Meu amigo fofoqueiro...
— Ela é linda — comenta Bruno, meu amigo e colega de trabalho. Ele chega ao escritório cinco minutos depois que Maltê sai. Ele se senta na cadeira onde ela estava sentada, cruzando uma perna sobre a outra. — Assinado?
— Sim — Eu respondo enquanto coloco as duas cópias na pasta e as deixo de lado. O mais importante já está feito. Resta somente oficializar nosso relacionamento.
— Você não lhe deixou escolha — Bruno acrescenta, olhando para mim surpreso.
— O que isso tem a ver comigo? — Eu me pergunto. — Era tudo coisa do Caio. Ele a engravidou e depois desapareceu.
— Mas admita que combina com você. Embora ainda não saibamos se o vovô valorizará sua generosidade, Bruno sorri, enquanto estou preocupado com a ideia de que algo possa dar errado.
— Você não terá escolha — eu afirmo com toda a certeza que posso. — Eu queria que ela se casasse comigo, e é isso que farei. O bebê também está a caminho.
— Mas não é seu filho — Bruno insiste.
— Então, isso? É do meu irmão.
Para ser sincero, não estou animado com tudo isso. Nunca tive planos de me casar, muito menos de ter filhos. Tenho tudo o que um homem da minha idade precisa: dinheiro, mulheres bonitas ao meu redor e um corpo que as deixa loucas.
Por que preciso de uma família? Por que terei que ter um bebê chorando? E suas fraldas…
Pensar nisso me assusta. Mas meu avô decidiu de forma diferente. Ele quer conhecer seus bisnetos. E o que isso importa para mim? Por que eu deveria sofrer?
— Ei! — Bruno estala os dedos na minha frente e eu volto à realidade. — Você está me ouvindo?
— Estou aqui — eu murmuro.
— Quando é o casamento? — meu amigo pergunta. — Você vai me escolher como testemunha?
— Claro — eu sorrio. — Acho que amanhã. Não quero prolongar isso.
— Você surpreenderá seu avô no aniversário dele? Tenha cuidado para não falecer de felicidade! — Bruno ri e eu suspiro. Às vezes, ele é um i****a, embora esteja certo.
Amanhã meu avô terá setenta e cinco anos. Toda a família se reunirá ao redor da mesa festiva. Que melhor ocasião para mostrar a todos minha esposa?
Falei com Caio logo após Maitê ir para sua residência após nosso primeiro encontro. Meu irmão tem um número de telefone só para a família, então as meninas não o incomodam quando ele está de férias.
Contei a ele sobre a visita de Maitê e sua resposta me surpreendeu um pouco:
— Dê a ela algum dinheiro — ele sugeriu. — Esqueci que ela tem que pagar a mensalidade.
— Parecia que você não se importava com nada, — eu disse diretamente a mim.
— Não é verdade — meu irmão suspirou. — Maitê é uma boa menina, ela simplesmente se apaixonou pelo garoto errado. Ela não me solicitou nada, mas sei como está a situação dela. A criança é minha e não quero que ela fique indefesa.
— De onde você tira essa certeza?
— Eu fui o primeiro namorado dela — explicou. — E Maitê não é uma daquelas garotas que tece intrigas. Se você a conhecesse melhor, entenderia por si mesmo.
Bem, agora terei a oportunidade de conhecê-la melhor. Embora eu ainda não saiba por que deveria me importar.
— Acho que é hora de você voltar ao trabalho — digo a Bruno, enquanto ele franze a testa.
— Como você diz. Mas mantenha-me informado sobre suas intrigas. Estou interessado em saber — insiste.
— Eu vou — Eu respondo.
Quando Bruno sai, solicito à minha secretária que ligue para o advogado da empresa. Preciso certificar nosso acordo e organizar o casamento no registro civil.
Enquanto espero, tiro outra pasta da gaveta. Abro-o e olho para uma foto de Maitê tirada recentemente. Ele olha para mim com seus olhos castanhos e, por algum motivo, fico olhando por muito tempo para seus longos cabelos castanhos e lábios carnudos.
Maitê é uma boa menina que continua sendo um mistério para mim. Embora eu tenha toda a sua biografia em mãos, não há uma palavra sobre quem ela realmente é.
Data de nascimento, endereço do orfanato, seu local de residência atual. Nada de especial, mas ainda assim quero saber mais…
Espero poder revelar esse mistério a tempo. Enquanto isso, sigo com meus negócios e me preparo mentalmente para que amanhã eu tenha um anel no dedo.
Hoje acho que posso ter uma boa noite na companhia de uma linda mulher. Sem pensar muito, envio uma mensagem para alguém que está sempre feliz em me ver na casa dela.
E eu não estou errado. Karina está me esperando.
Sorrio enquanto leio sua resposta e deixo o telefone de lado. Tudo está se desenvolvendo perfeitamente. Quem imaginaria que meu próprio irmão me ajudaria a obter o tão desejado cargo de CEO? E o mais engraçado é que ele ainda nem sabe de nada.
