Eu estava amando conhecer a Itália, era tão diferente do meu Brasil, porém era um pouco diferente de como eu imaginava, talvez pelas ruas terem aspecto meio antigo, bem década de 50, ah, eu estava tão encantada por tudo isso.
Ricardo fez questão de me mostrar todo o bairro, claro, nas horas que ele não estava trabalhando com o pai. As vezes Nico e Francesca passeavam conosco, eles eram muito legais, porém, senti que Fran era meio a fim do Ricardo, eu não sei explicar o que senti ao perceber isso, no entanto, me deu tipo um aperto no peito, e o pior era que ela era uma garota muito legal e divertida, acabamos nos dando muito bem.
Enquanto Ricardo e Nico estavam trabalhando na lanchonete do seu Lorenzo, Fran e eu ficamos tomando sorvete enquanto observávamos Ricardo servindo as mesas.
- Faz tempo que você e o Ricardo se conhecem? - Perguntou.
- Não, na verdade faz pouco tempo.
- E se conheceram onde? - Ela quis saber.
- Na escola, somos colegas.
- Sabe, o Ricardo deve gostar muito de você, ele nunca trouxe uma amiga aqui antes.
- Sério? - Perguntei surpresa com a fala da garota.
- Aham. - Tomou um pouco de seu sorvete.
Dei um leve sorriso ao observar o garoto e ele por sua vez, olhou em minha direção e ao notar que eu estava o observando, me sorriu. De repente, olhei para Francesca e notei que a garota estava cabisbaixa, acabei ficando meio sem jeito com a situação.
- Gosta dele? - Perguntei.
- Quê?
- Perguntei se você gosta do Ricardo.
- Não, gosto só como amigo. - Deu um meio sorriso.
Não sei o porquê, mas não consegui sentir verdade no que ela havia me dito, algo me dizia que ela estava mentindo, mas por que Fran mentiria? Isso não fazia sentido.
(...)
Era por volta de 20h na Itália, estávamos na casa do pai do Ricardo, enquanto o garoto tomava banho e o homem assistia TV, eu fiquei vendo as minhas fotos no meu celular na esperança do Martin aparecer, mas ainda estava o tal cachorro no lugar dele, ah, como queria o meu irmãozinho de volta. De repente o telefone fixo da casa tocou e seu Lorenzo atendeu, era meu vôzinho querendo falar comigo.
- Oi vo… - Olhei para o pai de Ricardo que estava sentado no sofá próximo de mim. - Digo… Manuel.
- Como estão as coisas por aí?
- Tá tudo ótimo, a Itália é tão linda. E como você e o Sebas estão?
- Estamos bem. Luna, obedeça o pai do Ricardo e por favor, não se meta em encrenca, está bem?
- Ok, vou tentar.
- Se cuida. - Falou docemente.
- Pode deixar.
Eu queria ter falado um pouquinho com meu irmão também, mas no Brasil devia ser 16h já que o fuso horário era de 4h, e por isso ele devia estar trabalhando no Meia Lua, saudade daquele a******o do meu irmão, por mais lesado que ele fosse, eu me divertia tanto com ele.
Após Ricardo sair do banho e se arrumar, nós dois e mais seu Lorenzo fomos jantar, sabem que eu até estava adorando a culinária do país? Mas meus pratos italianos preferidos ainda eram lasanha e pizza.
Mais tarde ficamos conversando um pouco e vimos um filme que estava passando, o nome era Il Segno di Venere (ou traduzindo para o nosso bom e velho português, O Signo de Vênus), e além do filme ser todo em preto e branco, ele ainda não possuia legenda e eu não entendia nada de italiano, diferente de seu Lorenzo e de Ricardo que falavam fluentemente.
Assim que o filme acabou nós começamos a nos preparar para dormir, eu havia ficado no quarto de hóspedes, já Ricardo ficou no sofá, eu até falei que não me importava em trocarmos de lugar, mas ele fez questão de deixar eu ficar com a cama, como um perfeito cavalheiro.
(...)
Ricardo precisou ajudar o pai na lanchonete durante o dia, eu até quis ajudar, mas tanto ele, quanto o pai, se negaram. E enquanto eu o observava servindo os clientes, notei a chegada de Francesca.
- Oi. - Falou ao dar um beijo no rosto do Ricardo.
- Oi Fran. - O garoto disse. - Cadê o Nico?
- Ah, teve que sair com os pais, falou que daqui a pouco vem te dar uma força; - Se virou para mim. - Tudo bem, Luna? - Me deu um beijo no rosto.
