Week 3 - Cupcake? Never!

3848 Words
A terceira semana do desafio demorou para chegar, Charlotte ainda estava super encantada com sua primeira experiência no circo. Tinha sido, de longe, a melhor a sua vida, acreditando fielmente nos truques bem elaborados de mera ilusão. Bom, ela soube disso depois, ao que voltavam para o campus com a teoria do Pierre. A verdade era que até ele ficou impressionado com a performance do show, no entanto, muito feliz com a diversão que tiveram antes. Renaud nunca acreditou que gostaria de rodar inúmeras vezes em tantos brinquedos, mas estava redondamente errado. E Louise, que já tinha conhecido um circo antes quando pequena — os animais ainda sofriam por isso —, obviamente, preferiu aquela versão, muito mais saudável para todos os lados. Agora, em plena terça-feira à tarde, a ruiva quebrava sua cabeça para fazer um simples cupcake de chocolate, recheio de geléia de morango, cobertura de chantilly e a famosa cereja no topo. Poderia parecer uma combinação esquisita, contudo, era bem gostoso — ela já tinha provado um de uma doceria perto da casa dos pais. O único problema era a falta de habilidade que tinha quando cozinhava qualquer coisa. Era o segundo dia no qual passava as tardes livres tentando acertar o básico — a massa do bolinho. Charlotte até ofereceu ajuda algumas vezes, mas teimosa como Louise era, recusou todas. Não precisava dizer que a pequena cozinha que tinham estava uma bagunça, sujeira para todos lados e cantos mais impensáveis, a ruiva também tinha farinha no cabelo e roupa — agora como ela conseguiu sujar os fios era uma pergunta muito interessante. Aconteceu na sua primeira tentativa, abrindo o pacote com uma delicadeza que a Fontaine não tinha no quesito culinário, acabando por rasgar da a******a para o fundo, interessantemente voando para cima ao que levantava a embalagem até a altura do pescoço. Restando apenas uma porção de farinha para usar, a ruiva teve que abrir outra — sorte a sua que previu tais acidentes, comprando uns sete pacotes, por precaução. Por enquanto, tinha dez cupcakes totalmente duro e incomiveis, não conseguindo chegar no segundo passo que era a geléia — pelo menos essa parte já estava pronta ou também queimaria o doce, sem nenhuma dúvida. — Malédiction! — urrou, odiando aquele desafio i****a que escolhoram. Ela devia ter pensado com calma ao decidir algo que era incapaz de fazer. Antes que desse mais uma chance para aquele bolinho odioso, jogou as pedras que tinha feito fora, limpou por cima a bancada menos suja para colocar os ingredientes que precisaria em ordem. Porém, leu a receita de novo, prestando bastante atenção em cada passo, precisava acertar daquela vez, era a última quantidade exata que tinha de farinha e não iria de forma alguma toda suja ao mercado para conseguir mais. Louise até pensou em comprar um pronto, no entanto, era contra as malditas regras que tinham conversado sobre os desafios, arrependendo-se amargamente por isso — ela nunca faria isso, era muito honesta. Porém, talvez teria que recorrer a melhor amiga ou falharia eternamente. Pierre admirava as fotos que Lottie e Lou lhe deram do desafio passado, quando foram ao circo, deitado em sua cama — enrolando para sair. Imagens da diversão que tiveram passava por sua mente infinitamente, trazendo um sorriso sincero para seu rosto. Queria poder repetir aquele dias mais vezes, no entanto, o pessoal já tinha ido embora, provavelmente para outra cidade. Ele suspeitava que fariam muito sucesso, voltando qualquer dia nos próximos meses. O moreno tinha marcado uma visita para mais um possível colega de quarto, mas ele já sentia que, quem quer que fosse, não passaria em sua aprovação exigente. Estava quase