O Abismo Da Imaginação

1805 Words
Thiago — PetitGattô Eu queria que ele parasse? Essa era a pergunta de um milhão de dólares, e no momento, eu estava falido. Minha mente gritava que sim, que eu precisava de espaço, de ar e de um muro de concreto entre mim e Arthur Valente. Mas meu corpo... meu corpo parecia um traidor infiltrado, respondendo à proximidade dele com uma urgência que me assustava, uma vibração que começava na base da espinha e se espalhava como veneno doce por cada terminação nervosa. Arthur não se afastou. Ele quebrou a última barreira de decoro profissional, inclinando até que a sua respiração quente batesse contra a pele do meu pescoço, enviando uma descarga elétrica que quase me fez perder os sentidos. Eu sabia que não era adequado ter um cliente tão pertinho assim, ainda mais um cliente gostoso, do qual sou viciado. — Sabe, Thiago... — a voz dele desceu para um barítono delicioso de se ouvir, carregado de uma intenção que não deixava margem para dúvidas — Eu passei a noite toda imaginando o seu sabor, sabia? Algo em você me faz... imaginar coisas... O mundo ao meu redor simplesmente desapareceu. O som das impressoras lá fora, o murmúrio dos funcionários, a luz fluorescente do escritório... tudo foi engolido por um vácuo onde só existíamos nós dois. Senti meu queixo ser erguido por dedos firmes e, antes que eu pudesse formular um protesto ou um gemido, Arthur me puxou para um beijo. Não era qualquer beijinho bobo... Era faminto, desesperado e terrivelmente autoritário. Suas mãos, grandes e quentes, subiram para o meu rosto, segurando com uma posse que me deixou sem ar, me fazia querer pertencer a ele, e talvez aceitar se ele fosse um maníaco como Hugo. Eu senti o gosto de café e de algo proibido na língua que deslizava na minha. Minhas mãos, que deveriam estar empurrando ele para longe, agarraram os ombros do seu terno caro, puxando para mais perto, querendo mais daquela destruição generalizada e repentina. Em um movimento fluido e bruto, Arthur me pegou no colo. Eu soltei um som abafado de surpresa enquanto ele me levantava como se eu não pesasse nada. Com um braço, ele varreu a minha mesa de trabalho. Ouvi o som glorioso do meu monitor sendo empurrado, o meu teclado caindo, e as pilhas de relatórios fiscais voando pelo ar como confetes em um blo.quinho de carnaval. Ele me deitou sobre o tampo de madeira fria, mas eu só sentia o calor dele. — Você é sempre tão certinho... — ele sussurrou contra meus lábios, sua mão descendo para abrir o meu cinto — Estou a fim de descobrir como é você quando chega no limite. Quero gravar seus gemidos na minha mente... Quero... sentir seu aperto em volta do meu pa.u. Ele se inclinou e, com uma audácia que me fez arquear as costas, prendeu a haste dos meus óculos entre os dentes. Ele os retirou devagar, seus olhos verdes fixos nos meus azuis, antes de jogar em algum lugar do chão, eu não me importava se quebraria, Arthur poderia quebrar qualquer coisa, inclusive eu mesmo. Sem o filtro das lentes, o moreno parecia ainda mais perigoso. Mais real. Minha camisa social foi aberta com uma impaciência selvagem. Os botões voaram. Eu sentia a pele arder onde suas mãos passavam. Deslizando e descobrindo meu corpo. Ele se livrou da própria roupa com uma rapidez predatória, revelando o corpo de um homem que sabia exatamente o poder que exercia. O Viking estava ali, no meio do meu escritório, reivindicando o que era dele por direito de conquista! Sim, ele me conquistou, o que era absurdo... Ele ao menos tentou. Ele desceu o beijo pelo meu pescoço, encontrando o meu peito. Sua língua traçou círculos em volta dos meus m*****s até que eu estivesse soluçando o nome dele com desespero. Mas ele não parou. Ele desceu mais. Arthur se ajoelhou entre minhas pernas, que estavam abertas e trêmulas sobre a mesa. O toque da boca dele na minha ere.ção foi uma epifania. Ele me chu.pou com uma voracidade que me fez perder o contato com a realidade. Meus olhos reviravam, e eu poderia go.zar a qualquer momento. — Cansei de ficar só imaginando, eu precisava ser louco o bastante para te tomar assim, e sei que está gostando, sei que quer mais — voltou a me chu.par como um belo profissional, me deixando uma bagunça. Ele me explorava com uma precisão cirúrgica e um desejo animal, lam.bendo, chu.pando e me levando ao limite da sanidade. Quando ele desceu para lamber minha entrada, preparando meu corpo com uma i********e que eu nunca permitira a ninguém, tudo para receber o que eu mais queria, senti que estava morrendo. Uma morte doce, quente e necessária. Estava no céu, ou mais perto possível do paraíso. — Você é meu, PettitGattô— ele rosnou, a voz vibrando contra a minha pele, me deixando perdido... Me deixando surpreso por ele ter descoberto — Cada centímetro seu me pertence... E eu vou te fo.der com raiva, com muita raiva... Todas as que acumulei por você ser inconveniente na minha live. —Me perdoa... eu só queria a sua atenção. Ele ria enquanto eu basicamente choramingava. — Vou te perdoar depois de fo.der esse seu cuzi.nho apertado. Senti seus dedos entrarem em mim, forçando a passagem, alargando com uma paciência c***l que me fazia