— Tem certeza de que ele vem, Maitê? — Dalila pergunta impacientemente enquanto examina ao redor da faculdade. Estamos esperando no mesmo lugar há vinte minutos e o veículo ainda não apareceu. Será que esse irmão de Caio fez uma piada conosco?
— Não sei — respondo irritada. — Acredito que ele não parece ser igual a Caio.
— Maitê, você m*l o conhece e já acha que ele é o cara correto? Por isso, deu-se m*l com Caio. — Minha amiga fica preocupada.
É verdade, ela tem toda razão. Mas, de qualquer forma, estou disposto a aceitar sua proposta. Não tenho escolha.
— Que automóvel impressionante! — Dalila exclama entusiasticamente, e eu sigo seu olhar. Um Mercedes prata aparece no estacionamento da faculdade e eu imediatamente sei que é para mim.
A porta do motorista se abre e vejo um homem na casa dos seus cinquenta. Ele é alto, tem ombros largos e um ar imponente.
— Boa tarde! — cumprimenta com voz profunda. — Desculpe pela demora. Havia trânsito. Você é, Sr. Maitê?
— Sim, sou eu — afirmo com um aceno de cabeça.
Ele abre a porta de trás para mim e, após abraçar Dalila com uma despedida, acomodo-me no banco de trás. A porta se fecha e o motorista retorna ao seu posto. Começamos e percebo que minhas mãos estão começando a suar. Algo me preocupa atualmente. Sei que não haverá como retroceder quando disser ao Sr. Pablo Vellar que aceito a proposta.
— Você está com frio? Você quer que eu ligue o aquecedor? — A voz do motorista irrompe em meus pensamentos. Nossos olhos estão no espelho retrovisor e me sinto desconfortável.
— Não, não é necessário — eu respondo. — Estou bem.
Ele acena com a cabeça e olho para a estrada novamente. E continuo pensando no que estou prestes a fazer. Talvez você hesite até o último momento. Embora eu entenda que esta é minha única chance de salvar a mim e minha filha, um pouco de incerteza permanece dentro de mim.
Receio me arrepender mais tarde.
— Chegamos — diz o motorista, e eu olho imediatamente pela janela para o imponente edifício espelhado.
Ele sai do automóvel primeiro e abre a porta para mim. Ele me leva até a entrada, e os seguranças nos deixam passar sem nenhum problema quando o veem.
— Você deve ir para o décimo sexto andar — indica ao parar em frente ao elevador. — Há a recepção.
— Obrigado! — eu respondo e ele acena com a cabeça. Ele se vira e segue para a saída, enquanto eu entro no elevador e aperto o botão correspondente.
Minhas mãos ainda estão suadas e meu coração parece pular do peito. Minha bebê também está inquieta, então acaricio minha barriga com a mão.
— Tudo ficará bem, querida — sussurrei. — Você verá, farei tudo para lhe dar um futuro digno.
As portas do elevador abrem-se e entro numa grande recepção com janelas panorâmicas. Atrás da mesa, uma morena bonita com lábios vermelhos dos quais não gosto muito. Não gosto de insolência; tudo deveria ter um limite. Mas essa garota obviamente não me conhece. Sua blusa é muito apertada e m*l contém seus p****s.
— Você é Maitê? — Ela pergunta em um tom claramente hostil. Parece não gostar que eu esteja aqui.
— Sim — eu confirmo.
— Pablo Vellar está em uma reunião. Você terá que esperar — ela indica, apontando para o sofá. Sinto-me sem entender por que ele me fez vir se ele não tem tempo.
Nos filmes, as secretárias sempre oferecem café ou chá, mas parece que essa garota não viu esses filmes. Ela está distraída em seu telefone, escrevendo mensagens.
Já se passaram mais de cinco minutos e estou começando a me cansar de tudo isso. Pablo está brincando comigo? Quanto tempo mais terei que esperar aqui?
Inesperadamente, a porta de seu escritório se abre e Pablo diz à sua secretária:
— Por que você não deixou Maitê entrar? — A voz dele soa diferente, irritante e rude. A menina deixa cair o telefone e se levanta apressadamente do assento.
— Sinto muito, Sr. Pablo Vellar. Achei que não era uma conversa importante.
— Maitê, venha comigo — Pablo ignora a explicação dela, e suspeito que ele terá uma reunião com ela mais tarde. Os olhos dele dizem tudo.
Levanto do sofá e me aproximo de Pablo. Ele está parado na porta, então é difícil para mim entrar. Não entendo por que ele age assim. Você está tentando me fazer sentir desconfortável? E ele está conseguindo isso perfeitamente.
— Você pode me deixar entrar? — Eu sussurro, enojada, e ele abaixa a cabeça sorrindo. A raiva em relação à sua secretária desapareceu.
— Há espaço suficiente aqui, entre — diz.
Que infantil! Realmente.
Reunindo todas as minhas forças, passo ao lado dele, mas minha barriga roça nele. Pablo também percebe e finalmente entra no escritório, me dando mais espaço para passar.
— Desculpe pela espera — ele diz, fechando a porta. Agora estamos sozinhos. — Mariana não é muito eficiente.
— Talvez você devesse ter contratado alguém competente em vez de uma boneca inflável — digo porque ela me deixou com raiva.
Como se ela estivesse com ciúmes ou com raiva.
