguma coisa grave? - Não sei, não. Mirella olhou para o Marido e perguntou: - E agora? - É melhor a gente ir para a casa da Berenice e falar com ela pessoalmente. Não é bom ligar, porque não sabemos se ela já foi avisada. Mirella concordou, e voltaram pra casa para apanhar o carro. Quando chegaram na casa de Berenice, já encontraram a amiga em pânico. Júlio tinha ligado, para avisar que ia demorar por causa de uma emergência que tinha dado entrada no hospital. Ela tinha tentado falar com Janice para passar o tempo e não tinha conseguido, tentou ligar para a mãe, mas também não encontrou ninguém. Adriano comentou: - Pelo menos agora, sabemos aonde estão. Mirella fez Berenice sentar e informou: - Procura ficar calma, nós vamos levar você lá. A emergência foi com a tua mãe. Ainda não sabemos o que aconteceu, mas uma vizinha da casa dela, falou que ela passou m*l e saiu de ambulância com a minha mãe de acompanhante. A Janice, por morar perto deve ter sabido, e foi atrás delas. - Porque o Júlio não me falou? - Na certa, não quis te preocupar por telefone. - Vocês me levam lá? - Claro. Vai trocar de roupa que eu vou aprontar o Henrique. Enquanto Berenice mudava de roupa, Mirella trocou a roupa de Henrique. Pegou a cadeirinha da criança e colocou dentro do seu carro, encaixada no banco de trás. Logo os quatro estavam indo para o hospital de Júlio trabalhava para saber o que tinha acontecido. Quando chegaram lá, foram informados por Dirce que Dona Nora tinha sofrido um AVC e estava em observação. Já tinha sido medicada e Seu Jair estava com ela. Janice tinha sido convencida a voltar pra casa por causa do menino. E Sérgio tinha vindo buscá-la. Mirella a confortou: - Se o teu pai está com ela, não é tão grave. Ela está em enfermaria. Berenice estava muito nervosa e logo Júlio que tinha sido avisado estava ao seu lado. Júlio explicou: - O estado dela não inspira tantos cuidados. Ela está lúcida, mas devido a idade e todos sabem que ela é minha sogra, vão manter ela aqui por alguns dias. Se ela tiver outro e estiver longe, aí pode trazer sequelas graves. Assim que estiver pronta, eu mesmo vou cuidar da fisioterapia dela. Berenice pediu: - Deixa eu ver ela, nem que seja por um minuto. Júlio pediu para Mirella ficar com Henrique e levou a esposa a enfermaria aonde estava a mãe. Apesar de estar acordada e lúcida, estava com a fala enrolada. Quando saiu da enfermaria, Berenice perguntou? - Porque ela está falando desse jeito que parece que está bêbada? - Isso é sequela do AVC. É nisso que entra o meu serviço e se for necessário de uma fonoaudióloga. Como ela sangrou muito pelo nariz essa sequela vai ser transitória. - Você tem certeza? - Tenho. Pode ficar descansada. Mas agora vamos dar uma passada no consultório do teu médico. Você está muito nervosa e é bom fazer uma consulta. No consultório, o obstetra verificou que a pressão de Berenice estava alterada. Medicou e mandou que ela passasse a noite no setor de observação em repouso. Júlio foi com ela na recepção e pediu para Mirella ficar aquela noite com Henrique. Podia ser na sua casa e podia levar o marido. Mirella disse que ficava com o menino sim, mas na casa dela, uma vez que tinha que ficar de olho na mãe, que também estava muito agitada. Júlio resolveu: - É bom a Dirce passar pelo médico também. Pelo menos aferir a pressão. Dito isso, pegou Dirce pelo braço e levou para um consultório. O médico constatou uma pequena alteração na pressão e fez Dirce tomar um relaxante. Ela poderia ir para casa. Júlio perguntou: - Não é melhor ela ficar? - Não há necessidade. Essa alteração é comum pelo que vocês estão passando. - Porque a minha mulher tem que ficar em observação? - Porque ela está entrando no oitavo mês de gravidez. O risco de entrar em um trabalho de parto prematuro existe. É melhor ela ficar aqui até estabilizar. - Tá, vou pedir para levarem meu sogro também. Não adianta ficar aqui a noite toda. - Não mesmo. Até porquê a Dona Nora tem que repousar. Só assim a pressão dela vai voltar ao normal. Júlio