implorar por mais, mesmo doendo, eu pedia por mais. Eu estava delirando, a cabeça jogada para trás, o suor colando meus fios ruivos na testa. Eu queria que ele me preenchesse, queria que ele acabasse com aquela agonia de só imaginar enquanto tocava uma pun.heta. E então, ele decidiu que era o momento de acabar comigo. A pressão, o peso dele em cima de mim, a invasão completa. Arthur me fo.dia com uma força que fez a mesa de madeira ranger. eu me sentia uma va.dia que pedia por mais, mesmo sentindo dor. Ele me rasgava, indo fundo e maltratando meu ponto sensível. Cada estocada era um tipo de tortura adorável, cada gemido meu era uma assinatura de um contrato que não tinha cláusula de rescisão. Eu estava perdido nele, envolto no cheiro e na sensação de ser, finalmente, a refeição principal desse lobo. — Arthur... Arthur, por favor... — eu gemia, as unhas cravadas nas costas dele. — Thiago? Hey... — o som do meu nome veio de longe. Parecia distorcido, como se estivesse debaixo d'água. — Thiago? Está aí? Terra chamando Thiago! O som de dedos estalando bem na frente dos meus olhos me trouxe de volta com a violência de um acidente de carro. Pisquei freneticamente, o coração batendo tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir através da minha camisa. Olhei para a mesa. Meu monitor estava no lugar. Meus óculos estavam perfeitamente encaixados no meu nariz. Meus relatórios fiscais estavam empilhados, intocados. Arthur estava parado à minha frente, a centímetros de distância, mas suas mãos estavam apoiadas calmamente na borda da mesa, e não no meu corpo. Ele não estava nu. Ele usava o terno azul-marinho impecável e tinha um sorriso de lado, metade divertido, metade confuso. — Você deu uma desligada completa agora, cara — Arthur disse, rindo baixo. — Eu fiz uma pergunta e você ficou aí, olhando para o nada com as pupilas dilatadas. Por um momento, achei que você ia desmaiar, ter um enfarto, sei lá. Senti um calor insuportável subir pelo meu pescoço, atingindo minhas orelhas. Minha respiração ainda estava um pouco errática e, por baixo da mesa, eu sentia o meu corpo pulsando, reagindo a uma tra.nsa que só aconteceu dentro da minha cabeça. Eu estava e******o, envergonhado e terrivelmente frustrado. Apontei para a cadeira, e ele se sentou, ainda me olhando de uma forma analítica. — Desculpe... — limpei a garganta, tentando ajustar o óculos na ponte do nariz com a mão trêmula. — Eu... eu não dormi bem essa noite. Passei a noite em claro tentando resolver alguns problemas. — Sei — ele disse, e o modo como ele me olhou me fez pensar, por um segundo aterrorizante, que ele de alguma forma sabia o que eu tinha acabado de imaginar. — Bom, já que você voltou para a órbita terrestre, vamos ao que interessa — ele pegou a pasta de couro legítimo que carregava e a colocou sobre a mesa, exatamente no lugar onde, no meu delírio, ele tinha me jogado. O perfume amadeirado dele inundou meus sentidos, e dessa vez era real, derrubando todas as minhas defesas — Eu trouxe o que você solicitou na sexta — ele continuou, a voz voltando ao tom profissional, mas mantendo aquela vibração que me lembrava da live de ontem. — e também, tem umas coisas no meu escritório lá em casa que eu gostaria que desse uma olhada. Estava olhando as regras de restituição de imposto, e queria que analisasse se algum documento é válido. E como cortesia, além de pagar suas horas extras, farei um almoço, eu amo cozinhar, e vai ser um prazer ter a sua companhia. — Não conseguiria trazer esses documentos? — pergunto um tanto nervoso, não conseguia imaginar um cenário, aonde ficamos sozinhos em um ambiente privado. — Tem muita coisa, coisas um tanto antigas, não queria trazer para cá... Daria muito trabalho. Está livre no domingo? — Eu não costumo aceitar esse tipo de trabalho, mas vou abrir uma exceção. Posso ir no domingo, sim. Ficamos em silêncio, eu voltei a olhar para os documentos na pasta, tentando ignorar o sorriso vitorioso dele. Eu estava preso entre a cadeira e a presença esmagadora dele. O escritório da Lacerda & Associados nunca pareceu tão pequeno. E eu nunca estive tão perto de perder o controle. Olhei para a pasta, tentando focar nos números, tentando esquecer o sabor da boca dele que eu ainda podia jurar que sentia na minha língua. — São muitos gastos com... Meu Deus, me desculpa... é que, eu nunca gastei um centavo com coisas assim, aqui tem tantos zeros — minha voz saiu forçada, uma tentativa desesperada de manter o mundo nos eixos enquanto via as notas de brinquedos sexuais, e lubrificantes. Arthur franziu o cenho e deu uma risadinha, inclinando um pouco mais, invadindo meu espaço pessoal. — É libertador comprar coisas assim, e além do mais, são meus equipamentos de trabalho — ele estendeu a mão e tocou levemente o dorso da minha mão, que estava sobre a mesa. O toque foi breve, mas depois do sonho acordado que eu acabara de ter, pareceu um incêndio — não precisa pedir desculpas... eu posso parar de falar sobre isso se quiser. E a pergunta de um milhão de dólares voltou a ecoar, mais alta do que nunca: eu realmente queria que ele parasse?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD