O silêncio no quarto ficou pesado.
Denso.
Quase sufocante.
Eu respirei fundo.
Mas dessa vez…
Não engoli.
Não deixei passar.
— Vocês falam isso, né…
Minha voz saiu firme.
Mesmo com o coração acelerado.
— Que confiam…
— Que é pra me proteger…
Olhei direto pra eles.
Sem desviar.
— Mas proteger do quê?
Silêncio.
Ninguém respondeu.
Dei um passo à frente.
— De eu ser sequestrada?
A pergunta cortou o ar.
— De alguém me pegar e me obrigar a dizer como é o rosto de vocês?
Minha voz subiu um pouco.
Mais emoção agora.
— É isso?
Os três ficaram imóveis.
Mas eu vi.
O olhar deles mudou.
— Porque às vezes…
Respirei fundo.
Tentando controlar.
— Às vezes eu penso…
— Que se vocês quisessem…
Minha voz baixou.
Mais sentida.
— Pelo menos aqui…
Olhei ao redor do quarto.
— Só aqui dentro…
— Vocês poderiam ficar sem a máscara comigo.
Silêncio.
Pesado.
— Da porta pra fora… tudo bem.
— Máscara.
— Proteção.
— O que vocês quiserem.
Engoli seco.
— Mas aqui?
Minha voz falhou um pouco.
— Comigo?
Nada.
Nenhuma resposta imediata.
E isso…
Doeu mais do que qualquer palavra.
Assenti de leve.
Forçando um sorriso pequeno.
— Mas tudo bem…
— Eu disse que ia esperar.
Olhei pra eles mais uma vez.
Agora mais calma.
Mas mais distante também.
— E eu vou esperar.
Pausa.
— Pode ficar tranquilo.
O silêncio deles não mudou.
Mas eu mudei.
— Se acontecer de novo…
Continuei.
— Eu vou fazer a mesma coisa.
— Vou me esconder debaixo da coberta.
— E vou acordar vocês.
Dei de ombros de leve.
— Tá?
Virei.
Sem esperar resposta.
Sem dar espaço.
Caminhei até a porta.
Abri.
E saí.
O som da porta se fechando ecoou no quarto.
E lá dentro…
Eles ficaram.
Parados.
Em silêncio.
Pela primeira vez…
Sem saber exatamente o que fazer.
Caio passou a mão pelo rosto.
Tenso.
— Ela tá certa.
A voz baixa.
Pesada.
Noah encarava a porta.
— A gente sabia que esse momento ia chegar.
Hugo soltou o ar devagar.
— Mas não assim.
Silêncio.
Mais pesado ainda.
— Ela não tá pedindo tudo… — Noah murmurou.
— Só um pedaço.
Caio fechou os olhos por um segundo.
— E esse pedaço…
— É exatamente o mais perigoso.
Hugo cruzou os braços.
Pensativo.
— Ou o mais importante.
Silêncio.
Do lado de fora…
Eu encostei na parede.
Respirei fundo.
Fechei os olhos.
Porque mesmo sendo forte…
Mesmo entendendo…
Aquilo ainda…
Mexia comigo.
E muito.