Capítulo 04 - Michael Barreto

1420 Words
Merda! O que foi que eu fiz? Tentei abri os olhos e eles arderam com a claridade da luz do sol que entrava pela janela. Quem abriu aquele porcaria? Senti o colchão ceder ao meu lado e virei a cabeça rezando para que minha visão não confirmasse minha insanidade. - Oi querido, enfim acordou. Não! A Jéssica não! - Oi Jéssica. Ela se esticou na cama e se espreguiçou vestida com a minha camisa. - Adorei a noite. Tentei sorri pra ela por educação. Ela não tinha culpa por eu ter enchido a cara e ter trepado com ela, quando na verdade o que eu queria mesmo era esquecer a merda de vida que eu estava tendo nos últimos dias. Levantei meio cambaleante e fui para o banheiro. Me olhei no espelho e me assustei com a minha própria cara. Eu estava um trapo. Olhos vermelhos e injetados e profundas olheiras. Tudo isso por causa daquelas duas idiotas que resolveram desgraçar com a minha vida. Não sei se eu estava com mais ódio da Mônica ou da Kelly. Alguém poderia me dizer que, no caso da Kelly era um pouco de exagero meu, mas em relação à Mônica eu tinha razão. A desgraçada tinha me traído com a cara mais cínica do mundo. Ela apenas me olhou calmamente e disse que eu deveria superar, que ser trocado pelo modelo mais famoso e mais bem pago da agência dela não era o fim do mundo. Não era mesmo. Eu superei rapidinho. Peguei a morena mais gostosa do meu escritório e passei a noite trepando com ela. O problema agora era fazer a Jéssica entender que aquilo tinha sido uma coisa impensada. Que eu agir movido pelo ódio. Um ódio que também tinha outro nome: Kelly Velasco. Aquela garota não perdia por esperar. Ela ia me pagar aquele fim de semana dos infernos. A Mônica que se fodesse. Ela e o namoradinho famoso dela. Meu problema agora era a Kelly. Eu precisava descobrir uma forma de lidar com aquele furacão loiro. - Michael? A voz da Jéssica me trouxe de volta para a realidade. - Já vou. Lavei o rosto e escovei os dentes, pensando como eu faria para me livrar dela sem parecer grosseiro. A Jéssica era famosa por grudar nos caras que saia com ela. Eu não precisava de mais um problema na minha vida. Abri a porta e a encontrei ainda com a minha camisa de pé no meio do quarto. - Então Jéssica, eu vou te levar em casa. Ela se aproximou tentando me abraçar. - Pra que a pressa Michael, vamos ficar aqui. Hoje é domingo. Me esquivei e comecei a vestir a roupa. - Eu tenho um compromisso. Prometi almoçar com a minha mãe. - Eu vou com você. Nunca! Eu não seria louco de levar a Jéssica na casa da minha família. A Mônica só tinha ido lá uma vez. - Não. Não tem porque eu te apresentar pra minha família. Não somos namorados. Ela se aproximou de novo se insinuando. - Mas podemos ser, não é? Sentei na cama e calcei os sapatos. - Não. Não podemos. Vista-se, eu estou atrasado. Ela fez uma cara amuada. - Eu fico aqui esperando você. - Eu não estou mais morando aqui. Só venho de vez em quando. - Onde você está morando? Jesus! O que eu fiz pra merecer isso? Não respondi e peguei a chave do carro. - Está pronta? Podemos ir? Ela marchou para o banheiro e dez minutos depois apareceu vestida e com a bolsa na mão. - Pronta, seu babaca. *** A segunda feira me encontrou de péssimo humor. Eu preferi voltar para meu apartamento e evitar encontrar com a Kelly quando ela voltasse. Ela tinha enviado uma mensagem no domingo à noite avisando que já estava em casa. Eu não respondi. Ainda estava possesso de ódio pelo que ela tinha feito e adiei o máximo a hora do confronto. Passei o dia trancado na minha sala lendo processos e respondendo e-mails. Pra falar a verdade eu estava evitando andar pelo escritório e dar de cara com a Jéssica. Ela trabalhava ao lado da minha sala e, com certeza estava fofocando com a minha secretária do outro