Passaram-se alguns dias.
E eu sabia.
Eles estavam pensando.
Observando.
Calculando.
E isso…
Era sempre pior que um “não”.
Naquela noite, estávamos na sala.
O clima mais sério que o normal.
Eu sentei no sofá.
Eles ficaram de pé.
Os três.
Me olhando.
E eu já senti.
— Então? — perguntei.
Silêncio.
Caio foi o primeiro a falar.
— A gente decidiu.
Meu coração acelerou.
— E?
Noah cruzou os braços.
— Você vai pra Paris.
Por um segundo…
Eu nem acreditei.
— Sério?
Mas o sorriso nem chegou completo.
Porque Hugo falou logo em seguida:
— Com condições.
Claro.
Respirei fundo.
— Quais?
Eles trocaram um olhar.
E então…
Vieram.
Uma por uma.
Pesadas.
— Você não vai sozinha — Caio disse.
Franzi a testa.
— Como assim?
— A gente vai com você.
Direto.
Sem espaço.
— Os três? — perguntei.
— Os três — Noah confirmou.
— Isso não faz sentido, eu vou a trabalho—
— E a gente vai pela sua segurança — Hugo cortou.
Silêncio.
— Segunda condição — Caio continuou.
Ele deu um passo à frente.
Mais perto.
— Você não sai sem um de nós.
Meu corpo reagiu.
— Isso é exagero—
— Não é — Noah disse, firme.
— É necessário.
Respirei mais fundo.
Tentando manter o controle.
— Tá… próxima.
Hugo inclinou levemente a cabeça.
— Terceira.
A voz dele mais baixa.
— Você não esconde nada da gente.
Meu olhar travou no dele.
— Nada?
— Nada — Caio confirmou.
— Onde vai. Com quem fala. Quem chega perto.
O peso daquilo caiu.
Forte.
— Isso é controle demais…
Noah se aproximou um pouco.
— Não.
— Isso é proteção.
Silêncio.
— E a última… — Hugo disse.
O clima mudou.
Mais denso.
Mais… perigoso.
Ele se aproximou.
Parando bem na minha frente.
— Você lembra que é nossa.
Meu coração disparou.
— Eu não sou propriedade—
Caio segurou meu queixo.
Com firmeza.
Sem machucar.
Mas impossível de ignorar.
— Não é sobre isso.
A voz dele baixa.
— É sobre vínculo.
Noah completou:
— E lá…
— Ainda mais — Hugo finalizou.
Silêncio.
Pesado.
Meu corpo inteiro sentiu.
Porque no fundo…
Eu entendia.
Mas ainda assim…
— Vocês estão me pedindo pra abrir mão de tudo—
— Não — Caio disse.
— A gente tá garantindo que você não perca nada.
Silêncio.
Olhei pros três.
Um por um.
E vi.
Não era só controle.
Era medo.
Cuidado.
Intenso.
Do jeito deles.
Respirei fundo.
— E se eu não aceitar?
Silêncio.
Eles trocaram um olhar.
E dessa vez…
A resposta demorou um pouco mais.
— Então você não vai — Noah disse.
Direto.
Sem emoção.
Meu coração apertou.
Olhei pra baixo por um segundo.
Pensando.
Pesando.
Sentindo.
E então levantei o olhar.
— Eu aceito.
Silêncio.
Os três ficaram imóveis por um segundo.
Como se confirmassem.
— Tem certeza? — Hugo perguntou.
Assenti devagar.
— Tenho.
Caio soltou meu queixo.
Mas a mão dele desceu pro meu pescoço.
Leve.
Firme.
— Então a gente vai com você…
Noah se aproximou.
— E ninguém—
Hugo completou, baixo, perto do meu ouvido:
— Ninguém vai encostar em você.
Um arrepio percorreu meu corpo.
Mas dessa vez…
Não foi medo.
Foi…
Expectativa.