— Sim, acho que ainda estava grávida desse mocinho. — olhou David e o pequeno sorriu curioso. — Eu lembro, minha mãe estava fazendo os pedidos, e daí você desmaiou, nós dois te levamos ao hospital.
— Oh meu Deus. — ela pôs a mão na boca. — Você era o filho daquela senhora?
— Eu mesmo. — ele confirmou.
— Nossa, como esse mundo é pequeno. — ela sorriu incrédula. — Nunca tive a oportunidade de agradecer vocês, foram embora antes que eu acordasse, me ajudaram muito naquele dia, nem sei o que teria acontecido com o meu filho se vocês não tivessem me levado ao hospital. Muito obrigado mesmo.
— Acho que qualquer pessoa faria isso. — ele disse, colocando as mãos nos bolsos.
— Não tenha tanta certeza. — Any deu um sorriso entristecido.
— Mamãe, porque a gente não convida o tio Tomás pro meu aniversário? — o garotinho perguntou, olhando a mãe.
— Eu acho uma boa ideia meu amor. — ela pegou o narizinho dele e apertou de leve, ele riu. — Mas temos que ver antes, se ele não tem compromisso no sábado.
— Bem, dependendo do horário eu posso sim ir lá te dar os parabéns. — ele se abaixou na altura do pequeno.
— Minha festinha vai ser de noite, não é mamãe?
Any assentiu.
— Olha, é um bom horário não é? — David assentiu com a cabeça. — Tudo bem, eu vou sim.
— Oba! — ele deu pulinhos.
— Fico feliz que tenha aceitado, se sua mãe quiser ir será um prazer recebê-la. — ela disse arrumando os óculos.
— Minha mãe não está na cidade. Mas eu farei o possível para estar lá.
— Não se sinta pressionado, vá se puder. — ela disse baixinho, aproveitando que David estava entretido com um homem que passeava com um cachorro. — David vai entender.
— Não me sinto pressionado, não se preocupe.
— Olha mamãe, o au au dele! — apontou chamando a atenção da mãe.
Tomás e Any sorriram da forma que ele falou.
— Bem... Agora eu preciso mesmo ir. — ela riu pegando o filho no colo, que ainda olhava vidrado para o cachorrinho. — Tchau, foi um prazer conhecê-lo.
— O prazer foi meu. No meu caso de "reconhecê-la". — brincou.
Os dois riram, Any se despediu dele e caminhou até seu carro com o filho no colo.
— Mamãe eu quero um au au também. — David pediu. — Você me dá um au au ?
— Oh meu bem, você sabe que pra ter um au au precisa ter cuidado, você ainda é muito pequenininho para cuidar de um. — disse abrindo a porta de trás e o colocando na cadeirinha.
— E quando eu vou poder ter um? — ele perguntou com um biquinho enquanto a mãe o prendia com o cinto de segurança.
— Quando crescer mais um pouquinho. — deu um selinho nele. — Por que ainda é muito pequenininho da mamãe. — lhe deu um cheiro, coisa que fez o pequeno dar uma gargalhada gostosa.
— Mas promete que eu vou ter um? — disse, quando cessou o riso.
— A mamãe promete.
— E se o papai brigar?
— Ele não vai brigar. — piscou e fechou a porta, indo para o seu lugar.
Logo estavam a caminho do shopping, onde iria almoçar com Sofya e Sina.
— Filho a mamãe não sabia que seu professor era um homem. — ela comentou, parando em um sinal.
— Ele não é professor meu, ele faz outra coisa lá na escola. — o pequeno disse, sonolento. — Ele tava cuidando da gente hoje por que a tia Diana vai ter um bebê.
— Vai ter um bebê? — Any olhou pelo retrovisor, ele assentiu com a cabecinha. — Que Deus a ajude. — mordeu o lábio falando baixinho. — Mas tem certeza que ele não é seu professor?
David assentiu.
— Não sei mamãe. — disse com uma caretinha de confusão. — Ele só foi lá hoje. Ele é muito legal, brincou comigo e ficou cuidando de mim por que você demorou muito pra ir me buscar. — bocejou.
— Tudo bem minha vida. — ela sorriu.
Sabia que ele era muito pequenininho pra saber explicar a profissão de Tomás no colégio. Tirando que estava morrendo de sono, ele deveria estar muito cansado, já que graças ao atraso no trânsito, ele já deveria estar sentindo a presença do soninho da tarde.
— Dorme um pouquinho meu filho.
Depois de quinze minutos chegou ao shopping, pegou o filho adormecido no colo e caminhou até o restaurante onde Sofya e Sina já estavam lhe esperando.