agradeceu ao colega pelo atendimento e foi tentar convencer Seu Jair a ir para casa. Chegou para o sogro e avisou: - É melhor o senhor ir para casa, que ela precisa descansar. Pode ir sossegado que ela vai ficar bem cuidada aqui com a gente. Eu vou ficar também. - Eu preferia ficar. - Não vai adiantar e o senhor tem que descansar também. - Mas vou ficar lá sozinho. Mirella entrou na conversa. - O senhor pode ficar lá em casa ou na casa do Jairo. Júlio completou: - E você, Mirella, aguarda em casa, que quando derem alta prá Berenice, eu te aviso. E para Dirce: - Se a senhora quiser vir para cá amanhã, fazer companhia pra Dona Dirce, pode vir. Mas a noite só o pessoal da enfermagem pode ficar. Mirella avisou: - Pode deixar, eu trago ela amanhã e vou pra tua casa com o Henrique depois. Assim quando a Berenice chegar ele já vai estar em casa. Acredito que ele vai ficar mais calmo no ambiente dele. - Obrigado. Eu acredito que ela vai ter alta logo pela manhã. Só está aqui por precaução. E para Dirce: - E você, vê se descansa. Esse relaxante que você tomou, daqui a pouco vai fazer efeito e é melhor ir logo. Se despediram e os cinco entraram no carro. O caminho da casa de Dirce e de Seu Jair era o mesmo, mas quando chegou bem perto, Mirella perguntou: - O senhor quer ir pra onde? - Me deixa na casa do Jairo. Mirella então, foi para a casa da irmã. Quando chegaram, Milena saiu da casa e veio ao encontro deles: - Como está Dona Nora? - Está bem. Está lúcida e não teve necessidade de ir para a UTI. Mas vai ficar algum tempo internada até estabelecer a pressão. Está oscilando muito e corre o risco de um segundo AVC. Só quando estabilizar ela pode ter alta. - E a Berenice? - Também está em observação. No oitavo mês de gravidez, acharam melhor que ela passasse a noite lá, O Júlio ficou com ela. Seu Jair: - Posso ficar aqui com vocês essa noite. Estou nervoso e não quero ficar sozinho. Milena respondeu: - Claro que pode. O Jairo está lá dentro. Vamos entrar que eu vou fazer um chá pro senhor. Se despediram de Mirella, que foi para casa, acomodar a mãe e o Henrique. Adriano, viajou o tempo todo prestando atenção em Dirce, mas ela já estava mais relaxada. Quando chegaram em casa, Mirella improvisou um berço para o menino. Colocando uma cama de solteiro no próprio quarto e cercando todo de almofadas altas para não correr o risco da criança cair. Assim que ele pegou no sono, foi cuidar da mãe. Ela estava sonolenta, e Mirella ajudou a mãe a tomar um banho e depois colocar uma roupa confortável. Dirce logo estava dormindo. Foi então para a cozinha, onde o marido preparava um lanche para todos. Mirella avisou: - Só pra nós. Eles dormiram. - Mas a tua mãe não comeu nada. - Ela não teria condições de comer. Mesmo um relaxante, pra minha mãe que nunca tomou esse tipo de medicamento, derruba. - Bom, dizem que o sono alimenta, temos que prestar atenção nela, pra se alimentar bem, antes de ir para o hospital amanhã. - Eles dão refeições para o acompanhante. Pode ficar tranquilo. Eu só não entendi, porque a Dona Nora está em enfermaria. Num quarto estaria melhor. - Eu não concordo. Na enfermaria tem sempre gente perto. Enquanto no quarto, mesmo com acompanhante, a pessoa pode pegar no sono, ou sair de perto para um banheiro e acontecer alguma coisa sem ninguém ver. - Nisso você tem razão. E um doente faz companhia ao outro. - Pois é. Agora vamos deitar também. Como está o menino? - Também tá dormindo. Pode ser que acorde durante a noite e estranhe. - Ele está acostumado com você. Vai dar tudo certo. - Mas ele não conhece a casa. - Vamos ficar perto dele. - Vamos. Mirella ainda passou no quarto da mãe pra ver se ela estava bem. Dirce dormia tranquila. Foi deitar também. De manhã, levantou e Adriano já estava na cozinha. Já havia feito o café e comprado pão. Estava aguardando a esposa para tomar o café da manhã. Logo depois Dirce se juntou a eles. Estava bem e descansada. Perguntou para Mirella: - Que horas vamos sair daqui? - Vou acordar o Henrique para