desistindo de conseguir alguém, depois de muitas tentativas, estava cansado de fingir ter esperança de algo que nunca daria certo. Faltavam nove minutos para que o cara chegasse quando seu celular apitou três vezes, tirando-o do loop infinito que se encontrava. Com muito custo, alcançou o aparelho no bolso de sua calça, apertando a tela para visualizá-las sem que desbloqueasse. Era Thomas, perguntando como estava e avisando que o resultado sobre a vaga no dormitório sairia em minutos. Do jeito que Pierre o conhecia, diria que ele estava muito ansioso, precisando de um ombro amigo. No entanto, ele não o respondeu escrevendo — era um fato que odiava redes sociais —, preferindo ligar, mas sentindo-se envergonhado assim que o outro moreno o respondeu. — Perry? — indagou, incerto, porém, rindo logo em seguida. — Não achei que fosse me responder tão rápido. — Achei que seria melhor falar do que trocar  mensagens. — Com certeza é — disse com um sorriso no rosto. — Ouvir sua vo- opinião ao vivo e em cores não deixa dúvidas do seu ponto de vista. Quer dizer, não ao vivo porque você não está aqui, mas você entendeu. Pierre riu do jeito atrapalhado dele, apenas imaginando o nervosismo do qual estava. — Sim, pelo menos é mais vivo que através da tela do celular — concordou, fazendo muito sentido de uma hora para outra. Thomas, do outro lado, sentiu-se quente de repente. — Você vem para cá essa semana? — Hm... — Demorou segundos para responder, incerto. — Apenas se eu for aceito. — Tenho certeza que vai, por que não o fariam? — Existem muitos motivos para isso, Perry. — Não, acho difícil ter. — Você ainda acha que sou um adolescente perdido no mundo, né? Pierre pensou sobre essa pergunta, não tendo certeza se o via dessa forma — pelo menos ele não parecia nas últimas vezes em que esteve no campus —, claramente não parecia o mesmo de antes, fisicamente. — Não totalmente — confessou, sentindo-se nervoso ao responder. — Você claramente me ultrapassou ao crescer, o que não é nada justo. Porém, a sua essência continua sendo a extraordinária da qual me lembro. Isso deve contar para alguma coisa, certo? Um silêncio se formou do outro lado e Pierre não sabia se era pelo o que tinha dito ou qualquer outra razão. — Tommy? — o chamou, o rosto vermelho pela situação constrangedora. — Ainda está aí? Renaud escutou um suspiro do outro lado, mas não parecia ser algo bom, o corpo tencionando em alerta. — Bom, eles acham que ainda sou... — Ele não queria acreditar nisso, vinha temendo não conseguir o maldito dormitório por semanas e agora tinha finalmente acontecido. — Na melhor das hipóteses, vou e volto para casa de metrô todos os dias. Naquele momento, muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo, a campainha tocou três vezes, o celular apitou com mais mensagens e os pensamentos do mais velho corriam loucamente, procurando palavras gentis e uma solução para o querido amigo. Portanto, não se deu conta quando sua boca começou a se mover sozinha. — Vem morar comigo. — O quê? Como assim, Perry? — Dois segundos de silêncio, ambos absorvendo o que acontecia. — Tem certeza? Pierre não precisava pensar muito sobre o assunto, seria ótimo tê-lo como colega de quarto, conhecia-o muito bem para saber que passaria na sua avaliação, então não porque voltar atrás no que dissera. Além do que, a campainha tocava incessantemente do outro lado do apartamento, deixando o moreno louco de novo só pelo irritante lembrete de que precisava entrevistar o candidato — com a certeza que não serviria. — Claro que sim! Seria ótimo, de verdade, ter você aqui e eu nem moro muito longe do campus, dá uns dez minutos. Aqui é bem espaçoso e limpo, perfeito para dividir com meu grande e melhor aluno. — O