.N Taylor.
Resmungo sentindo alguém me balançar na cama.
— Só mais um poquinho. — Falo tentando voltar a dormir.
— N! — Arregalo os olhos depertando mais rápido que qualquer coisa existente.
Olho para cima surpresa, me sento na cama espantada.
— Papa? — Indago surpresa e rapidamente tiro a chupeta da boca ficando com ela na mão.
— Vamos! — Ele me faz levantar me deixando espantada.
Não pelo fato de ele me levantar como seu eu fosse um mísero serumaninho.
— Vamos? Vamos pla onde? — Indago sem intender.
— Apenas me obedeça N! — Ele fala sério.
Vejo machucadinhos em seu rosto e o olho preocupada.
— Mas ta de noite, a madle sabe? — Indago ainda confusa por sua preça.
Ele tura seu casaco e coloca em mim.
Olho para as mangas que ficaram grandes demais.
A roupa dele parece mais um cobertor em mim.
— Não temos tempo para isso, precisamos ir para Boston agora mesmo. — Ele fala sério me puxando de vagar.
Boston? Mas isso fica muito longe daqui.
Olho para seu colar que está brilhando, o colar que ele usa tem a chave do cadeadinho da minha coleira. Ele não tirou? Eu realmente pensei que ele não viria.
Toco meu pé no chão sentindo dor, mas não reclamo.
— Fique quieta. — Assinto.
Olho para sua mão que está segurando a minha vendo o quanto as duas são diferentes em questão de tamanho, suas mãos eram grandes fortes, me dava medo e segurança estar com ele.
Bato meu pé com muita força no chão, e resmungo derrepente.
Ele me olha.
— O que foi? — ele indaga preocupado.
— Nada, eu tlopecei. — Falo tentando não preocupa-lo.
Fico agradecida por meu pijama ser um longo vestido de mangas e tudo mais, em um orfanato de freira nós sempre temos que usar coisas que cubram quase ou todo o corpo.
Deço as escadas com ele na frente.
Ele parecia atento a qualquer coisa que pudesse estar ao redor, como se qualquer coisa pudesse nos machucar a qualquer momento.
— Tem outra saida além a da frente? — Ele pergunta para mim e eu assinto.
— Tem uma na cozinha. — Falo calma.
Ainda não entendo por que ele está me levando assim do nada.
Aperto minha chupeta na mão com sono ainda.
E de noite ainda por cima.
Escutamos um barulho de passos e Omar se abaixa me levando junto dele, ele abraça meu corpo fortemente me predendo a ele enquanto olha atento para frente.
Coro instintivamente.
Não sei porque senti todos os meus sentidos perderem força em um momento e voltarem a funcionar um segundo depois.
Escuto Mel cantarolar abrindo o armario e pegando um copo. Ela toma água da torneira e depois lava o copo saindo da cozinha cantarolando.
Omar respira aliviado.
Com o que ele está nervoso?
O papa se levanta segurando minha mão firme.
Ele abre a porta com facilidade.
— Bela fechadura. — Ele fala de maneira sarcástica.
Saimos e eu fecho os olhos sentindo o vento gelado nos pegar de jeito.
Seguro o casaco do papa em meu corpo sentindo que ele pode voar.
Seguro fime na mão do papa sentindo que posso voar junto com o casaco e com tudo junto.
Continuamos caminhando.
Paramos em um muro grande.
— E agola? — Pergunto sem ver saidas por perto.
Ele pega em minha cintura e me levanta bem alto.
Arregalo os olhos.
— Ei! — Falo com medo da altura.
— N, é só subir ai e ficar parada. — Ele fala sério.
Subo no muro ficando em pé nele.
O papa toma distância e corre logo pulando no muro.
O que está havendo? Parece até que estamos fugindo de algo.
Piso em falso com o pé machucado quando o vento sopra com muita força.
— N! — Omar grita preocupado.
Caio do muro em uma montanha de folhas, fico sem ar pelo susto.
Vejo quando o papa pula do muro e vem até mim.
— Você está bem? — Ele indaga sério.
Me sento rindo disso.
— Tô! — Rio enquanto tiro algumas folhas do meu cabelo.
O papa me olha por um tempo e depois se levanta me levantando com ele.
