Caveira narrando Saí de casa com a sensação viscosa da noite escorrendo pela pele — como se o próprio ar tivesse memória dos erros que eu e os meus cometemos. A raiva não era o que me guiava, era só o combustível; o que me movia mesmo era aquela conta antiga que alguém achou que podia empurrar para depois. Eu não ia me perder em espetáculo, não ia me vomitar em bravata. Vingança, para mim, é economia de alma: a gente gasta o que tem e, no fim, fica com a conta. Antes de qualquer coisa, precisava dizer o que aquele ato representaria. Não era só um pagamento. Era uma lição, uma pequena necropsia do homem que tentou quebrar o que eu tenho de mais caro — o meu território, a minha casa, as minhas regras. Liguei para quem devia ouvir, não para pedir instruções, mas para avisar que a folha havi