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Maitê
— Fica bem em você — diz Dalila, me admirando com entusiasmo.
— Você acha? — Pergunto sem saber. Olho para o meu reflexo no espelho e tento engolir o caroço que aparece na minha garganta.
Ontem, após voltar do escritório de Pablo, um mensageiro me trouxe um pacote. Ela tinha um vestido, sapatos e... um anel de noivado.
Sim, um verdadeiro anel de noivado que custa uma fortuna, e Pablo enviou-o por mensageiro. Às vezes tenho a sensação de que esse homem é um pouco louco. Ou talvez não tão pouco.
Então ele ligou para anunciar nosso casamento.
E agora estou usando um vestido que, surpreendentemente, fica ótimo em mim. É branco puro, na altura do joelho, tem mangas longas de renda e cintura alta. Dalila fez minha maquiagem e meu cabelo, e agora meu cabelo cai em ondas delicadas sobre meus ombros.
— Não se esqueça do anel! — Dalila diz, tirando-o da caixa e deslizando-o no meu dedo. Naquele momento, sinto-me uma pessoa diferente. Como o protagonista de um conto de fadas… — Perfeita!
— Estou nervosa — eu digo. — Talvez eu não devesse ter começado tudo isso?
—Pare de pensar tanto nisso, querida! — Dalila me encara. Pablo será a sua salvação. Você verá.
Para ser sincero, não acredito nem um pouco, mas, deixando meus pensamentos de lado, penso na minha filha. O que será dela se eu der um passo para trás agora?
— É hora de irmos! — Dalila veste uma jaqueta curta de couro e acrescenta um pouco de brilho aos lábios.
O tempo está lindo hoje. O sol brilha. As pessoas andam. E entramos no conhecido Mercedes prata, e o motorista me cumprimentou brevemente.
— Ele é bonito — Dalila sussurra no meu ouvido.
— Quem? — Pergunto sem entender, mas minha amiga aponta para frente e entendo que ela está se referindo ao motorista.
Sorrio e tiro meu telefone da bolsa. Desbloqueio-o e olho para a tela. Nem uma ligação, nem uma mensagem, e eu esperava que Caio voltasse e me impedisse antes do casamento.
— Ele não se importa, Maitê — Diana sussurra. Caio sempre foi um i****a.
É difícil discordar. Mas eu também era uma tola. Eu acreditei nele. Pensei que ele poderia me amar. Infelizmente, isso não aconteceu.
— Chegamos — diz o motorista e imediatamente olha pela janela. O automóvel parou no estacionamento ao lado da casa da cultura. É aqui que acontecem as cerimônias de casamento.
A porta ao meu lado se abre e eu saio do veículo relutantemente. Olho em volta e vejo Pablo com outro homem que não conheço.
—Eles são? — Dalila, pergunta. Qual é o teu?
— Não é meu — eu murmuro — Aquele que tem o buquê.
Sim, sim, Pablo até trouxe um buquê para a noiva. Não entendo porquê. Talvez você precise de boas fotos para que seu avô não duvide que somos realmente casados.
—Uau! Você não me disse que ele era tão atraente — Dalila não economiza em elogios e eu fico irritada. Parece que você nunca viu um homem bonito!
—Bom dia, senhoras! —Declara o homem que não conheço. Ele é alto, magro comparado ao corpulento Pablo, mas muito bonito. —Eu sou Bruno. Amigo do noivo.
— Dalila — minha amiga imediatamente lhe oferece a mão. Amiga da noiva.
Parece que esses dois se conectaram imediatamente, mas não entendo a mesma coisa.
— Tudo bem? — Pablo pergunta com moderação.
— Sim, sim — eu digo, sem olhar nos olhos dele. Sinto-me como uma estudante no primeiro encontro. Mas isso não é um encontro. — É para mim?
— Sim — Pablo me entrega as flores e nossas mãos se tocam. Sinto-me ainda mais nervosa e com vontade de fugir. — O vestido fica bem em você.
— Obrigado. É muito bonito — digo rápido — O anel também.
Pablo sorri. Finalmente, ouso olhar para ele e ver como os cantos dos seus lábios se erguem. Se diverte?
— Vamos agora? — Bruno pergunta impacientemente. m*l posso esperar para soltar uma lágrima masculina pela felicidade do meu amigo.
— Cale a boca! — Pablo diz a ele, e eu olho para Dalila.
Bruno pode claramente aliviar um pouco a atmosfera ao seu redor. Mas, infelizmente, meu medo não vai desaparecer. Continuarei a duvidar até o último momento se o que faço está correto.
— Bruno é adorável — Dalila sussurra enquanto caminhamos em direção à entrada. Mas o seu Pablo é incomparável!
— Não é meu! — Eu digo a ela, e naquele momento Pablo se vira para nós. Dalila sorri encantadoramente para ele e eu me sinto ainda mais irritada.
Acho que ele me ouviu. E? Eu disse a verdade. Ele não é meu e eu não sou dele.
Mas agora mesmo entramos na sala onde nos declararão marido e mulher.
Ah! Eu realmente aceitei isso?