Eva A fumaça da última tragédia, que ainda impregnava o ar com o cheiro acre da destruição e da perda, m*l tinha começado a se dissipar quando Daren, com a urgência e a implacabilidade de um furacão, me levou. Não houve aviso prévio, nem o menor sinal de que minha vida estava prestes a virar de ponta-cabeça. Não houve pedido, nenhuma consideração pelas minhas escolhas ou desejos. E, cruelmente, não houve tempo. Tempo para arrumar as poucas coisas que eu possuía, para me despedir dos rostos que se tornaram familiares nos corredores da ONG, para processar a abrupta mudança que se impunha. Sua voz, baixa e rouca, mas carregada de uma autoridade inquestionável, reverberou no silêncio pesado do carro, selando meu destino com poucas palavras: — Você não volta pra ONG. Não dorme mais sozinha.

