Uma semana se passou.
Sete dias fingindo que nada estava acontecendo.
Sete dias aprendendo a andar pelos corredores de uma escola nova como se eu não estivesse carregando o peso de uma guerra antiga nas costas.
Acordei cedo todos os dias. Desci para o café. Fingi normalidade.
Robert saía cedo demais.
Steven falava pouco demais.
E eu… pensava demais.
A história dos vampiros ainda parecia absurda na minha cabeça, mas o jeito como meu tio falava não deixava espaço para dúvida. Ele não estava brincando. Não estava delirando.
Ele estava com medo.
A escola era grande. Fria. Impessoal.
As pessoas me olhavam como olham qualquer novata: curiosidade rápida, interesse passageiro. Fiz o básico — sorri, respondi perguntas, inventei uma história ensaiada sobre mudança repentina.
“Transferência.”
“Problemas familiares.”
“Coisa temporária.”
Mentiras ficaram fáceis demais.
Senti falta da minha antiga vida como quem sente falta de um m****o amputado. Você sabe que não volta. Mas o corpo ainda tenta procurar.
Durante as aulas, minha mente vagava.
Biologia.
Literatura.
História.
História.
Engraçado como essa palavra parecia me perseguir.
No meio da semana, comecei a notar outra coisa.
Não era visível.
Era sensação.
Às vezes, no corredor, eu sentia como se alguém estivesse me observando. Virava rápido demais. Sempre tarde demais.
Uma vez, na saída, vi um homem parado do outro lado da rua. Ele estava imóvel. Olhando.
Quando pisquei, ele já não estava mais lá.
Talvez eu estivesse paranoica.
Ou talvez meu tio estivesse certo.
Steven começou a treinar mais pesado. Voltava com os punhos machucados. O cheiro de álcool diminuía, mas a tensão aumentava.
Robert ficou mais silencioso.
A casa parecia… em espera.
Como se algo estivesse prestes a acontecer.
E no domingo à tarde, depois de mais uma semana sufocante, eu decidi que precisava sair.
Só eu.
Sem treino.
Sem conversa séria.
Sem olhar preocupado.
Eu só queria um café quente e alguns minutos fingindo que era uma garota comum.
Mal sabia eu que aquele simples impulso seria o começo de tudo.