— Melhor entrarmos no carro. — Ele fala me puxando.
Que carro? Não tô vendo carro nenhum.
Tão de repente quanto um raio ou um trovão, eu ouço um barulho estrondoso e algo furar a parede ao nosso lado.
Olho para o buraco assustada.
Isso foi um tiro?
O papa me puxa rápido abraçando meu corpo quando nos escodemos atrás de um tipo de árvore.
Seguro a roupa do papa com medo.
Por que estão atirando na gente?
Faço uma careta percebendo que meu pé está doendo mais que o normal, acho que torceu ainda mais quando o papa me puxou para nos escondermos.
— N? — Ele sussurra me fazendo olhar para ele. — Não precisa ter medo, ouviu? — Assinto apavorada.
Até parece que eu não vou ter medo.
— Ora, ora, ora. Omar Cazari sequestrando uma garotinha? Vai levar ela como refém? Acha que me importo se matar uma fedelha? — Um homem gargalha.
Como assim? O papa não está me sequestrando.
Espara ai...
Ele não ta sequestrando, né?
— Não importa o que aconteça, não saia daqui. — Ele me encosta na arvore me olhando sério como sempre. Assinto.
Ele começa a se afastar sem fazer barulhos altos.
Fico parada sem saber o que devo fazer, eu estava com muito medo e com frio além de tudo.
Era para eu estar na minha cama.
Eu nunca tive uma noite tão terrível assim, é a primeira vez que sinto tanto medo e eu já vi toda a franquia de annabelle.
— Bonequinha, você sabia que esse cara que está com você é um assassino? Bem, isso é o pior mas ele tem muitos outros titulos. Como... bandido, traficante... gangster. — Arregalo os olhos.
O papa é um homem m*l?
O vento sopra forte e meu coração dispara por minhas roupas aparecerem fora da árvore.
Encosto minha cabeça na árvore apavorada.
Acho que vou desmaiar.
Estou com medo.
Não do papa, não consigo ter medo dele, até porque esse cara deve estar mentindo só para que eu saia daqui.
— Espera ai... — Ele gargalha. — Você sabia que eu nunca o deixaria livre por causa de uma garotinha. — O homem fala rindo. — Ela é importante, né? — Ele abaixa sua voz me fazendo perceber que está perto.
Não me ache por favor moço. Não gostei desse pique escode.
Meu coração quase para quando olho para um lado da árvore e vejo um cara grande com o rosto inteiro queimado.
— Cluz cledo. — Grito saindo correndo, mas meu pé falha e eu caio.
Ouço um tiro muito perto de mim e arregalo os olhos ao perceber que aquele cara atirou para me matar quando tentei correr.
Ainda bem que eu cai.
Obrigada pé machucado.
— Merda. — Ele fala quando tenta aturar novamente mas a arma trava.
De repente o papa o impurra com força fazendo ele rolar entre as árvores até lá em baixo.
— Por que não disse que estava machucada? — O papa me pega no colo falando irritado começando a correr.
Sinto meu queixo tremer e as lágrimas comecam a rolar.
— O que ta havendo? Por que ele ta queleno matar nós dois? E tô com medo papa. — Abraço seu pescoço chorando medrosa.
— Vai ficar tudo bem, ele não vai machucar você. — Ele fala respirando fundo.
Depois de um tipo ele me coloca dentro de um carro pratiado e fecha a porta entrando nele pelo outro lado.
Olho para as minhas mãos que estão arranhadas e machucadas por causa dos dois tombos. Choramingo ao perceber que perdi minha chupeta.
— Feliz aniversário. — Omar fala serio pegando algo no banco de trás, ele coloca algo no meu colo e beija meu rosto com lágrimas.
Olho para o ursinho e depois para ele vendo que está se preparando para sair dali.
— obligada. — Digo secando meu rosto, apertando as patinha do urso panda de pelúcia.
Eu não sei o que está acontecendo, estou com medo, mesmo assim sinto que estou segura agora, Omar é assustador na maioria das vezes, mas parece que ele não quer ser.
Por que ele se arriscaria para me pegar se isso significava quase ser morto?
Abraço o urso fechando meus olhos enquanto o carro se move.
Eu quero minha bubu.