- Tudo.
- E aí, vamos fazer algo? - Perguntou a loira.
- Puxa, eu não posso, tô trabalhando. - Disse o jovem.
- E você, Luna?
- Eu? - Olhei para Ricardo.
- Vai lá, a Fran conhece tudo aqui, vai ser uma boa guia, e depois ela te traz inteirinha, né?
- Claro, prometo devolvê-la com todos os fios de cabelo. - Brincou a garota nos provocando risos.
- Ok, vamos então.
Ricardo e eu trocamos leves olhares e então eu sai junto com Francesca.
A jovem me levou em alguns lugares que eu ainda não havia ido, e quanto mais eu conhecia a Itália, mais apaixonada por ela eu ficava. E após caminharmos bastante, nós decidimos parar um pouco para descansarmos e tomarmos um gelato (sorvete em italiano), e parecia que até o sabor era diferente dos que eu tomava no Brasil.
- Tá gostando da viagem? - Me perguntou.
- Tô amando.
- Vão ficar até quando aqui?
- Não sei, acho que até o seu Lorenzo conseguir um funcionário novo para o ajudar na lanchonete.
-Tomara que ele demore para conseguir, então, gostei do Ricardo vir nos visitar, e… Gostei de te conhecer, Luna.
- Também gostei de te conhecer. Ah, claro, e o Nico também. Vocês podiam um dia ir nos visitar lá no Brasil, né?
- Claro, eu amaria.
- Aí você pode ficar na minha casa. Bom, eu moro com meu irmão e meu primo, mas eles são legais, acho que não vão se importar.
- Ia ser muito legal mesmo.
Ela sorriu gentilmente e eu fiz o mesmo. É, acho que de fato, eu tinha conseguido uma nova amiga.
(...)
Francesca e eu chegamos à lanchonete quando Ricardo já estava terminando seu horário de trabalho.
- Ela cuidou bem de você?
- Muito bem. - O garoto me abraçou e me deu um beijo na cabeça.
Francesca em seguida foi embora, ela era uma garota tão legal, me dava uma angústia por saber que ela gosta do Ricardo, bom, ela não tinha me dito isso, mas acho que estava meio explícito.
Ricardo e eu resolvemos dar umas voltas, confesso que eu estava um pouco cansada, mas não para sair com ele, sem falar que eu queria aproveitar cada segundo no país europeu.
- Tá com fome? - Perguntou.
- Um pouco, mas por quê?
- Quero te levar para jantar na melhor pizzaria que existe, sério, a pizza desse lugar é diferenciada, você começa comendo um pedaço e quando vê já comeu 100, sem falar que lá tem sabores que eu nunca tinha ouvido falar antes.
- Nossa, já tá me dando água na boca. E a pizzaria é aqui perto? - Perguntei.
- É sim, bem pertinho.
Caminhamos um pouco e em seguida chegamos a tal pizzaria, ela era linda por fora e mais linda por dentro, pelo menos para aquela época.
Ao entrarmos, um garçom nos direcionou para uma mesa e então se retirou, Ricardo puxou uma cadeira pra eu sentar como costumam fazer os perfeitos cavalheiros. Antes de começarmos a jantar, Ricardo pediu licença e foi até o banheiro, fiquei o aguardando até que…
- n******e ser! Até aqui?
Era Márcio e dessa vez estava acompanhado de uma moça de cabelo liso e loiro escuro e olhos claros, quando eu os vi senti que estava encrencada, certamente estavam atrás de mim, e como o garoto não conseguiu me levar para 2023 da última vez, acho que havia trazido reforços. Sem saber o que fazer, corri para o banheiro feminino, que era do lado oposto do banheiro masculino. Assim que eu sai correndo, notei os dois correndo atrás de mim, entrei no banheiro, mas notei que as duas cabines estavam ocupadas.
‘’Xi, lascou.’’ - Pensei.
E de repente eu me virei e lá estavam os dois, parados em minha frente e eu sem ter pra onde fugir.
- Luna Garcia, até que enfim. - Falou a moça.
- E quem é você? - Cruzei os braços.
- Sou Martina, guardiã do tempo.
- Mais uma. - Revirei os olhos. - Não. A resposta é não.
- Resposta do quê? - Perguntou Márcio.
- Não quero ir pra 2023.
- Você não tem querer. - Olhou para Márcio. - Olhe como se faz.
A tal Martina pegou em meu braço, apertou um botão do seu relógio e de repente eu não estava mais no banheiro da pizzaria.