sairmos. Adriano perguntou: - Não é melhor deixar ele acordar sozinho? - Nós temos horário. Vou levar você no trabalho e mamãe no hospital. - Eu posso pegar um ônibus. - Não. Vamos seguir a rotina e em casa, ele vai ficar melhor. - Então vou me arrumar. Dirce respondeu: - Eu também. Mirella tentou acordar Henrique, mas o menino não se mantinha esperto. Teve que levar ele dormindo mesmo. Quando chegasse em casa, daria o café dele. Até porquê nem lembrou que não tinha mamadeira em casa. Verificou que ele estava sequinho e pediu a mãe que carregasse ele no banco de trás. Deixou primeiro Adriano e depois foi para o hospital levar a mãe. Júlio foi falar com ela e avisou que estava aguardando o médico dar alta a Berenice e logo estariam em casa. Dona Nora continuava se recuperando. Talvez tivesse alta hoje ou no dia seguinte. Viu que o filho ainda dormia e ajudou Mirella a prender o menino na cadeirinha. Dirce entrou para ficar com Dona Nora. Seu Jair chegou para ficar com a esposa, mas foi convencido a ir para o trabalho. Tinha Dirce para acompanhar. Ele acabou concordando e Mirella foi levar ele, só depois foi pra casa de Berenice. Colocou Henrique na caminha dele e começou a fazer o serviço. Já estava com o almoço pronto, quando Júlio e Berenice chegaram. Mirella estava dando almoço ao Henrique e o casal foi se aprontar para almoçar. Os três almoçaram e Berenice deitou para descansar. Estava bem, mas se sentia cansada. Antes de sair do hospital, tinha ido ver a mãe e ficou bom tempo com ela. Júlio também foi deitar um pouco. Tinha passado a noite toda acordado. Ainda bem que não era dia de plantão. Por volta das três horas, Henrique acordou do seu cochilo e Mirella trouxe a criança para a sala e o colocou em frente a televisão, deixando perto seus brinquedos preferidos. Ainda tinha que terminar o jantar. Acabou o serviço e foi ficar perto do menino, brincando com ele. Faltavam quinze minutos para as cinco horas, quando o casal veio se juntar a eles. Logo Júlio falou: - Pode ir se arrumar para sair. Daqui a pouco é hora do Adriano sair. Obrigado por tudo. Mirella foi se arrumar e logo ia ao encontro do marido. Depois foi buscar a mãe no hospital. Não pode entrar para ver Dona Nora, porque ela estava dormindo. Dirce disse que o médico falou que se a pressão dela não alterasse nas próximas vinte e quatro horas daria a alta. Foram para casa. Dirce tratou de tomar um bom banho. Quando chegou na cozinha, a filha junto com o marido estavam tirando a comida do dia anterior, que não tinha sido nem mexida da geladeira para esquentar. Era cedo para jantar ainda. Adriano foi para o banheiro e quando ele saiu, foi a vez de Mirella. Dirce aguardou a filha sair do banho e perguntou: - Vocês têm alguma coisa contra a gente tomar uma cervejinha hoje? Mirella respondeu: Não. É bom para relaxar. Só não pode virar rotina. Adriano anunciou: - Podem deixar que eu vou buscar. Quando ele voltou, tinham colocado a comida de volta na geladeira e preparado um prato de queijo e outro uma calabresa acebolada. Foram para a sala e colocaram os pratos na mesa de centro. Ficaram ali durante mais de duas horas, conversando assuntos amenos. Depois desse tempo resolveram se recolher. Mirella antes de deitar, ainda arrumou a cozinha. Estavam totalmente relaxados e naquela noite dormiram melhor. Na manhã seguinte, Mirella levou a mãe para o hospital e depois o marido ao trabalho. Depois ela foi trabalhar. Quando chegou, Júlio já havia saído e Berenice já estava cuidando dos afazeres da casa. Berenice falou que estava pensando em contratar uma enfermeira para cuidar da mãe enquanto ela não recuperasse totalmente os movimentos e uma diarista para fazer o serviço mais pesado na casa dos pais. - Acha que vai ter necessidade disso? - Claro. A tua mãe não pode fazer tudo sozinha e aquela casa é muito grande. E ainda tem o Jurandir que fica lá. Criança dá trabalho. - Eu acho que a Milena devia parar de trabalhar e cuidar do filho. - É uma opção. Mas tem que partir dela essa decisão. Mas