frustração dela

423 Words
O silêncio no quarto ficou pesado. Denso. Quase sufocante. Eu respirei fundo. Mas dessa vez… Não engoli. Não deixei passar. — Vocês falam isso, né… Minha voz saiu firme. Mesmo com o coração acelerado. — Que confiam… — Que é pra me proteger… Olhei direto pra eles. Sem desviar. — Mas proteger do quê? Silêncio. Ninguém respondeu. Dei um passo à frente. — De eu ser sequestrada? A pergunta cortou o ar. — De alguém me pegar e me obrigar a dizer como é o rosto de vocês? Minha voz subiu um pouco. Mais emoção agora. — É isso? Os três ficaram imóveis. Mas eu vi. O olhar deles mudou. — Porque às vezes… Respirei fundo. Tentando controlar. — Às vezes eu penso… — Que se vocês quisessem… Minha voz baixou. Mais sentida. — Pelo menos aqui… Olhei ao redor do quarto. — Só aqui dentro… — Vocês poderiam ficar sem a máscara comigo. Silêncio. Pesado. — Da porta pra fora… tudo bem. — Máscara. — Proteção. — O que vocês quiserem. Engoli seco. — Mas aqui? Minha voz falhou um pouco. — Comigo? Nada. Nenhuma resposta imediata. E isso… Doeu mais do que qualquer palavra. Assenti de leve. Forçando um sorriso pequeno. — Mas tudo bem… — Eu disse que ia esperar. Olhei pra eles mais uma vez. Agora mais calma. Mas mais distante também. — E eu vou esperar. Pausa. — Pode ficar tranquilo. O silêncio deles não mudou. Mas eu mudei. — Se acontecer de novo… Continuei. — Eu vou fazer a mesma coisa. — Vou me esconder debaixo da coberta. — E vou acordar vocês. Dei de ombros de leve. — Tá? Virei. Sem esperar resposta. Sem dar espaço. Caminhei até a porta. Abri. E saí. O som da porta se fechando ecoou no quarto. E lá dentro… Eles ficaram. Parados. Em silêncio. Pela primeira vez… Sem saber exatamente o que fazer. Caio passou a mão pelo rosto. Tenso. — Ela tá certa. A voz baixa. Pesada. Noah encarava a porta. — A gente sabia que esse momento ia chegar. Hugo soltou o ar devagar. — Mas não assim. Silêncio. Mais pesado ainda. — Ela não tá pedindo tudo… — Noah murmurou. — Só um pedaço. Caio fechou os olhos por um segundo. — E esse pedaço… — É exatamente o mais perigoso. Hugo cruzou os braços. Pensativo. — Ou o mais importante. Silêncio. Do lado de fora… Eu encostei na parede. Respirei fundo. Fechei os olhos. Porque mesmo sendo forte… Mesmo entendendo… Aquilo ainda… Mexia comigo. E muito.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD