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2055 Words
Vincent Essa é uma péssima ideia. Todos os meus instintos gritam para eu não deixar a Melissa Mancini me levar para casa. Contar a ela onde eu moro pode levar a um navio-tanque cheio de problemas. No entanto, quando ela se aproxima, seus olhos âmbar brilham com... travessura, minha resolução vacila. — Foi ideia sua.— Seu olhar é desafiador. — Está pensando melhor? O aroma do perfume dela invade minhas narinas, e é inebriante. Luto contra a vontade de me aproximar. Sei o que ela está fazendo. Ela não é a primeira mulher a usar sua mística feminina, mas é a primeira a realmente me tentar. Dito isso, também estou ciente de que não se trata apenas de manipulação. Ela sente a energia carregada crepitando entre nós tanto quanto eu. E sabe que eu também sinto — está usando isso a seu favor. Se eu fosse um homem diferente, faria o mesmo. Pigarreio para não me deixar levar. — Precisamos manter limites profissionais. Seus olhos se estreitam em confusão. — Limites profissionais? Você disse que tinha informações sobre Lorenzo, mas não pode falar nada em público, e agora também não pode falar nada em particular. Achei que deveríamos trabalhar juntos. Como isso pode acontecer se não há um lugar onde possamos conversar? Faço uma careta, sabendo que me encurralei. A atração crescente que sinto por ela é perigosa, nada profissional, e pode comprometer tudo pelo que trabalhei. Mas a promessa de informações sobre o irmão dela, Lorenzo — e talvez sobre o assassinato do pai de Pedro — é tentadora demais para ignorar. — Poderíamos nos encontrar na delegacia. Ela imediatamente se endireita e me encara com decepção. — Você sabe que isso não vai acontecer. Percebo que Melissa está, de fato, mostrando o que sente. Não dá para adivinhar quando ela está brava ou ofendida. De todos os seus estados de ânimo, a decepção é o que mais me incomoda. Ela tem razão em dizer que fui eu quem instigou isso. Ela concordou em ajudar. Agora sou eu quem precisa ceder. Respiro fundo, sabendo que estou prestes a tomar uma decisão da qual posso me arrepender. — Tudo bem. Vamos para minha casa. Seu sorriso triunfante me causa uma mistura de excitação e pavor. Saímos do restaurante e entramos no banco de trás do seu carro preto e elegante. Não consigo me livrar da sensação de estar selando minha própria sentença de morte. As luzes da cidade se misturam aos vidros escuros enquanto o motorista de Melissa percorre as ruas tarde da noite. Estou hiperconsciente da presença dela ao meu lado, do sutil movimento do seu corpo a cada curva. — Nervoso, detetive? — a voz de Melissa quebra o silêncio, a diversão dançando em seus olhos. — Preocupado que eu esteja te levando para um armazém no porto para conhecer o seu criador? Forço uma risada. — Só me perguntando se eu deveria ter atualizado meu testamento antes de entrar neste carro com você. Ela ri, o som musical e perigoso. — Ah, Vince. Se eu quisesse você morto, existem maneiras muito mais eficientes do que essa pequena viagem. — Isso não é tão reconfortante quanto você imagina — respondo secamente. Melissa se inclina, seu hálito quente roçando minha orelha. — Vamos lá, pensei que estávamos construindo confiança aqui. Afinal, estou depositando muita fé em você e na sua suposta pista sobre Lorenzo. Viro-me para encará-la, nossos narizes quase se tocando. — Confiança é uma via de mão dupla, Melissa. Estou confiando que você não está me levando para uma emboscada. — Por favor — ela zomba. — Você assiste filmes demais. A tensão no carro é palpável, um misto de perigo e algo que não quero nomear. Quando nos aproximamos do meu bairro, tenho certeza de que cometi um erro terrível — mas não sei se é minha vida ou minha integridade que estão em risco. Abro a porta do meu apartamento e acendo as luzes. O lugar é limpo e minimalista. Não impressiona, mas ao menos não é um chiqueiro. — Fique à vontade — digo, gesticulando em direção ao sofá de couro gasto. Ela passa por mim, os olhos absorvendo cada detalhe. Consigo praticamente ver sua mente catalogando informações sobre mim a partir do meu espaço. — Uma bebida? — ofereço, indo até a pequena cozinha. — Por favor. Uísque, se tiver. Sirvo duas taças de bourbon puro. Quando entrego a dela, nossos dedos se tocam. O contato me provoca um choque que me obrigo a ignorar. Melissa gira o líquido âmbar no copo. — O que fez você escolher essa vida glamourosa de noites longas e jantares perigosos? Sento-me, mas deixo espaço suficiente entre nós para manter uma fachada de profissionalismo. — Acredite ou não, não foi o encanto do café frio e das pilhas de papelada. Os olhos dela brilham de interesse. — Ah? Conte-me. Tomo um gole de bourbon, ponderando o quanto devo revelar. — Virei policial porque queria ajudar as pessoas. Fazer a diferença, sabe? — E correspondeu às suas expectativas? — há um tom desafiador em sua voz. — Nem sempre — admito. — O trabalho não é preto no branco como eu imaginava quando era mais jovem. Há muita área cinzenta. Melissa acena, a expressão suavizando. — E ainda assim você continua nisso. Dou de ombros. — Mesmo quando é bagunçado, mesmo quando não parece… nós ajudamos as pessoas. — Olho diretamente para ela. — É isso que me faz continuar. Os olhos de Melissa brilham com algo perigoso enquanto processa minhas palavras. Ela toma um gole lento do bourbon, os lábios curvando-se em um sorriso irônico. — Isso significa que você está aqui para ajudar uma mulher como eu? Uma mulher que você e seus irmãos de uniforme veem como uma garota má de uma família criminosa? — Todos merecem justiça. Ela ri. — Por que sinto que você está insinuando que a justiça que eu mereço é a prisão? — Eu quis dizer Lorenzo. O desafio em seu olhar se dissolve, revelando, por um instante, a verdadeira Melissa. O amor pelo irmão vibra ali, nu e dolorido. Ela olha para baixo, e me pergunto se ela percebe o quanto mostra sem querer. — Estou aqui para seguir uma pista e espero encontrar seu irmão. Ela ergue os olhos, a voz baixando para um sussurro rouco. — E se me ajudar for contra tudo o que você defende? E aí, Vince? Um instinto feroz de protegê-la me atinge — como se eu fosse capaz de incendiar o mundo por ela, e dane-se o resto. Pigarreio, tentando manter a compostura. — A justiça nem sempre é tão clara quanto gostaríamos. Ela me observa, inclinando-se um pouco mais. Ou talvez eu seja quem esteja se aproximando. — Mmm, que diplomático da sua parte. Mas eu me pergunto… até onde você iria para conseguir a informação que precisa? — Seu olhar desce para meus lábios e, p***a, meu corpo reage no mesmo instante. A tensão entre nós é palpável, elétrica, forte o suficiente para iluminar o prédio inteiro. Talvez Chicago inteira. — Depende — murmuro, os olhos presos aos lábios dela. — Até onde você está disposta a ir para encontrar o seu irmão? O sorriso de Melissa é predatório. — Acho que você ficaria surpreso com o que eu estou disposta a fazer. Meu coração martela no peito. Meu p*u aperta o zíper da minha calça. É claro que, pelo que eu sei, ela está dizendo que mataria para conseguir o que quer. Mas não parece. Parece sensual. Sei que deveria dar um basta nisso, manter alguma aparência de profissionalismo. Mas com a Melissa tão perto, seu calor irradiando contra mim, minha determinação enfraquece. Posso ser policial, mas também sou homem. Um homem que não deseja uma mulher como eu desejo a Melissa há muito tempo. — Melissa — , aviso, com a voz rouca. — Estamos pisando em terreno perigoso. Ela se inclina, seus lábios roçando minha orelha. — Seu mundo não é cheio de perigos? Você está dizendo que não consegue lidar com isso? Engulo em seco, lutando contra a onda de desejo que percorre minhas veias. A proximidade de Melissa é inebriante, seu calor penetrando minha pele. Não consigo negar a atração, mas preciso resistir. Há muita coisa em jogo. — Precisamos nos concentrar no porquê de estarmos aqui. Ela sorri, como se soubesse exatamente o que está fazendo comigo. Mas não é um sorriso confiante — vejo a pulsação acelerada em seu pescoço. — Você não é nada divertido, detetive. Mas admiro seu autocontrole. — Ela se afasta alguns centímetros. — Então… o que você sabe sobre o caso do Lorenzo? Eu esperava evitar compartilhar qualquer coisa, mas marquei esse encontro dizendo que tinha informações. Preciso dar algo a ela. Respiro fundo, escolhendo as palavras com cuidado. — Estou analisando a van que você mencionou no relatório. Aquela que o dono da loja viu. Ela estreita os olhos. — E aí? Encontrou alguma coisa? Consigo ver o desespero por trás da bravura, a dor de não saber o destino do irmão. Por um segundo, tenho vontade de contar tudo, que se danem as consequências. Mas me mantenho firme. — Ainda estou trabalhando para descobrir. Ela espera por mais. Em vez disso, tomo um gole do meu bourbon. — Isso não basta — retruca Melissa. — Você me prometeu informações, Vince. Não gosto da raiva dela, mas prefiro isso à versão sedutora. A raiva controla minha libido. — Eu sei que não é o que você quer ouvir. Mas é assim que investigações funcionam. Seguimos pistas, juntamos peças. Não estou escondendo nada de você, Melissa. Estou tentando descobrir a verdade. — Eu sabia. Você só está tentando me usar. Provavelmente nem está procurando o Lorenzo. Isso é só um plano para cavar mais sobre a minha família. — Não. — Você não me contou nada que eu não saiba. A pista da van veio de mim, Vince. De mim! — Ela balança a cabeça. — Talvez você não seja tão escoteiro assim. Se usaria o amor que tenho pelo meu irmão pra tentar arruinar minha família… As palavras dela me atingem duro, me fazendo sentir um lixo. — Desculpe, Melissa, mas eu não posso dar detalhes de uma investigação em andamento. Ela se aproxima. Seu perfume me envolve, quente e perigoso. Tenho que lutar para manter os pensamentos claros. — Então por que estou aqui, Vince? Engulo em seco, tentando manter a compostura. O calor do corpo dela, os reflexos dourados nos olhos âmbar, tudo é demais. Ela está tão perto que sinto que está me desafiando — não sei se quer que eu revele algo do caso ou que eu a leve para minha cama. Estamos brincando covardemente, e estou muito perto de perder. Engulo de novo, usando cada gota de força para não beijá-la, não rasgar suas roupas e me enterrar naquele corpo delicioso. — Por que você está aqui? Ela olha para minha boca, depois para meus olhos. — Porque eu pensei que podia confiar em você. — Ela começa a se afastar. — Acontece que não posso. Ela se vira, toda sua postura gritando decepção e traição. Uma pontada de culpa me atravessa. Estou perdendo a frágil conexão que criamos — e isso não pode acontecer. Digo a mim mesmo que é pelo caso, mas no fundo… é por mim. Estendo a mão e seguro a dela, puxando-a de volta com cuidado para o sofá. — Você pode confiar em mim. Mesmo que eu não possa te contar tudo, eu vou procurar seu irmão. — O desespero para fazê-la acreditar em mim aperta meu estômago. Toco sua bochecha. — Eu vou encontrá-lo, Melissa. Eu prometo. Não é uma promessa que eu deveria fazer. Por tudo o que sei, Lorenzo pode estar morto. Mas a necessidade de que ela acredite em mim queima forte demais. Queima tanto que o próximo passo parece inevitável: me inclinar e capturar sua boca com a minha para que ela entenda o quanto estou falando sério. No momento em que meus lábios tocam os dela, algo explode dentro de mim. É feroz, quente, incontrolável. Por um instante, vejo minha carreira desaparecer. Mas então ela entreabre os lábios, me convidando, e a única coisa que importa no mundo é esse momento. Essa mulher.
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