moreno desatou a falar, citando os pontos positivos que poderiam convencê-lo. — O que acha? Thomas estava rindo do outro lado da linha, uma mistura de sentimentos dentro de si, o que mais se destacava era felicidade. Mentiria se dissesse que não tinha pensado nessa possibilidade antes, mas não queria forçar a ideia ou a amizade que tinham — apesar de tudo, o Leroy era tímido, até mesmo com quem conhecia há bastante tempo. — Se não tiver problema para você, de verdade, Pierre, não quero que se sinta forçado a iss- — É um convite genuíno, Tommy — disse sério, querendo que ele entendesse. — Seria uma honra. Mais um silêncio, os dois ansiosos com o rumo da conversa. No entanto, o mais novo riu de felicidade e Pierre suspirou aliviado, acompanhando-o na risada. Renaud ficou tão ocupado planejando como fariam para trazer as coisas do Thomas, que nem percebeu que o candidato foi embora da sua porta, deixando algumas mensagens sobre como chegou no horário marcado, mas ele não estava em casa — todo educado, podendo ter sido uma boa escolha. Não importava mais, tinha achado seu colega de quarto perfeito — se repreendendo por não ter pensado nessa possibilidade assim que ouviu o mais alto falar sobre os problemas com a admissão no dormitório. O moreno podia ser um tanto quanto lerdo em certas coisas. Thomas já pensava em ir algumas semanas antes do próximo semestre começar para ajeitar suas coisas e, quem sabe, arranjar um part-time job para ajudar o amigo com as despesas do qual ele se abdicou por si — Pierre poderia não dizer, mas sabia o que ele tinha recusado para lhe ajudar, precisava agradecer da forma certa. Quando Charlotte chegou em casa, sentiu o cheiro de queimado antes mesmo de abrir a porta do dormitório. Sua primeira reação foi preocupação, achando que a casa estava pegando fogo, mas se lembrou que quando saiu para aula, a ruiva estava tentando fazer seu cupcake. Então, logo riu da situação, não achava que Louise conseguia ser tão r**m assim ao que entrava, observando a bagunça. — Hey... — chamou cautelosamente, apoiando-se na bancada. — Tudo bem por aí? Fontaine levou um susto, pulando no mesmo lugar ao ouvir a amiga. Ao se virar para ela, linhas de lágrimas marcavam seu rosto sujo de farinha, geléia e algo branco que Lottie julgou ser chantilly. — Aidez moi, s’il vous plait — pediu a ruiva, jogando-se na morena em uma súplica. — Tentei o dia inteiro fazer essa d***a de bolinho, mas é mais difícil do que eu imaginava. Lottie, você precisa me ajudar! Charlotte assentiu algumas vezes, o rosto com uma expressão assustada enquanto largava a mochila no chão, enrolando as mangas da blusa de frio que vestia. Louise choramingava pela salvação que era sua melhor amiga, limpando a bancada como podia — apenas para que conseguissem trabalhar em cima dela. A morena fez o passo a passo devagar, explicando para a ruiva uma forma mais fácil para preparar tudo. Louise assentia com a cabeça a cada palavra que Charlotte falava, tendo que respirar fundo para não começar a soluçar com os seus inúmeros fracassos durante a tarde, percebendo o que tinha feito errado em todos eles. Assim que os bolinhos estavam no forno, Lottie enfatizou que deveria ser em poucos minutos para não empedrar a massa, ele precisava ficar macio e ainda assim um pouco dourado, elas começaram a preparar o chantilly, deixando a geléia de morango por perto para que fosse colocada no interior do bolinho. — Merci, ma bichette! — Louise agradeceu, abraçando a melhor amiga com força, repetindo várias vezes. — Não sei o que faria sem a melhor cozinheira desse mundo! Estraguei todos e quando a farinha acabou, fui ao mercado comprar mais. As pessoas riam de mim, Lottie! Sou um fracasso total! — Você