O sol ainda não tinha despontado quando Danilo abriu os olhos, o rosto marcado pela exaustão das últimas semanas. Na penumbra do quarto, Cecília dormia ao seu lado, com a respiração calma, como se fosse o único refúgio naquele mundo turbulento.
Ele a observou por um longo instante, sentindo o peso da responsabilidade que carregava — não apenas pelo morro, mas agora por aquela mulher que tinha entrado em sua vida para virar tudo de cabeça para baixo.
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Durante o café da manhã, o clima era tenso. Lívia e a mãe de Danilo trocavam olhares preocupados enquanto Cecília tentava manter a postura firme. Ela sabia que ali não era o Leblon e que teria de se adaptar às regras daquele universo — mas não estava disposta a perder sua identidade.
— Recebi uma informação — disse Danilo, olhando fixamente para Cecília —. Parece que Ivan está mais envolvido do que imaginávamos.
Ela engoliu em seco, o corpo se esticando como se cada palavra fosse uma faca. Danilo continuou:
— Precisamos agir rápido. Não posso permitir que uma traição destrua tudo.
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Mais tarde, na sede do morro, reunidos com os homens de confiança, a tensão era palpável. Danilo traçava estratégias com precisão militar, enquanto Cecília absorvia cada detalhe, tentando encontrar uma forma de ajudar.
— Subir — chamou Danilo —, quero que você organize uma vigilância constante. Quero saber onde Ivan está a qualquer momento.
Subir assentiu, experiente.
— Vou colocar os melhores para isso. Mas se Ivan realmente está traindo, ele não vai facilitar.
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Cecília sentiu o olhar de Danilo sobre si durante toda a reunião. Era um olhar que carregava desejo, preocupação e algo que ela ainda tentava decifrar.
Quando tudo terminou, ele a puxou para um canto mais reservado.
— Venha comigo — disse, quase num sussurro.
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No caminho para o esconderijo, a cidade começava a despertar, o horizonte tingido de laranja e rosa. Eles andavam lado a lado, o silêncio entre eles carregado de significados.
— Você está pronta para o que vem por aí? — perguntou Danilo, sem tirar os olhos dela.
Ela respirou fundo.
— Não escolhi essa vida, mas agora que estou aqui, não vou recuar.
Ele sorriu, puxando-a para perto, os corpos colados enquanto seu olhar queimava o dela.
— É isso que eu quero ouvir.
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No esconderijo, a tensão aumentou quando Subir chegou com notícias alarmantes.
— Ivan foi visto conversando com homens de Ramon — informou, a voz grave.
Danilo fechou os punhos, os olhos brilhando de raiva.
— Então é guerra.
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Durante a noite, Danilo e Cecília prepararam suas defesas. Eles não eram apenas amantes — eram parceiros numa luta que poderia custar a vida de ambos.
No quarto, quando o momento chegou, a intensidade entre eles explodiu numa paixão avassaladora. Cada toque, cada beijo, era uma promessa silenciosa de proteção e entrega.
Cecília se deixou levar, sentindo-se mais viva do que nunca, como se aquele homem, apesar da dureza, fosse o único capaz de compreendê-la e amá-la.
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Na manhã seguinte, a notícia de um ataque iminente chegou rápido. Danilo convocou seus homens, a adrenalina correndo solta.
Cecília estava ao seu lado, pronta para enfrentar o que viesse.
— Vamos mostrar a eles que não somos frágeis — disse ela, o olhar firme.
Danilo a olhou com orgulho.
— Você está se tornando uma mulher do morro.
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O confronto foi violento. Tiros cortaram o ar, o cheiro de pólvora misturado ao suor e à tensão. Danilo comandava a defesa com ferocidade, enquanto Cecília, apesar do medo, se mantinha firme.
Quando a fumaça baixou, a vitória foi amarga. Muitos feridos, perdas, e a certeza de que a guerra estava longe do fim.
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Nos dias que se seguiram, a relação entre Danilo e Cecília se aprofundou. Entre planos e perigos, havia momentos de ternura e paixão, quando se permitiam esquecer as ameaças e se entregar um ao outro.
Mas a sombra da traição ainda pairava, e o destino reservava surpresas cruéis.
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