— Ai gente, desculpem o atraso. — ela se desculpou dando um beijinho em cada uma. — Esse trânsito hoje está um caos...
— Não se preocupe, nós sabemos bem como está o transito. — Sofya respondeu, também exausta.
— Sério, está cada dia pior... Oi Sam! — mandou um beijinho para a filha de Sofya, que estava sentadinha em uma das cadeiras também vestida com uniforme.
— O David tá dormindo? — ela perguntou olhando o pequeno.
— Está sim, o David está dormindo. — Any sorriu. — Mas já ele acorda pra brincar com você. — ela piscou. Samantha assentiu. — E você Sina, como está se sentindo?
— Querem mesmo que eu diga? — ela disse, enchendo a boca de batatas fritas. — Estou quase tendo um ataque de nervos. — falando de boca cheia. — Agora entendo o que vocês passaram, estou sentindo na pele, não apenas como profissional.
Any e Sofya riram. Mas no fundo estavam felizes por Sina ter conseguido realizar esse sonho. A loira sofreu muito, conseguiu engravidar outras duas vezes, entretanto não conseguiu chegar nem ao segundo trimestre das gestações.
Já tinha perdido as esperanças de conseguir ter um bebê, quando conseguiu engravidar de novo foi uma alegria, e dessa vez vingou, já estava no oitavo mês, esperando um garotinho que se chamaria Caio.
— A propósito. — Sina a analisou assim que terminaram de fazer os pedidos. — Eu adorei esse arquinho, onde você comprou?
— Eu comprei um dia desses naquela lojinha perto da entrada tem cada tiara, quando a gente passar por lá eu te mostro. — Any sorriu, acariciando os cabelos de David.
— Ai eu acho lindos esses arquinhos que você usa, ficam perfeitos no seu cabelo. — Sofya disse. — Vamos trocar de cabelo amiga? — propôs com um sorrisinho alegre.
Any riu.
— Claro, acho que eu ficaria linda loira. — ironizou.
As três riram, logo o garçom chegou com a comida. Any acordou David para que o pequeno comesse. Bastou ele ver Samantha pra começar a bagunça, quando os dois se juntavam era difícil fazer com que se aquietassem.
Quando terminaram de almoçar foram comprar as coisas que faltavam para a festa de David, Sina optou por ir pra casa, já que estava exausta.
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Já estava quase escurecendo quando Any e David voltaram pra casa.
— Filho a mamãe vai já te dar banho. — ela disse colocando as sacolas no balcão. O telefone tocou e ela atendeu. — Pronto.
— Any, onde estava? — ela ouviu a voz do marido e sorriu.
— Oi meu amor. — mordeu o lábio. — Eu estava na rua comprando as coisas que faltavam para o aniversario do nosso filho. Algum problema? — franziu a testa.
— Não, nenhum. — ele coçou a nuca. — Só liguei para dizer que eu vou jantar em casa hoje.
— É sério? — ela não pode evitar sorrir.
— Sim, já estou indo para casa. — olhando no relógio. — Acho que dentro de uma hora estou aí.
— Bem, então vou fazer seu prato favorito. — ela disse com um sorriso abobalhado. — Te amo amor.
— Eu também Any. — ele suspirou. — Preciso desligar agora, até mais.
— Até. — os dois desligaram.
Any foi dar banho no filho e logo estava vestindo o pequeno.
— O papai vai jantar com a gente hoje. — ela contou com um sorriso.
— Mas ele sempre diz e nunca cumpre. — David cruzou os bracinhos, emburrado.
Any fechou o sorriso.
— Mas ele disse que viria filho. Vamos acreditar no papai, se ele é um pouco ausente é porque trabalha muito pra nos dar tudo isso.
— Mas eu queria que ele brincasse mais comigo, ele nunca brinca. — estendeu os bracinhos pedindo colo.
— Vem com a mamãe. — o pegou no colo e beijou sua cabecinha. — O papai não brinca mais por que ele não tem muito tempo sobrando, mas sempre que pode ele fica conosco. Apesar de tudo ele te ama muito, não esquece tá bem?
Ele assentiu com a cabecinha encostada no ombro dela. Any caminhou até a sala com ele.
— Fica aqui vendo desenho que a mamãe vai fazer o jantar. — o colocou no sofá e foi para a cozinha.
Enquanto terminava de dourar as coxas de peru no forno, decidiu tomar um banho e se perfumar, já que não queria estar com cheiro de tempero quando Josh chegasse.
