SALVATORE TRENTINO
Chamo a empregada — dona Lia — que já entra nervosa. Sempre fica assim quando nós três estamos juntos. Acho que teme por alguma crise, ou briga, ou tiro, sei lá.
— Senhor Salvatore? — ela ajeita o avental.
— Quando a mulher chegar, leve-a direto para o meu quarto. Nada de perguntas. Nada de problemas. Só deixe lá e feche a porta.
— Sim, senhor.
— E não deixe Ettore entrar antes de mim — digo, apontando para o i****a.
— Ei! — Ettore ergue as mãos. — Eu não sou ladrão de mulheres.
— É sim — respondo seco.
Ele sorri, porque sabe que é verdade.
A empregada sai quase correndo.
— Vamos — digo, levantando. — Temos que conferir o carregamento no galpão. Se aqueles idiotas estragaram um lote inteiro de Berettas, eu juro que enterro todos num barril de concreto.
— Ah, finalmente algo bom nesse dia — Ettore estala os dedos. — Estou louco para quebrar alguns dentes.
Descemos as escadas, o piso ecoando sob nossas botas pretas. O castelo é enorme, cheio de corredores e janelas altas. Ao fundo, vejo Fillipo se preparando para entrar no carro com expressão de alguém indo para o enterro da própria dignidade. Ele rosna para um dos seguranças, empurra outro e bate a porta com tanta força que quase quebra a dobradiça.
— Ele realmente odeia essa merda de casamento — Ettore comenta.
— Eu no lugar dele odiaria também — digo, abrindo a porta principal. — Casar com filha de Grasso? Prefiro amputar um braço.
— O problema é que ele vai acabar fodendo ela — Ettore continua. — Sabe como ele é. Odeia, mas transa.
— E vai reclamar depois — respondo. — Dizendo que foi a pior f**a da vida.
— E a culpa é dela — Ettore ri.
Entramos no carro. Dois SUVs pretos nos seguem, meus homens armados até os dentes. A estrada até o galpão fica a quinze minutos dali, perto dos armazéns antigos que usamos para armazenar armas desde antes do meu avô nascer.
Assim que o carro estaciona, já escuto o barulho metálico de caixas sendo deslocadas, homens conversando, armas sendo testadas.
O cheiro de pólvora é quase um perfume para mim.
— Vamos ver que merda fizeram dessa vez — digo, abrindo a porta.
Os capos se alinham imediatamente quando me veem.
— Don Salvatore! — Luca, o responsável pelo carregamento, corre até nós. — Chegou tudo conforme pedido. Não tivemos perda.
— É o que vamos ver — digo, passando por ele.
Ettore já pega uma pistola da mesa e examina com carinho.
— Beretta 92FS — ele comenta. — Linda, linda… parece até nova.
— É nova, i****a — respondo.
Chego até o lote principal. Caixas abertas mostram rifles, pistolas, munições diversas.
— Testaram? — pergunto.
Luca engole seco.
— Sim, senhor. Mas se quiser testar novamente…
— Vou querer — digo. — Sempre quero.
Vou até a área de teste. Ettore vem atrás, mexendo na arma como se estivesse segurando uma amante.
— Sabe… — ele começa. — Fillipo podia levar uma arma para o casamento.
— Para matar a noiva? — pergunto irônico.
— Ou para atirar no próprio saco — ele dá de ombros. — Qualquer opção é válida.
Aponto a pistola para o alvo.
Tiro.
O disparo ecoa forte.
Perfura exatamente no centro.
Perfeito.
— Este lote está bom — digo. — Finalmente vocês fizeram alguma coisa certa.
Luca quase desmaia de alívio.
— Grazie, Don Salvatore!
Ettore dá alguns tiros também, completamente feliz. O sorriso dele sempre aparece quando tem sangue, armas ou destruição envolvida.
Meu celular vibra.
Mensagem do bordel.
“A acompanhante está a caminho. Chegará em 40 minutos.”
Ótimo.
Quero chegar cedo, tomar banho, f***r rápido e dormir antes que Fillipo volte reclamando de alguma coisa.
— Vamos — digo para Ettore. — Já vimos o suficiente.
— Se quisermos, podemos matar alguém antes de ir — ele sugere animado.
— Hoje não. Estou com preguiça — respondo. — Só quero descansar.
Voltamos ao carro enquanto Luca grita ordens de limpeza. Ettore entra no banco do passageiro, ainda abraçado com a Beretta.
— O dia até que ficou interessante — ele comenta.
— Só vai ficar melhor quando eu estiver na cama — digo. — Com a minha acompanhante… e longe de qualquer merda envolvendo os Grasso.
— Ou quando Fillipo voltar casado — Ettore ri.
— Isso… também vai ser divertido.
Dou partida no carro.
E seguimos de volta ao castelo.
Prontos para uma noite que ainda vai dar problema.
— Porque na família Trentino — digo, estalando o pescoço — paz é algo que nunca dura.
Ettore sorri torto.
— E problemas são sempre mais divertidos.
— Nao quando o problema é casar com uma Grasso. — Fillipo resmunga.
— Qual é, vai fundo, imagina voce beijando o Grasso, deve ser igual com a filha. — Ettore provoca e eu ri.
— Vou é matar essa mulher.
— Sua esposa, deve ter barba. — Agora eu provoco.
— Vou atirar nos dois.
— Quer que eu chame o Grasso, para vir aquie voce já ir se acostumando com o cheirinho dele. — Ettore ri.
— i****a.
Fillipo avanca sobre Ettore, que o segura com facilidade, prendendo ele pelo pescoço, e bagunçado o cabelo dele,rindo.
— Que tal voce adotar o sobrenome Grasso, Fillipo Grasso, que lindo. — Ettore continua.
— Vou cortar seu p*u fora, Ettore.
— Tenta, meu p*u é tão grande que nem motosserra corta.
— Pode ser grande, mas e mais fino e mole que macarrão. — Fillipo provoca
— E voce que nem tem, meu dedo mindinho é maior, que seu amendoinzinho.
— Babaca.
— Parem vocês dois, vamos nos concentrar.