foi desse jeito? — questionou, uma sobrancelha arqueada. Fontaine olhou para suas roupas completamente sujas, depois suas mãos e as pontas do seu cabelo. O olhar do gato de botas que Charlotte recebeu em resposta, disse o que precisava ouvir. Ela verificou a hora em seu relógio de pulso, verificando o que queria — precisavam desligar o forno e tirar a bandeja com os cupcakes. Assim que o fez, puxou a melhor amiga pela mão até o banheiro no quarto que dividiam, tirando vagarosamente as roupas que ela vestia para colocá-la no banho. Esse era o primeiro passo para acalmá-la de verdade. Enquanto Louise se lavava, Lottie aproveitou para limpar a cozinha ou não conseguiria fazer o seu lanche também — ou que deixar daquele jeito ajudaria a melhor amiga, que odiava bagunça. A verdade era que não tinha a menor ideia do que cozinhar para Pierre, deixando para pensar no que faria em cima da hora — como de costume. Mas ao olhar a farinha que tinha ali e um pedaço de frango na geladeira, decidiu preparar uma torta salgada. Foi só quando a morena colocou a forma no forno que Louise apareceu ao seu lado, já completamente limpa e cheirosa. Um tanto mais calma, a ruiva abraçou a melhor amiga pela cintura, apoiando seu rosto nas costas dela, balançando-as de um lado para o outro de leve. — Está melhor, ma bichette? — Lottie perguntou gentilmente, virando o corpo para melhor apertar sua amiga. Louise sorriu pequeno, concordando com o queixo. Elas se afastaram e enquanto a ruiva pegou uma colher para finalizar seu bolinho, Charlotte a observou em silêncio. — Obrigada — disse, estendendo um deles para a morena, o mais bonito de todos. — Agora eu sei que está delicioso. Lottie riu soprado, aceitando-o com uma mão e, tirando o papel que o envolvia, mordeu bem grande, comendo praticamente todo o cupcake. Louise a olhava apreensiva, uma pequena dúvida a atormentava se estaria realmente bom. — E então? — Uma delícia, Lou! — afirmou, terminando o que sobrou em sua mão. — Quantos você vai entregar para ele? Posso ficar com o resto? — Se estiver falando por falar, eu vou te bater, Charlotte Roux! — Quanta agressividade, credo. — Revirou os olhos, jogando o papel usado no lixo. — Experimenta e me diz se estou mentindo — desafiou. — Nunca na minha vida que vou comer cupcake novamente. Charlotte gargalhou, puxando a ruiva para um abraço com uma mão e a outra, pegando outro bolinho — sujando o nariz da Louise no processo, que gritou em fúria pela ousadia da morena. O encontro dessa semana foi marcado para quarta-feira, já que a ruiva sofreu tanto para terminar seu lanche, demorando ainda mais quando a morena chegou para ajudá-la. Era o horário do almoço quando se encontraram — Charlotte pediu encarecidamente para que ele não comesse nada, pois ganharia comida de sal e doce. O local escolhido tinha sido o parque que tinha perto do centro, sendo o mais bonito para um piquenique improvisado. Ele não sabia disso, porque quando as amigas tiveram a ideia, já era bem tarde. Seria perfeito para lhe dar os lanches, com outras coisinhas para que compartilhassem. — Pierre! — Lottie gritou, acenando para que ele a visse na multidão do campus. O combinado era que se encontrassem para irem juntos, assim não correriam problema nenhum para se acharem no imenso parque. — Lou, Lottie — cumprimentou, inclinando-se para beijar a bochecha de cada uma após um abraço rápido. — Como estão? — Exausta — confidenciou a ruiva, trocando um olhar divertido com a melhor amiga. Charlotte apenas acenou positivamente, um pouco cansada também. — E você? — Muito bem — disse, um sorriso no lábios. — Consegui arrumar um colega de quarto ontem, isso tirou um peso das minhas costas. — Que ótimo, Pier — ambas o