Capítulo 17

2222 Words
― Meu pássaro. ― O que? ― Diga, como conseguiu segurar o meu pássaro. Ele não deixa ninguém além de mim e quem eu permito tocá-lo. ― Elisie suspirou, por que Dixon estava diante da sua porta na madrugada tirando satisfações? Elisie abriu mais a porta e voltou para a cama. ― Você vai me ignorar? Não sabia que a princesa do reino de Margoth necessitava de bons modos. ― Elisie se enrolou no cobertor. ― Você não lembra, é impossível se lembrar. ― Então conte-me. ― Ela bateu no lado vazio ao seu lado. Dixon relutante sentou-se rígido na cama. ― Havia um príncipe... ― Não quero ouvir uma história infantil. ― Elisie, acariciou os cabelos dele, percorreu os seus dedos pelas bochechas e deslizou até o ombro, ela empurrou-o para se deitar. ― Apenas ouça. ― Eu não posso deitar na mesma cama que uma dama. ― Eu serei sua esposa. Enfim, quer que eu conte ou não? ― Sim. ― Pois bem! Contarei, não pergunte, apenas escute, procure no seu coração a resposta. E se a resposta for que sim, tudo que eu disse aconteceu, então durma comigo essa noite. Porém, se depois que eu terminar, e o seu coração não tiver reagido em absoluto. Vá, vá para bem longe de mim, pois eu já não lhe quererei. ― Dixon entreabriu os lábios, entretanto a pergunta perdeu-se na sua garganta. ― Havia um príncipe c***l, cujo nome ninguém lembrava. Era chamado de o Príncipe Cordial... ― Elisie recomeçou, sua voz era baixa e tranquila, e mesmo chegando na parte da sua morte, da morte da criança que carregava no ventre. Nas partes em que o seu coração sofreu tanto, ela não mudou o tom de voz, continuou tranquila, como se não estivesse contando as memórias dolorosas de um passado que não queria mais ver. *** Seus bruxos desfizeram-se das fardas do reino de Darkeng, e agora usavam uma nova, preta com detalhes em prata, que Briana e Elisie desenharam empolgadas. Elisie agradeceu a cada um deles, por todo o árduo trabalho, em seguida agradeceu ao rei que desceu até a saída do castelo para despedir-se de Elisie. ― Pelo bem que você fez ao meu reino, não me sinto nenhum pouco indignado por entregar a minha ilha e o meu recém-conquistado palácio para você. Sei que cuidará daquelas terras com a mesma determinação que nos mostrou aqui. ― Fico agradecida por seu reconhecimento, majestade. ― O rei encarou Jeremy observando pela janela da carruagem, então se voltou para Elisie novamente. ― Obrigado, por levar esse bastardo daqui. ― Meu rei... ― A língua de Elisie se contorceu na boca, contendo as maldições que queria lançar sobre Mercúrio. Porém, ela controlou-se, não podia ganhar o ódio daquele desprezível homem. ― Tenha um bom reinado, devo ir agora. ― Mamãe, o papai não vem? ― Perguntou Jeremy pela janela. O sorriso tristonho de Elisie foi a resposta, Jeremy se levantou, e passou por entre Elisie, correndo até Alex, que tentou fingir que não o conhecia. ― Jeremy, volte para a carruagem. ― Ordenou a princesa. ― Não... quero que papai venha. ― Alex... ― Ela olhou para o rei e as demais pessoas atrás dele, em seguida murmurou para Alexyan: ― Se despida, eu sei que você... ― Ela não precisou continuar, Alex ajoelhou-se e envolveu a pequena criança num abraço. ― Jeremy, meu amado, não faça a sua mãe chorar. Eu... eu não sou seu pai. ― Mas..., mas eu quero que seja. ― Não chore, você está prestes a fazer cinco anos. Por favor, pare de chorar, se continuar vai fazer a sua mãe ficar triste. E nós dois sabemos muito bem que ela ficou triste por muito tempo. ― Jeremy se virou para Elisie, que tinha os olhos engessados, e lacrimosos. Ele então limpou rapidamente as lágrimas. ― Não quero que mamãe chore. ― Nem eu, é por isso que quero que você seja um bom príncipe, e não chore por coisas bobas. Agora volte para a carruagem. Alex se levantou, agarrou as mãos de Elisie e as beijou demoradamente. Quando Elisie pensou que ele a soltaria, se jogou sobre ela em um abraço sufocante. ― Alex! ― Ralhou baixinho, sentindo nas costas os olhares julgadores. No entanto, ele não a libertou, fez algo ainda mais desconcertante, levou os seus lábios até a