CAPÍTULO 24 CAROL NARRANDO Tava ali, sentada no chão do quarto, com a caixa de papelão na frente, dobrando as roupas e separando o que ia levar. Dona Cida me ajudava do jeito dela, ajeitando umas coisas na mochila, reclamando do calor e me olhando de canto como se quisesse perguntar mil coisas, mas sem coragem de abrir a boca. Eu ia pra casa da Cris. Ficar um tempo por lá. Espairecer. Me esconder um pouco dessa realidade que tava me sufocando. Essa casa já não era mais minha. Pelo menos, não do jeito que foi um dia. — Tu tem certeza disso, menina? — dona Cida perguntou baixinho, dobrando uma toalha e colocando em cima da caixa. — Tenho, dona Cida. Não dá mais pra ficar aqui. Essa casa tem lembrança demais, problema demais… — suspirei. — E além disso, eu vou vender ela. — Vender?! — e

