CAPITULO 6
Gabriela Rodrigues
Logo que me acalmei, percebi ter alguém me chamando. Olhei de longe, mas não entendi o que faziam aqui, nem me lembro de ter dito o meu nome. Quando vejo, Fred já está na minha frente.
— Boa tarde! A senhorita Gabriela Rodrigues está? Pergunta.
— Oi! Sr. Fred! Sou eu, porquê?
— Estamos precisando de uma veterinária na fazenda e indicaram-me a senhorita! Pode acompanhar-me até a porteira? O Senhor Parker à espera!
Decido acompanha-lo, não sou m*l-educada igual aquele ser.
Chego lá, e sou surpreendida mais uma vez com ofensas, aquele homem tem o prazer de irritar-me. Reviro os olhos, incrédula.
Não iria aceitar a proposta, mas depois que ele falou do salário, pensei por um tempo... Não estou em condições de rejeitar serviços. Os meus pais precisam da minha ajuda, dependi tanto tempo deles e nunca reclamaram, e preciso conseguir dinheiro para pagar a consulta e remédios do meu pai.
Acabo aceitando a proposta "do Sr. Parker", não teve nem a decência de dizer o nome. Mas não me importo, trabalho é trabalho! E amo o meu por sinal, não vou intimidar-me com as atitudes do novo patrão. Se ele pensa que vai humilhar-me, está muito enganado! — Que os jogos comecem!
********* *********
Levanto de manhã, e todos já estão acordados. Fico feliz de tomar café com eles, e espero Bia para irmos juntas.
A minha família ficou muito feliz por mim! Falaram que as coisas vão apenas melhorar, só o Lucas que ficou enciumado quando Bia contou que o patrão é tão jovem. "Que bobagem "se soubesse como "adoro" a presença do Sr. Parker, não ficaria. Bom! Talvez a Bia goste da presença dele... Espero que não...
Chegando na fazenda Fred recebe-me sorridente, apresenta-me a alguns funcionários e um jovem muito simpático se apresenta como Júlio, leva-me aos estábulos para ver a égua que está prenha, e examinar os outros.
Como não tem nome, decido dar nome a "Serena", égua que logo terá um filhote, e aparentemente está saudável. Coleto sangue dela para fazer uns exames para garantir, e verifico a vacina dos cavalos e do gado.
Hoje o dia foi agitado, mas consegui adiantar bastante as coisas, amanhã será mais fácil. Júlio ajudou-me com várias informações sobre os animais, também conversamos um pouco e até rimos. Mas a alegria durou pouco, quando vi quem estava ali com cara de poucos amigos.
— Pelo visto o papo foi bom! — Diz Sr. Parker.
— Olá Sr. Parker! Júlio é muito prestativo, e ajudou-me bastante hoje a conhecer tudo. Mas não se preocupe que o meu trabalho por hoje já fiz. Mandarei para análise a coleta de Serena, assim que chegar, voltarei para examiná-la novamente. — Digo explicando.
— Júlio? Já estão íntimos então? E quem é Serena? Espero que realmente esteja cumprindo seu trabalho senhorita Rodrigues! — Despeja as suas palavras em mim!
— Serena é a égua que está prenha! Como ninguém teve o cuidado de nomeá-la eu o fiz para facilitar! E quanto a Júlio, peço que me respeite! Eu decido a maneira em que chamo as pessoas SENHOR! — Sou direta.
— Ótimo! Deixe os nomes dos medicamentos que serão necessárias que Fred os comprará! E Júlio...- Sim, Senhor!- Responde. — Não se esqueça das suas obrigações a senhorita Rodrigues deve saber trabalhar sozinha!
— Claro patrão! Responde Júlio. É incrível o receio do rapaz quanto ao patrão!
— Bom, já vou indo! Tenho outros trabalhos ainda hoje! Com licença!
Ele apenas assente e eu saio, mas Fred me segura pelo braço:
— Senhorita deseja algo? Quer uma água, ou um café? — Pergunta.
— Obrigada Senhor Fred! Mas já estou de saída!
— Me acompanha até o escritório para resolvermos quanto ao pagamento?
Olho para o patrão, como se pedisse autorização, e ele assente. Então o sigo até o escritório.
Arregalo os olhos quando vejo os números no cheque! É muito dinheiro! Muito mais do eu cobraria, então como quem entendeu o meu questionamento Fred se antecipa:
— Se não for o suficiente, diga-me que refaço o cheque! Ou se preferir em dinheiro, posso-lhe entregar amanhã! Precisamos que esteja ao dispor do Senhor Parker para atendimento na fazenda, e ele faz questão que seja bem paga senhorita Rodrigues!
— É bastante dinheiro Senhor Fred! Mas tudo bem! Estarei a disposição sim! Onde eu assino?
— Aqui está o contrato, senhorita! E preciso que coloque os seus dados, inclusive telefone de contato! — Diz.
— Claro! — Respondo.
Saio de lá muito feliz, vou poder levar o meu pai ao médico e enfim saber porquê tem passado tão m*l. Avisto o patrão lá no jardim na sua cadeira de rodas, olhando assim, ele parece tão infeliz! Não sei oque aconteceu ou pode ter acontecido a este homem, mas sinto que, no fundo ele não é esse gelo todo que representa! "Tomara que eu esteja certa", penso.
Chego em casa, e assusto-me com o desespero da minha mãe! Ela está desesperada a andar de um lado para outro e diz:
— Ele desmaiou filha! Oque faremos?- E ela chora!
— Vamos levar para o hospital da cidade! Vou pedir ao seu Luiz para ajudar! — Digo apavorada.
— Mas como vamos pagar filha? Ela diz aos prantos.
— Não se preocupe, tenho dinheiro! O patrão pagou-me adiantado o salário e é ótimo por sinal! — Expliquei.
— Graças a Deus filha! — O patrão de vocês é um homem muito bom! Bem que a sua irmã falou! - Minha mãe diz.
Não entendi muito esta parte, ela acha-o bom patrão, e Bia também! Alguma coisa está errada aí!
O seu Luiz nos ajuda a levar o meu pai ao Hospital Central, mas não podemos entrar. Precisamos esperar aqui fora por notícias.
Se passaram 2 horas e o médico aparece.
— Familiares de João Rodrigues! — Diz.
— Aqui Doutor! Sou Dalva Rodrigues e esta é minha filha Gabriela! Diz mamãe.
— Me acompanhem por favor! — Pede o Doutor.
Seguimos até o consultório, mas um aperto no peito não me deixou dúvidas... "Tem alguma coisa errada".