dessa vez eu não vou abrir mão de você. Preciso de você aqui. - Porque você não conversa com a minha mãe e pede pra ela arrumar alguém. Ela conhece muita gente. - Se for gente que ela conheça é melhor. Vou falar com ela. Mas a enfermeira quem vai escolher é o Júlio. - Ele vai tirar uma do hospital? - Uma não. Tem que ser duas. Elas trabalham em plantão dia sim e dia não. - É. Doze por trinta e seis. Mas vai ficar muito caro. - Papai pode pagar. E se ficar pesado a gente ajuda. Não pode faltar é o melhor tratamento para mamãe. - Não vai faltar. E o médico disse que ela deve ter alta hoje. - Tomara. Até agora não sei como aconteceu. - Nem eu. Minha mãe falou que ela disse que ia na padaria e era pra ela continuar passando a roupa. Voltou já soltando sangue pelo nariz e sentindo muita dor de cabeça. - Deve ter se aborrecido com alguém. - Pode ter sido. Mas não é bom ficar perguntando pra ela não lembrar do aborrecimento e acontecer de novo. - Deus me livre! Mas eu queria saber o que foi. - Uma hora a gente vai saber. - Você podia perguntar lá na padaria se ela discutiu com alguém. - Vou perguntar, mas se foi com alguém da padaria, não vão querer me dizer. - Pergunta e vamos ver o que acontece. - Só posso fazer isso no Sábado. Eles trabalham em dois turnos e de manhã cedo, o movimento é muito grande e não dá para conversar. - Sexta-feira eu te lembro. - Eu não sou esquecida. - Eu sei. - Vou trocar de roupa para começar o serviço. - Vai. O resto do dia dividiram os afazeres. De tarde Júlio ligou avisando que Dona Nora tinha tido alta e estava indo pra casa com Dirce. Berenice avisou a Mirella que a mãe dela já tinha saído do hospital e ela não precisava ir lá buscar a Dirce. Quando largou do serviço, Mirella pegou Adriano e foram pra casa. No caminho, Adriano perguntou: - Não vai buscar a tua mãe? - Não. A Dona Nora teve alta. Elas já estão em casa. Passaram na casa da Dona Nora pra ver se precisavam de alguma coisa e Dirce avisou que iria embora depois que Seu Jair chegasse. Não ia deixar a patroa sozinha. Mirella concordou e foi para casa com o marido. Se arrumaram e foram para a cozinha tirar novamente a comida da geladeira. Deixaram tudo em cima do fogão e foram ver um filme enquanto Dirce não chegava. Quando Dirce chegou foi para o banheiro se preparar também. Mas ainda era cedo para o jantar e ficaram os três sentados na sala. Eram quase oito horas quando resolveram jantar. Mirella esquentou tudo, enquanto Adriano colocava a mesa. Depois de tudo pronto chamaram Dirce para comer. Depois Mirella e Adriano ajeitaram a cozinha e foram sentar com ela. Dirce anunciou: - Amanhã vou mais cedo para o serviço. Quero chegar antes do Seu Jair sair. - Tá bom. Eu faço o café mais cedo. - Eu posso fazer. - Não. Descansa um pouco mais porque vai ser pesado de novo para você. - Eu tiro de letra. Agora que são só os dois, quase não tem nada pra fazer. - Tem o Jurandir pra tomar conta e os horários de remédios dela. - Dá tempo prá tudo. Não se preocupa. Logo depois foram se recolher. No dia seguinte, quando Dirce levantou para trabalhar, o café já tinha sido feito e a mesa estava posta, com pão fresco, margarina e seu queijo predileto. Tomou café e partiu para o trabalho. Mirella depois de deixar o marido no serviço, também foi para a casa de Berenice. Quando chegou, Júlio agradeceu a camisa que ela tinha deixado de presente para ele no dia do seu aniversário. Foi um dia tão conturbado, que só hoje Berenice lembrou de entregar. Saiu avisando que ia atender a um particular e depois teria outro e na parte da tarde passaria na casa da sogra para ver como ela estava. A fisioterapia só ia começar dali a alguns dias, por ordem médica. Assim que ele saiu, ela e Berenice pegaram no serviço com vontade e logo o dia tinha passado, dando a hora de ir buscar o marido de novo. Chegaram em casa e depois de se prepararem começaram a fazer a janta. Quando Dirce chegou, também foi se arrumar e logo estavam jantando.
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