lado da porta. Meu telefone tocou. Não o meu celular, mas o da minha mesa. - Oi Mirian, não quero ver ninguém. - A Kelly está aqui. Ela tinha mandado a secretária me avisar? Não entrou como uma furacão? Aquilo era bom ou r**m? - Mande ela entrar, ora. Esperei-a de pé no meio da sala com as mãos no bolso da calça. Ela entrou de nariz empinado como sempre. Estava metida numa calça branca super colada e uma blusa vermelha amarrada na frente mostrando parte da barriga. Pelo menos estava de sandália baixa e não naqueles saltos que a deixavam quase mais alta do que eu. - Você está traindo a Mônica? Pisquei duas vezes incrédulo. - Como?! Ela parou na minha frente e cruzou os braços desafiante. - Quem é Jéssica? Inferno! Como ela sabia da Jéssica? - Ninguém. Ela me apontou o dedo. - Eu liguei pra você e uma tal de Jessica atendeu e disse que você estava dormindo. Arregalei os olhos. - A Jéssica atendeu meu telefone? Ela riu cínica. - Sim. A Jéssica atendeu seu telefone. Voltei para minha cadeira e sentei passando a mão no cabelo. - Isso não é da sua conta. Ela sentou na minha frente e cruzou as pernas. - Mas é da conta da Mônica. Levantei a sobrancelha rindo. - Você agora é advogada da Mônica? - Vocês homens são uma babacas, porque precisam trair tanto? Suspirei irritado. - Eu não estava traindo ninguém. A Mônica terminou comigo. Foi a vez dela ficar surpresa. - Terminou com você? Porque? Eu a encarei firme. - Ela me traiu com o modelo que fez a última campanha dela, satisfeita? Ela deu uma gargalhada. - Você levou chifres? Encolhi os ombros. - Ninguém morre por causa disso. - Eu vi que não morre, você correu logo para os braços de outra. Aquela conversa estava me irritando e tirando o foco do assunto que me interessava com ela. - E então? O que tem a me dizer? Ela levantou o nariz. - Nada. - Como nada? Você achou certo o que você fez? Ela levantou e começou a andar pela minha sala. - Deixa de drama Michael. Eu errei um pouco, mas também não é o fim do mundo. - Você mentiu pra mim. - Você quer mandar em mim e eu não gosto disso. Levantei e me aproximei dela. - Seu pai deixou escrito que eu cuidaria de você e você tem que aceitar isso. Você não tem juízo, precisa de alguém que te aconselhe. - E você é esse alguém? Um homem que trepa com uma mulher chamada Jéssica. - O que tem o nome Jéssica? Não entendi. Ela virou as costas. - Parece nome de p**a. Aquela garota estava ficando louca? Segurei o braço dela e a fiz me encarar. - Com quem eu trepo ou deixo de trepar não é problema seu. Nosso problema é outro. Ela puxou o braço com força. - Pare de querer controlar minha vida, você não é meu pai. - Não sou mesmo, eu não tenho a paciência dele. Você vai fazer as coisas do meu jeito agora, entendeu. Ela respirou fundo e abaixou a cabeça. Parecia ter desistido de fazer birra. - O que você quer mesmo? Vamos continuar nessa guerra? Dei a volta na mesa e sentei de novo. - Não quero guerra Kelly, vamos viver pacificamente e cumprir o que seu pai pediu. Ela pegou a bolsa. - Tudo bem, eu vou pra casa. - Espere. Eu já estou indo. - O Diogo está me esperando ai em baixo. Outro ponto a ser discutido. - Está namorando mesmo com esse Diogo? Ela riu. - Sim, estou. - Então termine. Ela arregalou os olhos. - Como assim, termine? - Simples assim, termine esse namoro. - Porque?! - Ele não serve pra você. Ela colocou as mãos na cintura. - Você nem conhece ele ainda. - Conheço sim, eu investiguei a vida dele esse fim de semana. Não serve pra você. - Você investigou a vida do Diogo? Você é louco! Ela marchou para a porta. - Vai Kelly e aproveite e diga a esse garoto ai que vocês precisam terminar esse namoro que m*l começou. - Vai sonhando, Michael Barreto! Ela bateu a porta e foi embora.
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