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Joshua dirigia de volta pra casa, cantarolava uma musiquinha qualquer e estava distraído, ouviu seu celular tocar e viu que era Vivian.
— Ah, não estou com saco para o seu mau humor. — ignorou a ligação. — Hoje já me estressei demais com você e todo esse draminha de "ou o trabalho ou eu".
Rolou os olhos e chegou ao condomínio, estacionou ao lado do carro de Any e subiu.
Quando chegou viu que ela já estava colocando a mesa.
— Meu amor. — ela foi até ele e lhe deu um abraço, seguido de um beijo molhado.
— Demorei? — ele perguntou, cheirando o pescoço dela. Adorava o cheiro de Any e gostava de ver que mesmo depois de tantos anos de casamento ela jamais deixou de se cuidar.
— Não, chegou no horário certo. — mordeu o lábio.
— Papai! — o pequeno correu até ele. — Você veio mesmo!
Joshua o pegou no colo e sorriu.
— Claro que eu vim Júnior. — disse olhando o pequeno. — Eu não disse pra mamãe que eu viria?
— Vamos jogar vídeo game comigo papai? — ele pediu com afobação. — Eu passei a fase dois do Mário. — disse todo orgulhoso.
— Foi é? — o colocou no chão. — Mas a fase dois ainda está muito fraca e Mário não é jogo pra garotos meu filho, o papai vai comprar o Grand Theft Auto pra você.
David fez um biquinho e saiu correndo.
— O que eu fiz? — ele perguntou sem entender.
— Poxa Josh, por que disse isso pra ele? Ele estava tão ansioso para te contar que tinha passado de fase, tentou te contar ontem, mas você chegou em casa super tarde.
Joshua sentou-se no sofá e afrouxou sua gravata.
— E que história é essa de dar GTA para o meu filho jogar? Ele é muito pequenininho pra jogar essas coisas sangrentas Josh, ele gosta do Mário.
— Ah vai ficar enchendo a minha cabeça por essa besteira? É só um maldito jogo.
— Era importante pra ele, a fase dois para você pode ser fácil, mas para ele não. — ela saiu, em busca de David.
Joshua rolou os olhos. Quanta bobeira, Any era tremendamente exagerada. David tinha que aprender a ser macho desde pequeno.
— Mário... — negou com a cabeça e tirou o paletó.
Any foi até o quartinho do filho e viu o pequeno deitadinho na cama, como o travesseiro na cabeça.
— Oh meu filho. — ela disse, com pena. — Não fica assim meu amor. — tirou o travesseiro da cabeça dele e ele começou a chorar.
— Me dá meu travesseiro mamãe. — estendeu a mãozinha.
— Não chora meu bebê. — acariciou os cabelinhos dele. — Seu pai não falou por m*l.
— Ele não gosta de mim... — cobriu o rosto com as mãos. — Ele é malvado.
— É claro que ele gosta meu amor. Não diga isso.
Any viu o marido parado na porta e suspirou.
— Me deixa falar com ele Any. — Joshua disse, olhando o filho.
David fez careta pra ele, que não deu a mínima. Any sorriu para o pequeno e lhe deu um beijinho. Olhou Joshua de forma repreensiva e depois saiu.
— Filho. — ele disse, sentando ao lado do pequeno, que ainda soluçava. — Me perdoa tá? Eu não falei por m*l. — ele disse observando o filho.
David fez um biquinho e olhou o pai.
— Você... — soluçou. — Nem ficou feliz... — soluçou de novo. — Por que eu passei de fase.
— É claro que eu fiquei. — ele coçou a nuca. — Só que o papai está muito cansado e acaba falando besteira.
— Mas você disse... — soluçou. — Que Mário é pra meninas, e é mentira. Não é?
— Sim, é mentira. — ele disse. — Eu jogava o Mário.
David o olhou e pôs o dedo na boca.
— Mas você passou de fase?
— Não. — mentiu. — Eu não era tão bom.
O pequeno sorriu.
— Eu passei. — ainda com um sorrisinho.
— Você joga Mário muito melhor do que eu. — ele pegou o filho no colo e o pequeno o encarou. — Agora para de chorar, por que os homens não choram.
— Mas por que homens não choram papai? — perguntou curioso.
— Porque somos o sexo forte. — ele disse. — Agora o que acha de jantar e dizer para o papai o que você quer ganhar de aniversário? — se levantou com ele no colo e saíram do quarto.
— Eu quero ganhar um presente grandão! — esticou os bracinhos.
— Esperto você hein? — negou com a cabeça e David riu.