felicitaram, sabendo bem o que ele vinha passando com essa saga. — Ele é legal? — Lottie perguntou, erguendo a sobrancelha várias vezes. — É um... cara? — Não soube como definir o aluno, ainda que já fosse um jovem adulto. — Que conheço, fui professor particular dele quando ele era adolescente. As amigas trocaram outro olhar, achando fofo a forma como ele se embaralhava com as palavras. Pierre coçou a nuca, um pouco nervoso. — Queremos conhecê-lo — a ruiva disse sorridente. — Ele cursa o quê? Pierre congelou onde estava. Ele não fazia ideia do que ele iria estudar no próximo semestre, como seria possível ter esquecido uma coisa tão básica e simples? No entanto, seus olhos se arregalaram com essa percepção, para logo depois sentir suas bochechas esquentarem. — Boa pergunta. — Fica tranquilo, Pierre, costumo esquecer de pergunta- — Ou falar — Louise se intrometeu, desviando o olhar dela para o moreno. — Você tem que ver a quantidade de vezes que tive que adivinhar o que passa na cabeça oca da Charlotte. — Hey! — A morena empurra a ruiva com o braço, ofendida. Não tão r**m assim. — Bom, não importa, ainda dá tempo de perguntar a ele. — Depois nos conte qual é. — Ah, já quero fazer amizade com esse menino — Lottie compartilhou sua animação com eles, enganchando os braços no de cada um para fossem para o parque ou não sairiam nunca dali. Pierre riu, ainda envergonhado — mas por outro motivo. Thomas gostaria de conhecê-las, fariam um belo grupo de amigos, ele tinha certeza.. — Olha, você vai ter que me desculpar se não estiver com uma cara boa, Pier, mas te garanto que está gostoso. — Charlotte ofereceu sua torta, um pouco acanhada, por mais que não parecesse ao que falava. — Tenho certeza que vou gostar. Muito obrigado, Lottie! — agradeceu, pegando os talheres para cortar um pedaço, no entanto, ele tirou um para cada. — Por favor, comam também. Louise assentiu, pegando o seu pedaço. O trio tinha achado um espaço perfeito embaixo de uma árvore cheia de vida, estendendo o pano azul para que sentassem. O sol estava quente, não absurdamente, porém, o suficiente para que precisassem de uma sombra — tinha até um vento suave correndo por ele e as folhas acima deles. Antes que a morena comesse, serviu-se de suco mais uma vez, sentindo-se completamente com sede — preencheu os copos dos amigos também. O que era justo, pelo tanto que caminharam até chegar ali, um pouco longe da entrada do parque. — Está muito, Lottie — Pierre elogiou, servindo-se de mais torta, deixando para falar algo somente quando seu pedaço tinha acabado. — Não está dizendo só para me agradar, né? Pode ser sincero comigo. — Eu não minto — disse sério, parando de comer para encará-la. Charlotte sentiu um frio subir por seu corpo, começando na boca do estômago. Ela tentou disfarçar, tomando mais do seu suco. Louise, que comia quietinha, riu da reação da amiga, no entanto, sentindo também o impacto daquela frase. Pierre estava alheio ao que acontecia com elas, mas um pensamento de que talvez tivesse sido muito rude lhe passou pela cabeça. — Desculpa, não quis ser grosso — disse mais gentil, com o medo de ter estragado tudo. Ele só odiava que insinuassem que fosse algo que não era. — Não foi, Pier — a morena afirmou, sorrindo para que o acalmasse de alguma forma. — Não se preocupe, você não chegou nem perto. — Louise interviu, tentando ajudar a amiga. — Posso pegar mais uma fatia? — ele perguntou tímido. A ruiva sorriu grande, cortando mais um pedaço para ele como forma de dizer que estava tudo bem e Lottie riu do questionamento dele, achando fofo. Após esse pequeno momento, Pierre se soltou novamente — não estava acostumado a tanta interação por tanto tempo, acabando ser um pouco recluso sem