A MARCA QUE DESPERTA

400 Words
O café Beaumont sempre fora meu refúgio. Domingo à tarde, o sol atravessava as grandes janelas, espalhando faixas douradas pelo chão e iluminando cada mesa de madeira escura. Eu estava concentrado nos livros, caneta na mão, mergulhado em revisões e anotações, quando algo inesperado aconteceu. Uma vibração percorreu meu corpo, repentina e intensa, como se o ar tivesse mudado em um instante. Meu peito apertou, a respiração ficou ligeiramente irregular, e um arrepio subiu da nuca até os dedos. Algo me estremecia, mas eu não conseguia entender o motivo. E então eu a vi. Ela entrou no café com passos leves, quase hesitantes, mas impossíveis de ignorar. Cada detalhe dela parecia desenhado para capturar atenção. O cabelo ruivo intenso, levemente ondulado, refletia a luz da tarde com tons entre cobre e dourado. Os olhos verdes, vivos e curiosos, me encontraram por um instante, e meu corpo reagiu de forma ainda mais intensa. Ela havia olhado para mim. Apenas isso um olhar simples, mas que carregava algo estranho, algo que me fez estremecer novamente, como se eu tivesse sentido algo antigo, profundo e desconhecido. Não sabia por que, não entendia o motivo, mas meu corpo não mentia. Ela se moveu com naturalidade, ajustando a alça da bolsa, segurando a xícara com delicadeza. A postura, cada gesto, cada pequena curva de seu corpo era quase hipnotizante. Eu não sabia quem era, não sabia seu nome, nem se já a tinha visto antes, mas algo na presença dela fazia com que tudo ao redor desaparecesse. Cada detalhe parecia gravado com perfeição: o jeito como a luz refletia no cabelo, a expressão curiosa nos olhos, o leve arqueamento das sobrancelhas. Quando nossos olhares se cruzaram novamente, um choque sutil percorreu meu corpo. A marca pulsava, vibrava dentro de mim, um alerta silencioso que eu não conseguia explicar. E ela, sem saber, provocava tudo isso apenas estando ali. Sentei-me na mesa, tentando focar nos livros, mas era inútil. Ela estava ali, simples, perfeita, com uma presença que parecia exigir atenção absoluta. Eu não podia desviar os olhos. Ela não sabia, mas aquele instante tinha mudado algo, e eu sabia, sem entender como, que nunca esqueceria aquele momento aquele primeiro olhar, aquele choque silencioso, aquela estranha conexão que não fazia sentido nenhum. Ela estava ali. Olhou para mim. E, mesmo sem saber seu nome ou a razão daquela sensação, algo dentro de mim estremecia por ela.
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