Encontro inesperado

1076 Words
CAPITULO 4 Gabriela Rodrigues Gosto do meu trabalho na fazenda, o seu Luiz ajudou-me bastante me dando um emprego como veterinária na fazenda Sampaio. Amo cada um dos que examino, minha família e os animais são minha razão de viver. Faz dois meses que me formei, e agora posso procurar mais um emprego, coloquei tudo em ordem por aqui, e também preciso aumentar a minha renda. Por mais que Bia esteja ajudando com o salário que recebe na fazenda, e Lucas também tenha encontrado um emprego, o meu pai só piorou e nem sempre consegue ir para roça, e a minha mãe tem cuidado muito dele e das crianças, e a situação pode piorar se a minha renda não aumentar. — Já está saindo Bia? — Pergunto para a minha irmã. — Sim, maninha! Estou ansiosa, o dono da fazenda já chegou e ainda não o conheci, espero que goste do meu trabalho, não posso perder agora! — Responde com inquietação. — Fica tranquila querida! Você é ótima e muito dedicada, com certeza ele vai aprovar! E fique tranquila que passo te pegar como sempre! — Digo a tranquilizando. — Tá bem, obrigada! — Responde. Sempre vou busca-la no trabalho, pois fica tarde e acho perigoso. O dia passou rápido hoje, tinha várias coisas para resolver, e logo chego na fazenda onde Bia trabalha, como sempre vou logo entrando, pois, o mordomo já está acostumado, mas levo um susto quando uma voz autoritária tenta intimidar-me, e como sempre respondo à altura. Um homem lindo, uma pele levemente bronzeada, olhos escuros, cabelos castanhos lisos, muito bem penteados, da para ver que é rico, pois está muito bem vestido, e embora esteja numa cadeira de rodas, não tem como não notar que não é magro, o seu corpo é malhado e muito bonito. Por um momento até pensei que fosse simpático, mas enganei-me, e percebi quando voltei a realidade. "ele me expulsou?" Pensei. — Vou esperar lá fora Fred! Não sou obrigada a aturar pessoas desagradáveis! — Digo indignada, ele pensa que é quem? Saio em direção a porteira, e fico lá fora, logo Bia vem e não me aguento, preciso perguntar: — Quem é aquele homem Bia? Que ser mais arrogante! — Fala baixo Gabi! Julgo que é o patrão! Não fomos devidamente apresentados, mas só pode ser ele, mas porquê diz isto? — Respondeu Bia. — Supus que fosse me dar uns tiros com a cara que ele estava! Só porque tem dinheiro pensa que pode desmerecer as pessoas! Deus me livre um dia precisar de uma pessoa desta, perigoso deixar para eu morrer! — Solto tudo de uma vez, quase atropelando as palavras. — Meu Jesus cristinho Gabi! Pare de falar besteira! m*l conheceu o homem e já tirou as suas conclusões! — Fala — E nem quero Bia! Por mim eu nunca mais falo com aquele homem! Oshi! Fomos para casa como sempre, conversando. Bia adora trabalhar fora, e não sou eu que vou estragar o serviço dela. No outro dia aviso Bia, que hoje vou esperar ela lá fora. Dou aquela fiscalizada nos animais e pego carona com o patrão para ir à cidade, preciso comprar muitas coisas para fazenda e umas para casa. O seu Luiz deixa-me lá, para escolher enquanto vai resolver as suas coisas. Compro tudo o que preciso, e só faltou ir à lojinha buscar a bola do Braian. Prometi para ele faz tempo, e só agora me dou conta. — Olá Dona Sônia, tem bola de futebol aqui? Pergunto para a vendedora que conheço desde criança. — Oi! Minha linda, tem sim! Venha, entre que vou-te mostrar! Esta aqui é ótima, olha! — Diz Dona Sônia. Fico distraída a olhar a bola, quando percebo um olhar penetrante e presunçoso sobre mim, com seu cabelo e roupa impecáveis, "não acredito que esteja aqui", pelo jeito o destino não está a meu favor. Porque alguém tão rico estaria numa lojinha como esta? Sou tirada dos meus pensamentos com uma voz intimidadora e sensual: — Eu não mordo! Bom, só se você quiser! — Ri cinicamente. Não me dou ao trabalho de responder, esse homem realmente deseja tirar-me do sério. Ainda não entendi qual é a dele e porquê comigo! Decido deixar a bola para comprar outro dia, já que o clima ficaria mais pesado se permanecesse ali. Dou de ombros, me virando para sair, quando o ser duvidoso chama-me: — Não vai dizer-me seu nome? Penso que me deve isto, já que entrou na minha propriedade sem ser convidada, e saiu sem se explicar... — Me olha com deboche. Eu até responderia se a pergunta fosse apenas do meu nome, mas não resisto a retrucar com sarcasmo e ira, alguém que só aprendeu a intimidar! — Escuta aqui Sr. arrogância! Eu só me apresento para quem eu queira e mereça a minha atenção! E este com certeza não é o seu caso! — Digo a soltar fogo pelas narinas! — Que pena não é? — Ele diz muito cínico. "Além de arrogante, ainda é debochado", penso. Saio rapidamente daquele lugar antes que eu esqueça que ele é um cadeirante e ataque um tanto de coisas em cima dele. Paro em frente da loja, esperando o seu Luiz, ainda bem que o avisto do outro lado da rua, já me esperando. Volto para casa em silêncio, já me preparando para mais tarde buscar Bia, mas hoje com certeza esperarei do lado de fora, já chega de imprevistos por hora! Em casa está tudo quieto, mas minha mãe chora no banheiro. Tem algo acontecendo que eu não sei, mas preciso descobrir. Vou até o quarto e o meu pai está dormindo, tão pálido que me assusto. A minha mãe terá que me dizer. — Mãe?- Toc- toc- Mãe? Preciso saber o que está acontecendo! Abre esta porta! Por favor, mãe! Ela abre a porta, com os olhos vermelhos de tanto chorar, e diz-me quase sem controle: — Eu não sei, ele só tem piorado e não temos dinheiro para levá-lo ao médico. Não sei mais o que fazer filha! Eu... Eu...- E chora. Pego-me chorando com ela, quando sinto as lágrimas rolando pela minha face, sem saber o que fazer, apenas digo: — Vai dar tudo certo mãe! Vamos dar um jeito nisso! Logo conseguiremos dinheiro para levar ele ao hospital, não se preocupe! Ela apenas assente e abraça-me. E eu sei que, no fundo eu precisava mais do abraço que ela...
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