perceber. Contudo, o clima de conversa e risadas voltou ao normal, cada uma aproveitando de uma forma. O assunto sobre as provas que estavam chegando durou muito mais do que qualquer outro, era uma forma de reclamar e aliviar toda a tensão que carregavam durante o semestre inteiro. O moreno já tinha começado a estudar, não querendo deixar nada de fora do que pudesse ou não cair. Louise estava se preparando para iniciar essa jornada de zero vida social até que acabasse e Charlotte ainda tinha alguns trabalhos para terminar antes de focar nelas — odiando cada segundo que passava em frente ao computador digitando e não desenhando. — Hora da sobremesa! — Lottie cantarolou, abrindo o cooler com os deliciosos cupcakes. A ruiva travou no lugar, sentindo-se apreensiva novamente, como tudo o que envolvia esses bolinhos estúpidos — tinha ficado traumatizada de verdade. A morena esperou que ela tomasse a frente, entregando o primeiro para Pierre, como era para ser. Foi travando uma batalha interna que após alguns segundos, levantou-se nos joelhos para fazer as honras. — Espero que goste, Pierre — disse baixinho, envergonhada e sem saber o que esperar da sua avaliação. — Fiz com muito carinho. O que não era totalmente mentira, pelo menos esse foi o sentimento com o qual começou a preparar — o último sendo desespero. Charlotte sorriu para a amiga, buscando-a com olhar para lhe dizer que estava tudo bem e apertando sua mão entre elas. — O recheio é geléia de morango? — indagou, saboreando devagar, amando como o chocolate da massa combinava com o doce no meio dele. — Amo esse doce! Louise demorou para sorrir, assimilando devagar o que lhe foi dito, contudo, logo mais sorriu, compartilhando essa felicidade com a morena, que ainda a segurava pela mão. Charlotte sussurrou um eu disse em seu ouvido, apoiando a cabeça em seu ombro por alguns segundos. — Posso comer também? — ela perguntou, ansiosa para comer mais daquele saboroso bolinho. A ruiva a olhou seriamente, dizendo com os olhos que era óbvio que podia — como se pudesse negar algo para ela, que a tinha ajudado a fazer e cuidado do seu psicológico por todo o sofrimento que tinha sentido no dia anterior. — Lottie me ajudou a fazer, ontem descobri que sou um desastre na cozinha — confessou, abaixando a cabeça enquanto falava. — Na verdade eu sempre soube. — Que nada, ela preparou tudo sozinha — afirmou Charlotte, dando alguns tapinhas na coxa dela. Pierre sorriu largo, entendendo bem o sentimento de não ser bom na cozinha — a boca suja de geléia nos cantinhos. Louise levantou os olhos a tempo de vê-lo limpar com a língua, sendo uma visão completamente sexy, fazendo com ela desviasse sua atenção para qualquer outro canto ou infartaria ali mesmo. Ao chegarem casa, Charlotte se espreguiçou toda antes de se jogar no sofá, estava tão cansada que se fosse de sua vontade, nem tomaria banho para dormir. Contudo, Louise a forçou a levantar, praticamente a carregando para o banheiro ou ela não iria nunca. Elas não tinham mais problemas em dividir nenhum ambiente do dormitório que dividiam, portanto, ver a ruiva cantarolando uma música qualquer enquanto escovava os dentes — só Dieu sabia como ela conseguia fazer os dois ao mesmo tempo — era muito normal. Assim que a morena terminou de tirar sua roupa, ficou encarando a amiga com um sorriso gengival. — Quando teremos mais cupcakes, ma bichette? — perguntou inocentemente, tentando tirar o trauma que se instalara nela. Louise a olhou seriamente, uma aura quase mortal a envolvia e, por um momento, quis afogar a amiga pela insinuação, no entanto, sorriu meigamente. — Quem sabe... — começou, piscando exageradamente — nunca?
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