orelha direita de Elisie, em meio a um beijo suave, sussurrou: ― Se for para amar, para eu te amar, que seja com todo o meu ser, tudo de mim, sinceramente. Pensei que... só o fato de amarmos fosse bastante, mas não, é preciso dizer que ama para ser amor. Talvez esse é o maior arrependimento da minha vida, nunca ter dito antes que a amava. ― Desculpa. ― Ele soltou-a. ― Adeus. *** ― Seu pai, o rei, tem conhecimento da sua vinda, não é? ― Perguntou Briana olhando pela janela, quando a carruagem parou diante dos portões de Margoth. ― É claro, o rei de Darkeng enviou uma carta para ele. ― Mas você me disse que não recebeu uma resposta. ― A resposta veio com o som dos portões rangendo ao serem abertos. Durante todo o caminho da entrada de Margoth até o castelo distante, próximo ao mar, foram em silêncio, o que Elisie achou muito conveniente, queria desesperadamente silêncio para lutar com os seus pensamentos conturbados. ― Elisie! ― Gritou enfurecido o rei, descendo as escadas em pulos. Parou ao ver a sua filha descer da carruagem carregando uma criança adormecida. ― Quem é esse... foi para isso que você fugiu do reino? ― Majestade, quanto tempo sem vê-lo. ― Hugo aproximou-se, estava claro na sua face que se segurava para não chorar. Um rei não podia deixar que vissem as suas lágrimas. ― Elisie, por que fugiu? Depois que fugiu, o reino de Darkeng começou a invadir muitos reinos. O nosso foi o que mais conseguiu resistir a força dos seus reinos. Filha, como foi imprudente, indo parar na toca do lobo. ― Ela entregou Jeremy para Briana e abraçou o seu pai, mesmo que sentisse rancor dele. ― Eu formei uma aliança com aquele reino, não se preocupe mais, meu rei. Vamos para seu escritório, há algo que eu gostaria de discutir. ― Você mudou muito, mudou completamente em apenas um ano. Antes era tão imatura, ainda me lembro das suas birras. ― Para mim, foi como se eu estivesse longe por três anos. ― Ele acariciou os cabelos de Elisie, e com a outra mão segurou a dela para conduzi-la até o escritório. ― Durante um ano esperava desesperadamente pelo momento em que você irromperia no meu escritório reclamando de coisas bobas. ― Onde está Jhon? ― Foi escoltar a sua mãe de volta ao reino, acredito que você já soube, o reino de Darkeng dominou as ilhas de Olívis. ― Ah, sim. Eu tomei de volta. ― Hugo parou subitamente, perplexo. ― Como? ― É disso que conversaremos no seu escritório, meu rei. ― Hugo gargalhou e voltou a conduzir Elisie pelo corredor. *** ― Nunca gostei de flores, são coisinhas frágeis e morrem rápido. ― Resmungou Mercúrio, percorrendo o caminho de pedras pelo jardim, ao lado de Dixon e Alexyan. ― Como uma flor, pensei que aquela princesa fosse frágil e fácil de destruir. E pensar que eu nunca estive tão errado. ― Meu rei, fico surpreso ao saber que entregou as ilhas de Olívis para ela. ― Comentou Alex. ― Não podia perder a chance de ter sobre o meu poder aquela bruxa e os seus bruxos. ― Mercúrio parou e direcionou o seu olhar inabalável para Dixon. ― Como você fez para ela desistir de você? Ela parecia estar muito envolvida naquele amor à primeira vista. ― Dixon gargalhou com Mercúrio. ― Meu pai, não gostei dela desde o momento que eu a vi. Seus olhos eram deprimentes demais. E não esqueçamos das suas roupas. Que jovem dama usa vestidos de viúva? Ela esperava que eu me casasse com ela para me m***r? Fico aliviado em saber que me esqueceu. ― O que me alegra é que ela levou aquele bastardo. ― Meu pai. Eu considero-o meu filho, não importa quantas vezes o senhor lembre-me disso. ― Dixon, pensa que eu gostei quando você trouxe aquela criança com você? Aquele cabelo espalhafatoso, e ele ainda tinha a audácia de dizer que você não era seu pai. ― Jeremy é apenas um bebê, meu pai. ― Um plebeu de sangue sujo, isso sim. ― Alex, fechou as mãos em punhos, controlando-se o máximo que a sua paciência podia. ― O amor dela parecia sincero, meu primo. ― Não diga bobagens, Alex, você é apaixonado por ela desde muito tempo, não me jogue para cima da sua mulher. ― Minha mulher? ― Mercúrio foi chamado por um dos seus