Pablo levanta as sobrancelhas surpreso e eu coroei. Estou me deixando levar pelo caminho errado. Preciso me acalmar e me concentrar no que vim fazer.
Para me distrair, olho ao redor do escritório e meu olhar para as janelas panorâmicas. Toda a parede é de vidro, do teto ao chão. É simplesmente espetacular. Nunca havia estado num lugar assim antes.
— Acho que é hora de ir direto ao ponto — diz Pablo, e imediatamente perco o interesse por paisagens. Ele se acomoda em sua grande poltrona de couro e junta as mãos sobre a mesa. — Sente-se aqui, Maitê.
Vou até o sofá na frente dele e sento. Agora só a mesa nos separa, mas ainda me sinto desconfortável sob seu olhar direto. Ontem, quando o encontrei, sua aparência me surpreendeu, mas minhas emoções estavam à flor da pele, muito desconcertadas. Hoje é diferente.
— Quero saber quais são seus termos — digo, reunindo toda a minha coragem.
— Muito bem — sorria. — Por que adiar mais, certo?
Aceno com a cabeça e fico nervoso. Algo me diz que não será tão simples, e me preparo para ouvir algo que não vou gostar.
— Deixe-me explicar a situação para você — Pablo se endireita e se apoia no encosto da cadeira. — Meu avô é uma pessoa única… Ele decidiu que passei muito tempo solteiro. E, para mudar isso, ele me impôs certas condições. São vários. Em três meses, devo me casar e em um ano devo ter um filho.
Pareceria uma piada. Como você pode forçar alguém a se casar? Mas, à medida que continuo ouvindo Pablo, percebo ser possível.
— Se eu não cumprir pelo menos um dos pontos, não receberei o dono dessa empresa e de todo o resto que agora pertence ao meu avô.
— Então é tudo uma questão de negócios? — solto, incapaz de me conter. Agora entendo os motivos de Pablo e estou feliz que ele seja honesto comigo.
— Exatamente — acena com a cabeça e sorri. — É muito dinheiro, Maitê. Muito.
— Ok — Eu reflito. — E o que vamos fazer?
— Para começar, assinaremos um contrato de casamento. Você irá ler todos os termos e, se tudo estiver bem, seguiremos em frente. Podemos nos casar sem problemas, hoje mesmo. Depois virá o encontro com a minha família.
Quando Pablo fala, tudo parece tão fácil e nada estranho. Mas não é assim. Estou grávida do irmão dele, e o filho não é dele. Não há sentimentos entre nós.
— E se seu avô não me aceitar como sua esposa? — Pergunto, preocupada. — Há muitas chances.
— Meu avô me solicitou para me casar, mas ninguém mencionou os sentimentos — Pablo sorri novamente. — Com o filho, é a mesma coisa. Você, como minha esposa, me dará um filho. Mas meu avô não especificou que eu deveria ser o pai biológico.
Oh, meu Deus! Acho que minha cabeça vai explodir. Essas ideias malucas dele estão começando a me assustar.
— Posso ver o contrato? — perguntou.
Algo me diz que devo rever os termos que me vincularão a esse homem. Talvez eu veja algo que não me impeça de considerar o casamento.
Pablo se inclina em direção à mesa e tira uma pasta preta da gaveta. Observo-o colocá-lo na mesa ao meu lado e tenho um pouco de medo de ler.
Entendo a necessidade de ler, já que estou aqui, então, sob o olhar atento dele, abro o contrato e começo a ler.
Não há tantos pontos quanto eu pensava, mas cada um deles me dá sentimentos contraditórios. Os termos são… estranhos…
1. Ouça o teu marido sem reclamar.
2. Desempenhe bem o papel de uma garota apaixonada e feliz.
3. Mudando-se para o apartamento do marido.
4. Não interfira nos assuntos pessoais do marido nem nos negócios.
5. A criança deve ter o sobrenome do marido.
6. Não ter relações com outros homens.
Enquanto leio tudo isso, a raiva cresce dentro de mim. Estes não são todos os termos, mas já me sinto m*l pelo que existe.
— Há algum problema? — Pablo percebe a mudança na minha atitude e imediatamente se interessa.
— Lendo tudo isso, entendo que não terei nenhum direito — eu digo. — Mas você pode fazer o que quiser.
— Você terá dinheiro, um teto sobre sua cabeça. Você poderá terminar seus estudos. Quando o bebê nascer, encontraremos uma babá. Maitê, posso te dar tudo o que você quiser.
Tudo soa… diferente.
Parece uma gaiola da qual não haverá escapatória. Mas pelo menos não vou viver nas ruas. Minha filha não estará na rua.
Por outro lado, o que me importa se Pablo faz sexo fora? Há um contrato entre nós, nada mais. Não estou à procura de amor. Quero que minha filha seja feliz.
É por isso que reviso rapidamente os últimos pontos, que não significam nada para mim, e depois tiro a caneta da mesa e assino as duas cópias do contrato.
— Você terá que lidar com isso com seu irmão — eu digo. — Acho que ele ficará bravo.
— Você está errada, Maitê — Pablo sorri. — Perdoe minha franqueza, mas ele não se importa com você e nem com essa criança. Por isso ele te abandonou. Então não haverá problemas.
Rapidamente, penso: Será que Caio avisou seu irmão que eu iria atrás dele? Se for ele, pagará pelo que fez comigo. Agora sei o quanto ele foi um covarde.