ministros, e sem se despedir seguiu para o castelo. Alex esperou que os passos do rei sumissem, e então se aproximou de Dixon. ― Minha mulher, você diz? ― Sim, o que há com você. Todos sabem que amava a princesa do reino de Margoth. Ela é bonita, isso eu tenho que concordar, mas seus olhos... eu ficava deprimido só ao mirá-los. ― Você disse que ela é minha, tem certeza de que não irá se arrepender? ― Tenho, não sinto nada por ela, embora ela tenha roubado o meu filho, mas é só isso. Não quero nada com aquela mulher. ― Alex tirou do bolso um frasco com um líquido rosa cintilante, estava tão irritado que passou por sua cabeça despejar goela a baixo aquele líquido na garganta de Dixon. ― Leican... quando tomar isso aqui, o filho deformado com o poder das memórias te dará as memórias que Elisie quer que se lembre, mas... eu não entregarei, ainda não. Serei egoísta uma vez na vida. Serei um monstro como você foi naquela vida. ― Alex bateu no ombro de Dixon e correu para fora do jardim. *** ― Filha, como eu esperei por esse momento. Não via a hora de nos reunirmos novamente. ― Mãe, não ficarei por muito tempo no castelo. Logo devo ir para meu ducado. ― Sim, não faz ideia de como eu estou orgulhosa de você. Coma, minha querida. ― Elisie analisou a sua mãe sentada do outro lado da mesa, o seu rosto havia envelhecido um pouco, e por conta da falta de alimentos, se encontrava menor que antes. ― Elisie, quando o nosso pai contou-me sobre a sua ida para Darkeng e por liderar um grupo de bruxos, não acreditei que ele falasse de você. Um ano atrás a única preocupação que tinha era se a suas joias combinavam com o seu vestido. ― Elisie engasgou com o vinho, limitando-se a dar como resposta ao irmão um sorriso sem graça, não fazia ideia que crescer sem ser perseguida por bruxos a tornaria superficial e mimada. E por um instante deu-se conta, ela não havia descoberto o que a fez ser perseguida por bruxos, deu de ombros, não importava mais. ― Tem noção de que é a primeira mulher a receber um título sem ser por casamento? ― Elisie sorriu, orgulhosa. ― Sim. Eu... ― Vozes no corredor antes de o salão de jantar chamou a atenção deles. Elisie se levantou quando identificou a voz de Jeremy. Ele correu até o salão, porém foi severamente impedido por uma serva, que o puxou pelo cabelo. Elisie se levantou bruscamente. ― Detenha-se! ― Gritou Elisie. Hugo e os outros dois à mesa encaram surpresos a reação de Elisie, dois guardas apareceram. Ela aproximou-se da serva, tomou Jeremy das suas mãos. ― O que pensa que está fazendo? Jeremy, por favor, tape os ouvidos e feche os olhos. ― Mandou, mudando o tom de voz. Ele assentiu e fechou os olhos com força. Depois de ver que o seu filho tapara os ouvidos, Elisie arrancou a espada do guarda mais próximo e apontou no pescoço da serva. ― Quem você pensa que é para tratar um príncipe dessa maneira? ― Eu não sabia... perdoe-me alte... ― Elisie pressionou a lâmina com mais força. ― Não sabia? Eu avisei a chefe das criadas, que Jeremy Leican é um príncipe e deve ser tratado como tal. ― Elisie, pare com isso. Sabemos que esse menino é somente um bastardo. ― Elisie matou a serva com um único golpe. Sangue espirrou por todos os lados. Hugo pulou da cadeira, incrédulo. Todos não conseguiam entender como uma princesa, que há ano era frágil e mimada podia m***r uma serva com apenas um golpe de espada. ― Que a morte dessa serva imprudente sirva de lição. Quem ousar destratar o meu filho, e chama-lo de bastardo terá o mesmo destino que ela. ― Elisie... ― Jhon começou, porém, ela ignorou-o, Agarrou Jeremy, tapando os olhos dele com a mão. ― Não abra os olhos ainda. Vamos voltar para seu quarto. ― Mamãe isso é uma brincadeira? ― Sim. ― Que tipo de brincadeira? ― Uma em que tentamos imaginar o céu noturno. ― Jeremy afastou a mão de Elisie. ― Mãe, o céu é f**o. Oh! Seu rosto está sujo. ― Jeremy, feche os olhos. ― Ele fez um biquinho m*l-humorado, e fechou novamente os olhos. No dia seguinte, Elisie seguiu com Jeremy para o palácio de Olívis.
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